21/03/2017

As melhores e piores cidades do mundo para se viver

 

Você já se perguntou alguma vez qual é a cidade com a melhor qualidade de vida do mundo?

Levantamento feito por uma consultoria colocou Viena, na Áustria, no topo da lista das cidades onde se melhor vive em todo o planeta.

O Brasil tem quatro representantes no ranking, todas abaixo da posição 109ª - ocupada por Brasília. A capital do Brasil é a primeira entre as brasileiras que aparecem na lista de 231 cidades.

Brasília (109º), Rio de Janeiro (118º), São Paulo (121º) e Manaus (127º) estão no ranking que, pela oitava vez, elegeu a capital austríaca como o lugar com melhor qualidade de vida no planeta. Viena alcançou melhores notas em transporte, segurança, normas sanitárias e acesso a serviços públicos.

As campeãs

O principal público-alvo da lista são companhias internacionais. A ideia é ajudar essas firmas a avaliar as cidades para envio de funcionários ou abertura de sucursais.

"O ranking tem como foco os estrangeiros. Então leva em conta tudo que afeta um expatriado", disse à BBC Brasil Indre Medeiros, consultora sênior no Brasil da Mercer, empresa responsável pela lista. Medeiros explica ainda que a base de comparação é Nova York.

Segundo Medeiros, o objetivo do ranking é ajudar o investidor estrangeiro a contabilizar não apenas o impacto logístico e financeiro de manter um funcionário fora, mas também avaliar o que pode influenciar no desempenho do expatriado.

A maioria das cidades nos primeiros lugares são da Europa. "Apesar dos últimos meses tumultuados e das dificuldades econômicas, cidades europeias mantêm padrão alto em itens como segurança e acesso a serviços públicos", observou o presidente da Mercer, Ilya Bonic.

Auckland, na Nova Zelândia, e Vancouver, no Canadá, respectivamente terceira e quinta colocadas, aparecem como exceção ao predomínio europeu no topo do ranking.

Montevidéu é a cidade latino-americana com melhor desempenho na lista. A capital uruguaia está na 79ª colocação, seguida por Buenos Aires (93ª) e Santiago (95ª).

A poluição, por exemplo, é um problema em Santiago. Na Argentina, pesam fatores como "manifestações, agitação política e instabilidade econômica".

A consultoria analisa 39 fatores agrupados em dez categorias. Entre os itens analisados estão estabilidade política e taxa de crimes, acesso a serviços médicos, saneamento, incidência de doenças infecciosas e poluição; transporte público e tráfego; atividades recreacionais e oportunidades de lazer.

A pesquisa avalia a situação de 450 cidades, mas nem todas são ranqueadas. No caso do Brasil, foram selecionadas quatro cidades com um grande volume de estrangeiros para entrar para a lista de qualidade de vida.

Rio de Janeiro e São Paulo se destacam pela facilidade de acesso de bens de consumo e atividades de lazer. "Há muita opção para se comprar alimentos, vestuário, veículos. Há também opções de lazer, esporte, cinemas, teatros, restaurantes", disse Indre Medeiros.

Brasília, por sua vez, tem melhor performance do que as demais cidades brasileiras em transporte e outros serviços públicos, opção de moradia e histórico de problemas ambientais.

A relação pacífica de Manaus com os países vizinhos é o item em que a cidade da Amazônia mais se destaca.

Pontos negativos

Apesar de diferentes entre si, as quatro cidades brasileiras compartilham, de modo geral, os pontos negativos que as derrubam no ranking global. O Brasil vai mal na categoria "ambiente político social" e a criminalidade é um dos itens que mais prejudicaram a performance do país.

O Brasil registrou, por exemplo, recorde de 59,6 mil homicídios em 2014, alta de 22% em comparação aos 48,9 mil registrados em 2003. A taxa de 29,1 casos por 100 mil habitantes também foi a maior já registrada na história, conforme levantamento do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

A dificuldade de aplicação de leis de forma democrática e equilibrada é outro fator negativo, assim como a instabilidade política interna, afirmou Medeiros. O cenário econômico ruim e a precariedade de serviços públicos, sobretudo transporte, também comprometeram a performance.

"Os protestos de 2016, a conjuntura politico-econômica, o agravamento da criminalidade, os escândalos de corrupção, a situação do transporte público, a estrutura dos aeroportos e disponibilidade de voos. Todos esses fatores combinados colocam o Brasil em situação de desvantagem em relação aos vizinhos da América do Sul", disse a consultora da Mercer.

As piores

O relatório também enumera as cidades com pior qualidade de vida do mundo, das quais o Brasil não faz parte. Bagdá, a capital do Iraque, ocupa o último lugar do ranking de 2017.

