12/02/2017

Parque Olímpico: medalha de ouro em abandono

 

Seis meses após o fim dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, o legado que ficou para a cidade é bem diferente daquele prometido pelos governos municipais e estaduais. O estado de total abandono das instalações do Parque Olímpico na Zona Oeste, que consumiu R$ 7 bilhões em obras, é flagrante.

Prédios abandonados, piscinas vazias, sujeira, equipamentos quebrados e um cenário que impressiona turistas e visitantes. Das nove instalações que compõem o Parque Olímpico, a promessa era de manter sete após o fim dos jogos, incluindo a Arena Rio, o Parque Aquático Maia Lenk, Arenas 1 e 2 e o Centro de Tênis. O Velódromo seria desmontado, mas seu destino continua incerto. Outra promessa ainda não cumprida é a de adaptar parte das instalações para funcionarem como escolas públicas. Para piorar, na Vila dos Atletas, os grandes condomínios de 30 andares continuam vazios. Com a recessão que afeta o Brasil há dois anos, não há compradores que possam bancar o preço das unidades, as mais baratas cotadas acima de R$ 1 milhão.

Para Renato Cinco, vereador do PSOL, o processo foi equivocado desde o início.

"Desde a vinda das Olimpíadas para o Rio de Janeiro até todo o processo de execução das obras, a gente fez várias críticas. Uma importante: a reurbanização da Zona Portuária faz parte do legado olímpico. Eu fui um daqueles que defendeu que as Olimpíadas fossem na Zona Portuária. A vinculação da Zona Portuária com as Olimpíadas virou uma forçação de barra, porque houve muito pouca instalação olímpica na Zona Portuária", diz o parlamentar.

Cinco diz que o potencial das Olimpíadas poderia ser usado para resolver a falta de habitação na região central da cidade. Segundo ele, se o Parque Olímpico e a Vila dos Atletas tivessem sido construídas lá, hoje seria possível uma oferta de imóveis de baixa renda e para a classe média, ajudando a enfrentar um grave problema da cidade que é a mobilidade.

"A opção foi pela especulação imobiliária  e uma aposta econômica equivocada. Apostar que o Rio de Janeiro iria ter dois eixos de desenvolvimento urbano — o da Zona Portuária e ao mesmo tempo o da Zona Oeste — foi um erro. Naquela época, o Sindicato dos Arquitetos já criticava essa aposta."

O vereador diz que outro erro foi fazer da Vila dos Atletas imóveis de luxo.

"Além de escolherem o lugar errado para fazerem as Olimpíadas, também escolheram o modelo errado de aproveitamento da Vila dos Atletas, com aposta em imóveis de luxo e não para baixa renda e classe média. Faz parte da história do Rio de Janeiro, há um século pelo menos, que o poder público investe na expansão imobiliária na zona litorânea da cidade. Ele entra nas regiões onde a especulação imobiliária está interessada, expulsa os pobres em Ipanema, Copacabana, Lagoa, Barra, Recreio e agora no Parque Olímpico e na Vila dos Atletas", garante o parlamentar.

Na visão de Cinco, o que se fez com as Olimpíadas do Rio de Janeiro foi a velha lógica do poder público de financiar a expansão imobiliária da cidade para regiões cada vez mais longe do Centro causando não só problema com a mobilidade, mas também dano ao meio ambiente.

"O Rio não tem justificativa para fazer isso. Perto do Centro, especialmente na Zona Portuária e nas regiões próximas do Centro, na Zona Norte, a capacidade de adensamento da ocupação é mais do que suficiente para garantir a expansão da moradia para essa população que vai se expandir nos próximos anos. Nos dois mandatos do prefeito Eduardo Paes, a Prefeitura pediu R$ 10 bilhões em empréstimos para poder financiar essas apostas equivocadas", denuncia.

No final da gestão passada, a Câmara Municipal começou a discutir o Plano de Estruturação Urbana das Várzeas. Segundo Cinco, a nova fronteira de expansão que interessa à especulação imobiliária é do Parque Olímpico em direção às Guaratibas, passando pelas várzeas, onde se vai ver o direito das populações pobres e o meio ambiente serem atacados de novo.

