14/03/2017

Bahia: a sorte de conseguir parir no meio da rua

 

A criança nasceu saudável, um menino. A mãe passava bem e ambos foram levados para um leito preparado com urgência numa maternidade pública. Quanto às outras duas mulheres que também começaram a sentir as dores do parto nas ruas no Carnaval, conseguiram ser socorridas a tempo de terem os filhos (uma teve gêmeos) na segurança adequada de um ambiente hospitalar. Assim de imediato, sem contexto, soa como crueldade, perversão, sarcasmo ou insensibilidade ousar dizer que teve sorte uma mulher que pariu no meio da rua, durante o Carnaval, e ainda por cima catando latinhas no chão imundo, aos 9 meses de gravidez, acompanhada do marido de 22 anos e de outros três filhos. Mas sim, foi sorte dela começar a sentir as dores ali e poder contar com a eficiência de uma equipe do Corpo de Bombeiros da qual fazia parte, inclusive, uma enfermeira.

FRONT

Talvez muitos não saibam e convenhamos que para muita gente é mais confortável continuar sem saber, mas o que prevalece hoje nos bastidores das maternidades públicas de Salvador são cenas assemelhadas às de um de front de guerra em que os soldados feridos são substituídos por mulheres sentindo dores extremas esperando seus filhos nascerem. A equação começa pelo óbvio: a matemática. Há muito mais mulheres parindo do que a capacidade de leitos públicos disponíveis hoje em Salvador, o que se traduz em uma via-crúcis para qualquer mulher que comece a entrar em trabalho de parto e saia de casa procurando uma vaga numa maternidade.

Raramente haverá uma maternidade que atenda pelo SUS cujas emergências não estejam constantemente lotadas. Isso significa dezenas de mulheres em corredores, às vezes sem sequer uma maca extra para acomodá-la, sem uma equipe clínica por perto, pois todos estão nas enfermarias e salas de parto atendendo quem teve a sorte de encontrar a vaga para parir. Muitas dão à luz nos corredores e, creiam, com dor, sangrando, enfraquecidas, são obrigadas a tirar forças de onde já não há para esperarem sentadas numa cadeira com um recém-nascido no colo, sem poder levantar, ir ao banheiro, entre outras coisas, até que apareça um leito graças à alta médica de outra mãe.

CHÃO DA RUA

E mesmo essas mães de corredor de emergência, acreditem: elas ainda experimentam melhor condição que aquelas que rondam a cidade, de maternidade em maternidade, em busca de uma vaga para parir e nem nos corredores a encontram. Num cenário como esse, sentir as dores do parto, ver o filho nascer amparado pela eficiência dos bombeiros e, do chão da rua, ir para uma maternidade com uma vaga e um leito já garantidos, é sim, paradoxalmente, uma sorte, enviesada, mas sorte. Estivesse essa mãe em casa e, de lá, precisasse dessa vaga, seu périplo poderia ter sido muito mais desumano, frustrado ou trágico.

Bebê prematuro luta contra o tempo para receber medicamento proibido pela Anvisa

A família do pequeno Lucas, que nasceu aos sete meses, em Salvador, com uma abertura em um canal arterial, está lutando contra o tempo para conseguir duas dosagens do medicamento Ibuprofeno Venoso, que não é registrado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Acontece que esse anti-inflamatório é vendido abertamente e sem restrições até mesmo para a população em suas formas gotas e em cápsulas.

"É isso que eu não entendo", disse Adriano Lima, pai da criança que trabalha no setor farmacêutico, inconformado. Para que a substância venha a surtir efeito e faça com que o bebê nascido no dia 2 de março não precise passar por cirurgia, é necessário que seja aplicada até o 14 dia de vida, o que implica dizer que, contando com essa sexta-feira (10), a família só tem mais cinco dias para conseguir as doses do Ibuprofeno Venoso. "Eu só tenho até quarta-feira para conseguir. E pode ser que o canal não se feche. É uma tentativa", explicou o pai. Adriano ressalta que o Hospital Aliança, onde a criança encontra-se internada no setor neo-natal, está dando todo o suporte à família e ao próprio bebê.

