08/09/2016

A festa volta ao Rio com os atletas paraolímpicos

 

Recebidos com samba e voadoras, os mais de 4.000 atletas portadores de deficiência visual, física, intelectual ou paralisia cerebral já estão no Rio de Janeiro para a abertura dos XV Jogos Paralímpicos. A chama olímpica arderá novamente no alto do estádio do Maracanã e a cidade deslocará mais uma vez a sua rotina diária para o esporte, entre 7 e 18 de setembro.

Antes mesmo da inauguração oficial, vários recordes já foram batidos. Estão inscritos 4.350 atletas de 176 países, os números mais altos da história dos Jogos Paraolímpicos. Para os amantes das estatísticas: são 36 a mais do que Pequim 2008 e 12 a mais do que Londres 2012. A segunda marca a ser registrada pelo Guinness são as 22 modalidades esportivas que fazem parte do programa das competições, duas a mais do que na edição anterior, tendo a canoagem e o triatlo como novidades.

Apesar das dificuldades econômicas do Comitê Rio 2016, que viu perigar a realização do evento, os anfitriões confiam no impulso dado pelos meios de comunicação e pelo público aos Jogos Paraolímpicos. Ainda assim, os ajustes orçamentários envolvem cortes que já são inevitáveis. A redução do pessoal e das entradas previstas para os Jogos, o fechamento de alguns centros de imprensa e áreas de competição, a redução de serviços, como o de transporte, de todos os locais de competição ajudarão a equilibrar as combalidas contas da organização. O presidente do Comitê Paraolímpico Internacional (IPC), Phil Craven, descreveu a situação do Rio 2016 como a maior crise da história dos Jogos. “Nunca, em 56 anos de história, tínhamos enfrentado circunstâncias como estas”, disse há algumas semanas.

Entre as soluções previstas, o IPC acordou com a prefeitura do Rio um financiamento adicional de 150 milhões de reais. O Governo brasileiro também permitirá que empresas estatais aportem mais 100 milhões na forma de patrocínio.

Na segunda-feira a organização comemorava a venda de 1,5 milhão de entradas – cujos preços variam de 10 a 1.200 reais –, um bom impulso nas vendas, considerando que há algumas semanas os torcedores só tinham comprado 10 % dos quase 2,5 milhões de ingressos. Os esportes mais procurados são natação, atletismo, basquete em cadeira de rodas, futebol de 5 e vôlei sentado.

Os hotéis têm, até agora, pouco a comemorar. Se nos Jogos Olímpicos conseguiram ocupar quase todos os quartos durante três semanas, a dois dias da cerimônia de abertura dos Jogos Paraolímpicos a ocupação não chegava a 50%. Nem mesmo no bairro da Barra da Tijuca, o bairro do Parque Olímpico e o mais procurado, a demanda não supera os 70%.

Os heróis brasileiros

A delegação brasileira, sétima nos Jogos de Londres em 2012, com 43 pódios, desembarcou no Rio com 286 atletas – o maior número da historia –, uma equipe com fome de medalhas e que pretende fechar este ciclo olímpico entre as cinco grandes potências esportivas. Há muita confiança depositada nos brasileiros e antes mesmo da realização dos Jogos Olímpicos, nos quais o Brasil não alcançou o objetivo do Comitê Olímpico Brasileiro de se classificar entre os 10 primeiros, alguns especialistas já alertavam que os verdadeiros heróis esportivos do Brasil seriam os atletas paraolímpicos.

“É quase certo que podemos ficar em quinto e até em quarto lugar. No Brasil, o esporte paraolímpico está fortemente associado a instituições privadas que, com patrocinadores, conseguem planejar e obter bons resultados. Não podemos superar grandes potências como China ou os Estados Unidos, mais o resultado será melhor do que nos Jogos Olímpicos”, avalia Lamartine da Costa, organizador do Atlas do Esporte no Brasil e do livro O Futuro dos Megaeventos Esportivos.

