30/03/2017

O renascimento da seleção brasileira no comando de Tite

 

Brasil renasce sob o comando de Tite e, com campanha impecável e com Neymar voltando a jogar bem, se torna o primeiro país a garantir vaga na Copa do Mundo da Rússia. O Brasil é o primeiro classificado à Copa de 2018, na Rússia. E com direito a recorde. Com quatro rodadas por jogar, a vitória sobre o Paraguai, na noite de terça-feira (28/03), confirmou a classificação com maior antecedência já registrada nas Eliminatórias sul-americanas - e selou o que está sendo encarado com um renascimento da Seleção, em uma espiral de crise desde o 7 a 1.

Sem deixar o ritmo cair mesmo com a liderança folgada nas Eliminatórias, a seleção brasileira conquistou a oitava vitória em oito jogos sob o comando de Tite ao bater o Paraguai por 3 a 0, em São Paulo, com gols de Philippe Coutinho, Neymar e Marcelo. O triunfo garantiu ainda a liderança no ranking da Fifa, onde não figurava desde maio de 2010.

O Brasil foi a 33 pontos na classificatória da Conmebol, nove a mais que a segunda colocada do momento, a Colômbia, que surpreendeu o Equador em Quito, vencendo por 2 a 0. O placar na capital paulista poderia ter sido ainda maior, com Neymar desperdiçando um pênalti quando o Brasil vencia por 1 a 0. A cobrança foi defendida pelo goleiro paraguaio Anthony Silva.

Mas o passaporte para a Rússia foi carimbado graças aos gols de Edison Flores e Paolo Guerrero, que garantiram a virada peruana contra a seleção uruguaia, em Lima. A vitória por 2 a 1 manteve vivo o sonho do Peru de ir ao Mundial e, de quebra, classificou o Brasil.

Com 12 pontos ainda estão em disputa e a vantagem da seleção brasileira para a Argentina, atual quinta colocada (colocação que leva ao playoff com o campeão da Oceania), é de 11 pontos. Porém, o confronto direto entre Uruguai e Argentina, justamente na próxima rodada, inviabiliza matematicamente o Brasil ser alcançado por todos os quatro países no encalço na tabela - Colômbia (24 pontos), Uruguai (23), Chile (23) e Argentina (22).

A imprensa alemã não deixou o feito brasileiro passar. A publicação esportiva Kicker fala em "caso claro" ao citar a supremacia brasileira nas Eliminatórias sul-americanas. O Frankfurter Allgemeine Zeitung (FAZ) disse que o "Brasil encanta e vai à Rússia", fala em apresentação de gala e cita que a Seleção segue "voando" sob comando do técnico Tite - sucessor de um "desafortunado" Dunga.

Após a vitória frente ao Paraguai, Tite interrompeu a entrevista coletiva para agradecer a Deus pela classificação antecipada do Brasil, ao ser informado por um jornalista sobre a vitória do Peru sobre o Uruguai. "Obrigado, Pai do céu. Hoje vai ter uma caipora desse tamanho", celebrou.

Máquina de fazer gols

E Tite é o grande responsável pelo renascimento da seleção brasileira. Desde sua estreia, em 1º de setembro contra o Equador, em Quito, foram nove partidas com nove vitórias - oito jogos pelas Eliminatórias e um amistoso contra a Colômbia, realizado no estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro, para angariar fundos aos parentes das vítimas da tragédia da Chapecoense.

Na era Tite, a Seleção marcou impressionantes 25 gols e sofreu apenas dois - um de pênalti (4 a 1 contra Uruguai) e um gol contra de Marquinhos (2 a 1 contra Colômbia). Quando Tite herdou a vaga de treinador de Dunga, a equipe tinha disputado seis jogos pelas Eliminatórias sul-americanas - duas vitórias, três empates e uma derrota - e ocupava a sexta colocação.

Inicialmente contestado por convocar jogadores que não estavam atuando em grandes cenários do futebol mundial (Paulinho e Renato Augusto), outros inicialmente desconhecidos do público brasileiro (Roberto Firmino e Fabinho) e até por abdicar em atuar com um centroavante de ofício, Tite conseguiu resgatar a competitividade e implementou um conceito tático claro e eficiente.

