05/02/2017

Quem é o “monstro” que sugeriu matar Dona Marisa

 

O neurocirurgião Richam Faissal El Hossain Ellakkis, que sugeriu num grupo de WhatsApp procedimento para matar dona Marisa Letícia, é um médico que já trabalhou na rede pública em São Paulo.

Segundo reportagem do jornalista Joaquim Carvalho, do Diário do Centro do Mundo, até um ano atrás, ele era neurocirurgião do Hospital Municipal de Ermelino Matarazzo, na Zona Leste, que atende um grande número de baleados e vítimas de acidentes de trânsito.

“Ele próprio, em agosto de 2015, se envolveu numa batida de carro que acabou na Justiça. O doutor Richam Ellakkis conduzia seu Honda Civic LXR, de placas FKA 4329, pela rua Cachoeira , em Guarulhos, não parou no cruzamento com a rua Dona Tecla e acertou o táxi de Djalma Aleixo de Luna”, diz Carvalho.

Segundo o jornalista, Richam Ellakkis não compareceu ao Fórum para se defender e em setembro do ano passado, foi condenado à revelia a indenizar o taxista, que ficou nove dias sem poder trabalhar, enquanto o carro estava no conserto.

No grupo de WhatsApp que reúne médicos que, como ele, se formaram em 2009 pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, comentou diante do diagnóstico de Dona Marisa vazado do hospital Sírio Libanês. “Esses fdp vão embolizar ainda por cima. Tem que romper no procedimento. Daí já abre pupila. E o capeta abraça ela.”

Além de trabalhar no Ermelino Matarazzo, o doutor Richam Ellakkis foi residente num hospital de Rio Preto, o Austa Centro Médico, e passou pelo Hospital Nossa Senhora do Rocio, em Campo Largo, Paraná, Estado onde nasceu e atualmente é funcionário da Unimed em São Roque, interior de São Paulo.

“Na página do Facebook que apagou depois da polêmica sobre seu comentário, o doutor Richam Ellakis dizia trabalhar no Hospital das Clínicas da USP e ter feito residência médica no Hospital de Base de Brasília, informações que não constam do seu currículo oficial. Resta torcer para você ou seus familiares jamais caírem nas mãos do doutor Richam. O capeta, provavelmente, é mais seguro”, diz Joaquim Carvalho.

Condenação

O doutor Richam Faissal El Hossain Ellakkis – esse é o nome inteiro do delinquente – não falou sem conhecimento do mal que poderia fazer ou que fez. Ele é especialista em NEUROCIRURGIA VASCULAR E BASE DE CRÂNIO, portanto, falou com absoluta propriedade do crime que gostaria de cometer ou cometeu. Ele passou do Juramento de Hipócrates. Prometeu a execução de um assassinato com ares de escárnio, deboche contra mais que a mulher de Lula Amado do Brasil: falou que mataria uma pessoa necessitada de socorro médico. E não lhe faltam antecedentes criminais. Em 2015 foi condenado em sentença judicial, como se vê em rápida pesquisa:

ACIDENTE DE TRÂNSITO- DJALMA ALEIXO DE LUNA E OUTRO X RICHAM FAISSAL EL HOSSAIN ELLAKKIS. Tópico Final R. Sentença de Fls.73/74: “ ANTE O EXPOSTO, julgo PROCEDENTE o pedido formulado nesta ação para o fim de condenar RICHAM FAISSAL EL HOSSAIN ELLAKKIS a pagar a DJALMA ALEIXO DE LUNA a quantia de R$ 939,56 (novecentos e trinta e nove reais e cinquenta e seis centavos), atualizada pela correção monetária, de acordo com os índices da Tabela Prática do Tribunal de Justiça de São Paulo, e acrescida de juros de mora de 1% ao mês, ambos contados a partir do evento danoso ( 11/08/2015) , em conformidade com as Súmulas 433 e 544 do Superior Tribunal de Justiça, declarando extinto o processo, nos termos do art.4877, I, doCódigo de Processo Civill”.

