14/03/2017

Em AL presos reduzem pena produzindo sabão ecológico

 

O descarte irregular do óleo de cozinha pode obstruir as redes coletoras de esgoto, estações de tratamento e causar danos ao meio ambiente. A solução para esse problema em Maceió surgiu com a ideia de ocupar os presos do complexo prisional: fazer sabão, desinfetante e detergente a partir do material que antes era jogado no ralo da pia.

A reportagem do G1 entrou no sistema prisional para conhecer de perto o trabalho desenvolvido com os presos na Fábrica de Esperança, e saber como o projeto mudou a vida deles.

A sugestão de implantar o projeto foi do agente penitenciário e técnico em química industrial, Welder Gonçalves em 2009. Hoje, a oficina de saneantes, mantida pelo Estado na Fábrica com mão de obra carcerária, produz mensalmente cerca de 1.500 litros de desinfetante, até 400 litros de detergente e sabonete líquido e 400 kg de sabão em barra.

"O projeto já existia e quando cheguei ao sistema [prisional] juntei o conhecimento que tinha ná área química e resolvi mudar o projeto já existente. Nosso objeto é aumentar a oficina e produzir mais e mais saneantes", afirma.

Os benefícios são a motivação aos presos que participam do projeto. Para cada três dias de trabalho, eles reduzem um dia da pena. E ainda recebem pagamento, no valor de 3/4 do salário mínimo.

Um dos detentos que prestam serviço na oficina é Alexandre Nogueira. Ele é técnico de refrigeração e tinha uma empresa em sociedade com um amigo. Quando a sociedade foi desfeita, ele aceitou o convite de um conhecido para transportar drogas de São Paulo para Alagoas e acabou preso pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), em 2013.

Nogueira conta que não se orgulha do passado, mas que aprendeu com os erros a ser uma pessoa melhor. “Nunca fui santo, mas acabei caindo por achar que ganharia dinheiro fácil. Hoje eu sou uma pessoa muito melhor, mas sinto falta da minha família e dos meus filhos”.

“Quando cheguei [na prisão], fui logo buscar algo para ocupar a mente positivamente. Acho maravilhoso você ter a oportunidade de trabalhar com produtos químicos e, com ingredientes simples, você produzir sabão e detergente ecológico", afirma Nogueira.

Ele conta que durante esse tempo no presídio, aproveitou para estudar. Concluiu o ensino médio, fez provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e foi aprovado em primeiro lugar entre os colegas do sistema prisional. Hoje, cursa administração de empresas e diz que não vai parar por aí.

"Quando pagar minha dívida com a sociedade alagoana, eu pretendo voltar para São Paulo e me especializar na minha área. Mas tenho certeza que vou utilizar meu conhecido para fazer sabão para a minha família e economizar e transformar a comunidade onde vou morar”, diz o presidiário.

Além de Nogueira, outros dois presos integram a equipe comandada por Gonçalves. O agente penitenciário garante que o processo de produção é simples.

“O óleo é peneirado para retirar todas as impurezas das frituras. Depois fazemos uma pasta com ele e soda cáustica. Essa mistura serve para que possamos dar a liga para confecção dos produtos” afirma Gonçalves.

Depois desta etapa, a finalização depende do tipo de produto que se quer, como explica Nogueira. “O que diferencia o produto é a quantidade de soda cáustica que se coloca depois. No sabonete, por exemplo, é colocada a glicerina. No desinfetante é colocada a essência”.

“Para o sabão em barra, é necessário esperar um pouco para fazer os riscos e os cortes quando o sabão endurecer, ficar fácil de sair”, afirma o presidiário.

Eles ainda afirmam que é ideal que se aguarde um período de 10 dias para utilizar os produtos, que são indicados para lavar pratos, roupa ou na limpeza geral da casa. Só não é aconselhado para o banho porque o PH é mais alto e resseca a pele.

Doação x Produção

Antes, o óleo produzido pelo buffet do salão de festas em que Ana Souza é gerente era jogado semanalmente pelo esgoto. Até que ela ouviu de uma mulher que passava na rua que a atitude era inadequada e que eles poderiam dar um destino melhor ao óleo.

