19/03/2017

Salsicha na merenda escolar deveria ser proibida

 

Papelão na salsicha, diz a Polícia Federal. Então deve ser por isso, pelos preços baixos da salsicha, que todos os prefeitos a colocam como principal fonte proteica na merenda escolar.

Estamos alimentando os cérebros das crianças com papel. Está tudo explicado.

  • Veja mais algumas nojeiras usadas nos alimentos processados, não necessariamente nas empresas citadas hoje pela Polícia Federal:

Pele de porco, secreção de inseto, substância utilizada na fabricação de preservativos… Estes são apenas alguns exemplos de ingredientes nojentos utilizados na fabricação de alimentos processados.

Muito provavelmente, você não tem ideia da quantidade de produtos e substâncias químicas desconhecidas que são acrescentadas nos alimentos industrializados.

Claro, isso não quer dizer que eles não são seguros para comer. As agências sanitárias por todo o mundo gastam muito tempo e energia para se certificar de que você não está comendo certas coisas que não vão matá-lo. Mas a ideia de que algo parece “simplesmente errado”, muitas vezes, não faz parte do cálculo.

Prepare o estômago e confira a primeira parte da lista de ingredientes alimentares com alto índice de nojeira.

Colágeno

O que é: vegetarianos, prepararem-se para ficar chocados! Um dos principais ingredientes que fazem a gelatina ficar com aquela característica “durinha” é o colágeno, uma proteína frequentemente coletada da pele de animais.

Onde é utilizado: a fonte varia de acordo com o tipo de alimento. A gelatina em sobremesas, por exemplo, vem principalmente da pele do porco. O colágeno também pode ser encontrado em cereais, iogurte, doces, e alguns tipos de creme de leite. (Confira o rótulo).

Carne mecanicamente separada

O que é: este tipo de carne é recolhida a partir de carcaças de animais depois que todos os cortes de músculo foram removidos. A carne mecanicamente separada pode conter pedaços de osso, cartilagem e outras partes que, posteriormente, se transformam em uma pasta (massa).

Onde é utilizada: a carne mecanicamente separada pode custar até 10 vezes menos do que outros tipos de carnes e é exatamente por causa do preço, que ela é exclusivamente utilizada para fabricação de certos produtos, como salsichas e hambúrgueres.

Goma-laca

O que é: cubram os olhos amantes dos doces. Aquela cor bonita e brilhante de algumas guloseimas, como as jujubas, são muitas vezes revestidas com laca, uma substância pegajosa derivada de secreções da fêmea Kerria Lacca, um inseto nativo da Tailândia.

Onde é utilizada: jujubas, pipoca industrializada, doces e balas revestidas com um brilho. A goma-laca também pode ser chamada de “verniz de confeiteiro” na embalagem.

Carne mecanicamente separada: utilizada na fabricação de salsichas.

Propilenoglicol

O que é: este produto químico é encontrado em anticongelantes. O propilenoglicol tem propriedades lubrificantes que ajudam na concentração de ingredientes de alguns alimentos. Esta substância também é utilizada na fabricação de preservativos.

Onde é utilizado: refrigerantes, molho para salada, e cerveja.

Benzoato de sódio

O que é: você já bebeu um gole de refrigerante ou suco e sentiu uma sensação de formigamento na sua garganta? Essa reação, pode ser ocasionada pelo benzoato de sódio. Um estudo de 2007 publicado na revista científica The Lancet, descobriu que uma mistura de benzoato de sódio e corantes alimentares estava ligada ao comportamento hiperativo em crianças, embora fosse difícil dizer se os corantes ou conservantes eram o os culpados.

Onde é utilizado: refrigerantes e outras bebidas com gás carbônico, sucos de frutas, molhos para saladas, condimentos e picles.

Dióxido de silício

O que é: o dióxido de silício, também conhecido como sílica, é o principal componente da areia. Esta substância é utilizada para absorver a umidade de alguns alimentos

Onde é utilizado: sais, sopas e creme para café.

