16/02/2017

A maior derrota do Estádio do Maracanã

 

Apenas meio ano após Jogos Olímpicos, estádio reformado ao custo de mais de 1 bilhão de reais está abandonado e, em meio a impasse sobre administração, foi invadido, roubado e depredado.Seis meses após ser palco da luxuosa festa de abertura dos Jogos Olímpicos, o Maracanã reflete a dramática situação de falência do estado do Rio de Janeiro: o estádio está completamente abandonado. O gramado foi destruído, há cadeiras quebradas, a luz foi cortada por falta de pagamento, vários equipamentos foram roubados e até o busto do jornalista Mário Filho - que dá o nome oficial ao estádio - desapareceu.

"Que bom que nem o busto do Mario Filho esteja lá para ver o que fizeram com seu estádio", afirma o jornalista Ruy Castro, autor da biografia de Garrincha, Estrela Solitária, e também de Flamengo: o vermelho e o negro. "E que bom que tantos outros cronistas esportivos, como Nelson Rodrigues, João Saldanha, Sandro Moreyra, Armando Nogueira, também não estejam mais vivos para ver o que fizeram."

Ironicamente, aponta o escritor, de todos os grandes nomes da crônica esportiva brasileira, o único ainda vivo é Sérgio Cabral (pai), que sofre de mal de Alzheimer em estágio avançado, e, por conta disso, tampouco tem consciência do que acontece no estado e no estádio.

Seu filho, o ex-governador Sérgio Cabral, se encontra preso, acusado de comandar um gigantesco esquema de propina junto a empreiteiras, que teria movimentado mais de 200 milhões de reais em contratos ilegais e contribuído para a falência do estado.

Durante o período em que Cabral filho esteve à frente do governo (entre 2007 e 2014), o Maracanã passou por diversas reformas - para os Jogos Pan-americanos de 2007, para a Copa do Mundo de 2014 e, logo depois, para os Jogos Olímpicos do ano passado. Os custos superaram 1 bilhão de reais. E foram tantas mudanças que, do Maracanã original, não sobrou praticamente nada.

"O Maracanã sempre foi visto como o principal palco do futebol brasileiro, a casa da seleção brasileira, que é um dos maiores produtos de exportação do país", diz o jornalista Arthur Dapieve, autor de Maracanazo e outras histórias. "A gente enchia a boca para dizer que era o maior estádio do mundo. Mas essas reformas controversas o tornaram um estádio igual aos outros. Até a marquise de concreto, que era tombada pelo Patrimônio Histórico, foi retirada."

O historiador Leonardo Pereira, da PUC, especializado em futebol, concorda com o jornalista:

"O atual problema do Maracanã começou com a decisão de se fazer uma reforma que destruiu completamente o antigo estádio, marco arquitetônico e histórico, e criou um novo dentro dele. A verba que foi gasta era suficiente para se ter construído outra arena e deixado o Maracanã intacto, do jeito que era."

Jogo de empurra

Desde 2013, o estádio é administrado pela concessionária Maracanã S.A., liderada pela Odebrecht. Mas entre março e novembro do ano passado, por conta dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos, ficou sob o controle do Comitê Rio-2016. A concessionária, no entanto, não aceitou o estádio de volta em novembro, alegando que precisava de reparos.

Somente em janeiro, por conta de uma liminar, a concessionária assumiu novamente o Maracanã. No tempo em que ficou sem dono e sem segurança, o estádio foi invadido, roubado e depredado. E até hoje continua sem luz por falta de pagamento.

Em nota, a concessionária informou que está negociando o pagamento das contas em atraso. A concessionária informou ainda que aguarda a habilitação de empresas interessadas pelo estado para dar continuidade ao processo de venda do controle acionário. E espera anunciar até o fim deste mês o nome do novo grupo que substituirá a Odebrecht à frente do consórcio.

"O Maracanã tem uma importância simbólica muito grande para o Rio e para o Brasil", afirma o historiador Leonardo Pereira. "Ele foi inaugurado num momento em que o Brasil não tinha ainda ganhado nenhum campeonato mundial, não era aclamado como uma grande potência do futebol. A sua construção foi uma tentativa de afirmar essa ideia de Brasil grande, de maior estádio do mundo, de uma grandiosidade ainda pretendida."

Inaugurado em 1950, com capacidade para 200 mil torcedores, o Maracanã hoje abriga, no máximo, 79 mil pessoas. Há muito tempo não é mais "o maior estádio do mundo".

"É uma coisa horrível isso que está acontecendo, mas num país em que a Copa do Mundo foi roubada e derretida, tudo parece ser possível, inclusive o maior patrimônio esportivo do país, o Maracanã, estar abandonado", resume Dapieve.

Carbono Zero será tema das atividades de sustentabilidade da Copa Verde 2017

O Ministério do Meio Ambiente e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) assinam nesta quarta (15), em Brasília, protocolo de intenções para o desenvolvimento das ações e atividades socioambientais e de sustentabilidade da Copa Verde 2017, competição que terá a participação de 18 clubes das regiões Norte e Centro-Oeste do Brasil. O protocolo será assinado pelo ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, o vice-presidente da CBF, Antônio Nunes, e o secretário-geral da CBF, Walter Feldman.

O lançamento da edição de 2017 da Copa Verde será feito sexta-feira (17), no palácio do governo de Macapá, no Amapá.  A competição foi a primeira de iniciativa sustentável no futebol brasileiro. Segundo a CBF, neste ano, em continuação ao projeto, será levantada a bandeira do Carbono Zero, com ações de compensação das emissões de gás carbônico e de preservação do meio ambiente.

No lançamento, o público vai conhecer as novidades previstas para a Copa Verde 2017, que se juntam às ações adotadas no ano passado, quando o Paysandu, clube paraense, foi campeão ao vencer o Gama no placar agregado nas finais, de 3 a 2. Os dois foram os primeiros a receber o ecológico Troféu Vivo, que é uma muda de árvore a ser plantada na sede do clube vencedor.

Ingressos

Os torcedores que quiserem acompanhar os jogos nos estádios poderão trocar garrafas PET por ingressos, o que, em 2016, animou o público. Foram trocados mais de 13 mil ingressos, e quatro cooperativas do Movimento Nacional de Catadores de Resíduos receberam quase duas toneladas de garrafas PET.

Na edição 2017, que terá jogos até 15 de maio, além do Troféu Vivo, haverá novamente concurso de redação para estudantes sobre a conscientização ecológica e a presença nos jogos do Vermelhão, mascote oficial do campeonato inspirado na arara-vermelha-grande, animal ameaçado de extinção e encontrado em estados onde estão sediados os clubes participantes do torneio. O vencedor terá acesso direto às oitavas de final da Copa do Brasil de 2018.

 

 

Fonte: Deutsche Welle/Agencia Brasil/Municipios Baianos              

Comentários:

Comentar | Comentários (0)

Nenhum comentário para esta notícia, seja o primeiro a postar!!