25/03/2017

Cabo Shirreff, um oásis para a fauna da Antártida

 

O Cabo Shirreff, uma pequena península situada na ilha Livingston, é um oásis para a fauna da Antártida onde convivem diferentes tipos de aves, pinguins, focas e lobos marinhos. Há décadas, cientistas chilenos e americanos passam longas temporadas neste remoto lugar da Antártida, situado a 62 graus na latitude sul, com o objetivo de estudar as espécies e tentar decifrar os efeitos da mudança climática. "Cabo Shirreff é como um oásis no qual coexistem muitas espécies. Isto nos oferece a oportunidade não só de estudar cada um dos animais, mas também a interação entre eles", disse à Agência Efe o biólogo marinho Renato Borrás.

Esta língua de terra gelada de aproximadamente três quilômetros de comprimento e meio de largura abriga comunidades de Pinguim-de-barbicha e Pinguim-gentoo, além de aves marinhas como Petrel-gigante, gaivotas e moleiros. Também está povoada por quatro dos cinco tipos de focas que existem na Antártida. Dezenas de foca-leopardo, de Weddell, caranguejeira e elefante-marinho jazem nas inóspitas praias de cor cinza que delimitam a península. No entanto, o grande protagonista é o lobo-marinho-antártico, uma espécie de otariídeo que praticamente ficou em extinção no século XIX por sua singular e prezada pelagem. A proibição de sua caça na década de 80 permitiu que a população se recuperasse rapidamente.

Atualmente, Cabo Shirreff é o refúgio da colônia mais numerosa de lobos-marinhos-antárticos das ilhas Shetland do Sul e aloja milhares de exemplares desta espécie. A grande biodiversidade que coloniza essa porção de terra foi o motivo pelo qual os signatários do Tratado Antártico a declararam como uma zona especialmente protegida e restringida ao turismo. "É fascinante que a enorme complexidade do ecossistema antártico possa ser estudada em um lugar tão reduzido", declarou Borrás. Nesta pequena península fica a base chilena Guillermo Mann e a americana Shirreff, que a cada ano abrigam durante três ou quatro meses uma dezena de cientistas que desafiam as gélidas temperaturas e o vento para poderem realizar suas pesquisas.

Embora não se saiba com exatidão o que empurra os animais a se reunir nessa porção de terra, os cientistas estimam que a geografia do lugar e a distribuição do krill poderiam ser determinantes. "Além de ser todo um festim para os animais, a geografia do cabo o transforma em um dos lugares favoritos para a reprodução e a criação dos mamíferos", explicou o biólogo marinho. Há três anos, este estudante de doutorado da Universidad Católica do Chile se transfere à base chilena durante a temporada de verão austral para estudar o comportamento da colônia de lobo-marinho-antártico. Seu objetivo é determinar se este mamífero está preparado para lidar com a mudança climática que afeta especialmente a península antártica. Esta região, a mais setentrional do continente, é um dos lugares do planeta que experimentou com mais intensidade os embates da mudança climática.

Nos últimos 50 anos, a temperatura aumentou 6 graus Celsius, uma taxa de aumento seis vezes superior ao aquecimento global médio, segundo dados da National Science Foundation dos Estados Unidos. "Além de um oásis, este lugar é um laboratório natural para os cientistas, pois nos permite estudar como estas espécies respondem perante tais mudanças extremas", acrescentou o pesquisador.

A parte oeste da península antártica, onde há um ano se mediu uma temperatura de 17,5 graus, a mais alta registrada no continente branco, já sofreu o desaparecimento de sete grandes capas de gelo. O derretimento destas plataformas geladas tem um impacto direto no ecossistema antártico, já que dificulta o crescimento das algas das quais se alimenta o krill. A diminuição do krill - base da cadeia alimentar e alimento fundamental de várias espécies antárticas - poderia ter consequências catastróficas em termos ecológicos e pôr em perigo as populações de pinguins e focas.

As espécies que vivem em Cabo Shirreff, situado no meio da área que mais rapidamente mudou nos últimos anos por causa da mudança climática, lidam hoje com cenários climáticos similares aos que poderiam ocorrer em outras zonas do continente no futuro. Daí se explica porque Borrás ressalta a importância de "preservar este laboratório natural" e "aumentar os esforços científicos" para tentar decifrar as consequências do avanço da mudança climática. "Este lugar é como uma janela ao futuro. Entender o que ocorre aqui pode nos ajudar a prever o que sucederá em outros pontos do planeta o dia de amanhã", concluiu o cientista.

Via Láctea estava cheia de poeira e gás em suas origens, afirmam cientistas

A Via Láctea era em suas origens uma massa poeirenta, com altos índices de formação de estrelas e com densas camadas estendidas de gás, segundo as observações feitas de outras formações similares a nossa galáxia quando o Universo estava em suas primeiras fases. Graças à alta sensibilidade do telescópio Atacama Large Millimeter Array (ALMA), situado no deserto do Atacama, no Chile, os astrônomos observaram duas galáxias similares à Via Láctea quando o Universo tinha apenas 8% de sua idade atual, segundo um estudo publicado nesta quinta-feira pela revista "Science". Essas galáxias em espiral que são como um dia foi a Via Láctea, estão rodeadas de "super-halos" (grandes anéis) de hidrogênio que se estendem por centenas de milhares de anos luz além de seus discos poeirentos e repletos de estrelas.

Durante décadas, para observar as galáxias distantes os astrônomos buscaram a forma característica em que seus gases absorvem a luz brilhante dos quasares que se situam em um segundo plano das formações estelares. A luz desses quasares distantes, ao passar pelas galáxias que encontra em seu caminho em direção ao planeta Terra pode registrar a "assinatura espectral", um tipo de radiação do gás de uma galáxia, mas que é muito difícil de detectar. "Imagine um pequeno vaga-lume junto a um projetor de alta potência. É isso com que os astrônomos se deparam quando querem observar essas versões juvenis de nossa galáxia", afirmou o autor principal de estudo, Marcel Neeleman, da Universidade da Califórnia (EUA).

As tentativas de observar diretamente a luz dessas galáxias distantes foram, em sua maioria, infrutíferas. Mas, agora, um grupo de astrônomos conseguiu ver suas emissões, o que oferece a oportunidade "de saber coisas sobre os primeiros tempos da história de nossa galáxia e de outras similares a ela", acrescentou Neeleman. No entanto, o resultado não foi o esperado. Os astrônomos acreditavam que veriam frágeis emissões acima do quasar, mas, na realidade, observaram "fortes e brilhantes emissões de carbono procedentes das galáxias e muito afastadas dos quasares situados em segundo plano", explicou o professor de Astronomia da mesma universidade, Xavier Prochaska. Os dados procedentes do ALMA também revelam que as duas galáxias estão cerca de 12 bilhões de anos luz da Terra e formam estrelas a uma velocidade "moderadamente alta".

Além disso, os especialistas resolveram uma questão que já os intrigava há uma década sobre a formação das galáxias, pois agora sabem que algumas galáxias em seus estágios mais incipientes tinham halos que estavam muito mais estendidos do que se acreditava e que podem consistir de material utilizado para o crescimento da galáxia".

 

 

Fonte: EFE/Municipios Baianos

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