31/01/2017

Capacidade instalada da indústria cai ao menor nível desde 2003

 

O nível de utilização da capacidade instalada da indústria brasileira encerrou 2016 em 76%, o mais baixo já registrado desde 2003. A informação é da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que divulgou hoje (30) os indicadores industriais relativos a dezembro do ano passado.

“É indicativo de uma grande folga que existe na indústria. Há uma grande ociosidade no setor e isso é um limitador da retomada do investimento”, afirmou o gerente-executivo de Políticas Econômicas da CNI, Flávio Castelo Branco.

O levantamento também indicou redução do poder de compra dos trabalhadores no fim do ano passado. A massa real de salários recuou 1,6% enquanto o rendimento médio real do trabalhador caiu 1,2% em dezembro na comparação com novembro. “A capacidade de compra está prejudicada não apenas pelo desemprego, como também pela inflação”, disse Castelo Branco.

Por outro lado, dezembro registrou dados positivos em relação ao emprego e às horas trabalhadas na produção. Após 23 meses consecutivos de queda, o emprego cresceu 0,2% em dezembro ante novembro.

No mesmo período, as horas trabalhadas cresceram 1%. De acordo com a CNI, foi o segundo aumento consecutivo das horas trabalhadas na produção. Nos últimos dois meses de 2016, o indicador acumulou crescimento de 1,8%.

Todos os dados contêm ajuste sazonal, ou seja, levam em conta a inflação e as características do período analisado.

Para Flávio Castelo Branco, os resultados do emprego e horas trabalhadas podem sinalizar “possível reversão da trajetória negativa da atividade industrial, que já vem [ocorrendo] há dois anos”.

Queda anual

Na comparação anual, os indicadores da indústria pioraram em relação a 2015. O faturamento real caiu 12,1% e as horas trabalhadas, 7,5%. O emprego diminuiu 7,5% e a massa real de salários teve queda de 8,6%. Já o rendimento médio do trabalhador recuou 1,2% de um ano para o outro.

Segundo Castelo Branco, a comparação evidencia que 2016 foi um ano difícil para indústria. “A magnitude da queda [do faturamento real], na casa dos dois dígitos e em cima de quedas que já têm sido grandes em anos anteriores, mostra uma grande corrosão do faturamento das empresas.”

Comércio relata estoques acima do esperado e menor intenção de investimentos

Pesquisa divulgada nesta segunda (30) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), feita com seis mil empresas de todas as regiões do país, revela que 29,5% dos lojistas estão com estoques acima do adequado em janeiro deste ano, em relação ao mês anterior.

Os estoques abaixo da programação adequada de vendas foram relatados por 14,7% dos comerciantes, o que significa que venderam além do que esperavam. Já para 55,1%, os estoques em janeiro estavam adequados, ou seja, venderam aquilo que estava programado. O restante da amostra (0,7%) disse não saber como estão os estoques ou não respondeu.

A economista da CNC Izis Ferreira destacou que os 29,5% representam quase um terço da amostra. “É uma parcela significativa, uma vez que a gente já teve, por exemplo, cerca de 18% só de comerciantes reportando estoques acima do adequado”. Ela observou, porém, que essa parcela vem se reduzindo ao longo da série. Em abril de 2016, o volume de comerciantes que reportavam estar com estoques acima do adequado alcançou 34%, maior índice da série histórica iniciada em 2011.

Segundo a economista, isso significa que, com a previsão de vendas menores, a proporção de comerciantes com estoques acima do adequado vem diminuindo em razão do ajuste que vem acontecendo. “As menores vendas fazem com que o comerciante invista menos em estoques e coloque uma lupa na rotatividade dos produtos nas prateleiras para fazer esse ajuste”.

A sondagem mostra que a intenção de investimentos em estoques recuou 1,7% em relação a janeiro de 2016 e 0,7% em relação a dezembro do ano passado, considerando o ajuste sazonal.

Ramos

Em uma avaliação por ramos de produtos, os varejistas de semiduráveis (25% da amostra), que englobam lojas de tecidos, vestuário, acessórios e calçados, relataram que os estoques estão acima do adequado em janeiro, na comparação interanual, isto é, em relação ao mesmo mês de 2016. O índice de estoques para semiduráveis caiu 7%.

