25/03/2017

A luta de ambientalistas para salvar o Mar Morto

 

Famoso por seus poderes terapêuticos e como atração turística, lago salgado fica um metro mais baixo a cada ano. Principal causa são os desvios do rio Jordão, que levam água à população do Oriente Médio.Há quase 40 anos, Gundi Shachal se mudou para Ein Gedi, então um oásis verde na árida, mas pitoresca, costa sudeste do Mar Morto, em Israel. Ao longo das décadas, porém, a visão mudou dramaticamente. "Em 1983, abrimos um novo spa na praia, as pessoas podiam sair do prédio, andar poucos metros e estavam na água", diz. "Logo após a abertura, o nível do mar começou a recuar, e agora temos um trem para levar as pessoas até o mar, a quase dois quilômetros daqui."

O Mar Morto já é o ponto mais baixo da Terra, mas os níveis de água estão diminuindo. Limitado pela Jordânia a leste e Israel e a Cisjordânia a oeste, o mar é, na verdade, um lago. Os níveis dele sempre variaram. Mais de 10 mil anos atrás, eles eram inferiores aos atuais 430 metros abaixo do nível do mar. Agora, o velho lago está desaparecendo a um ritmo alarmante de um metro por ano. Ambientalistas temem que ele possa quase desaparecer, levando consigo a rica vida selvagem que sustenta, caso nada seja feito para evitar o recuo contínuo do nível da água. O lago tem seu nome derivado do fato de nenhuma vida poder florescer nele, fora alguns tipos de bactérias e fungos. Sua água é quase dez vezes mais salgada do que a água do mar normal. Mas uma infinidade de plantas e animais, incluindo mamíferos, como leopardos e cabritos, dependem dos oásis que cercam o lago, que podem desaparecer junto com o Mar Morto.

A ONG ambiental EcoPeace e outras organizações alertam que, se os níveis continuarem a cair, as condições mais secas também terão um impacto sobre as inúmeras aves migratórias que param lá todos os anos para se beneficiar do clima ameno do inverno. "Não conseguimos ainda entender como a mudança climática afeta a precipitação global na região, isso ainda não é suficientemente claro", diz Ittai Gavrieli, do Serviço Geológico de Israel. "Mas se você está procurando uma razão principal, ela é o uso de água potável em Israel, na Jordânia e na Síria", ressalta.

Desvios de água

O outrora poderoso Jordão é o principal rio que alimenta o lago. Era antes uma das grandes vias navegáveis do mundo, mas barragens extensas, canais e estações de bombeamento construídos para desviar a água reduziram o nível de água do rio. "O rio Jordão costumava levar 1,3 bilhão de metros cúbicos de água ao Mar Morto anualmente", frisa Mira Edelstein, da EcoPeace. "Hoje, 95% disso são desviados para longe da bacia hidrográfica e não chegam mais ao Mar Morto." O Oriente Médio, em particular a Jordânia, é uma das regiões com maior escassez de água do mundo, e o acesso ao abastecimento é uma das principais fontes de tensão na área. "A questão aqui é realmente a principal questão do Oriente Médio, toda a história é a água", diz Gavrieli. "Claramente, o Mar Morto paga pela escassez de água em nossa região."

As pessoas que vivem na região também estão sentindo os efeitos econômicos da seca do Mar Morto. Muitos negócios na área dependem do lago rico em minerais, famoso ao longo da história por seus poderes terapêuticos. Diz a lenda que ele foi usado como um dos primeiros resorts de saúde do mundo pelo rei Herodes, o Grande, no século 1 a.C. Hoje, resorts ao longo das orlas israelense e jordaniana atraem milhões de visitantes com a promessa de alívio para doenças de pele e respiratórias, assim como oportunidades obrigatórias para uma foto. Devido à alta salinidade do lago, as pessoas flutuam naturalmente na superfície. Adereços comuns para as fotos são livros e jornais.

