23/03/2017

Sobradinho pode chegar ao volume morto este ano

 

A Bahia está em estado de alerta por causa do baixo nível de reservatórios no estado este ano. Em uma situação que ainda é reflexo do ano passado, um dos mais secos dos últimos tempos, o estado assiste a um forte desabastecimento das estruturas responsáveis por fornecer água para a população.

De acordo com dados do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), a Bahia possui atualmente 24 barragens operando próximo à capacidade mínima; 5 a 6 funcionam no limite mínimo ou abaixo disso; 37 das 51 barragens registraram queda na cota de água entre 20 de fevereiro e 20 de março deste ano.

E é nesta situação preocupante que o reservatório de Sobradinho, no norte baiano, o maior do Nordeste, chega a esta quarta-feira (22), Dia Mundial da Água, como um dos com mais baixo nível de água.

De acordo com Eduardo Topázio, diretor de Águas do Inema, caso a unidade não seja abastecida com chuvas até outubro, corre o risco de chegar ao volume morto, como ocorreu no reservatório do Cantareira, em São Paulo, em 2014.

“Sobradinho está com nível relativamente baixo. Se ela não tiver chuva que recupere os níveis atuais, o nível pode chegar ao volume morto. É, na minha opinião, o ponto de água mais crítica. Até setembro, outubro, precisa chover o suficiente. Entretanto, estamos fazendo ações com o governo federal para tentar minimizar o impacto dessa falta de chuvas”, afirmou Topázio.

Ainda segundo o especialista, a cidade de Salvador e municípios próximos vivem também o problema de reservatórios com volumes baixos.

Ele descartou a possibilidade de desabastecimento de água para consumo humano, mas afirmou que, caso o nível de chuvas não aumente, será necessário limitar o acesso da indústria à água, por exemplo.

“As medidas estão sendo tomadas para economizar água. Está com níveis muito baixos, a situação é grave. Por outro lado, começa a chover mais intenso a partir de março. Aí temos a expectativa dessa recuperação”, disse.

Com a situação, o Inema já articula campanhas de conscientização para que a população reduza o desperdício de água.

Se a situação não melhorar, também não está descartada uma redução na quantidade de água que chega às torneiras dos soteropolitanos e moradores de municípios adjacentes.

Topázio também afastou a possibilidade de racionamento em massa na Bahia. “Já há regiões com graus de racionamento, como Conquista. Mas são racionamentos estreitos, com alternância, e acontecem desde o ano passado. O mais provável é a redução de distribuição de água. Para abastecimento humano, não há risco iminente de falta de água, a não ser em regiões mais críticas, de muita seca”, ponderou.

Apesar de toda a tecnologia trazida pelos avanços científicos, o homem ainda não conseguiu domar o ímpeto da natureza e é preciso torcer para que 2017 seja um ano melhor que o passado em termos de índices pluviométricos.

Como diria a música Súplica Cearense, de Waldeck Artur de Macedo – a canção virou um clássico nas versões de Luiz Gonzaga e O Rappa – é preciso pedir para “o Sol se esconder um pouquinho”.

Autorizados testes de redução de vazão do reservatório de Sobradinho

A Agência Nacional de Águas (ANA) autorizou que a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) realize testes de redução da vazão defluente do reservatório de Sobradinho.

A resolução foi publicada pela ANA no Diário Oficial da União nesta quarta-feira (22). A vazão foi reduzida para 700 m³/s em novembro do ano passado.

O processo de teste ocorre em duas etapas: a primeira terá meta diária de 650 m³/s e a segunda, 600 m³/s. Cada etapa tem duração mínima de cinco dias. Conforme a resolução, é permitida a prática de descargas mínimas instantâneas de até 95% das vazões mínimas médias diárias de cada etapa do teste.

A passagem da primeira para a segunda somente poderá ser efetivada após manifestação formal da Chesf à ANA de que não foi observado comprometimento aos usuários. A resolução diz ainda que, caso ocorra prejuízos, a vazão deverá ser elevada ao patamar anterior.

A Chesf deverá apresentar, no prazo de dez dias após a finalização das duas etapas dos testes, um relatório com descrição dos resultados observados.

Produtores pedem apoio contra seca

Os pleitos dos produtores do setor sucroenergético do Nordeste serão debatidos nesta quarta-feira (22), durante Câmara Setorial do Açúcar e do Álcool do Ministério da Agricultura, em Brasília.

Em reunião da Comissão da Cana de Açúcar da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA), na Capital Federal, na terça (21), uma comitiva de representantes do setor sucroenergético pediu apoio para os pleitos dos empresários da região, que enfrentam o sexto ano consecutivo de secas. Presidente da Federação dos Plantadores de Cana do Brasil (Feplana) e da União Nordestina dos Produtores de Cana (Unida),

Alexandre Andrade Lima classificou o pagamento da subvenção federal da cana, sancionada desde 2014 e ainda não realizado, como um dos temas de maior relevância.

“Recebemos apoios dos demais estados que entenderam a relevância dos nossos pedidos”, comentou. As subvenções representariam um fôlego para um setor combalido pelas intempéries climáticas. Andrade Lima disse que a safra encerrada recentemente foi muito afetada pela seca, mas que a próxima deve ser ainda mais impactada.

“Não choveu nem perto do esperado e, mesmo se começar a chover agora, a redução da safra ainda será grande devido ao comprometimento do desenvolvimento dos brotos pela escassez de água”, explicou. Ele diz que a produção de Pernambuco, bem como de outros estados nordestinos, necessita da adoção de políticas públicas de irrigação.

O representante do setor estará em Brasília até amanhã para tratar com parlamentares, representantes do setor e com o Ministério da Agricultura sobre essa questão, além de outras pautas de interesse do segmento, a exemplo do Plano Agrícola e pecuário 2017/2018, Consecana e RenovaBio 2030.

A comitiva dos produtores do Nordeste ainda participará do Conselho Agro da CNA amanhã e de encontros com parlamentares do Congresso Nacional para garantir o apoio aos pleitos de 21 mil canavieiros da região.

 

 

Fonte: BN/Folha de PE/G1/Municipios Baianos

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