20/11/2016

Os segredos do sucesso do treinador Tite

 

“Minha postura é a mesma que tenho desde o meu primeiro clube, o Guarani de Garibaldi. Levo os conhecimentos que adquiri, a ética e a educação que trago da minha família” (Tite)

O lateral direito Fagner, do Corinthians, estava internado no hospital quando o celular tocou. Era uma mensagem do técnico Adenor Leonardo Bacchi, o Tite. “Ele escreveu preocupado, falando para eu melhorar e voltar logo”, diz o jogador, que também defende a Seleção Brasileira, lembrando do fato ocorrido há menos de dois meses.

“Coisas simples, mas que às vezes um amigo não faz.”

Em 2012, no Mundial de Clubes no Japão, vencido pelo Corinthians, o zagueiro Paulo André (Atlético-PR) conta que Tite pediu que todos os jogadores alinhassem as cadeiras para ouvi-lo.

Solene, ele disse que sabia o peso sobre as costas dos atletas. E, apesar da ansiedade, insistiu que a equipe deveria jogar para “merecer vencer”.

“A diferença do Tite é que ele consegue elevar a concentração dos atletas”, afirma o meia atacante William, do Chelsea (ING).

“Todos os jogadores são importantes. Ele não diferencia quem fica no banco de quem vai para o campo.”

O lateral esquerdo Fábio Santos, do Atlético Mineiro, outro ex-corintiano, costuma dizer sobre si próprio: “existe um jogador antes do Tite e outro depois dele. Ele me fez crescer como atleta e como pessoa.”

Histórias e depoimentos como esses ajudam a explicar a personalidade do homem que, em poucos meses, resgatou a Seleção, elevando-a ao topo do grupo nas Eliminatórias da Copa do Mundo. Mais do que isso: o técnico reconciliou a torcida brasileira, apaixonada por futebol, com o time que representa seu País.

Resgate

A inteligência aliada à sensibilidade fizeram com que Tite acabasse com a aversão e a hostilidade que milhões de brasileiros criaram em relação à Seleção após uma sucessão de decepções e ao fatídico 7 a 1 contra a Alemanha na Copa do Mundo de 2014.

“Aproveitamos as funções que os atletas exercem em seus clubes, mas num contexto de Seleção”, disse Tite à ISTOÉ. “Fiz um diagnóstico da recuperação dos jogadores para ver que intensidade e que ritmo poderia imprimir aos treinos.”

Com um estilo agregador, ele adota o diálogo como principal tática. “É impressionante o nível de dedicação dele”, diz o lateral Alessandro, que foi capitão do Corinthians na conquista do Campeonato Brasileiro de 2011, no Mundial e na Libertadores da América de 2012.

O resultado? Segundo especialistas, desde 2005, na Copa das Confederações sob o comando de Carlos Alberto Parreira, o Brasil não joga tão bem. Mais do que isso: a Seleção arrancou com seis vitórias sequenciais, igualando-se à marca estabelecida na época de ouro, em 1969.

“Ele era o técnico esperado por todo mundo desde que acabou o Mundial de 2014. A surpresa é como ele conseguiu recuperar a qualidade do time tão rapidamente”, diz Tostão, ex-jogador e comentarista de futebol.

O segredo de Tite para devolver a Seleção aos brasileiros está nos detalhes. Ele sabe que precisa se comunicar com o grupo com frequência, apesar das dificuldades impostas pelas agendas dos que atuam em clubes do Exterior. Então montou um grupo no Whatsapp para estreitar a comunicação com a equipe, com quem fala de duas a três vezes por semana. “Ele também se comunica com a comissão técnica de todos os jogadores”, diz Paulo Vinícius Coelho, o PVC, comentarista esportivo.

Um exemplo disso é o resgate de Marcelo, lateral-esquerdo do Real Madri. Ele foi cortado por Dunga enquanto o treinador da época aguardava resposta sobre a gravidade de uma contusão.

Tite, ao contrário de seu antecessor, não espera comunicação. Conversou com os espanhóis e trouxe Marcelo, o melhor do mundo em sua posição, de volta.

Recentemente, também trocou informações sobre Philippe Coutinho com o técnico do meia no Liverpool (ING), Jürgen Klopp. “Hoje a tecnologia permite que o mundo inteiro se sente à mesma mesa e ele usa muito bem esse recurso”, diz PVC.

Além disso, costuma assistir ao maior número de jogos que pode, assim como fazem os grandes técnicos da atualidade, como Joachim Low, treinador da Seleção da Alemanha, atual campeã do mundo.

Também tem uma rotina que deveria ser normal, mas não era cumprida por quase nenhum outro treinador. Bate ponto na sede da CBF, no Rio das 10h às 19h.

