08/09/2016

Conheça 11 curiosidades sobre as Paralimpíadas

 

Os Jogos Olímpicos do Rio atraíram a atenção internacional e foram considerados um sucesso, mesmo diante de alguns contratempos.

A partir desta quarta-feira, a cidade volta a abrigar competições com mais de 4 mil atletas de mais de 160 países participando dos Jogos Paralímpicos.

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A BBC Brasil preparou um guia com as curiosidades e as principais diferenças entre os dois eventos.

1. Os símbolos

O principal símbolo dos Jogos Olímpicos são os famosos anéis, cinco ao todo, cada um em uma das cinco cores permitidas em bandeiras nacionais do mundo.

Já os Jogos Paralímpicos têm outro símbolo: o Agitos, três arcos em vermelho, verde e azul que representam o lema paralímpico: "espírito em movimento".

Isso se deu também para diferenciar os dois eventos.

2. COI e CPI, entidades diferentes

O Comitê Olímpico Internacional (COI) e o Comitê Paralímpico Internacional (CPI) são entidades diferentes.

Os primeiros Jogos Paralímpicos ocorreram em Roma, uma semana depois dos Jogos Olímpicos de 1960, realizados na capital italiana. Mas, em 1968, a Cidade do México, sede dos jogos daquele ano, se recusou a abrigar os Jogos Paralímpicos, e eles foram realizados em Tel Aviv.

A partir daquele ano, os Jogos Paralímpicos ocorreriam em cidades diferentes dos Jogos Olímpicos. Nos jogos de 1988, a cidade de Seul assumiu a realização também dos Paralímpicos e, desde então, os dois jogos ocorrem na mesma cidade.

Em 2001, este arranjo foi oficializado, e as cidades que querem sediar os Jogos precisam se candidatar para os dois.

3. Um mascote para chamar de seu

Desde 1972, os países-sede dos Jogos seguem a tradição de adotar um personagem símbolo.

O mascote da Olimpíada era Vinícius, uma mistura de diferentes animais brasileiros. Desta vez, será Tom que receberá as delegações e a torcida. Ele personifica diferentes exemplares de nossa flora.

O nome de ambos foi escolhido por votação popular e homenageiam os músicos Tom Jobim e Vinícius de Moraes.

4. Classificações

Nos Jogos Paralímpicos, um corredor cego não vai competir contra alguém que tenha paralisia cerebral. Mas, uma pessoa com paralisia cerebral poderá competir com alguém que tenha problemas de crescimento.

Os atletas passam por testes de função e movimento com um profissional de medicina esportiva para receberem a classificação para disputar as provas.

Natação, por exemplo, tem 14 classes. As variações classificadas como S1 a S10 cobrem graus de lesão medular, paralisia cerebral, prejuízo de pólio, nanismo, amputações ou outras limitações, com o nível 10 sendo o de atletas com menos limitações.

As modalidades entre S11 e S13 são disputadas por atletas com problemas visuais e S14 para os que possuem deficiências intelectuais. E as categorias se dividem ainda mais quando se levam em conta estilos de natação, como nado costas ou borboleta.

Um dos efeitos destas divisões e subdivisões é que na natação dos Jogos Paraolímpicos serão distribuídas um total de 152 medalhas de ouro. Um número bem acima que o das 34 dos Jogos Olímpicos.

5. Mesmos esportes, porém diferentes

Existem esportes dos quais apenas portadores de deficiência participam, mas a maioria dos eventos Paralímpicos podem ser reconhecidos por quem acompanha os Jogos Olímpicos.

Natação, ciclismo e atletismo ocorrem de uma forma parecida com os Jogos Olímpicos, porém divididos em várias modalidades diferentes (atletas com próteses, cadeiras de rodas ou guias humanos, por exemplo).

O futebol para cegos é outro exemplo e tem várias diferenças: a bola tem um guizo para que os atletas sigam o som, dois times de cinco jogadores disputam o jogo em uma quadra.

A área de jogo é menor e cercada, para evitar que a bola saia de campo e também para refletir os sons da bola e dos passos, o que ajuda na orientação dos jogadores.

O goleiro não é cego, mas não pode sair da área. Um "guia", que também não é cego, fica atrás do gol direcionando os jogadores.

Os jogadores usam comunicação sonora com termos específicos com gritos como "voy", palavra em espanhol que significa "vou", que funciona como um aviso que um jogador vai para cima de outro. E, para que tudo funcione, a torcida tem de se manter em silêncio.