Logo antes, estão Bangui (República Centro Africana), Sana (Iêmen), Porto Príncipe (Haiti), Cartum (Sudão), Ndjamena (Chade), Damasco (Síria), Brazzaville (Congo), Kinshasa (República Democrática do Congo) e Conacri (Guiné).

Além de aplicar questionários com expatriados, a empresa coleta dados em órgãos governamentais e acompanha a imprensa local. "São várias as fontes de informação para cruzar, contextualizar e analisar os dados. Há ainda um comitê de qualidade para verificar os dados", diz a consultora.

Chineses querem investir US$ 20 bi no Brasil

O Brasil em crise virou a grande oportunidade para os chineses ampliarem seus negócios no País. Sem medo de gastar e com forte apetite para o risco, eles planejam desembolsar neste ano mais US$ 20 bilhões na compra de ativos brasileiros – volume 68% superior ao de 2016, segundo a Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China (CCIBC). O movimento tem sido tão forte que o País se transformou no segundo destino de investimentos chinês na área de infraestrutura no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.

Na lista de companhias que planejam desembarcar no País, de olho especialmente nos setores de energia, transportes e agronegócio, há nomes ainda desconhecidos dos brasileiros, como China Southern Power Grid, Huaneng, Huadian, Shanghai Eletric, SPIC e Guodian. “Há dezenas de empresas chinesas que passaram a olhar o País como oportunidade de investimentos e estão há meses prospectando o mercado brasileiro”, diz Charles Tang, presidente da CCIBC.

Enquanto essas companhias não chegam, outras chinesas estão mais avançadas na estratégia de expandir os negócios. A State Grid, por exemplo, liderou os investimentos no ano passado, com a compra da CPFL; a China Three Gorges arrematou hidrelétricas que pertenciam à estatal Cesp e comprou ativos da Duke Energy; a China Communications Construction Company (CCCC) adquiriu a construtora Concremat; e a Pengxin comprou participação na empresa agrícola Fiagril e na Belagrícola.

Segundo levantamento das consultorias AT Kearney e Dealogic, de 2015 para cá, os chineses compraram 21 empresas brasileiras, que somaram US$ 21 bilhões. “Hoje, o Brasil é um país que está barato, por conta do cenário político e econômico. E isso é visto como uma grande oportunidade pelo investidor chinês”, afirma o diretor para a área de infraestrutura da A.T. Kearney, Cláudio Gonçalves.

O atual movimento dos asiáticos no Brasil tem sido considerado como a terceira onda de investimentos chineses. Na primeira, vieram grandes multinacionais, como a Baosteel, de olho no setor de mineração e aço. A empresa chegou a fazer parceria com a Vale para construir duas siderúrgicas no País, mas o projeto não prosperou. Em 2011, comprou uma pequena participação na Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração, que aposta na exploração de nióbio.

Na segunda onda de investimento chinês, apareceram companhias que tinham pouca ou quase nenhuma experiência no mercado externo, afirma o advogado do escritório Demarest, Mário Nogueira. Ele explica que, nesse segundo movimento, muitas empresas – incluindo o setor automobilístico – não se deram bem no Brasil, por não terem recebido orientação adequada de como funcionava o mercado nacional. “Dessa leva, algumas quebraram e outras tentam até hoje se desfazer de ativos.”

A onda atual também inclui empresas inexperientes no mercado internacional, mas gigantes na China, com muito dinheiro para gastar. E, desta vez, as companhias têm se cercado de assessores financeiros e jurídicos. “Tem cliente que montou escritório de representação e está há três anos estudando o mercado brasileiro. De tanto rodarem em busca de negócios, já conhecem mais o País do que eu”, afirma Nogueira.

Por ora, os escândalos revelados pela Operação Lava Jato envolvendo as maiores empreiteiras do Brasil estão longe de serem vistos como fator de preocupação econômica ou de instabilidade política pelos investidores chineses. Pelo contrário, têm ajudado, já que os preços dos ativos caíram.

Nos próximos meses, vários negócios em andamento poderão ser concluídos. É o caso da Shanghai Electric, que estuda assumir projetos de transmissão da Eletrosul, cujos investimentos somam R$ 3,3 bilhões; a SPIC está na disputa pela compra da Hidrelétrica Santo Antônio; e a CCCC tem vários ativos na mira, de construtoras a ferrovias. Outra que fez aquisições em 2016 e não deve parar por aí é a Pengxin. A empresa negocia a compra de parte do banco Indusval, apurou o jornal O Estado de S. Paulo. Fontes afirmam que há ainda planos da Pengxin levantar um fundo de US$ 1 bilhão para investir em agricultura. Procurados, o banco não comentou o assunto e a Pengxin não retornou os pedidos de entrevista.

 

Fonte: BBC Brasil/Agencia Estado/Municipios Baianos

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