Há pelo menos sete disciplinas em que o Brasil tem possibilidades. Na natação, as expectativas recaem sobre os ombros de Daniel Dias, o maior medalhista país, que ganhou – nada mais, nada menos – que seis ouros em Londres. André Brasil, dois ouros e duas pratas em Londres, é outro favorito.

O atletismo tem uma das suas estrelas, Terezinha Guilhermina, que, sem visão e conduzida por seu guia, ganhou duas medalhas de ouro em Londres. Petrucio Ferreira, recordista mundial, e Yohansson Nascimento, campeão paraolímpico e mundial, formam a dupla de velocistas que busca uma medalha nos 200 metros na classe T47, cujos atletas são amputados de um dos braços, acima ou abaixo do cotovelo. Felipe Gomes, atual campeão paraolímpico dos 200 metros na classe T11 (deficiência visual total), também pretende defender seu título, assim como Alan Fonteles, que pulveriza recordes mundiais de velocidade e, com suas próteses de fibra de carbono, venceu em Londres nos 200 metros o famoso e condenado Oscar Pistorius.

No futebol de 5, a versão para deficientes visuais, o Brasil também é campeão, assim como a equipe de goalball, ouro em Toronto em 2015, e os atletas de bocha, praticada por esportistas com alto grau de paralisia cerebral ou deficiências severas, entre os quais há uma boa lista de medalhistas de Londres como Maciel Santos, Dirceu Pinto e Eliseu dos Santos. A esgrima em cadeira de rodas, o voleibol sentado e o judô também apostam em medalha.

Uma cerimônia mais humana

A cerimônia de abertura oferecerá ao mundo a montagem ao vivo de uma gigantesca obra de arte de 500 peças do criador brasileiro Vicente José de Oliveira Muniz, conhecido como Vik Muniz. Será uma cerimônia muito mais “humana e multissensorial”, na qual não faltarão samba e exibições de atletas paraolímpicos.

“Nossa prioridade é dar valor à humanidade, transmitir uma mensagem de tolerância e impactar os sentidos. Teremos um espetáculo de dança cuja intenção não é mostrar uma história, mas emocionar”, explicou em uma entrevista coletiva Marcelo Rubens Paiva, um dos diretores de criação do evento.

O diretor das cerimônias do Rio 2016, Leonardo Caetano, afirmou que a equipe de logística da cerimônia será semelhante à usada nos Jogos Olímpicos, com cerca de 2.000 técnicos, 2.000 voluntários e 500 artistas, incluindo 78 bailarinos profissionais e duas companhias de bailarinos em cadeira de rodas.

Começam 11 dias de competição para alcançar a glória sonhada durante anos de treinamento duro. Esporte em estado puro, alta competição sem mais adjetivos. No Rio, a deficiência não é um estigma social, mas o motor de arranque dos XV Jogos Paraolímpicos.

Governo promete continuar a investir no esporte paralímpico

Mesmo com a previsão de cortes no orçamento do governo federal para o próximo ano, o investimento no esporte paralímpico vai continuar. O ministro do Esporte, Leonardo Picciani, disse hoje (6), em entrevista coletiva no centro de mídia (Media Center), no Rio de Janeiro, que o Brasil está se tornando uma “potência paralímpica” e que os investimentos para aprimorar o setor não serão interrompidos.

“Nossa expectativa é repetir o sucesso [dos Jogos Olímpicos] e aprimorar esse sucesso nos Jogos Paralímpícos. O Ministério do Esporte considera a parceria com o Comitê Paralímpico Brasileiro [CPB] algo muito positivo, muito profícuo. A gente tem, ao longo desses anos, participado da preparação dos atletas e da estruturação das modalidades paralímpicas. O governo brasileiro, por decisão governamental do presidente Temer, vai investir cada vez mais no esporte paralímpico. Ele vem numa espiral crescente, vem a cada ciclo conquistando uma evolução de resultados. Temos certeza que, como no esporte olímpico, também teremos uma evolução depois do excelente resultado que já tivemos em Londres”.