Para os demais grupos – bens duráveis (lojas de eletroeletrônicos, móveis e decorações, entre outros) e não duráveis (alimentação, bebidas, farmácias, cosméticos e perfumaria) – a indicação é de que os estoques estão mais ajustados às vendas no primeiro mês do ano, comparativamente ao início do ano passado. Para Izis Fereira, os comerciantes desses dois grupos conseguiram vender de forma um pouco melhor no Natal em relação a janeiro de 2016. O índice de estoques para esses dois grupos subiu 1,1% e 0,9%, respectivamente.

Porte das empresas

As lojas de menor porte, com até 50 funcionários, representativas de 95% da amostra, também reportaram piora na avaliação dos estoques. Já as lojas maiores, que têm maior poder de negociação com fornecedores e instituições financeiras conseguiram fazer esse ajuste de estoques e passam por uma situação melhor do que o pequeno comércio. Enquanto o índice de estoques caiu 1,8% na comparação com janeiro de 2016 para os pequenos lojistas, para as empresas com mais de 50 funcionários, o índice subiu 1,6%.

“As pequenas lojas estão se sentindo mais estocadas e vão investir menos em renovação dos seus produtos, enquanto as lojas maiores já têm uma perspectiva um pouco mais positiva em relação ao que tinham em janeiro de 2016”. Para 29,8% dos pequenos comerciantes nacionais, os estoques estão acima do esperado, mostra a pesquisa da CNC.

A intenção de investimentos em estoques é um componente do Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec).

Vendas dos supermercados crescem 1,58% em 2016

Os supermercados registraram em 2016 alta de 1,58% em valores reais nas vendas, na comparação com o ano anterior. O Índice Nacional de Vendas foi divulgado hoje (30) pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Para o ano de 2017, a previsão de crescimento é de 1,3%, segundo a Abras.

A associação informou também que as vendas em dezembro de 2016 apresentaram alta de 20,89% na comparação com novembro do mesmo ano e alta de 2,23% em relação ao mesmo mês do ano anterior, impulsionado pelas compras de Natal e réveillon.

A cesta de produtos Abrasmercado, composta por 35 produtos mais consumidos nos supermercados, registrou alta de 0,5%, passando de R$ 480,69 para R$ 483,10 em dezembro de 2016. No acumulado do ano, a cesta apresentou alta de 10,03%.

Mercado prevê que Selic chegará a 9% ao ano em 2018

O mercado financeiro projeta que a Selic, a taxa básica de juros da economia, chegará a 9% ao ano em 2018. Para 2017, está mantida a projeção da Selic em 9,5% ao ano. O mercado também prevê que a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficará em 4,7% este ano, perto do centro da meta: 4,5% com dois pontos percentuais para cima ou para baixo.

As estimativas estão no boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central (BC) feita com instituições financeiras. No início do mês, as instituições consultadas para o levantamento ainda previam a taxa básica de juros na casa dos dois dígitos em 2017, em 10,25% ao ano.

O mercado vem se mostrando mais otimista a respeito da Selic depois de o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC reduzir a taxa básica mais que o esperado, em sua primeira reunião de 2017. Em lugar da queda de 0,5 ponto percentual projetada, o Copom cortou 0,75 ponto percentual. O presidente do BC, Ilan Goldfajn, afirmou que este deve ser o “novo ritmo” de redução dos juros.

A decisão de intensificar a redução da taxa básica de juros ocorreu após o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgar que a inflação medida pelo IPCA encerrou 2016 em 6,29%.

A Selic é um dos instrumentos usados para influenciar a atividade econômica e, consequentemente, a inflação. Quando o Copom aumenta a Selic, a meta é conter a demanda aquecida, e isso gera reflexos nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Quando o Copom diminui os juros básicos, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle sobre a inflação.

A projeção de instituições financeiras para o crescimento da economia (Produto Interno Bruto – PIB, a soma de todas as riquezas produzidas pelo país) em 2017 permanece em 0,50%.

 

Fonte: Agencia Brasil/Municipios Baianos

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