Leilão do Canindé por R$ 74 mi não teve nenhum interessado

A Portuguesa ganhou um tempo extra para tentar manter o estádio do Canindé em sua posse. No leilão marcado para esta sexta-feira não apareceram interessados. O lance mínimo era de R$ 74,1 milhões, 60% do valor da avaliação, que atingiu R$ 123,5 milhões.

A tentativa de venda foi marcada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região após serem esgotados os recursos trabalhistas, que impediam a venda do terreno.

A área que foi ofertada no leilão tem cerca de 42 mil m² e é apenas uma parte do terreno em que o estádio foi construído. Uma outra área, de aproximadamente 55 mil m² pertence à Prefeitura de São Paulo e está em uso por parte da Portuguesa em regime de comodato. Também há planos para que essa outra parte do terreno seja vendida.

O leilão desta sexta-feira é apenas um dos capítulos da crise que a Portuguesa atravessa e que se intensificou a partir de 2002, quando o time foi rebaixado pela primeira vez para a Série B do Campeonato Brasileiro.

Na sequência da queda, o clube perdeu o seu principal jogador, Ricardo Oliveira, que foi para o Santos de graça, depois que o clube deixou de depositar o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço na conta do atleta por mais de três meses consecutivos.

Oliveira, que está novamente no Santos, é um dos credores do clube. Somente na Justiça do Trabalho são 248 processos do tipo, que incluem ex-jogadores e ex-funcionários.

De acordo com o Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, somente o ex-jogador Tiago de Moraes Barcellos e outros seis credores tem R$ 47 milhões a receber.

Quebra de acordo

A Portuguesa chegou a fazer um acordo em 2008 para o pagamento dessas dívidas, mas ele deixou de ser cumprido a partir de 2014, em decorrência do agravamento da crise provocada pelo rebaixamento para a Série B em julgamento no Superior Tribunal de Justiça Desportiva.

Em 2013 a Portuguesa terminou o campeonato na 12ª posição, com 48 pontos. Porém, foi condenada à perda de quatro pontos por ter utilizado de forma irregular o atacante Héverton na última partida do torneio, um empate de 0 a 0 contra o Grêmio, no Canindé.

Em 2014, com apenas três vitórias em 38 partidas, foi novamente rebaixada, desta vez para a Série C. Em 2015 chegou a disputar o retorno para a Série B, mas foi derrotada em duas partidas para pelo Vila Nova-GO.

A crise se agravou ainda mais com um novo rebaixamento neste ano. Em 2017 o time vai disputar a Série D do torneio nacional. No Paulista, o time vai disputar a Série A-2.

Após fracasso em leilão, Portuguesa tem esperança em acordo

A tentativa frustrada da venda de parte do terreno em que está o estádio do Canindé, por parte do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, está longe de encerrar a batalha judicial entre os credores e a Portuguesa. Até uma nova tentativa de negociação, que deverá ser determinada pela Justiça para fevereiro do próximo ano, o clube vai tentar um novo acordo para o pagamento das dívidas. Já os credores deverão recorrer à Justiça para receberem os valores devidos.

Na próxima semana, o juiz responsável pelo caso, Maurício Marchetti, da 59ª Vara Trabalhista de São Paulo, irá decidir o andamento do processo.

O presidente do clube, Leandro Teixeira Duarte, neto do ex-presidente Osvaldo Teixeira Duarte, que construiu o estádio em sua gestão, disse que a ideia, nestes pelos menos três meses, é a de propor um novo acordo para a dívida.

"A Portuguesa não tem outra alternativa a não ser brigar pelo valor a ser pago. Somente com juros, a dívida cresce cerca de R$ 500 mil por mês. O clube não pode ficar dependendo de terceiros. Precisamos encontrar uma solução dentro da nossa comunidade. Uma parceria imobiliária seria algo para longo prazo, mas também poderia fazer parte do acordo", disse.

Para a advogada de boa parte dos credores, Gislaine Nunes, a possibilidade de um acordo é remota. Segundo ela, outros já foram feitos, mas não cumpridos.

Gislaine disse não ter comparecido ao leilão por sofrer ameaças de parte da torcida da Portuguesa, mas que na próxima segunda-feira tomará medidas judiciais para dar andamento ao caso.

"Não posso revelar a minha estratégia, mas medidas judiciais serão tomadas. A minha intenção não é a de acabar com o clube, mas uma solução precisa ser dada. Os credores precisam receber o que é devido a eles", disse.

Ela disse ainda acreditar que não houve interessados na aquisição do terrano por conta da crise econômica que o país atravessa. "O dinheiro está sumido".

 

Fonte: Por Fabíola Perez, em IstoÉ/Terra/Municipios Baianos

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