27/06/2012

BAHIA: Historiadora vê ameaça sobre 2 de Julho

 

"Do jeito que as coisas estão caminhando, a festa da Independência da Bahia está com os dias contados”, desabafa a presidente do Instituto Geográfico e Histórico (IGBH), Consuelo Ponde. A historiadora critica a retirada dos cavalos do desfile cívico, uma briga antiga encabeçada por ambientalistas e órgãos em defesa dos animais.

“Os cavalos não vão morrer por andar seis quilômetros, eles fazem isso desde que eu era criança e nunca vi nenhum bicho morrer”, dispara. A estudiosa lembra da importância histórica dos animais na festa. “Eles representam um batalhão de 40 vaqueiros que se juntaram aos outros soldados e lutaram pela independência da Bahia”, destaca.
 
   
O batalhão fora organizado por um padre que também era lembrado no desfile. “Hoje este padre está esquecido, logo não teremos os cavalos o que mais vai restar desta festa?”, questiona. A advogada Ana Rita Tavares, diretora da ONG Terra Viva Verde, entrou com um pedido no Ministério Público, a fim de impedir que os cavaleiros do grupo Encourados do Pedrão, puxem o cortejo, como fazem há mais de 180 anos.
     
O pedido se baseia no documentário “Salva o Dois de Julho”, elaborado e distribuído pela própria defensora dos animais, que alega maus-tratos durante as comemorações e contesta a participação dos bichos nas lutas da Independência da Bahia.

No ano passado, a ONG Terra Viva Verde tentou, sem êxito, impedir que os cavalos participassem do evento.  Entretanto, a iniciativa já divide a opinião dos participantes da festa. Os Encourados não pretendem recuar e garantem que vão se apresentar  montados, pois não faz sentido vaqueiro sem cavalo.

 “Isso é tradição, é história. Não há maus-tratos nos nossos animais, eles são preparados para esse desfile, transportados em caminhões novos, descansam durante o percurso e depois têm água e comida”, disse Anderson Maia, coordenador do grupo.
 
IMPORTÂNCIA HISTÓRICA - Está quase tudo preparado para o desfile do 2 de Julho, que parte da Lapinha em direção ao Campo Grande. Repleto de símbolos e representações, que compreendem o processo de independência do Brasil, o festejo apresenta grande força histórica e cívica, pouco preservada pelos baianos da atualidade.

Diferente do que a maioria dos baianos costuma festejar, a comemoração do 2 de Julho é uma homenagem aos combatentes e celebração às tropas do Exército e da Marinha Brasileira que, através de muitas lutas, conseguiram separar o Brasil do domínio de Portugal, em 1823. 
 
De acordo com o antropólogo Roberto Albergaria, o 2 de julho é uma data importante por ser mítica e trazer aos baianos uma ideia de liberdade. “Foi o dia em que o povo ganhou, mas não levou. De qualquer forma o importante não é a guerra e sim o mito”, explicou o antropólogo.
 
Características perdidas
 
Apesar da força da data, a maioria ainda não conhece a história baiana e a importância do fato para o País. “Às vezes me atrapalho se é a independência do Brasil, da Bahia ou Proclamação da República”, disse a adolescente, Marília Fernandes, estudante do 2º ano. “Não sei explicar direito, mas tem algo haver com a independência”, afirmou outro estudante. 
 
Segundo Albergaria com o passar dos anos, as mudanças no desfile Dois de Julho, tornou-se notória, principalmente, após o ano 2000.

“Houve uma decadência muito grande a respeito do valor simbólico do desfile. Tudo isso porque vivemos em um mundo individualista, no qual as pessoas não se interessam em saber do passado. Todos querem viver novas tendências e a identidade baiana tornou-se secundária”, afirmou, ressaltando que em anos de eleições, como este, a situação fica mais grave.

“Tem mais político do que baiano”, brinca.  
Já Consuelo Ponde garante que, devido a falta de conhecimento, a cada dia a festa tem enfraquecido e a presença do público diminuído. “Ninguém ama aquilo que não conhece. E preciso conhecer a história e a tradição para amá-las. As pessoas estão totalmente desinformadas e desinteressadas sobre nossas conquistas.

Ninguém mais quer saber quem foi Maria Quitéria, Joana Angélica ou qualquer outro combatente”, disse. A tradição do 2 de Julho começou em 1823 e o desfile, que marca a Independência do Brasil na Bahia, sairá da Lapinha em direção à Praça Municipal. 
 
Fonte: Tribuna da Bahia 
 

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