17/11/2016

Tite culpa imprensa por 'hiper-valorização' de técnicos

 

Desde sua estreia como técnico da Seleção Brasileira, Tite vem recebendo elogios de todos os lados, internos e externos, e tem sido visto como o grande responsável pela reação da equipe canarinho, que deixou de se digladiar com os próprios torcedores e saiu de uma zona de perigo na tabela das Eliminatórias Sul-americanas para encerrar o ano na liderança, a um ponto de garantir vaga na Copa do Mundo de 2018, em paz com seus fás e com o recorde de João Saldanha, técnico da Seleção de 69, igualado depois de seis vitórias seguidas.

O problema é que Tite não quer ser taxado como o único grande 'culpado' por essa transformação e tem deixado esse incômodo claro a cada entrevista em que é abordado até com certa admiração pelos jornalistas. Após a vitória contra a Argentina, o treinador tentou dar um basta nessa situação, mas, nesta quarta, Tite repetiu a chamada e até criticou a postura de parte da imprensa e de alguns comentaristas depois de também superar o Peru, em Lima.

"Vocês são culpados por hiper-valorização de técnico. Vocês valorizam demais, vocês são os primeiros a fazer isso e depois vocês também criticam essa hiper-valorização. Nenhum técnico fica fazendo propaganda de si. Não quero ser porta-voz de técnico. Então, para quem está ouvindo, tem que saber que há muito trabalho coletivo muito forte", afirmou Tite, logo após a vitória do Brasil sobre o Peru, em Lima, no último compromisso da Seleção em 2016.

"Primeira coisa: Cleber Xavier, Sylvinho, Maurício, Fernando, Matheus, Fábio, Anderson Paixão, Taffarel. Obrigado por aturar um cara chato para caramba, que quer saber tudo toda hora. E eles estão sendo incansáveis no conhecimento", agradeceu o comandante do grupo canarinho, citando alguns membros de sua comissão técnica.

Com um pouco mais de calma e sem o semblante sisudo, Tite também reconheceu sua satisfação pelo trabalho e pelos resultados alcançados antes da virada do ano, já que a Seleção agora só volta a campo em março. Mesmo assim, ainda evitou revelar um sentimento de alívio depois de seis jogos e 100% de aproveitamento.

"Cara, não caiu a ficha ainda. Vai cair na sequência de todo o trabalho realizado, da mobilização muito grande. Uma das características que o Gareca (técnico do Peru) tem que ter, eu tenho que ter, é que somos muito expostos. E quero achar um meio-termo, que um técnico e o seu grupo de trabalho precisam saber dividir essas situações. Não sei se eu mereço isso (boa fase), mas estou muito feliz", concluiu.

Início na Seleção: compare Tite com os outros técnicos

A nova vitória do Brasil, desta vez sobre o Peru, por 2 a 0, na noite de terça (15), alçou o técnico Tite a uma posição de destacada entre todos os 22 treinadores que já dirigiram o time principal do País, desde 1914, por pelo menos seis jogos contra seleções nacionais.

Considerando-se os seis primeiros compromissos (contra seleções estrangeiras) de cada um deles, Tite consegue agora o melhor desempenho.

Esse pontapé inicial do ex-técnico do Corinthians na Seleção, com 100% de aproveitamento em seis partidas, se iguala, por enquanto, ao de Aimoré Moreira, em 1961, ao de João Saldanha, em 1969, e ao de Dunga, em 2014.

Aimoré e Dunga faziam a reestreia na Seleção, enquanto Saldanha dirigia a equipe pela primeira vez. Entretanto, os comandados de Tite obtiveram agora um melhor saldo de gols do que aqueles times no período analisado.

Nesse levantamento, não se consideram os amistosos contra clubes ou combinados.

Veja como foi o desempenho inicial dos técnicos da Seleção ao longo da história (sempre abordando as seis primeiras partidas deles contra outros países).

Chico Netto – 2 Vitórias e 4 Derrotas – 1923

Adhemar Pimenta – 4V, 2D – 1936/37

Adhemar Pimenta – 3V,  1E, 2D – 1942

Flavio Costa – 5V, 1D – 1944/45

Aimoré Moreira – 4V, 2D – 1953

Zezé Moreira – 5V, 1E – 1954

Flavio Costa – 3V, 2E, 1D – 1955/56

Osvaldo Brandão – 4V, 2D – 1957

Vicente Feola – 4V, 2E – 1958

Aimoré Moreira – 6V (17 gols marcados/6 sofridos) – 1961

Vicente Feola – 4V, 1E, 1D – 1964/65

Aimoré Moreira – 2V, 3E, 1D – 1967/68

João Saldanha – 6V (17 gols marcados/4 sofridos) – 1969

Zagallo – 4V, 2E – 1970

Osvaldo Brandão – 5V, 1D – 1975

Claudio Coutinho – 3V, 3E – 1977

Telê Santana – 4V, 1E, 1D – 1980

Carlos Alberto Parreira – 3V, 3E – 1983

Evaristo de Macedo – 3V, 3D – 1985

Telê Santana – 3V, 2E, 1D – 1985/86

Carlos Alberto Silva – 4V, 1E, 1D – 1987

Lazaroni – 4V, 1E, 1D – 1989

Falcão – 5E, 1D – 1990/91

Carlos Alberto Parreira – 4V, 1E, 1D – 1991/92

Zagallo – 5V, 1E – 1995

Vanderlei Luxemburgo – 3V, 2E, 1D – 1998/99

Emerson Leão – 2V, 3E, 1D – 2001

Luiz Felipe Scolari – 4V, 2D – 2001

Carlos Alberto Parreira – 2V, 2E, 2D – 2003

Dunga – 4V, 1E, 1D – 2006/07

Mano Menezes – 4V, 2D – 2010/11

Luiz Felipe Scolari – 1V, 4E, 1D – 2013

Dunga – 6V (14gols marcados/1sofrido) – 2014

 

 

Fonte: Gazeta Esportiva/Terra Magazine/Municipios Baianos

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