6. Esportes exclusivamente Paralímpicos

Um dos esportes exclusivos dos Jogos Paralímpicos é o goalball, jogado por dois times com três jogadores cegos ou com deficiências visuais de cada lado. A quadra é retangular e tem marcações táteis.

O objetivo é atirar uma bola pesada, que tem guizos para orientação dos atletas, na rede do time adversário, enquanto a defesa tenta bloquear o avanço do time adversário com o próprio corpo.

Outro esporte exclusivo é a bocha, praticado de forma competitiva em mais de 50 países. Disputada em uma quadra fechada, pode ser jogada individualmente, em pares ou equipes. Os atletas rolam, atiram ou chutam as bolas para fazer com que elas cheguem perto do alvo.

Este jogo foi introduzido originalmente para pessoas com paralisia cerebral. Mas, com o passar dos anos, também incluiu jogadores com outros tipos de problemas motores.

7. Delegação brasileira

O Brasil chega para a Paralimpíada com sua maior delegação na história. Serão 279 atletas - 181 homens e 98 mulheres -, além de 23 acompanhantes e 195 profissionais técnicos, administrativos e de saúde.

Será ainda a primeira vez que o país terá representantes em todas as 22 modalidades.

A expectativa do comitê é que o Brasil fique em quinto lugar no quadro de medalhas. Em Londres, o país ficou em sétimo, com 43 medalhas, seu melhor desempenho até então.

8. 'Tapper'

Um dos elementos mais importantes nas competições de natação com atletas cegos é o "tapper", um assistente do nadador. Um deles é posicionado em cada ponta da piscina com um bastão longo equipado com uma bola de espuma ou material macio na ponta.

Estes bastões tocam a cabeça do nadador para avisar quando eles se aproximam do fim da piscina, a menos de quatro metros da borda, para evitar que batam na parede.

9. Guias e corredores

Corredores cegos ou parcialmente cegos podem competir com um guia. Geralmente eles correm junto com os atletas, em alguns casos atados por um cordão ao atleta e funcionam como os olhos do corredor.

O guia fala com o atleta durante a corrida explicando onde eles estão, alertando sobre curvas e orientando se o atleta deve acelerar ou não. Cada um, atleta e guia, tem uma faixa exclusiva para correr.

Em algumas categorias, como T12, de atletas com alguma visão, os corredores podem escolher se querem ou não o guia.

A maioria das corredoras tem guias masculinos, já que um guia precisa ter a habilidade de correr mais rápido que a atleta.

A regra de ouro é que o guia não pode cruzar a linha de chegada antes do atleta, pois o atleta poderá ser desclassificado.

No entanto, não são apenas corredores que usam os guias. Salto triplo e salto em distância também usam guias, mas estes não correm. Eles apenas gritam os comandos para direcionar os atletas no salto.

10. Idade

Alguns dos melhores atletas paralímpicos não se encaixam no perfil de idade mais comum entre atletas olímpicos. Alguns atletas ultrapassam os 70 anos.

Uma das razões é que os atletas podem ter chegado ao máximo do desempenho no esporte escolhido mais tarde do que atletas que não tem nenhuma deficiência como resultado de ter escolhido o esporte como parte de um programa de reabilitação ou depois de sofrerem algum acidente que gerou a deficiência.

Mas isso pode ser mais complicado. O grupo de atletas portadores de deficiência é menor do que o grupo dos atletas olímpicos devido a falta de oportunidades.

Isso ocorre por vários motivos, seja pela falta de acesso físico a instalações esportivas ou à falta de percepção de professores de educação física ou daqueles que apoiam pessoas com deficiência em geral, que não notam que portadores de deficiência podem ser extremamente capazes de excelência nos esportes.

11. Doping

Os atletas paralímpicos são submetidos à mesma lista de substância proibidas dos atletas olímpicos.

Um atleta que precise tomar remédios para dor ou para algum tipo de tratamento precisa entrar com um pedido de isenção. Cada pedido é analisado individualmente por um comitê médico, como é feito entre atletas olímpicos.

E a isenção é dada apenas com uma dosagem definida do medicamento e durante um período específico. Os atletas que tomam os medicamentos precisam provar que não existe alternativa.

Nesta edição, um esquema de doping envolvendo autoridades e atletas da Rússia denunciado pela relatório Agência Mundial Antidoping (Wada, na sigla em inglês) fez com que toda os 250 competidores de sua delegação fossem banidos pelo CPI.

Foi uma decisão mais dura do que a tomada pelo COI, que deixou a decisão para as federações esportivas internacionais. Assim, só a equipe de atletismo russa foi impedida coletivamente de disputar a Olímpíada do Rio.

 

Fonte: BBC Brasil/Municipios Baianos

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