Enquanto isso, no extremo sul, grandes indústrias extraem do lago minerais e fosfatos - principalmente potássio, que é usado em fertilizantes. Mas ter negócios na costa do Mar Morto está se tornando mais difícil. Como o lago está encolhendo, milhares de dolinas começaram a aparecer. E a terra que vai aparecendo quando a água evapora é perigosa e inacessível. "Perdemos algumas empresas e rendas", diz o proprietário do spa, Shachal. "Além disso, os planos para desenvolver negócios futuros em torno do Mar Morto foram cancelados."

Grande problema, grande solução

O problema do Mar Morto é complicado, porque é difícil para cientistas e autoridades decidirem o que exatamente estão "salvando". É difícil reabilitar o lago e, ao mesmo tempo, continuar satisfazendo as necessidades de água potável da região, mantendo indústrias de minerais economicamente valiosas. Esse é um problema científico complexo em uma região definida por uma política complexa. Os principais esforços têm girado em torno de um projeto de uma manilha de 200 quilômetros que transportaria água para o Mar Morto a partir do Mar Vermelho, através da cidade costeira jordaniana de Aqaba. Israel, em troca, venderia mais água para a Jordânia do Mar da Galileia, um lago de água doce no norte do país. Mas ambientalistas, incluindo Abed Sultan, consultor técnico da EcoPeace na capital jordaniana, Amã, dizem que o projeto tem problemas. Principalmente porque os 200 milhões de metros cúbicos de água por ano que ele iria bombear para o norte estariam muito aquém do que é necessário para estabilizar o Mar Morto. Mesmo se água suficiente pudesse ser bombeada do Mar Vermelho, os ambientalistas alertam que o projeto poderia ter um impacto negativo no habitat do Mar Morto. A mistura de águas pode produzir uma reação química, criando algas e gesso, que poderiam fazer com que o lago fique vermelho ou mesmo branco.

Sultan diz que os esforços deveriam se concentrar em investimento a longo prazo, construção de usinas de tratamento de água e mudanças no uso da água. "Desenvolvemos um plano diretor de sustentabilidade e um plano de investimentos", sublinha. "Não será fácil. O investimento total necessário é de cerca de 4 bilhões de dólares, mas serão necessárias também mudanças na forma como usamos a água. Ele pode salvar tanto a Rio Jordão como o Mar Morto." No entanto, mesmo se nenhuma solução for encontrada, e as águas continuarem a baixar, o lago nunca vai desaparecer completamente. Sua forte composição salgada acabará formando um equilíbrio com a umidade na atmosfera, fazendo com que a água não evapore mais. Ainda assim, será uma sombra do que já foi. Alguns têm esperança de que não chegue a tal situação. "Ainda continuamos otimistas", diz Sultan. "Temos que continuar."

Poluição mata o sagrado Ganges e intoxica os devotos hindus

Uma corrente de resíduos está matando o Ganges, o rio indiano mais sagrado para o hinduísmo, que passa por grandes centros de peregrinação, como Varanasi, onde milhões de devotos mergulham na busca pela salvação, sem saber que cada gota dele é tóxica. Para os crentes hindus, o Ganges é uma deidade que limpa os pecados depois de se banhar nos cinco pontos (ghats) de peregrinação que há em sua passagem por Varanasi (norte da Índia), onde, além disso, é possível venerar diariamente de várias maneiras: à distância, tocando levemente, mergulhando ou inclusive bebendo sua água. O lugar onde se manifesta essa devoção são ghats que conduzem à margem do rio desde as abarrotadas ruas de Varanasi, onde diariamente milhares de pessoas realizam ritos menos espirituais como lavar a roupa ou tomar banho.

Mas os dados são evidentes: em alguns pontos do Ganges na cidade o nível de bactérias fecais por cada 100 mililitros chega a 31 milhões, como na confluência com a foz do rio Varuna, ou a 51 mil na popular Tulsi ghat, quando o máximo recomendável para o banho são 500 e para o consumo zero. São números de 20 de janeiro recopilados pela Fundação Sankat Mochan, uma organização com laboratório próprio que batalha há 35 anos para devolver ao Ganges seu antigo esplendor, implementando novas tecnologias para o tratamento efetivo de águas residuais. "O estado do rio é uma lástima", declarou à Agência Efe o presidente da fundação, Vishwambhar Nath Mishra, que afirma que a situação é ainda mais "alarmante" ao longo dos cinco quilômetros nos quais o povo "interage" com ele.

