01/04/2017

Quais as doenças que mais matam o brasileiro?

 

Em 2014, foram registradas, no Brasil mais de 1,2 milhão de mortes. Os dados, os mais recentes divulgados pelo Ministério da Saúde, constam no Sistema de Informação sobre Mortalidade e se referem às certidões de óbito emitidas pelos municípios do país e posteriormente repassadas ao governo federal.

De acordo com os dados, as principais causas de morte no país são decorrentes de doenças do aparelho circulatório, à frente dos óbitos relacionados a câncer, “causas externas de morbidade e mortalidade” e doenças do aparelho respiratório.

Em 2014, foram registradas 340.284 mortes relacionadas à doenças do aparelho circulatório. Destes óbitos, a maioria se deu por conta da ocorrência de doenças isquêmicas (107.916 mortes), seguido por doenças cerebrovasculares (99.289), infarto agudo do miocárdio (87.234) e doenças hipertensivas (45.776).

Mais de 200 mil brasileiros foram vitimados por câncer em 2014. Do número absoluto de 201.968 mortes, foram registrados pelo Sistema de Informação sobre Mortalidade do Ministério da Saúde 25.427 óbitos em decorrência de câncer de traqueia, brônquios e pulmões, 16.326 casos referentes a câncer de cólon, reto e ânus, 14.786 de câncer de mama e 14.028 de câncer de estômago.

Ocorreram 156.942 mortes relacionadas às chamadas “causas externas de morbidade e mortalidade” em 2014. A categoria inclui de agressões a acidentes de transporte, passando por quedas, envenenamentos e afogamentos. Dentre estas causas, o maior número de óbitos relacionaram-se a agressões (59.681 mortes), seguido por acidentes de transporte (44.823) e quedas (13.327).

A pneumonia foi a doença respiratória que mais matou em 2014: foram 70.912 óbitos registrados em um total de 139.045 mortes relacionadas a doenças respiratórias, algo equivalente a 50,9%. Outras 42.222 pessoas foram vítimas de doenças crônicas das vias aéreas inferiores, segundo o Sistema de Informação sobre Mortalidade do Ministério da Saúde.

Em 2014, 73.972 pessoas morreram no Brasil por conta de diabetes e outras doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas. Deste total, 57.992, ou 78%, faleceram em decorrência de diabetes. Já a desnutrição foi a causa mortis de 6.306 brasileiros neste ano.

Doenças do fígado e do aparelho digestivo foram responsáveis por 62.763 mortes em 2014, segundo o Sistema de Informação sobre Mortalidade do Ministério da Saúde. Deste total, 26.368 se deram em decorrência de doenças do fígado, como doença alcoólica do fígado (10.453 óbitos) e fibrose e cirrose do fígado (9.159), bem como outras doenças ligadas ao órgão (6.756).

As doenças infecciosas e parasitárias foram a causa da morte de 52.174 pessoas no Brasil em 2014. A septicemia, também chamada de infecção generalizada, resultou em 16.868 óbitos, ao passo que as doenças virais vitimaram 16.599 pessoas –foram 12.575 mortes relacionadas à Aids, em decorrência da presença do vírus HIV.

A insuficiência renal foi a causa da morte de 13.457 pessoas em 2014, ao passo que outras doenças do aparelho geniturinário levaram outros 19.053 brasileiros ao óbito, resultando, portanto em um número absoluto de 32.510 mortes.

Segundo o Sistema de Informação sobre Mortalidade do Ministério da Saúde, em 2014, 32.381 pessoas morreram no Brasil em decorrência de doenças do sistema nervoso, entre elas o Mal de Alzheimer, que levou à morte 15.718 brasileiros.

fecções originadas no período perinatal –compreendido entre as 22 semanas completas de gestação e os sete primeiros dias de vida– levaram à morte 22.482 brasileiros em 2014.

O homem que tem ossos mais fortes que o granito

Eu tenho uma aparência diferente, sim", admite Tim. Isso porque ele guarda consigo um segredo: "Tenho ossos superfortes", diz.

Tim tem uma condição que faz com que seus ossos sejam 150% mais densos que o granito. A doença só foi descoberta quando ele tinha por volta de dois anos de idade - tudo começou com um episódio de paralisia facial.

"Meu pai conta que um dia eu entrei no carro sorrindo, mas só com metade do rosto. Eles pensaram que eu estava brincando", conta. Mas a paralisia nunca desapareceu.