Sobre cortes no orçamento do ministério para o próximo ano, o ministro não especificou onde poderiam ser feitos, mas garantiu que a pasta não terá cortes maiores do que outros setores: “Evidentemente, o Brasil terá que fazer o debate de suas contas públicas e de seu orçamento, no Congresso Nacional, e teremos o orçamento que poderemos ter. É uma estimativa feita com base científica no que é esperado de receitas para o Brasil. Esperamos que o orçamento seja mais robusto. O importante para o esporte é que não teremos perda proporcional. Se tiver que cortar, será proporcional aos outros”. Picciani destacou que, a partir de agora, com os equipamentos construídos, a necessidade de investimentos diminui, mudando o foco para otimização do uso e o fomento ao esporte.

O presidente do CPB, Andrew Parsons, destacou o Centro de Treinamento construído em São Paulo, com investimentos dos governos do estado e federal, que é administrado pela entidade e contribui para o país alcançar a meta de ficar em quinto lugar no quadro de medalhas no Rio de Janeiro. Em Londres, os atletas paralímpicos brasileiros conseguiram a sétima posição.

“Vivemos um momento histórico para o esporte paralímpico: temos a maior e melhor delegação paralímpica de todos os tempos, temos 286 atletas, pela primeira vez temos representante em todas as 22 modalidades. Por ser o anfitrião, o país teve o seu trabalho facilitado, mas em nenhuma o Brasil vai apenas para participar, em todas somos competitivos. Isso é fruto de investimentos, com patrocínio das Loterias da Caixa, em todas as modalidades paralímpicas, em parecia com as federações. A meta de ficar em quinto lugar é factível, muito agressiva e muito ambiciosa”, disse Parsons.

O dirigente destacou que o CPB tem planejamento de longo prazo, com a meta para 2016 anunciada em 2009. “Temos entregado os resultados que  temos nos proposto a fazer. Isso dá uma segurança ao Ministério do Esporte, que a cada ano está liberando um pouco mais de recurso. É bom saber que vai continuar sendo assim. Nesses dois ciclos, desde Londres, vamos ter um momento de ápice agora, mas com os dois maiores legados, que são o Centro de Treinamento para 15 modalidades paralímpicas, e o aumento da contribuição da Lei Agnelo/Piva, O CPB passou de 0,3% para 1% da arrecadação bruta das loterias, o que nos faz ser capaz de administrar esse centro da melhor forma possível, com um custo anual estimado de R$ 30 milhões. Vai ter impacto nos resultado de 2016, mas vai ter muito mais para os resultados de 2020 em Tóquio”.

Parsons informou que as vendas de ingresso para as Paralimpíadas já chegam a quase 1,6 milhão, da meta de 2 milhões estipulada para o evento.

Presidente da Fifa defende Copa do Mundo com 40 seleções

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, insiste que a Copa do Mundo deve ter o número de seleções ampliado de 32 para 40. Em entrevista ao canal "Sky Sports" nesta terça-feira, lembrando o exemplo da última Eurocopa, o mandatário afirmou que o aumento beneficiará o crescimento do futebol.

- Minha opinião não mudou. Temos de debater e perceber o que será melhor para o futebol. Nada é definitivo. Acredito que um Mundial com 40 equipas será positivo para o crescimento do futebol. Confirmamos isso nesta Eurocopa de França, que teve mais oito equipes - colocou o dirigente ítalo-suíço.

Infantino também é simpático à ideia de um país da Concacaf (América Central, América do Norte e Caribe) como organizador da Copa do Mundo de 2026. Estados Unidos (1994) e México (1970 e 1986) já tiveram o privilégio.

- Estes assuntos deverão ser desenvolvidos durante o congresso da Fifa em outubro, porém, a decisão sobre o anfitrião do Mundial de 2026 só será conhecida em maio de 2020 - adiantou o presidente.

 

 

 

Fonte: El País/Agencia Brasil/Lance/Municipios Baianos

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