14/06/2013

A DIREITA, A ESQUERDA E A BAHIA

Por: Francklin Roozewelt de Sá

 

Está se tornando comum ouvirmos dizer que os conceitos de esquerda e direita, diante dos novos tempos se encontram ultrapassados, mas queiram ou não aqueles que se consideram  ‘formadores de opiniões”, eles continuam definindo claramente as posições políticas. 

A grosso modo, pode ser considerado como de esquerda aqueles que se identificam e defendem a mudança social, e que buscam alcançar uma sociedade mais igualitária, menos injusta e a participação efetiva do Estado, não como um mero interventor, mas como peça fundamental para o crescimento e desenvolvimento do País. Já de direita, podem ser considerados aqueles que defendem ideias conservadoras em relação aos costumes e se mostram liberais em relação à economia, excluindo o Estado como agente fomentador.

É claro, que em plena era da informação, onde as pessoas têm facilmente acesso a qualquer dado que necessitar, que estes conceitos também se modernizaram, mas o âmago da sua  conceituação permanece.

Ser de direita ou de esquerda, nada tem a ver com os conceitos morais de bem e de mal, ou seja, que os primeiros são individualistas e defendem políticas liberais  e que os de esquerda são coletivistas e pregam a intervenção do Estado. Não é bem por aí. O  importante nesta discussão é entendermos que os conceitos mesmo em pleno século XXI, estão mais do que nunca atualíssimos, até porque são estes conceitos que definem ou ao menos deveriam definir as linhas de ação dos partidos políticos.

Interessante observarmos que este é um fenômeno que ocorre no mundo inteiro. Note que até na pátria mais direita do planeta Terra, os Estados Unidos, este conceito é bem utilizado e visível, onde temos o partido republicano que defendem o liberalismo explicitamente e os democratas são claramente defensores da intervenção do Estado.

Apenas na nossa querida Bahia, é que o ‘republicano’ Jaques Wagner, talvez abençoado pelo Senhor do Bonfim, conseguiu o milagre de juntar todos,  montanheses, jacobinos e girondinos ao seu redor. Hoje estão lado a lado, ombreados pelos mesmos ideias de sugar o Estado, os carlistas que nunca largam o osso e os anticarlistas, neófitos no Poder, mas tal qual os carlistas, também sabem se apossar dos parcos recursos do erário público. Na Bahia de hoje, basta assumir um cargo de chefia por menor que seja, que em seis meses você subir no status social e financeiramente. Ter cargo no Estado hoje, é ganhar na mega sena sem ter jogado.

A situação chegou a tal ponto, que hoje Wagner é considerado como a alegria da direita baiana.

Quando os baianos elegeram Jaques Wagner por duas vezes, criaram a expectativa de ter um governador democrático, que agisse com coragem e altivez, de forma que  rompesse com a prática do autoritarismo implantado na era carlista e que tivesse no mínimo a sensibilidade de atender aos clamores de movimentos sociais, que estabelecesse uma relação diferenciada para com os trabalhadores, principalmente com os servidores públicos, seu principal alinhado na primeira e segunda eleição, reconhecendo-lhes direitos, cumprindo a legislação e honrando acordos.

Eleito em 2006, já no seu primeiro governo Wagner mostrou que não era nada daquilo que aparentava nos palanques, e passou a fazer um governo  que de forma crescente e contínua começou a se  afastar das bases que lhe apoiaram, atraindo para sua gestão exatamente aqueles que segundo PT tinha deixado uma ‘herança maldita’ e que muitos militantes levaram décadas para verem derrotados.

Para começar, o governo Wagner se indispôs com os professores universitários. Em seguida enfrentou com rigor excessivo a paralisação dos policiais militares, afastando-se deles e de suas famílias. Logo após, não soube negociar com os professores da rede estadual, mostrando a sua verdadeira cara, extremamente autoritária ao ponto de suspender os salários, o credito na Cesta do Povo e o atendimento médico pelo Plano de Saúde Estadual, numa tentativa de minar pela inanição o movimento reivindicatório. Foram atitudes e ações retaliatórias que nem mesmo na era carlista  ousaram praticar na Bahia.

E suas atitudes ditatoriais não ficam só nisto. È uma administração, que da mesma forma como ocorria com o carlismo, não dialoga com os movimentos populares. É um governo que se transformou, tal qual o carlismo, que tinha ACM como ícone principal,  fechado em torno da figura de Wagner, ao ponto de hoje já se falar da era wagnerista.

É um governo que age da mesma forma como agia o antigo grupo que dominou a Bahia por cerca de 40 anos. Assumiu posições claramente de direita e antidemocrática, em episódios como a votação e aprovação da nova legislação referente ao Planserv, cuja legislação trouxe mais prejuízos e aumentos de despesas ao funcionalismo e chegou a impor aos deputados estaduais aliados a se posicionarem publicamente contra os servidores. Mais recentemente, vem punindo a categoria, que já amarga um dos maiores arrochos salariais, concedendo reajuste zero no ano d 2013.

Com essas atitudes, Wagner apenas desmoraliza o seu passado de lutas sindicais e populares, se é que realmente teve este passado, pois há quem o chamasse na época de sindicalista pelego, ao fortalecer em seu governo os setores mais conservadores do Estado, todos abrigados e bem abrigados que abriga em seu governo na mesma medida que fragiliza às esquerdas que o apoiam e apoiaram na primeira hora, e que se encontram hoje em uma situação vexatória, sem ter o que dizer aos seus militantes e eleitores e ao mesmo tempo de ter que optar entre ficar ao lado do povo e de suas bases eleitorais, ou continuar  e apoiar um governo cada vez mais autoritário.

O que se  pode concluir, é que esta posição assumida pelo governo Wagner não foi ocasional e sim pensada e bem elaborada. Ao romperem com os setores populares, apenas conseguiram empurrar o seu governo para uma posição reacionária, oposta aos interesses da maioria do povo da Bahia.

Logicamente, que diante deste quadro direitista do governo que tantos sonhos trouxe para o povo baiano, a tendência natural e previsível será  a população buscar outros representantes para eleger, que fale a sua linguagem e que as pratique.

A direita carlista e não carlista hoje alojada no governo Wagner é quem mais está gostando. Está em uma situação invejável e devem está adorando esta posição, pois não se desgasta contra servidores públicos, já que o governo é do PT e a sua base de apoio político é outra. Aliada a esta situação, Wagner se consolida como um parceiro confiável e parceiro privilegiado do campo conservador, do qual tende a se tornar refém, por ser este o setor político que mais se fortalece no Governo Estadual.

Como estamos assistindo, Wagner não só joga na lata do lixo seu passado  de sindicalista e militante de esquerda, mas junto com ele leva a história de luta e o futuro da esquerda na Bahia.

 

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