23/03/2017

Devemos salvar o São Francisco e muita gente também

 

Todo o vale do São Francisco está apreensivo com a possibilidade de interrupção da perenidade do nosso Rio São Francisco, algo que parece impossível, mas, também, poderá se tornar realidade se não houver o mais rápido possível uma tomada de decisão em seu favor, isso por que, muito se tem tirado dele, e não se tem dado nada em troca.  Vejamos alguns dados interessantes sobre o Velho Chico. Descoberto lá no distante 1501 por André Gonçalves, tem 2800 km de extensão, 504 municípios na sua bacia. Tem o rio Paracatú, com 450 m3/s, o seu maior afluente.

Anualmente recebe 18.000.000 m3 de areia devido à erosão. Suas maiores enchentes, foram em 1949 13040 m3/s e em 1979 19000 m3/s. Outras enchentes acima de 8000 m3/s. Em 1942, 9463 m3/s, em 45, 8760 m3/s, em 46, 10073 m3/s, em 80, 10501 m3/s, em 82, 8455 m3/s, em 83, 9868 m3/s, em 85, 8340 m3/s, em 90, 9475 m3/s, em 92, 13000 m3/s. A maior seca foi em outubro de 1953, com 500 m3/s, ou seja, metade do que passa hoje entre Juazeiro e Petrolina.

Quando se fala em tomar decisão, a mais necessária e urgente, é o trabalho de revitalização, que inclui além do reflorestamento das barrancas, a recomposição das Veredas, origem de muitos rios afluentes que já deixaram de produzir água, e uma total vigilância quanto a áreas que já sofreram impacto pelo desmatamento para plantio de culturas temporárias, no sentido de que os solos destas áreas, não venham ficar descobertos, provocando erosão, que poderia aumentar o assoreamento. Segundo o programa Globo Rural, que há muito vem denunciando tal predação ao rio por parte dos seres humanos, 27 destes rios, já morreram nos últimos anos.

Aliado a isso, é preciso uma tomada de consciência por parte de todos, que é necessário racionalizar o uso da água, seja na Industria, consumo doméstico e principalmente na Agricultura que é o maior consumidor desta. Para isso, tecnologias modernas precisam ser colocadas em uso da Nascente à Foz. Nos projetos de Irrigação mais novos, e em alguns mais antigos, incluindo o plantio de cana no médio São Francisco, o sistema usa o que é mais moderno para a irrigação das culturas. No entanto, é incompreensível que, segundo mostram as imagens de Satélite, entre a Barragem de Três Marias e a Divisa BA/MG, existam 200 equipamentos de irrigação do tipo Pivô Central, isso sem contar os que existem nos grandes afluentes como Rio Correntina, Rio Grande e Paracatú. É incompreensível também, que só nós do médio São Francisco, onde estão os grandes Projetos de Irrigação, tenhamos que racionalizar as nossas ações quando do uso da água.

É preciso fazer leis e normas reguladoras específicas para o uso hídrico de pequenos afluentes como o nosso Rio Salitre, onde se encaixaria o tamanho da área a ser cultivada numa dimensão de 1 ha, pois, como está hoje, o Rio está sendo estrangulado no seu nascedouro, onde grandes motores jogam água para fora da calha e o seu uso é pelo método mais antigo que é o sulco, com uma perda, digamos imensurável. Fontes de água com a capacidade do Rio Salitre e similares, não é para garantir riqueza a poucos, e sim sobrevivência a muitos.  Podemos tomar como exemplo, os vinhedos de uma região do Chile onde a água usada vem do degelo das montanhas e é distribuída equitativamente para que todos os agricultores se beneficiem e não haja um colapso na cultura da uva.    

Agora para finalizar façamos uma reflexão. Já imaginaram o vale do São Francisco sem este Rio? Para onde iriam grandes aglomerados como Juazeiro e Petrolina? E o além vale, que agora já começa a tomar gosto por esta água? Por isso, para um problema gigantesco como esse, nunca é demais dizer: "vamos zelar com unhas e dentes pelo bem-estar do nosso Velho Chico, criando soluções para salvar o mesmo, e muita gente ao seu redor".

Velho Chico começa o ano muito pior que em março de 2016

Levantamento do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) demonstra que após 6 anos de chuvas ralas, a situação do rio São Francisco e das reservas hídricas da Bahia não são boas.