Aí está o começo do perfil do grande doutor Richam Faissal, que apenas sujou-se gordo, de modo mais aberto, no crime contra Dona Marisa, que estava à sua mercê no hospital.

Mais médicos, menos monstros. Por Alex Solnik

Ao demitir o neurocirurgião Richam Faissal Ellakis, que apontou em rede social o procedimento que deveria ser feito pelos médicos para a ex-primeira dama Marisa Letícia “abraçar o capeta”, a Unimed deu o primeiro passo, mas não o único que se espera em situações como essa, sem similar no país. Não me lembro de outro caso em que uma pessoa doente tenha sido tão vilipendiada e a Medicina tão desonrada.

Cabe ao Conselho Regional de Medicina tomar imediatas providências, na próxima segunda-feira, para iniciar os procedimentos de cassação de seu registro que certamente terá o apoio da entidade, de todos os médicos e de toda a sociedade.

O juramento de Hipócrates não pode ser jogado no lixo, a menos que o CRM queira ser desmoralizado e desmoralizar toda a classe médica.

A seguir, esse cidadão tem que ser processado na Justiça comum.

É insuportável assistir sem nenhuma reação à escalada de agressões verificada desde o internamento da mulher de Lula no Sírio Libanês, com passeatas e panelaços na frente do hospital e com o compartilhamento, também em redes sociais, de exames da paciente por uma das médicas do Sírio, também demitida e que também deve ser punida pelo CRM e impedida de continuar na profissão.

Se essa onda fascista não for brecada a tempo outras pessoas do mesmo naipe ficarão à vontade para imitar os gestos e irão usá-los contra outras pessoas que escolherem como alvos.

O uniforme branco e imaculado não pode ser manchado de sangue por aqueles que jamais deveriam tê-los vestido.

O Brasil precisa de mais médicos e não de mais monstros.

Nazistas de jaleco

A classe médica brasileira foi tomada de assalto por uma geração de jovens profissionais reacionários, desumanos, frios, formada nas fileiras de um fascismo muito semelhante àquele que produziu os médicos de Auschwitz e Treblinka.

O mais impressionante é que a maioria esmagadora deles é formada em universidades públicas, logo, às custas dos contribuintes - entre eles, a massa de pobres a qual eles aprendem diligentemente a desprezar, zombar e destratar.

Os cursos de medicina das universidades públicas são frequentados basicamente por uma juventude branca e de classe média, vinda de escolas e cursinhos caros, cuja ideologia fundamental é a de ter dinheiro e status.

A política de cotas arranhou ligeiramente esse quadro, mas foi suficiente para provocar uma onda de ódio dentro e fora da academia, como se a presença de negros e pobres nesses cursos representasse uma invasão de bárbaros na asséptica cidadela de nobres doutores e doutoras.

O resultado é essa lástima que aí vemos.

Primeiro, aquela reação abjeta aos médicos cubanos. Agora, essa troca tenebrosa de mensagens sobre Dona Marisa, digna de pupilos de Josef Mengele, o médico nazista que, não por acaso, viveu seus últimos dias no Brasil.

Ódio venceu ética médica. Por Cláudia Collucci

É um escândalo e merece severa punição a divulgação de dados sigilosos do diagnóstico da ex-primeira dama Marisa Letícia em um grupo médico no WhatsApp.

Segundo reportagem do jornal "O Globo", horas depois da internação de Marisa no Hospital Sírio-Libanês, uma médica reumatologista que atuava no hospital enviou mensagens a um grupo de WhatsApp de antigos colegas de faculdade, confirmando que dona Marisa estava no pronto-socorro com diagnóstico de AVC (Acidente Vascular Cerebral) hemorrágico de nível 4 na escala Fisher (um dos mais graves).

A mensagem foi compartilhada no grupo "MED IX" e se espalhou em outros grupos de WhatsApp. O boletim médico divulgado horas depois pelo hospital falava em hemorragia cerebral por ruptura de um aneurisma, mas não dava detalhes técnicos a respeito da gravidade do diagnóstico.

