16/03/2017

Estudantes apresentam projeto para fortalecer a Agricultura Familiar

 

Como é possível fortalecer a Agricultura Familiar reduzindo o uso de agrotóxicos nas plantações? A pergunta motivou o desenvolvimento de um projeto em sala de aula, no Colégio Estadual Aldemiro Vilas Boas, no município de São Miguel das Matas (224 km de Salvador), localizado no Recôncavo Baiano. A iniciativa dos estudantes Leandro Andrade e Jade Sousa, do 3º ano do Ensino Médio, tem impactos tão positivos que será apresentada na 15ª edição da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (FEBRACE), que acontece entre os dias 20 e 27 de março, na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP). Ao todo, seis projetos de estudantes da rede estadual foram selecionados para o evento.

 O projeto intitulado 'O uso de agrotóxicos na Agricultura familiar miguelense' ganhou apoio do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC). No desenvolvimento do projeto de pesquisa, os estudantes identificaram agrotóxicos usados no município e promoveram ações, dentro e fora da escola, voltadas para a conscientização dos agricultores sobre os riscos destes produtos para a saúde dos trabalhadores e dos consumidores e, também, sobre as implicações na contaminação do solo e da água.

Leituras e discussões foram realizadas coletivamente, em reuniões semanais na escola. Também foram realizadas coletas de amostras do solo, para análises do pH em água e em solução de Cloreto de Potássio (Kcl). Outra estratégia utilizada foram as oficinas com alunos filhos de agricultores familiares, que se tornaram agentes multiplicadores para a garantia da preservação ambiental e da conscientização acerca dos cuidados básicos com a saúde.

“Nossos estudantes que moram na zona rural, portanto, são um veículo de transmissor de toda informação apresentada no ambiente escolar, onde reflexões agroecológicas foram construídas. Através deles, cumprimos o maior objetivo do projeto, que foi conscientizar os agricultores que utilizam agrotóxicos, colaborando no fortalecimento da Agricultura Familiar no Território de Identidade do Vale do Jiquiriçá”, afirma o professor-orientador do projeto, Alaércio Peixoto.

O estudante Leandro Andrade, 16 anos, destaca que o projeto tem um grande alcance social. “A distribuição de informações sobre os agrotóxicos é importante para o agricultor e, também, para os consumidores, como alerta à sua saúde por conta dos riscos de contaminação. Além disso, nota-se que os conhecimentos são de difícil acesso para muitos agricultores”, analisa Leandro, que fala da alegria em apresentar os resultados da pesquisa, desenvolvida no âmbito do projeto Ciência na Escola, da Secretaria da Educação do Estado, na FEBRACE. “Está sendo muito emocionante este momento que estou vivendo. A expectativa, a ansiedade e a esperança de conquistar uma posição de destaque no evento são grandes. Mas, desde já, estou muito feliz por este reconhecimento”, comemora.

O projeto 'O uso de agrotóxicos na Agricultura familiar miguelense' é um dos desdobramentos do plano de trabalho ‘Estudo Etnobotânico e Fitoquímico de Plantas do vale do Jiquiriçá: analisando a Influência dos agrotóxicos na química da planta’, do Programa de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC-EM), desenvolvido no Colégio Aldemiro Vilas Boas, em parceria com a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (FAPESB).

Tecnologias adotadas em unidades de referência aumentam produtividade da bovinocultura de leite

As Unidades de Referências de Produção de Leite (UR's), implantadas em áreas de agricultores familiares, têm aumentado a produtividade e a rentabilidade da bovinocultura de leite da agricultura familiar. Já são 25 unidades espalhadas em três Territórios de Identidade da Bahia: Bacia do Rio Corrente, Bacia do Rio Grande e Velho Chico. Esta ação é desenvolvida pela Superintendência de Agricultura Familiar (SUAF), em parceria com a Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR) e a Superintendência Baiana de Assistência Técnica e Extensão Rural (BAHIATER), órgãos vinculados à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR).

Segundo o superintendente da SUAF, Marcelo Matos, o oeste baiano é a região onde o projeto mais avançou. “Lá, são 19 propriedades com muitos avanços. Em Sítio do Mato, o agricultor Carlos Santana, apresentou excelentes resultados financeiro, mudando totalmente a realidade da sua família. Na sua propriedade, a produção de leite triplicou, saindo de 25 para 75 litros/dia. Já a receita mensal, com a venda de leite, aumentou cinco vezes, saltando de R$ 700,00 para R$ 3.500,00.

Na propriedade do agricultor familiar quilombola, Carlos Santana, sua vida mudou, “eu tinha toda a estrutura, mas não conseguia produzir”. O seu imóvel rural virou um modelo para os agricultores da região. Santana relatou que o projeto transformou o padrão de vida da família, pois obteve sucesso. “Eu tenho um produto de qualidade, lucro e o melhor, mantenho minha propriedade e minha família com a produção do leite”, ressalta

As Unidades de Referência são áreas de agricultores familiares, transformadas em “salas de aulas práticas” com as finalidades de atualizar o conhecimento de técnicos e produtores e, ao mesmo tempo, servir como exemplo, ao demonstrar a viabilidade técnica, econômica, social e ambiental da produção de leite, aumentando o alcance das tecnologias adotadas e contribuindo para o aumento da produção, produtividade e rentabilidade da bovinocultura de leite da agricultura familiar.

“Em oito meses de trabalho, nas primeiras Unidades de Referência, a produtividade aumentou em 70% e o custo de produção do leite reduziu 30%. Por exemplo, um litro de leite era vendido pelo produtor por R$ 1,10 - mas ele gastava para produzir entre R$ 0,90 a R$ 1,10. – trocava dinheiro. Hoje, o beneficiário gasta R$ 0,50 centavos para produzir um litro de leite, aumentando a sua renda em 100%. Os progressos em cada Unidade de Referência dependem das condições do produtor para investir, já que trabalhamos com o que ele já tem na propriedade, sem onerar os seus custos", explica Eduardo Duarte, assistente técnico da CAR e supervisor do projeto.

Nas UR’s são implantadas tecnologias de produção e uso intensivo de pastagens, implantação de reserva estratégica de alimentos para o rebanho em períodos de seca, gestão técnica e financeira da bovinocultura de leite, manejo alimentar, reprodutivo, sanitário, melhoria do conforto e bem estar dos animais, além de tecnologias ambientais. Várias Unidades de Referência já começam a registrar bons resultados.

Ranking

De acordo com dados do Sindicato das Indústrias de Laticínios e Produtos Derivados do Leite da Bahia (Sindileite-BA), a Bahia é responsável por 40% da produção de leite do Nordeste, com a produção anual de 700 milhões de litros. O estado possui o 3º maior rebanho leiteiro, a 7ª maior produção de leite do Brasil e ocupa a 23º posição no ranking de produtividade nacional.

 

Fonte: Ascom Educação/Ascom SDR/Municipios Baianos

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