O resgate de Neymar

Mais importante, ele resgatou Neymar. Com Tite, a seleção brasileira marcou 24 gols nas Eliminatórias - com Neymar em campo, foram 22, com o craque do Barcelona anotando seis deles. Nos seis jogos sob Dunga, Neymar não balançou as redes. Com mais liberdade de flutuação em campo - e maior movimentação das peças ofensivas - ele tem se mostrado taticamente mais importante e mais letal nas partidas.

Além de Neymar, o ataque brasileiro conta, por ora, Philippe Coutinho, Willian, Gabriel Jesus, Roberto Firmino e Douglas Costa - jogadores de alto senso de verticalização de jogadas e, com o montante de movimentação, criam espaços para a chegada daqueles que supostamente tem como missão primária sustentar o sistema defensivo.

E muito do sucesso momentâneo da Seleção passa por um ponto importante alcançado por Tite: ter disciplina tática sem renunciar ao talento; ser ofensivo sem negligenciar a marcação; dominar as ações sem deixar de ser objetivo.

"O Neymar é vertical, tem uma capacidade de improvisação que eu não sei para qual lado ele vai sair", afirmou Tite, sem deixar de reiterar o processo de maturidade da Seleção. "Antes da partida buscávamos um alto nível de concentração para que toda aquela alegria contra o Uruguai não se transformasse em relaxamento. Tivemos a maturidade para enfrentar a uma seleção fechada, criando dificuldades, e jogamos diante de uma grande expectativa. Pedi que eles tivessem cuidado."

Europeus: "Quem é o treinador?"

Os jogadores são cheios de elogios a Tite. O zagueiro Miranda disse que a campanha chamou a atenção na Europa: "Perguntam quem é o treinador. Querem saber por que mudou tanto a Seleção, porque não sofre mais gols." Neymar chamou o novo comandante de "um cara genial".

Já Marcelo foi além, ao ser questionado se Tite era o melhor treinador com quem trabalhou na seleção brasileira: "Acho que sim. Dá para ver o ambiente, a entrega de cada jogador. A gente agradece muito a vinda do Tite e seus companheiros, porque ele mudou praticamente tudo. Então a gente deve muito a ele."

Em junho, a seleção brasileira fará dois amistosos na Austrália: contra a Argentina (9 de junho) e contra os anfitriões (12 de junho).

Nuzman admite que Brasil voltou aos anos 1990 no esporte

Na noite desta quarta-feira, a Cidade das Artes, no Rio de Janeiro (RJ), ocorreu o Prêmio Brasil Olímpico, que elegeu os melhores atletas de 2016. Porém, a entrevista coletiva concedida pelo presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Nuzman, teve como principal tema a perda de patrocinadores, assim como o legado da Rio-2016.

Com a perda de todos os seus patrocinadores privados, Nuzman afirmou que o Brasil voltou no tempo.

- Era natural que eu enxergasse dessa maneira, um cenário mais difícil. O Brasil passou de 2002 a 2016 organizando grandes eventos, as origens de recursos eram diferentes. A partir de agora, a gente volta ao que era antes de Sydney-2000. Os patrocínios e recursos eram diferentes e menores. Não temos mais o ciclo de grandes eventos e investimentos. Por outro lado, temos os recursos da Lei Agnelo/Piva (proveniente das Loterias), algo que não tínhamos em 2000.

O presidente do COB afirmou que a entidade busca soluções para lidar com a falta de recursos.

- Temos uma equipe nova da área comercial. Não renovar alguns contratos é uma questão de apresentarmos novos projetos.

Nuzman admitiu que problemas e escândalos envolvendo as Confederações pioram a percepção das pessoas em relação ao esporte olímpico nacional. A Confederação Brasileira de Basquete (CBB) está suspensa da Federação Internacional (Fiba) desde novembro de 2016 por problemas financeiros; a de Esportes Aquáticos (CBDA) segue com eleições suspensas e a de Taekwondo responde a diversas denúncias.

- É natural que tudo que sai ruim afete a imagem, não tem a menor dúvida. Mas é bom lembrar que falamos de 30 confederações olímpicas e citamos problemas com duas, três. Lógico que não é o que gostaríamos que fosse - comentou o presidente.

O presidente do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos Rio-2016 também comentou sobre o legado do evento, afirmando que não vê erros.