Neste mesmo dia, um outro médico de fora do Sírio-Libanês postou no grupo imagens de uma tomografia atribuída a dona Marisa Letícia, acompanhada de detalhes que foram confirmados, em seguida, pela médica reumatologista.

As informações foram compartilhadas em outro grupo de médicos, intitulado "PS Engenho 3", e atribuídas a um cardiologista. Os comentários que acompanham a troca de mensagens são assustadores.

Quando a médica diz que Marisa ainda não tinha sido levada para a UTI, um colega residente em urologia dispara: "Ainda bem!". A médica responde com risadas.

Outro médico do grupo, um neurocirurgião, também ironizou o quadro de dona Marisa:

"Esses fdp vão embolizar ainda por cima", escreveu –o procedimento de embolização provoca o fechamento de um vaso sanguíneo para diminuir o fluxo de sangue em determinado local. "Tem que romper no procedimento. Daí já abre pupila. E o capeta abraça ela", escreveu o médico.

Em nota, a direção do Sírio-Libanês informa que "tomou as medidas disciplinares cabíveis em relação à médica, assim que teve conhecimento da troca de mensagens". Segundo uma fonte de dentro do Sírio, a médica foi demitida.

O Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) já investigava o vazamento de imagem de um exame de tomografia de Marisa, realizado logo após o AVC, e que divulgado em redes sociais nos últimos dias.

O que isso tudo mostra? Que o juramento de Hipócrates, de nunca causar dano ou mal a alguém, foi vencido pelo ódio partidário, mais precisamente pelo ódio ao PT. Que esses médicos que compartilharam dados sigilosos ou mensagens de ódio perderam qualquer noção de ética médica. E que nós, pacientes, estamos sob sério risco de virar objeto de chacota entre profissionais médicos inescrupulosos.

Ódio a Marisa Letícia expõe falhas e elitismo nas faculdades de medicina

Professor de Cardiologia na Escola Paulista de Medicina, vinculada à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), e dirigente do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp), Bráulio Luna Filho entende que os desvios de conduta dos médicos envolvidos no episódio de vazamento de informações trocadas entre grupos do WhatsApp, um deles sugerindo procedimento para matar Marisa Letícia Lula da Silva, refletem falhas no acesso aos cursos de Medicina e do currículo. E não descarta que o elitismo do corpo discente das escolas médicas brasileiras expliquem, em parte, episódios como esse.

A médica reumatologista Gabriela Munhoz, de 31 anos, que espalhou pelo aplicativo que a ex-primeira-dama estava internada no Hospital Sírio-Libanês após um derrame hemorrágico e que seria levada para a UTI, foi demitida pelo hospital. E o neurocirurgião Richam Faissal El Hossain Ellakkis – que sugeriu o procedimento aos seus colegas de grupo no whatsapp – teve sua demissão decidida pela Unimed de São Roque. A Unimed teria divulgado nota alegando que o profissional não pertence a seu quadro, mas atua como terceirizado em um hospital ligado à operadora.

Investigados em sindicância instaurada pelo Cremesp, ambos podem sofrer processo administrativo ou mesmo perder o registro junto ao órgão, ficando assim impedidos de exercer a Medicina.

O Código de Ética Médica veda ao médico “permitir o manuseio e o conhecimento dos prontuários por pessoas não obrigadas ao sigilo profissional quando sob sua responsabilidade”. Não permite também “liberar cópias do prontuário sob sua guarda, salvo quando autorizado, por escrito, pelo paciente, para atender ordem judicial ou para a sua própria defesa”, esta última em situação de sindicância ou processo ético-profissional.

"Não é todo mundo que pode ser médico. Não basta ter condições de passar no processo seletivo de universidade pública ou de se manter num curso particular, que é caro. É preciso humanismo, entender a importância do papel de um médico, o que é mais importante do que o domínio de tecnologias", disse Luna Filho.

O integrante do conselho, que assinala falar em seu nome, e não do órgão, defende que as escolas médicas brasileiras façam modificações no sistema de ingresso – nos quais o poder econômico não seja o mais determinante, e sim a vocação – e também na estrutura curricular. Com isso, a formação ética seria estendida para o longo do curso, e não concentrada em disciplinas específicas, num determinado estágio da graduação.