No cardápio da merenda escolar, produção agrícola local e familiar

Há mais de 60 anos, todos os alunos da educação básica matriculados em escolas públicas, filantrópicas e entidades comunitárias familiares devem, por lei, receber uma refeição ao longo do dia. A garantia é assegurada pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar, que pretende contribuir para o desenvolvimento da aprendizagem e melhoria do rendimento escolar dos alunos. Também tinha como objetivo formar hábitos alimentares saudáveis. Mas essa última meta foi simplesmente desconsiderada até 2009.

Foi apenas durante o governo Luiz Inácio Lula da Silva que a legislação passou a exigir que pelo menos 30% do valor repassado pela União para garantir alimentação de qualidade às crianças fossem adquiridos de agricultores familiares.

Antes, os estudantes até podiam contar com alguma alimentação – ainda que ela não chegasse a todas as escolas.  Mas o cardápio era composto por produtos enlatados e comidas processadas, já que as grandes indústrias dominavam o setor. Depois da regulamentação, prevista pela Lei 11.947 de 16 de junho de 2009, hortaliças, frutas e, especialmente, produtos regionais passaram a integrar o prato. Os recursos,  repassados pela União, devem ser utilizados na compra de gêneros alimentícios diretamente da agricultura familiar e do empreendedor familiar rural ou de suas organizações.

Com a nova política, a prioridade para os assentamentos da reforma agrária, comunidades tradicionais indígenas e comunidades quilombolas é garantida e a aquisição dos produtos pode ser feita sem licitação. Mais: a merenda passou a ser disponibilizada da educação infantil ao ensino de jovens e adultos.

Cultura

Os hábitos alimentares locais voltaram a ser cultivados entre as novas gerações, já que as merendeiras são estimuladas a criar pratos tradicionais. Como diz a ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome Tereza Campello “comida é cultura”. A lógica dos governos petistas passou a ser fornecer alimentos utilizados comumente nas casas dos estudantes.

“O ambiente escolar é o ambiente mais estratégico de todos para se discutir alimentação”, disse a ministra, em entrevista divulgada pelo programa Fantástico  da Rede Globo, no dia 18 de dezembro. Segundo ela, além de assegurar que a criança faça ao menos uma refeição saudável, a nova lógica de merenda com produtos locais é disseminada, já que cada estudante leva para casa o que aprendeu na escola. Tereza Campello lembra que, só em escolas públicas, já são quase 43 milhões de alunos matriculados.

Ganhos divididos

Com a política de segurança alimentar iniciada nos governos petistas, ganham as crianças e ganha o agricultor familiar, que passa a ter mercado assegurado.  Ganha também o produtor de orgânicos, que encontra nas escolas um mercado consumidor até então pouco explorado.

A comida oferecida nas escolas passou a levar em consideração a produção local, a sazonalidade e conter alimentos variados, frescos e que respeitam a cultura e os hábitos alimentares saudáveis, como frutas três vezes por semana.

Só na região Sul, quase três mil famílias foram cadastradas no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para fornecer comida agroecológica e orgânica ao PNAE. A Lei fez com que os produtores e suas organizações cobrassem dos governos o direito de vender seus alimentos nas chamadas públicas.

O Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) representou um fôlego novo para quem antes produzia apenas para consumo próprio. E também para a estratégia do governo federal de combate à miséria. Vale lembrar que, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), uma das estratégias para vencer a fome é o investimento na agricultura familiar.

A nova estratégia serviu como exemplo para outros países. Em São Tomé e Príncipe, por exemplo, produtos tradicionais, como o leite de cabra, estão sendo redescobertos pela população local , que havia abandonado o produto em troca de importados.

A permanência do programa esbarra agora, no risco de retrocessos. A extinção do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) pelo atual governo e a nomeação de ministros da Educação e da Agricultura com olhos voltados para a lógica pragmática do mercado é motivo de preocupação. A merenda escolar local, saudável e associada ao fomento da agricultura familiar e à cultura local é mais um legado petista sob ameaça de extinção.

 

 

Fonte: Jornal O Expresso/PTnoSenado.org/Municipios Baianos

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