03/12/2016

Pai de zagueiro critica ida ao aeroporto para abraçar Temer

 

Osmar Machado, pai do zagueiro Filipe Machado, aguarda a chegada do corpo do filho, vítima de acidente aéreo na Colômbia, para velório coletivo na Arena Condá, em Chapecó. Informado de que deveria ir ao aeroporto recepcionar o presidente Michel Temer, ele mostrou indignação.

"Falaram que eu vou ter que sair daqui e ir até o aeroporto dar um abraço no Temer. Acho isso uma falta de respeito com as famílias. Se ele quiser, que venha aqui. Isso é tão desrespeitoso que eu até acho que é mentira (a vinda do Temer)", criticou.

O pai também afirmou que, após a cerimônia em Santa Catarina, a família irá realizar outro velório na Arena do Grêmio, no Rio Grande do Sul. Embora Machado tenha defendido a camisa do Internacional por 10 anos, foi o Grêmio quem ofereceu o espaço e entrou em contato com a família.

"Não quero reclamar. Ou julgar. O Filipe tinha muitos amigos nos dois clubes. Mas quem nos contatou foi o Grêmio. Talvez por que o Inter tenha outras preocupações agora", falou. Filipe Machado também teve uma breve experiência no Grêmio, dos 9 aos 11 anos.

Muito abalado, o pai de Machado contou que o filho estava vivendo um dos momentos mais felizes da sua vida. "Ele jogou em países de muito conflito, como o Irã, a Rússia e os Emirados Árabes... Mas foi aqui que o pior aconteceu", lamentou.

Em luto, Osmar também chamou o piloto da companhia aérea LaMia de "imbecil" e "ganancioso". "Pena que o piloto não está vivo pra ver tudo isso aqui, tudo o que ele fez com a gente", disparou. Segundo as investigações preliminares das autoridades colombianas, a queda do avião, que deixou 71 mortos e seis feridos, deveu-se à falta de combustível.

Osmar revelou que fez o trajeto de sua cidade, Gravataí, para Chapecó de carro - e que muitas vezes pensou em "enfiar o carro embaixo de um caminhão". O pai do zagueiro morto no voo da LaMia disse que não fez uma bobagem porque precisa ser forte e ajudar a esposa e as filhas.

Mãe de Danilo consola jornalista durante entrevista

Mais uma cena emocionou a todos nessa triste semana. Nesta sexta-feira, o repórter Guido Nunes, do SporTV, entrevistava a mãe do goleiro Danilo, uma das vítimas do acidente aéreo que tirou a vida de 71 pessoas. Apesar de sua dor, Dona Alaíde Padilha se solidarizou com a dor dos jornalistas.

- Posso fazer uma pergunta? Como vocês, da imprensa, estão se sentindo tendo perdido tantos amigos queridos lá? Pode me responder? Posso te dar um abraço em nome da imprensa? - disse - Todos da imprensa que perderam seus amigos, perderam aquelas pessoas que estavam lá. Vocês que fizeram a carreira desses meninos

O acidente com a aeronave que transportava a delegação da Chapecoense para Medellín, na final da Copa Sul-Americana, aconteceu na madrugada da última terça-feira. Das vítimas, 20 eram jornalistas.

Todos os corpos das 71 vítimas já foram identificados pelo IML da Colômbia e voltam para o Brasil nesta sexta. Os mortos serão homenageados em um velório coletivo, neste sábado, na Arena Condá.

Mãe do goleiro Danilo diz que 'perdeu filho, mas ganhou milhares'

Ilaide Padilha, mãe do goleiro Danilo, afirmou nesta sexta-feira que "perdeu um filho, mas ganhou milhares" ao referir-se aos torcedores da Chapecoense e a todos os brasileiros que se solidarizaram com a tragédia vivida pela família dela. Danilo foi um dos 19 jogadores da Chapecoense que morreu no acidente aéreo na Colômbia, na madrugada de terça-feira.

Ilaide emocionou os jornalistas que estavam trabalhando na Arena Condá ao abraçar vários profissionais da imprensa e agradecer "por ter colocado o filho dela em um pedestal".

Ela conta que também foi "abraçada por toda a cidade" e que tem se emocionado com "a demonstração de carinho das crianças". Ilaide contou que pensou em levar o corpo do filho direto para Cianorte, sua cidade de origem, no Paraná. "Mas depois de acompanhar tudo o que a torcida está fazendo aqui. Acredito que a torcida também era a família dele."

Ao ser perguntada sobre a força que tem demonstrado, ela avisou: "Não posso me derrubar agora. Depois eu me acerto com Deus".

Cidade americana que perdeu um time inteiro em acidente mostra apoio a Chapecó

A cidade de Huntington, na Virgínia Ocidental, conhece muito bem o drama vivido por Chapecó (SC). Em 1970, o choque de um avião contra uma montanha matou 75 pessoas, sendo 37 membros da equipe de futebol americano da Marshall University e nove membros da comissão técnica. Todos voltavam de uma partida da liga universitária na Carolina do Norte.

O acidente, contado no filme de Hollywood We Are Marshall e no documentário Marshall University: Ashes to Glory, é considerado a maior tragédia da história do esporte dos Estados Unidos. Assim como a Chapecoense, o Thundering Herd, como é conhecido o time de Marshall, também usa as cores verde e branca.

