19/02/2017

Expedição aos Corais da Amazônia surpreende pesquisadores

 

A expedição a bordo do navio Esperanza da organização não-governamental (ONG) Greenpeace, com pesquisadores brasileiros e ativistas ambientais, pela região dos chamados Corais da Amazônia, encontrou peixes que estão sob risco de extinção e possíveis novas espécies nos recifes de corais localizados na Foz do Rio Amazonas, considerada como uma das áreas nobres da costa norte do Brasil.

“Tinha recifes muito maiores do que imaginávamos, mais extensos, muito mais complexos do que imaginávamos, cheios de pargos e chernes – que são grandes predadores recifais –, que é um indicativo de que é um ecossistema saudável”, disse Ronaldo Francini Filho, pesquisador da Universidade Federal da Paraíba. Na avaliação de Francini, os pargos e chernes, encontrados em abundância na região, correm podem desparecer: “Eles estão correndo risco de extinção”.

A jornada da campanha Defenda os Corais da Amazônia começou no dia 24 de janeiro, quando o navio saiu do Porto de Santana, no Amapá, em direção à área onde estão localizados os recifes, e terminou no último dia 10. O grupo navegou por 1.649 milhas náuticas – cerca de 3 mil quilômetros –, e ficou a uma distância de aproximadamente 100 quilômetros da costa brasileira, indo e vindo pelas áreas dos recifes.

“A maior surpresa para mim foi a enorme diversidade de organismos recifais – aumentamos muito o número de espécies que conhecíamos de lá – e ver que é um recife de coral mesmo, com coral negro, com esponjas e com vários organismos construtores”, informou o pesquisador.

Oito mergulhos foram realizados com um submarino, o mais profundo deles a 220 metros. “Vimos também bichos que são provavelmente novos para a ciência. Vimos peixes-borboleta muito diferentes. Nesses recifais, conseguimos distinguir bem pela cor, é um diagnóstico bom para novas espécies”, disse.

No entanto, ele explicou que os pesquisadores só conseguem descrever formalmente uma espécie com realização de sequenciamento genético, caracterização morfológica e de coloração. “Temos uma grande indicação de que existem espécies novas nesse recife do [Rio] Amazonas, mas só vamos conseguir comprovar isso com amostras futuras”. A próxima expedição para coleta de amostras biológicas deve ocorrer no segundo semestre deste ano.

Recifes

O tamanho dos recifes de corais da Amazônia também surpreendeu os tripulantes. A estimativa inicial era de um total de 9,5 mil quilômetros quadrados (km²) – uma área 20% maior que a região metropolitana de São Paulo. Francini Filho faz uma projeção de que os recifes sejam de três a quatro vezes maior que isso.

“Eu vou ter que fazer um cálculo para prever onde o recife ocorre nessa nova profundidade, que é 185 metros e [onde] já começa o recife. O que imaginávamos antes era [uma profundidade de] 100 metros. Temos uma área muito maior na base do recife, que é uma base mais funda, e é quase que um corredor contínuo entre o Brasil e o Caribe”, disse o pesquisador.

Segundo ele, o grupo não tinha até então uma amostragem mais abrangente para mapear o local. “Tem mapeamentos que a Marinha fez na década de 1940. Depois tem algumas campanhas que foram feitas lá, em alguns anos posteriores. Existem algumas batimetrias [medição de profundidade], mas elas são bem imprecisas. Tem pontos na carta náutica [equivalente marítimo dos mapas] que batiam 30 metros e que, na verdade, eram 200 metros de profundidade, para se ter ideia do erro”, informou.

Com a expedição do Esperanza, os pesquisadores conseguiram identificar mais detalhes, contribuindo para deixar seus mapas mais precisos. Mesmo assim, o pesquisador ressalta que é necessário “um mapa mais acurado, sensoriamento mesmo, feito por uma sonda e de forma mais sistemática”.

Paredão de rochas

Um paredão de rocha, com mais de 20 km de extensão, também está na região dos Corais da Amazônia. “É realmente uma área que tinha uma característica de fundo bastante única e também não estava na carta [náutica], como já era esperado”, disse o Francini Filho sobre mais uma dos achados da expedição.

Diversas formas de vida podem estar associadas a um paredão como esse e “quanto mais complexo o substrato, mais diversidade associada se tem. Esse era um paredão com rochas expostas, áreas com muitos corais negros, então era uma área bem rica, interessante do ponto de vista biológico. Procuramos complexidade porque é onde temos as agregações, os refúgios de biodiversidade”, explicou.

Só amor: os defensores dos Corais da Amazônia entram em ação

As primeiras imagens dos Corais da Amazônia embaixo d´água foram reveladas ao mundo pela expedição do navio Esperanza no Brasil, numa viagem emocionante, entre 23 de Janeiro a 10 de Fevereiro. As imagens surpreenderam toda a tripulação, além das milhares de pessoas em todo o mundo (já são mais de  500 mil assinaturas em nossa petição).

Para garantir que o Brasil todo tivesse a oportunidade de admirar esses corais tão especiais na foz do Rio Amazonas, os voluntários do Greenpeace foram para as ruas no último fim de semana (11 e 12/2), contar para a todos os brasileiros o quão importante (e divertido!) é tornar-se um Defensor dos Corais da Amazônia!

Os voluntários de São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Manaus, Belo Horizonte e Brasília usaram atividades lúdicas para mostrar às pessoas as primeiras imagens dos Corais da Amazônia e toda a biodiversidade da região, como as baleias, tartarugas, peixe-boi, lontras e peixinhos fofos,  emocionaram a população local. “Todos os grupos estão de parabéns, as atividades foram lindas. A recepção do público em Belo Horizonte  foi demais. Ver, não só os adultos, mas as crianças se interessando pelos corais e toda a biodiversidade da foz do Amazonas foi massa demais. Até me emocionei”, disse Alison Vidon, 29 anos, voluntário de Belo Horizonte, e um dos Escudeiro dos Corais da Amazônia.

Os Escudeiros dos Corais são voluntários experientes que estão organizando e coordenando atividades dos Defensores dos Corais da Amazônia junto aos Grupos Locais de Voluntários.

Nem o sol de rachar que brilhou no fim de semana em São Paulo desanimou a turma que levou a Campanha para as ruas. Teve voluntária  que ganhou até uma “tatuagem” solar, brincando de pintura com as crianças em plena Praça da República, no centro histórico de São Paulo.

Mas ainda não acabou a diversão! Nos próximos fins de semana, mais atividades vão acontecer em São Luis do Maranhão, Porto Alegre, Florianópolis, Imbé e Recife e já no clima de Carnaval, cheio de energia e muito amor para defender esses corais. Fantasias de carnaval, camisetas e muitas atividades estão sendo preparadas com carinho. Preparem-se!

  • Próximas atividades agendadas:

Dia 18/2

Porto Alegre (RS)

Onde: Cidade Baixa Rua João Alfredo 235

Quando: 18h

Dia 19/2

Recife (PE)

Onde: Orla de Boa Viagem

Quando: 9h30

Porto Alegre (RS)

Onde: Praia de Ipanema

Quando: 16h

Dia 25/2

São Luis (MA)

Onde:  Contação de histórias para crianças no Shopping São Luís

Quando: 16 horas

Imbé (RS)

Onde: Tenda do SESC - próximo a avenida Santa Rosa

Quando: 9h

 

Fonte: Agencia Brasil/Greenpeace/Municipios Baianos

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