Sem citar nomes dos envolvidos e tampouco fazendo prognósticos quanto ao desfecho das investigações no Cremesp, o conselheiro disse que a polarização acentuada em momentos políticos marcantes, como períodos eleitorais, não é diferente da observada nas faculdades de Medicina, onde estão os filhos da elite.

"E essa polarização talvez estimule as pessoas a serem ainda mais audaciosas, usando os recursos tecnológicos para se manifestar. Mas não podemos tolerar isso na Medicina", disse, mencionando os princípios médicos, que devem respeitar e preservar os aspectos físico, emocional e moral, transcendendo tabus, crenças e preconceitos, em nome da fidelidade ao compromisso de tratar e cuidar de todos, sem distinção com relação a raça, credo ou situação socioeconômica.

Unimed demite Ellakis, médico que falou de procedimento para matar Dona Marisa

A Unimed São Roque, no interior paulista, divulgou na noite desta sexta-feira comunicado em que "repudia veemente" o vazamento de de dados sigilosos sobre o diagnóstico da ex-primeira dama Marisa Letícia Lula da Silva, que morreu hoje. A nota, publicada também no perfil da instituição no Facebook, informa ainda que o neurocirurgião Richam Faissal Ellakkis não faz parte do quadro de cooperados, que é terceirizado, e seu contrato "está em vias de ser rescindido.”

O vazamento do diagnóstico de dona Marisa, de acordo com matéria publicada pelo jornal o Globo, ocorreu por meio da médica Gabriela Munhoz, do Hospital Sírio-Libanês, que compartilhou em um grupo de WhatsApp de ex-colegas de faculdade o resultado dos exames de dona Marisa. Nas conversas reveladas por O Globo, Ellakkis fez comentários sobre o tratamento dispensado a dona Marisa no Sírio-Libanês: “Esses fdp vão embolizar ainda por cima”, escreveu, em referência ao procedimento de provocar o fechamento de um vaso sanguíneo para diminuir o fluxo de sangue em determinado local. “Tem que romper no procedimento. Daí já abre pupila. E o capeta abraça ela”, escreveu Ellakkis.

O Sírio-Libanês também comunicou o desligamento de seus quadros a médica Gabriela Munhoz, suspeita de divulgar em redes sociais resultados de exames da ex-primeira-dama Marisa Letícia Lula da Silva. O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) abriu uma sindicância para apurar se houve violação ao Código de Ética por parte da profissional ou participação de médicos em supostas ofensas contra a mulher do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Outro caso

Este foi o segundo vazamento de resultados de exames de Marisa Letícia em redes sociais. Na semana passada, o hospital Assunção, em São Bernardo do Campo, onde a ex-primeira-dama recebeu o primeiro atendimento depois de sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC), afastou preventivamente todos os profissionais que participaram do procedimento e abriu sindicância para apurar a divulgação de vídeo e foto da tomografia à qual ela foi submetida.

O Cremesp também instaurou um procedimento para averiguar o caso. O Código de Ética Médica proíbe a divulgação de informações sem consentimento do paciente ou de seus familiares. A quebra do sigilo médico é considerada infração grave. Segundo o Cremesp, o resultado das sindicâncias deve ser conhecido em até seis meses.

"O exercício da medicina deve respeitar e preservar todos os aspectos do doente: físico, emocional e moral, transcendendo tabus, crenças e preconceitos, em nome da fidelidade ao compromisso de tratar e cuidar de todos, sem qualquer distinção. Sob o juramento hipocrático e os princípios fundamentais da medicina, todo médico deverá 'guardar absoluto respeito pelo ser humano e atuar sempre em seu benefício. Jamais utilizará seus conhecimentos para causar sofrimento físico ou moral, para o extermínio do ser humano ou para permitir e acobertar tentativa contra sua dignidade e integridade'", diz a entidade.

 

Fonte: Brasil 247/O Cafezinho/RBA/Esquerda Caviar/Municipios Baianos

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