A gerente do salão guardou o conselho e foi buscar formas para destinar corretamente o óleo que não servia mais e encontrou a oficina de reciclagem do sistema prisional. Faz um ano que a empresa doa o óleo que antes ia para o esgoto e agora recebe kits de limpeza produzido pelos presos.

“Infelizmente não tinha informação e jogava todo o óleo no lixo. Um anjo falou que deveria ver um destino melhor, que não era bom para o meio ambiente. Busquei informações na internet e descobri a Fábrica no sistema prisional”, lembra Ana Souza.

E é justamente a falta de informação um dos entraves para uma maior produção de material de limpeza, que é usado também na manutenção dos presídios. Com 9 litros de óleo, os presos produzem até 50 barras de sabão, e com 8,5 litros, 200 litros de detergente e até 2 mil litros de desinfetante.

Mas o técnico Welder Gonçalves afirma que, para que o sistema tivesse uma produção autossuficiente, seriam necessários 1.500 litros de óleo mensalmente. “Hoje trabalhamos com cerca de 400 litros por mês. Atualmente, atuamos com cerca de 2% da nossa capacidade devido à falta de material".

Gonçalves explica que para coletar o material é simples, basta deixar o óleo esfriar, coar para tira impurezas da fritura e armazenar em garrafas pet. O doador pode entrar em contato com o Núcleo Ressocializador do sistema prisional, que tem equipe disponível para fazer a coleta do óleo em casa. O telefone para informações é (82) 3315-1090.

Produtores lamentam morte do gado por causa da seca em Alagoas

A seca está castigando todo o estado de Alagoas, mas no Sertão, os reflexos da estiagem são sentidos com mais intensidade. Com pastos secos e reservatórios vazios, os produtores estão vendo o gado morrer de fome e sede.

Na cidade de Dois Riachos, no Sertão, o açude Pai Mané abastecia centenas de famílias da região, mas hoje ele está com 5% da capacidade e a água já não serve mais para dar ao gado. “A água fica armazenada e fica o sal todo no reservatório. Mas o gado só bebe depois de três dias porque eles estão morrendo de sede”, lamenta o produtor Antonio Melo.

O produtor conta que em dezembro perdeu duas das quatro vacas que tinha. Para não parar a atividade, ele recebeu emprestado da cooperativa, outras duas vacas. “Sertanejo é aquela pessoa que tem muita fé em Deus. Porque sem fé, nós não temos nada”.

Na cidade de Major Izidoro onde havia pasto, hoje só tem areia. O produtor de leite Rinaldo Soares diz que conta apenas com 25 cabeças de gado leiteiro. Manter o rebanho produzindo tem sido um desafio. Por causa do calor, a palma forrageira, planta que armazena água e faz parte da dieta do gado murchou.

“Ela não conseguiu resistir. O sol está muito forte e a plantação está se acabando. Por isso não é bom dar para o gado a palma seca, mas é tudo o que tenho para que eles não morram de fome”, afirma o produtor de leite Rinaldo Soares.

Rinaldo é associado a uma cooperativa de produtores de leite que fornece o produto para o Programa do Leite, do governo de Alagoas. Ele conseguiu há três meses, através de uma ação emergencial do governo do estado, receber nove toneladas de bagaço de cana para ajudar na alimentação dos bichos.

O bagaço foi doado pela Secretaria Estadual de Agricultura. Os produtores pagam o frete. É assim que eles estão conseguindo manter os animais de pé e produzindo, mas o bagaço não pode ser dado puro.

A orientação é misturar com a palma forrageira para servir de volumoso, substituindo o pasto. Mesmo com a palma murcha, é assim que Rinaldo está matando a fome do rebanho, que já emagreceu.

Outro problema é a água. A reserva é pouca e os produtores têm que economizar. “Essa água eu pego a um quilômetro daqui. Ela é salgada, mas os animais bebem mesmo assim”, lamenta o produtor.

 

Fonte: G1/Municipios Baianos

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