16/03/2017

Zika é mais agressivo em transplantados, diz estudo

 

Estudo feito por uma equipe médica do Hospital de Base de São José do Rio Preto, interior de São Paulo, demonstrou que o vírus da zika é mais agressivo em pacientes submetidos a transplantes de órgãos, como rim e fígado, do que em outras pessoas. Nesses casos, os sintomas resultantes da infecção em nada se parecem com os da dengue, como era consenso até então pelo mundo.

O estudo dos pesquisadores da Faculdade Regional de Medicina de Rio Preto (Famerp) e da Fundação Faculdade Regional de Medicina (Funfarme) ganhou a capa da edição de março do American Journal of Transplantation, a publicação mundial de maior prestígio na área.

O grupo acompanhou quatro pacientes - dois transplantados renais e dois hepáticos. Segundo o virologista Maurício Nogueira, havia consenso de que a zika era uma doença benigna para os doentes acometidos, exceto grávidas. "Quando vimos aqueles pacientes com sintomas mais graves, achávamos que era dengue, mas nos exames encontramos o zika."

O acompanhamento dos casos mostrou que a ação do vírus, também transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, se potencializa em pacientes imunodeprimidos. "Tudo indica que o mesmo efeito deve ser encontrado em pessoas com diabete ou em tratamento contra o câncer. Para essa população, em especial, o zika não é aquela doença benigna que se pensava."

Alerta

O nefrologista Horácio Ramalho, diretor executivo da Funfarme, acredita que o estudo fará com que o zika seja incluído nas pesquisas virológicas que acompanham os transplantes. "A descoberta serve como alerta mundial para que centros transplantadores façam a pesquisa de mais esse vírus."

País registra queda nos casos de dengue, chikungunya e zika

Os casos de dengue, chikungunya e zika registraram queda nos três primeiros meses de 2017 em comparação ao mesmo período do ano passado. De acordo com o boletim do Ministério da Saúde, as notificações de dengue tiveram redução de 89,8%; chikungunya, 76,3%; e zika, 97,6%. Os dados fazem parte da pesquisa realizada do início do ano até o dia 18 de fevereiro.

De acordo com o Ministério da Saúde, também houve queda expressiva no número de óbitos com dengue, passando de 221, no primeiro trimestre em 2016, para 5 no mesmo período em 2017. Os casos graves da doença chegaram a 91% a menos que 2016.

A Região Sudeste registrou o maior número de casos prováveis (18.660 – 38,7%) em relação ao total do País, seguida das Regiões Nordeste (9.655 casos – 20,0%), Centro-Oeste (9.169 casos – 19,0%), Norte (7.447 casos – 15,5%) e Sul (3.246 casos – 6,7%).

Chikungunya

Até 18 de fevereiro, foram registrados 10.294 casos de febre chikungunya no País, o que representa uma taxa de incidência de 5,0 casos para cada 100 mil habitantes. A redução é de 76,3% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram registrados 43.567 casos. A taxa de incidência no mesmo período de 2016 foi de 21,1.

Zika

Foram registrados 1.653 casos de zika no País. Redução de 97,6% em relação a 2016, com 30.683 casos no mesmo período. A análise da taxa de casos prováveis mostra uma baixa incidência em todas as regiões geográficas até o momento.

Em relação às gestantes, foram registrados 286 casos prováveis, sendo 30 confirmados por critério clínico-epidemiológico ou laboratorial. Não houve registro de óbitos por zika em 2017.

Governo tem dificuldade para analisar 2/3 dos casos suspeitos de febre amarela

Quase dois terços dos 1.431 casos notificados de febre amarela no País estão sem solução. Desde janeiro, quando o alerta para o aumento inesperado da doença foi dado, equipes de vigilância conseguiram concluir a análise de 504 casos - 379 foram confirmados e 125, descartados. Outros 927 registros suspeitos continuam em investigação.

"Os resultados são essenciais. É com base nos dados que podemos saber a dimensão da epidemia", afirma o epidemiologista da Sociedade Brasileira de Dengue e Arboviroses, André Freitas. "Sem números precisos sobre evolução de casos, não há como avaliar a eficácia das medidas adotadas até o momento", diz o pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Cláudio Maierovitch.

Embora a vacinação esteja sendo feita, novos casos suspeitos continuam a ser registrados. "É um sinal de que algo não vai bem. Se a vacinação da população suscetível tivesse sido feita no tempo correto, logo depois dos primeiros registros de mortes de macacos e de casos suspeitos em humanos, o número de novas infecções já deveria estar caindo", afirma Freitas. A estimativa é de que a pessoa fique protegida contra infecção por febre amarela 15 dias depois de receber a vacina. "Já temos mais de dois meses de epidemia e casos novos continuam a aparecer", observa o epidemiologista.

Uma das possíveis razões para a lentidão na investigação de casos suspeitos de febre amarela é o atraso na realização do teste laboratorial. Maierovitch afirma que, em média, resultados do exame que identifica a presença de anticorpos para a doença ficam prontos em 15 dias. O problema acontece quando o teste é feito de forma tardia, dias após o aparecimento dos sintomas. Nessas condições, há o risco de o resultado ser inconclusivo. Isso obriga a repetição do teste e faz com que outros fatores, como histórico do paciente, onde ele vive, se está ou não vacinado contra a doença, passem a ser considerados.

Essa demora se soma a problemas identificados nos laboratórios. A Funed, referência para a doença em Minas - epicentro da epidemia -, recebeu apenas em fevereiro insumos para o teste PCR (que identifica fragmentos do vírus), apesar de o Estado há anos ser considerado área de risco para febre amarela. Em nota, o Ministério da Saúde informou estar se esforçando para reduzir os prazos para investigação e atribui a demora na confirmação à complexidade da análise. Atualmente, oito laboratórios de referência estão encarregados de fazer a avaliação de casos em humanos.

Cobertura vacinal

Além do atraso no diagnóstico, Freitas sustenta ter havido falhas na vacinação. Ele avalia ser necessária, por exemplo, a extensão da aplicação das vacinas no sul da Bahia, onde já há suspeita de casos de mortes de macacos por febre amarela. De acordo com o Ministério da Saúde, no entanto, a medida deve ser adotada somente quando as suspeitas de casos são confirmadas.

Áreas consideradas de maior risco para febre amarela continuam exibindo níveis de cobertura vacinal abaixo do que seria considerado seguro. De acordo com dados do Ministério da Saúde, em Minas, por exemplo, 74% da população que reside em área considerada de maior risco está protegida. Houve avanço em relação a janeiro, quando a cobertura atingia 53,43%. Mesmo assim, não há ainda como se dizer que há uma situação de segurança.

Em São Paulo, em regiões onde a vacina é recomendada, a cobertura atinge 72,48%. "Em algumas cidades, esses indicadores já estão melhores, como a região de Rio Preto, Botucatu e Franca. Mas o esforço para atingir os 80% ainda continua", afirma o coordenador de Controle de Doenças da Secretaria de Saúde de São Paulo, o infectologista Marcos Boulos. Na Bahia, as cidades consideradas de risco apresentam 72% da população vacinada. No Espírito Santo, o porcentual é de 58%.

 

Fonte: Agencia Estado/Portal Brasil/Municipios Baianos

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