- O legado esportivo não está comprometido. Nenhuma cidade tinha condição de fazer uma transformação como o Rio. Esse era o grande desafio. Nenhuma cidade em 120 anos teve uma transformação em benefício da população como aqui. Mais do que Tóquio (19 anos após a guerra) ou Barcelona. O legado esportivo existe. O que ele precisa é ser pautado em termos de projetos e desenvolvimentos.

Ele também afirmou que o legado é algo que será notado a longo prazo.

- É natural que a gente queria logo ter tudo sobre o legado, mas é bom vermos o tempo que leva para ser montado isso. Londres teve seu parque olímpico fechado por um ano, nós ainda estamos fazendo alguns eventos lá. Sobre a poluição de lagoas e outros locais, Pequim também não cumpriu sua meta. A demora é algo normal, os problemas acontecem. Mas temos caminhos para resolver. Quanto mais rápido, melhor.

Nuzman também falou sobre a atual situação do Maracanã.

- A relação não é boa com a Concessionária, mas é com o Governo do Estado. Eles receberam o estádio e disseram que estava tudo bem. Consertamos o teto do Maracanãzinho e cuidamos do Maracanã. O que acontece é que querem [Concessionária] desviar o foco diante de tantos problemas lá dentro. Nós fizemos a nossa parte.

Carlos Nuzman brigará, este ano, pela presidência da Organização Desportiva Pan-Americana (Odepa) e terá como principal rival o dominicano José Joaquin Puello.

- Há uma crise de liderança na região. Minha ideia é transformar a Odepa. Vou rever também a questão de Odesur (Organização Desportiva da América do Sul. Mas a candidatura não atrapalha em nada minha atividade no COB.

Por fim, o líder do COB afirmou que a partir de agora a entidade não mais estabelecerá uma meta de medalha, a exemplo do que ocorreu na Rio-2016. Na última edição olímpica, a delegação brasileira conquistou 19 medalhas e terminou na 13ª colocação no ranking.

Com vaga na Copa, seleção envia estafe à Rússia para escolher CT em 2018

A classificação da seleção brasileira com quatro rodadas de antecedência para a Copa do Mundo de 2018 vai fazer o trabalho da comissão técnica se intensificar no planejamento da logística na Rússia, a sede do Mundial. O coordenador de seleções da CBF, Edu Gaspar, viaja para o país já no domingo para trazer ao técnico Tite uma lista com opções de hospedagem e locais de treinamento.

O dirigente embarca junto com o preparador físico, Fábio Mahseredjian, e o supervisor da seleção, Luis Vivian. Os dois últimos já estiveram na Rússia em três ocasiões. “Eles fizeram muitos relatórios, visitaram muitos campos de treinamento. Vou lá para fazer o último filtro e trazer pouquíssimas opções para que a gente possa começar a pensar em uma boa estrutura, até em investimentos, se for necessário”, disse Edu na madrugada desta quarta-feira.

Enquanto concedia entrevista no Itaquerão, após o Brasil bater o Paraguai por 3 a 0, Gaspar soube da vitória do Peru por 2 a 1 sobre o Uruguai, em Lima, resultado que classificou a seleção brasileira para o Mundial. “É muito especial saber dessa vaga na Copa, ainda mais aqui no estádio do Corinthians, clube onde comecei. O sonho de disputar uma Copa eu não realizei como jogador, mas vou participar agora”, afirmou.

A seleção brasileira é a primeira do mundo a se classificar para a Copa da Rússia e quer fazer um planejamento detalhado das condições de hospedagem na Rússia. “É um mundo de detalhes. Preciso de uma cidade inicialmente com boa estrutura, mas não precisa ser tão grande, mas próxima de algum grande centro. É necessário contentar os familiares dos jogadores, que também vão estar lá”, explicou Edu.

A Copa do Mundo da Rússia será disputada em 12 estádios de 11 cidades. Todas as sedes são na porção ocidental do país, ainda assim o Mundial terá jogos em quatro fusos horários diferentes. Para a competição, a Fifa oferece às federações nacionais um caderno com cerca de 70 opções de “base camps”. Essas instalações contemplam a escolha casada de hotel para ser usado como concentração mais um campo para os treinos, geralmente localizado nos arredores.

No último Mundial, no Brasil, foram 84 opções no caderno organizado pela Fifa. A Alemanha, por exemplo, foi a única a ter recusado as sugestões e a construir o próprio campo de treino, no litoral sul da Bahia.

 

Fonte: Deutsche Welle/Lance/Agencia Estado/Municipios Baianos  

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