Segundo um estudo publicado em 2006 na Revista Internacional de Saúde Meio Ambiental, nas águas do Ganges em Varanasi é possível contrair cólera, hepatite A, febre tifoide, doenças gastrintestinais e disenteria. Para o presidente da Sankat Mochan, o "remédio" a esta problemática está em interceptar as águas residuais, desviá-las do rio e tratá-las até um nível que se transformem em inócuas para o uso, usando as mesmas depois para rega ou outros propósitos.

Mas Mishra criticou o fato de que até agora somente foram instalados cinco pontos de bombeamento às margens do rio, alguns decorados com desenhos gigantes de deidades hindus, que "estão funcionando acima de sua capacidade" e que, além disso, não tratam as bactérias fecais, algo que é feito por um novo sistema que recomendaram. Além disso, em sua opinião, longe de colaborar, as autoridades se limitam a lançar promessas impossíveis de limpeza do Ganges.

A ministra de Recursos Hídricos indiana, Uma Bharti, "agora diz que ele estará limpo em 2018, antes das próximas eleições parlamentares. Eu gostaria de saber qual varinha mágica ela conseguiu, porque como vai completar em dois anos o que não foi feito em 30?", perguntou Mishra. O problema da limpeza do Ganges não afeta só Varanasi. Ao longo de seus 2.525 quilômetros de percurso, desde o alto do Himalaia até sua foz no oriental Golfo de Bengala, vivem 400 milhões de pessoas, um terço da população indiana, que dependem estreitamente de suas águas.

Segundo a Missão Nacional para Limpar o Ganges, dependente do Ministério de Recursos Hídricos, o rio recebe diariamente 12 mil milhões de litros de resíduos e só há capacidade para tratar um terço deles, um problema sem solução apesar dos vários planos nacionais iniciados desde 1986. Para fornecer seu grão de areia, algumas ONGs como a Sulabh International se ocupam de embelezar a margem do rio em sua passagem por Varanasi limpando de resíduos com a ajuda de um exército de voluntários. Um desses trabalhadores, Ravi Sahni, declarou à Efe que há quatro meses a Sulabh International se dedica a retirar diariamente "plásticos e demais sujeira" das margens do Ganges, para que as pessoas possam ir até lá "e relaxar". E assim elas fazem. Como os sacerdotes que sob uma sombrinha pintam símbolos religiosos, casais sentados nas escadas para admirar o rio e vacas que vagam por ali, enquanto não deixam de arder as piras funerárias daqueles que foram morrer em Varanasi para se libertar do ciclo das reencarnações.

Arqueólogos encontram estátua de alabastro da avó de Tutancâmon

Uma missão arqueológica euro-egípcia encontrou em Luxor, no sul do Egito, uma estátua de alabastro da rainha Tiye, esposa do faraó Amenhotep III, e avó do faraó menino, Tutancâmon. A estátua da rainha foi qualificada pelo ministro de Antiguidades egípcio, Khaled al Anani, como "grande, formosa e única", segundo um comunicado ministerial. A obra foi achada em um templo funerário de Amenhotep III na região de Kom al Hitan, situada na margem oeste do rio Nilo em sua passagem por Luxor.

Essa estátua está esculpida na parte inferior da perna direita de uma estátua de dimensões colossais de seu marido, que foi o nono governante da XVIII dinastia faraônica e cujo reinado se prolongou durante 38 anos. Segundo Al Anani, é a primeira vez que se descobre uma estátua de alabastro da rainha Tiye no interior do templo funerário de seu marido, já que as demais reproduções encontradas são de rocha. A arqueóloga armênia Hourig Sourouzian, chefe da missão, explicou que a descoberta da escultura ocorreu de maneira "fortuita", quando se levantava a parte inferior do colosso de Amenhotep III. Sourouzian destacou o bom estado de conservação da obra e ressaltou que ainda conserva as antigos cores com as quais foi pintada. Neste sentido, indicou que a escultura necessitará de um delicado trabalho de consolidação e de restauração.

 

 

Fonte: Deutsche Welle/EFE/Municipios Baianos

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