Amadurecimento dos ossos

O esqueleto é uma das partes do nosso organismo que mais demoram a se desenvolver até chegar à fase adulta. Ao nascer, nossos ossos estão muito distantes da fase madura. Com o tempo, o corpo passa por um processo de ossificação, por meio do qual a cartilagem vira osso.

Para a maioria de nós, esse processo está completo quando chegamos aos 25 anos de idade, segundo a médica Gabriel Weston, apresentadora da série de TV Incredible Medicine: Doctor Weston's Casebook ("Medicina incrível: a coletânea de casos do Dr. Weston"), da BBC .

Mas para algumas pessoas, como Tim, esse processo acabou distorcido. E esse estranho caso pode ajudar os médicos a encontrar respostas para outros males mais comuns.

Pressão sobre o cérebro

Os médicos fizeram radiografias e concluíram que Tim tinha uma doença extremamente rara, que só atinge outras 50 pessoas em todo o mundo.

"Eu tenho esclerosteose, uma condição caracterizada por ter uma densidade óssea excessiva", diz.

Ainda que não pareça algo necessariamente ruim, essa doença colocou a vida de Tim em perigo. Quando pequeno, seu crânio começou a crescer com tamanha espessura que passou a pressionar seu cérebro e nervos cranianos.

Essa pressão intracraniana pode causar paralisia facial e até a morte. Para aliviá-la, os médicos tiveram que cortar o crânio, tirar uma parte do osso, lixá-lo e colocá-lo de volta, explica Tim à BBC . Assim, "imediatamente há mais espaço para o cérebro".

Sem cura

Os médicos poderiam tratar Tim para aliviar os sintomas causados pelo excesso de osso, mas nada explicaria por que eles cresciam mais do que o normal em seu corpo.

Sua condição é tão rara que foi alvo de inúmeras investigações médicas. Mas o caso também chamou atenção de cientistas que estudam um problema ósseo muito mais comum: a osteoporose.

É como se a doença estivesse no extremo oposto do que acontece com Tim: é a perda da densidade dos ossos, que deixa as pessoas mais frágeis.

O médico Alastair Henry é um biólogo que faz parte de uma equipe que investiga a osteoporose. Em um paciente com esclerosteose como Tim, explica, "a arquitetura, a estrutura tridimensional dos ossos é normal, mas muito mais densa".

Seu time tenta entender o que faz com que pessoas como ele desenvolvam ossos tão fortes. Depois de examinar os genes conhecidos por controlar o crescimento dos ossos, eles descobriram um erro em um gene específico chamado SOST, que estimula a produção de uma proteína chamada esclerostina.

Essa substância é responsável por avisar ao osso quando ele deve parar de crescer. No corpo de Tim, ela não funciona. "Os pacientes com esclerosteose que tem uma mutação no gene SOST nunca produzem esclerostina", explica Henry.

Sem essa proteína, o corpo de Tim não sabe quando deve interromper o crescimento do osso, e assim ele continua sendo produzido.

Uma ideia e uma viagem ao espaço

Essa particularidade deu a Henry e sua equipe uma ideia para uma nova possibilidade para tratar a osteoporose. "Quando identificamos que a esclerostina é a proteína que controla a densidade do osso, o que queríamos fazer é neutralizar seu efeito. Se conseguirmos, estaríamos deixando de frear o processo de construção contínua de osso", disse Henry.

Com esse propósito, sua equipe trabalhou durante vários anos no desenvolvimento de um novo tratamento para a osteoporose. E quando chegou a hora de colocá-la em prova, foi apresentada aos médicos uma oportunidade única.

Em 2010, o ônibus espacial Atlantis partiu com quatro astronautas a bordo - eles podem perder até 30% de sua densidade óssea durante uma estadia de seis meses no espaço.

E a Nasa, a agência espacial americana, tinha interesse em explorar como deter essa perda. Assim, concordou em levar a bordo alguns pequenos passageiros adicionais: 12 ratos.

Metade deles recebeu uma versão do novo tratamento e, depois de 13 dias, a densidade de seus ossos havia aumentado. Enquanto isso, os ossos dos outros seis ratos ficaram debilitados, um indício de que o tratamento funcionou com os roedores.

No momento, os cientistas estão testando o tratamento com humanos em clínicas.

Agora, Tim tem mais respostas sobre sua doença e os milhões de pessoas que sofrem de osteoporose podem ter esperança nesse novo tratamento.

"É realmente incrível e para mim é uma notícia fantástica. Isso faz com que tudo que passamos, todas as operações, tudo que meus pais sofreram, tenha valido a pena", diz ele.

 

 

Fonte: Controversia/BBC Brasil/Municipios Baianos

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