O Estado possui atualmente 24 barragens operando próximo à capacidade mínima; 5 a 6 funcionam no limite mínimo ou abaixo disso; 37 das 51 barragens registraram queda na cota de água entre 20 de fevereiro e 20 de março deste ano.

E é nesta situação preocupante que o reservatório de Sobradinho, no norte baiano, o maior do Nordeste, está com apenas 15% de sua capacidade, quando no ano passado, na mesma época tinha 30% de sua capacidade, o que implica em menos da metade do volume acumulado em 2016 até abril.

O que se cogita é que mesmo diminuindo a vazão para 700 metros cúbicos por segundo, o reservatório chegue a novembro deste ano no volume morto, com apenas 3% de sua capacidade.

Quando chegar ao volume morto, só ultrapassará a barragem a água que descer das cabeceiras do rio São Francisco e seus afluentes, isto é, muito pouco.

Em resumo: o rio vai morrer à jusante de Sobradinho, com a proliferação de algas, inviabilizando o abastecimento de dezenas de municípios da Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe.

Com chuvas de fevereiro, intensidade da seca é amenizada no Nordeste

Quem costumava ver o açude do Castanhão, no Ceará, atrair turistas, que vinham para pescar e admirar o maior reservatório público do Brasil, hoje estranha o pouco movimento e também assiste os prejuízos decorrentes do pouco volume de água.

“Os pescadores esportivos não vêm mais, os guias turísticos estão parados. Em 2016, fechamos o restaurante que ficava de frente para a barragem”, lamenta Maria Edilanda Silveira Maia, administradora de uma pousada em Jaguaribara, no Ceará (a 230 quilômetros de Fortaleza).

Dos 6,7 bilhões de água do Castanhão, hoje só permanecem 5,5%. O açude, que abastece a grande Fortaleza, é apenas um exemplo da situação hídrica do Nordeste nos últimos cinco anos, considerada crítica pela Agência Nacional de Águas (ANA).

Entre 2012 e 2017, o volume dos reservatórios da região passou de 67,1% de disponibilidade para 15,6% no fim de janeiro deste ano. O baixo volume de chuvas nesse período fez com que grande parte do Nordeste passasse a conviver com uma situação de seca excepcional, segundo o Monitor de Secas do Nordeste.

Com o início dos períodos chuvosos, os nordestinos ficam esperançosos de que o longo período de seca tenha fim. No Ceará, as precipitações de fevereiro superaram a média histórica e na primeira quinzena de março, considerado o mês mais chuvoso da quadra chuvosa (período entre fevereiro e maio em que é esperado o maior volume de chuvas do ano no estado), já choveu o equivalente a 65% da média histórica.

“Estamos esperançosos de que o nível do Castanhão vai aumentar e de que voltem tanto os pescadores esportivos como as gaiolas dos piscicultores. As chuvas deste ano estão gerando expectativa. Recebemos outro dia a ligação de um pescador da Alemanha perguntando como estava a barragem”, conta Edilanda.

O mapa de fevereiro do Monitor das Secas mostra uma redução significativa das áreas tomadas pela seca em relação a janeiro, graças à atuação da Zona de Convergência Intertropical. No entanto, as chuvas ficaram mais concentradas na parte norte do Nordeste e, na maior parte da região, as precipitações ficaram abaixo do esperado.

Restrições

O baixo volume de água levou a uma série de medidas restritivas e obras de adutoras e poços para não zerar os estoques. Dos 533 reservatórios monitorados no Nordeste pela ANA, 152 estão secos. A maioria se localiza no Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Norte.

“As águas passaram a ser liberadas a conta-gotas para que pudéssemos chegar à próxima quadra chuvosa. Agora, estamos chegando num limite: se não chover este ano o suficiente, vamos ter uma situação mais grave. Entretanto, temos uma janela de esperança, pois tem chovido. Em situações médias, não se resolve o problema de vários anos em poucos meses. Os grandes açudes reagiram muito pouco, mas os pequenos açudes já reagem, o aspecto do campo é outro”, descreve o diretor da Área de Gestão da ANA, Paulo Varella.

 

Fonte: Por Manoel Delmir Pereira dos Santos, no BlogGeraldoJosé/Agencia Brasil//Municipios Baianos

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