28/06/2012

BAHIA: Alunos para o primeiro aulão, recepcionados com manifestação de professores e colegas

 

Não se sabe se a emenda não foi pior que o soneto, assim diz o ditado popular. Recebidos por professores paralizados e por outros colegas insatisfeitos, com palavras de “Não quero revisão, quero educação” gritavam centenas de estudantes, ontem, em protesto contra a didática das aulas do plano emergencial criado pelo governo, para dar reforço preparatório para alunos do 3°ano, aumentando ainda mais o  desgaste do governo do Estado ante a sociedade.

A manifestação aconteceu por volta das 14 horas na frente do Centro Educacional Carneiro Ribeiro, mais conhecido como Escola Parque, localizado no bairro da Caixa D’Água. Cerca de 30 professores estavam no local reivindicando a pauta de greve, que completou 78 dias, que a els se juntara,m centenas de alunos, reprovando a medida do governo, que ao contratar uma empresa do professor show-man Jorge Portugal, por cerca de 1,5 milhões, deu uma demonstração que dinheiro não é problema para atender as reivindicações dos docentes, mas o que está faltando é humildade e vontade de dialogar.

Segundo os estudantes, a medida não estaria contribuindo para o rendimento dos alunos porque não existiria um cronograma fixo das disciplinas. Além do mais, eles alegam que o conteúdo está sendo lecionado por professores sem a especialização nas respectivas disciplinas, fato que é negado pela Secretaria de Educação do Estado.

Os manifestantes saíram em passeata do Colégio Estadual Thales de Azevedo, no Costa Azul até o Jardim dos Namorados. A estudante Yasmim Gomes, de 17 anos,  conta que a forma como as aulas estão sendo aplicadas torna-se  impossível acompanhar os assuntos.


“Desde que as aulas começaram nunca tivemos  um professor fixo lecionando  a mesma matéria. Todos os dias chega um diferente para dar aula, mas o pior é que nenhum deles segue a sequência dos assuntos deixados pelos professores anteriores.

Estamos pedindo ao governo que pense em nosso futuro, e de uma vez por todas abra um canal de diálogo com os professores”, desabafa.
 

Com faixas, cartazes, cara pintada e apitos, os estudantes ganharam apoio da população que passava no local. Ao chegarem na Avenida Otavio Mangabeira, no bairro da Pituba, os alunos, com apoio da Polícia Militar, fecharam por cinco minutos uma das pistas e simularam uma aula ao ar livre questionando aos mestres o porquê de tanta demora para pôr fim a greve que hoje completa 79 dias .
 

Na escola Estadual Manoel Devoto, no bairro do Rio Vermelho, embora a frequencia de alunos tenha aumentado em relação ao primeiro dia de aula, os alunos também estavam  insatisfeitos e fizeram as mesmas reclamações. Segundo Maiana Borges, de 17 anos, o número de alunos frequentando as aulas ainda é bastante baixo.

Além disso, há uma variação de professores e conteúdo das aulas. “ Eu quero saber como vamos passar no vestibular se nem as disciplinas essenciais estamos tendo?” indagou a estudante.
 

Por meio de nota, a Secretária de Educação do Estado respondeu: “ A Secretaria da Educação do Estado da Bahia informa que os professores convocados para a volta às aulas do 3° ano do ensino médio de têm formação em licenciatura plena na área em que está atuando.

Portanto, os professores estão habilitados a abordar assuntos do 3º ano.  Os professores estão realizando, nesse primeiro momento, uma revisão dos conteúdos que já foram trabalhados para dar continuidade aos assuntos do ponto em que eles foram interrompidos.

A Secretaria da Educação, também, realizou encontro de orientação aos professores e encaminhou equipe pedagógica a cada um dos 19 polos, para auxiliar no desenvolvimento da prática pedagógica para os estudantes do 3° ano”.

 

Aquela que seria a primeira aula,  denominada de aulão inaugural, foi realizada no auditório da escola que tem capacidade para 500 pessoas e teve a participação de 410 alunos. O professor Jorge Portugal deu início a aula que teve como tema principal os ‘Conflitos Contemporâneos’. 

Como ocorre no programa apresentado pelo prof. Jorge Portugal na TVE, os temas foram intercalados com shows musicais. O cantor Serginho, do Adão Negro, cantou músicas da banda no início, no intervalo e ao final dos aulões para entreter os estudantes. Também estava presente o chefe de gabinete da SEC, Paulo Pontes.

O aulão foi encerrado às 16h15, trinta e cinco minutos antes do esperado. Neste primeiro dia, o governo disponibilizou o transporte e um kit-lanche para os alunos. 

A iniciativa de criar um sistema de aulões ainda divide opiniões entre os alunos. Muitos acharam interessante a abordagem feita pelo professor, outras acreditam que os aulões não vão suprir os dias sem aula por conta da greve.

Na programação apresentada, os aulões serão realizados todas as terças, quintas e sábados em Salvador e somente aos sábados no interior do estado. Para participar dos próximos aulões, os alunos precisam se increver no site www.sec.ba.gov.br.

A próxima aula está marcada para o próximo dia 5 de julho e as inscrições serão abertas no dia 3.

A TVE gravará  todos os aulões e disponibilizará durante a programação do canal 2. Além disso, os estudantes poderão ter acesso aos conteúdos através do site www.tosabendomais.com.br.

As aulas complementares tem como objetivo preparar os alunos para o Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) e vestibulares. No total, serão realizados 384 aulões até o final do calendário escolar.

O órgão estadual disponibilizou um link para os alunos consultarem qual a escola-sede onde terão as aulas de reposição.

 

 

Fonte: Municipios Baianos

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