Em ato de empatia, a prefeitura de Huntington não deixou o fato passar em branco. Colocou na sede do governo municipal um grande painel, escrito em português, onde os moradores podem deixar suas mensagens ao povo de Chapecó. O painel, depois, será trazido ao Brasil.

Nele, aparece escrito: "No dia 14 de dezembro de 1970, a cidade de Huntington, localizada no estado norte-americano da Virgínia Ocidental, e a Universidade Marshall perderam 75 membros da comunidade num trágico acidente aéreo. Aos nossos amigos de Chapecó, saibam que estamos unidos a vocês em espírito. Entendemos como uma comunidade resiliente encontra consolo quando se une num momento de tragédia".

Sport doará renda de último jogo do Brasileiro para vítimas de acidente

A diretoria do Sport anunciou nesta sexta-feira que vai doar toda a renda líquida do duelo contra o Figueirense, dia 11, na Ilha do Retiro, pela última rodada do Campeonato Brasileiro, às famílias dos jogadores da Chapecoense que foram vítimas de acidente aéreo da última terça-feira.

Mais do que isso, o presidente João Humberto Martorelli convocou todos os clubes da Série A do Campeonato Brasileiro a fazerem o mesmo. "Eu proponho que a renda de todos os jogos da última rodada sejam doadas para a Chapecoense com destinação às famílias das vítimas. Essa homenagem é a mais concreta que podemos fazer", afirmou, em entrevista coletiva.

O dirigente lembrou do atacante Thiaguinho, que havia ficado sabendo recentemente que sua esposa está grávida. "Vi que a Chapecoense tem seguro. Mas é suficiente para essa criança a vida toda?", questionou.

Além do apoio financeiro à Chapecoense, o dirigente ainda sugeriu ações para homenagear o clube abalado pela tragédia de terça-feira, incluindo jogar com a camisa da Chapecoense e vestir o mascote do Sport, o Leão, de verde e branco, as cores do time de Santa Catarina.

O Sport ainda briga contra o rebaixamento e precisa vencer o Figueirense na ultima rodada para não depender de outros resultados. O clube tem renda bruta média de R$ 231 mil de arrecadação com bilheteria no Brasileiro, sendo que em nenhum jogo a renda bruta superou R$ 500 mil.

Torcedores do Atlético Nacional vão até Chapecó para prestar solidariedade

Em meio ao verde e branco das cores da Chapecoense, dois torcedores com uniformes parecidos com o do clube de Santa Catarina chamam a atenção pelo sotaque. Daniel Ojeda e Fernando Bolaños vivem, basicamente, de ir atrás do Atlético Nacional. E em decorrência da tragédia, deixaram de lado o amor pelo clube e foram até Chapecó prestar solidariedade aos "hermanos".

"Estou desde janeiro longe de casa, só seguindo o Atlético Nacional. Consigo chegar aos locais pedindo ajuda. Aqui mesmo, em Chapecó, consegui pedindo dinheiro na rua", disse Daniel, que anda com um cartaz escrito em português, em que pede ajuda para angariar recursos e manter sua tradição de viagens.

Os dois já estavam juntando dinheiro para o segundo jogo da final, que seria no estádio Couto Pereira, em Curitiba, na quarta-feira que vem, mas assim que souberam da tragédia, foram para Chapecó. "Chegamos aqui e fomos muito bem recebidos por todos. Estamos representando o povo colombiano", disse Fernando.

A dupla pretende ir embora da cidade catarinense somente após o velório, que irá ocorrer neste sábado. "Ficamos muito tristes, pois poderia ter acontecido com o nosso time e acredito que Chapecoense e Nacional fariam dois lindos jogos", comentou Daniel, que promete. "Agora sou torcedor do Nacional e da Chape."

Luis Enrique aprova amistoso entre Barcelona e Chapecoense

O técnico do do Barcelona, Luis Enrique, mostrou solidariedade à Chapecoense três dias depois do acidente que vitimou 71 pessoas, sendo 19 jogadores do clube catarinense. O treinador da equipe catalã não descartou a realização de um amistoso entre as duas agremiações.

O Troféu Gamper, disputado pelo Barça no início de todas as temporadas em jogo único contra um time convidado,  seria uma opção viável para o encontro.

"Qualquer atuação que possa beneficiar esse clube. Todos nós compartilhamos essa dor. Claro que os clubes chegarão a um acordo que entendam ser mais oportuno. Mas não depende de mim", declarou Luis Enrique, durante entrevista coletiva concedida nesta sexta-feira.

Além de lamentar a tragédia com o voo da Chapecoense, o técnico falou sobre clássico com o Real Madrid, marcado para este sábado, às 13h15 (de Brasília), no Camp Nou, pela 14ª rodada do Campeonato Espanhol. O time merengue é o líder da competição, com 33 pontos, seis a mais que o Barcelona.

No entanto, como o torneio está em seu primeiro turno, Luis Henrique não considera o resultado determinante para a definição do campeão.

"Não acho que ninguém se atreverá a dizer que o resultado será determinante. Estamos na rodada 14. Claro que o Real Madrid abrirá 9 pontos se vencer, mas não é determinante", completou.

 

Fonte: A Tarde/Gazeta Esportiva/Municipios Baianos

Comentários:

Comentar | Comentários (0)

Nenhum comentário para esta notícia, seja o primeiro a postar!!