Grandes se reforçam cada vez mais com gringos sul-americanos

O mercado brasileiro do futebol intensificou o investimento em jogadores dos países vizinhos e essa ‘febre’ tem se estendido por vários grandes clubes nacionais. No ritmo atual, o Brasileiro de 2017 poderia ter outro nome – algo como Campeonato Sul-Americano do Brasil, tal a quantidade de atletas de ponta da Argentina, Colômbia, Uruguai, Peru, Equador, Venezuela e Paraguai que compõem o elenco dos principais times da competição.

O anúncio da contratação do colombiano Borja, pelo Palmeiras, a despedida do argentino Lucas Pratto do Atlético-MG para jogar no São Paulo, a boa estreia de Berrio, também da Colômbia, no Flamengo e dos equatorianos Sornoza e Orejuela no Fluminense são apenas alguns exemplos.

Entres recém-contratados e os que já estavam no elenco, os estrangeiros da América do Sul têm feito a festa da torcida brasileira. No meio de semana, o argentino Montillo foi fundamental na partida (contra o Colo Colo, no Chile) que classificou o Botafogo para a terceira fase da Libertadores.

No Cruzeiro, outro argentino, Ábila, voltou a se destacar com belas jogadas e gols – fez os dois da vitória por 2 a 0 sobre a Chapecoense, na quinta-feira pela Primeira Liga.

O Atlético-MG não ficou atrás do rival e contou com o talento de Otero para levantar a torcida no Independência, também em rodada da Primeira Liga. O meia venezuelano deu o ar da graça com um bonito gol, em confronto com o Joinville.

Dos grandes na Primeira Divisão do Brasileiro de 2017, somente o Corinthians parece não apostar muito nos vizinhos. Conta no seu grupo com três deles – Balbuena, Romero e Mendoza, nenhum que desperte a admiração de seus torcedores.

  • Veja quem são os gringos da América do Sul nos gigantes do futebol do Brasil: - entre parênteses, a posição.

Palmeiras – Borja (A) – colombiano

Palmeiras – Mina (Z) – colombiano

Palmeiras – Guerra (M) – venezuelano

Palmeiras – Barrios (A) - argentino

Corinthians – Balbuena (Z) – paraguaio

Corinthians – Romero (A) – paraguaio

Corinthians - Stiven Mendoza (A) – colombiano

São Paulo – Lugano (Z) – uruguaio

São Paulo – Buffarini (LAT D) – argentino

São Paulo – Cueva (A) – peruano

São Paulo – Chávez (A) – argentino

São Paulo – Lucas Pratto (A) – argentino

Santos – Copete (A) – colombiano

Santos – Fabián Noguera (Z) – argentino

Santos – Hernandez (M) – colombiano

Santos – Vecchio (M) - argentino

Flamengo – Guerrero (A) – peruano

Flamengo – Berrio (A) - colombiano

Flamengo – Trauco (LAT E) – peruano

Flamengo – Donatti (Z) – argentino

Flamengo – Cuéllar (VOL) – colombiano

Flamengo – Mancuello (M) – argentino

Flamengo - Conca (M) – argentino

Botafogo – Montillo (M) – argentino

Botafogo – Gatito Fernández (G) – paraguaio

Botafogo – Carli (Z) – argentino

Botafogo – Canales (A) - argentino

Vasco – Martin Silva (G) – uruguaio

Vasco – Julio dos Santos (VOL) – paraguaio

Vasco – Escudero (M) – argentino

Vasco – Andrés Escobar (A) – colombiano

Fluminense – Orejuela (VOL) – equatoriano

Fluminense – Sornoza (M) – equatoriano

Cruzeiro – Caicedo (Z) – equatoriano

Cruzeiro – Ábila (A) – argentino

Cruzeiro – Lucas Romero (VOL) – argentino

Cruzeiro – De Arrascaeta – (M) - uruguaio

Cruzeiro – Ariel (V) – argentino

Atlético-MG – Erazo (Z) - equatoriano

Atlético-MG – Cazares (M) - equatoriano

Atlético-MG – Otero (M) – venezuelano

Grêmio – Walter Kannemann (Z) – argentino

Grêmio – Maxi Rodriguez (M) – uruguaio

Grêmio – Bolaños (M) – equatoriano

Grêmio – Beto (A) – peruano

 

Fonte: Sputinik News/Terra/Municipios Baianos

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