Ajuda

Depois de correr atrás e divulgar nas redes sociais, uma das três dosagens foi conseguida. A mãe de outra criança se sensibilizou com a situação e doou uma dose do medicamento. Ainda faltam duas. Entretanto, a família não tem como comprar de outro país — e não é pelo custo.

Como só tem cinco dias para aplicar o ibuprofeno venoso no bebê, a compra, que só pode ser feita por meio de uma pessoa física através de importação, por distribuidora farmacêutica, para ser administrada na criança pelo hospital, não vai chegar a tempo.  "Se eu pedir agora, vai demorar de 10 a 15 dias. A gente está compartilhando nas redes sociais para ver se outras pessoas têm esse medicamento em casa, alguma distribuidora aqui do Brasil", justificou Adriano Lima.

A patologia

A doença que Lucas tem, Persistência do Canal Arterial (PCA), é mais comum do que se imagina. Durante a gestação, é normal que esse canal fique aberto e se feche logo após o nascimento.

Como ajudar

Caso você tenha posse desse medicamento ou saiba como ajudar a família de Lucas, entre em contato através do e-mail: adrianoalveslima@bol.com.br.

Planserv contabiliza mais de 100 beneficiários "centenários"

A aposentada Raymunda Rodrigues da Silva é beneficiária do Planserv - Assistência à Saúde dos Servidores Públicos Estaduais há 40 anos. No próximo sábado (11) ela completa 106 anos de vida, com saúde e lucidez. A aniversariante é uma das "centenárias" do plano, que se orgulha de ter mais de 100 beneficiários com mais de cem anos de idade em sua carteira.

"Temos exatos 102 beneficiários nesta faixa etária. Este dado nos motiva a continuar trabalhando para proporcionar saúde, bem estar e qualidade de vida aos idosos. O aumento da expectativa de vida da população é uma realidade e precisamos estar cada vez mais preparados para atender da melhor forma a este público tão especial", declara a Coordenadora Geral do Planserv, Cristina Cardoso.

Dona Raymunda vai pouco ao médico. Ela se alimenta bem, interage com a família e não apresenta problemas significantes de saúde. Contudo, ela é uma exceção, já que com o avançar da idade, a maioria das pessoas apresentam doenças que acabam prejudicando sua qualidade de vida. Por isso, garantir a assistência à saúde dos idosos é fundamental.

De acordo com Cristina Cardoso, 24% dos beneficiários do Planserv têm 60 anos ou mais. O envelhecimento da carteira do Planserv tem afetado as despesas assistenciais com efeitos crescentes sobre os gastos com cuidados de longa duração e alta complexidade. Mesmo assim, ao contrário de outros, que cobram de acordo com a faixa de idade, "o Planserv é um plano solidário na medida em que a contribuição do beneficiário varia de acordo com sua remuneração, o que facilita o acesso e a manutenção dos idosos na carteira da Assistência. Dificilmente, algum aposentado escolheria pagar um plano de acordo com sua faixa de idade se tem à disposição um sistema proporcional ao seu salário", destaca a gestora.

Outro reflexo da preocupação do Planserv com o envelhecimento da população é a manutenção do Programa de Saúde do Idoso, gerido pela Coordenação de Prevenção da assistência. Com o objetivo de oferecer um atendimento multidisciplinar ao idoso, a fim de estimular sua capacidade funcional e autonomia, o programa beneficia cerca de 1900 beneficiários atualmente. Para isso, conta com cinco prestadores e 52 profissionais cadastrados, entre geriatras, nutricionistas, fonoaudiólogas, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e psicólogos.

 

Fonte: Por Malu Fontes, no Correio/Ciência e Saúde/Camaçari Noticias/Municipios Baianos

Comentários:

Comentar | Comentários (0)

Nenhum comentário para esta notícia, seja o primeiro a postar!!