02/04/2017

7 pequenos erros na dieta que até as pessoas saudáveis cometem

 

Mesmo as pessoas mais disciplinadas cometem erros que podem colocar em risco os benefícios de uma dieta saudável.

São pequenos detalhes que ajudam o organismo a absorver mais e melhor os nutrientes que você consome.

Confira sete erros comuns e dicas correspondentes para potencializar os benefícios de alguns alimentos:

1. Comer sementes de linhaça inteiras

As sementes de linhaça são ricas em ômega-3, fibras e lignanas (antioxidantes). Além disso, são um laxante natural, usado para combater prisão de ventre.

Muita gente tem o hábito de comer linhaça no café da manhã, acompanhada de iogurte ou cereal. Mas as sementes acabam chegando ao intestino inteiras, sem ser digeridas.

Assim, alguns nutricionistas, como Cara Rosenbloom, recomendam comer linhaça triturada ou em pó para facilitar a absorção dos nutrientes.

2. Tomar bebidas energéticas após exercício

As bebidas energéticas contêm altos níveis de açúcar e sais minerais e são indicadas para repor os líquidos e eletrólitos perdidos por meio do suor durante atividade física.

Mas, de acordo com nutricionistas, não há necessidade de tomar esse tipo de bebida após a prática de um exercício, a menos que se tenha feito um esforço excepcional, como correr uma maratona.

"Se você fez menos de uma hora de exercício, não precisa tomar nenhum repositor energético", afirma Jesús Román, presidente da Sociedade Espanhola de Ciências da Alimentação.

"E, em geral, depois de praticar esporte amador, também não", acrescentou.

O que os nutricionistas recomendam é se reidratadar bebendo água.

3. Tirar o tempero da salada

Os legumes e verduras contêm vitaminas lipossolúveis (solúveis em gorduras), como A, E e K, e vários antioxidantes, que necessitam de gordura para serem absorvidos pelo organismo.

Por isso, deixar de temperar a salada com azeite pode fazer com que você perca seus principais nutrientes. Se não quiser usar azeite, você pode substituí-lo por outros alimentos ricos em gordura, como abacate, sementes, nozes ou queijo.

"Em qualquer dieta você precisa ingerir uma certa quantidade de gordura para que as vitaminas que são solúveis em gordura possam ser digeridas e absorvidas", explica Román.

"De qualquer jeito, é muito difícil que em uma dieta não haja gordura", diz o especialista.

4. Misturar suplementos vitamínicos com café ou chá

A cafeína pode dificultar a absorção de algumas vitaminas e minerais de alguns suplementos, como cálcio, ferro e vitaminas B e D.

Por isso, os nutricionistas recomendam que os suplementos vitamínicos sejam ingeridos com água e, de preferência, antes ou depois de tomar bebidas com cafeína, como café, chá ou coca-cola.

O nutricionista Jesús Román esclarece, no entanto, que o café não impede a absorção de uma forma drástica.

"Os adstringentes, como o tanino, limitam muito mais a absorção", explica Román.

"E quase nunca comemos um alimento isoladamente, sempre haverá interações", ressalva.

5. Esquecer de agitar a garrafa de leite de soja, amêndoa ou arroz antes de beber

As alternativas ao leite de vaca, como o leite de soja, amêndoa ou arroz, costumam ser fortificados com cálcio e vitamina D. Mas esses nutrientes não se dissolvem facilmente e tendem a ficar concentrados no fundo da embalagem.

Se você beber o leite antes de agitar, corre o rico de perder todos os suplementos.

De acordo com Román, o cálcio adicionado, que é um cálcio mineral, não se dissolve nestes leites como o que existe naturalmente no leite de vaca. Então é preciso agitar corretamente.

O especialista recomenda, se possível, tomar o leite de vaca.

6. Acreditar que consome alimentos probióticos porque toma iogurte

Um dos maiores benefícios do iogurte, leite fermentado, é seu teor probiótico, que ajuda a manter a saúde da flora intestinal.

Mas se o iogurte é pasteurizado ou esterilizado, perde os microorganismos vivos que deveriam permanecer ativos no nosso intestino. Assim, passa a ser um produto lácteo, que contém cálcio, vitaminas e proteínas, como o leite, mas não possui propriedade probiótica.

Segundo Román, tomar iogurte pasteurizado é nutricionalmente equivalente a beber um copo de leite.

7. Confundir salada com vegetais

Esta é uma confusão bastante comum, segundo Román. Algumas pessoas fazem uma dieta à base de salada e acreditam que estão comendo vegetais suficientes.

"Uma salada básica, que tem 30 gramas de alface, algumas fatias de tomate e azeitonas, não é suficiente porque não tem volume, não apresenta densidade nutritiva suficiente", diz Román, lembrando que alguns desses ingredientes são 90% água.

Para cumprir a recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) de consumir pelo menos 5 porções (de 80g cada) de vegetais e frutas por dia, é necessário portanto incluir na dieta vegetais com mais densidade, como verduras cozidas e legumes.

Brasileiros precisam se preocupar com arsênio no arroz, assim como os britânicos?

Classificado como cancerígeno pela Iarc (Agência Internacional para a Pesquisa sobre Câncer, na sigla em inglês), órgão da OMS (Organização Mundial da Saúde), o arsênio tem causado polêmica quando o assunto é alimentação. O debate voltou à tona depois que o programa Trust Me, I'm A Doctor ("Confie em mim, eu sou um médico"), da BBC, mostrou maneiras de diminuir a quantidade da substância no arroz.

A preocupação dos especialistas consultados pelo programa não foi exagerada: boa parte do arroz consumido no Reino Unido, onde a atração é gravada, vem de Bangladesh. O grão e outros alimentos importados de Bangladesh possuem três vezes mais arsênio do que os cultivados no próprio Reino Unido, como mostra uma pesquisa realizada na Universidade de Montfort, na Inglaterra, em 2005. O estudo também afirma que o nível de arsênio nos vegetais vindos de Bangladesh é semelhante ao encontrado no Estado de Bengala Ocidental, na Índia, onde a água é contaminada por arsênio.

Arroz seguro

Essa realidade, porém, é bem diferente da brasileira. O INCQS (Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde), da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), testou recentemente 193 amostras de arroz produzido Brasil e todas estavam abaixo do limite de arsênio permitido: 0,3 mg por quilo de alimento. O limite é estabelecido pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) em sintonia com as normas preconizadas pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO, em inglês). "Por que a gente tem uma preocupação com o arroz? Porque, no Brasil, a gente tem um grande consumo de arroz. Qualquer possível contaminação estaria expondo a população", explica Ligia Lindner Schreiner, gerente de avaliação de risco e eficácia em alimentos da Anvisa.

Assim como a Anvisa, pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo) concluíram que o arroz brasileiro é seguro para consumo. Uma das primeiras pesquisas do país foi realizada por Bruno Lemos Batista, que chegou a passar uma temporada na Escócia durante seu doutorado em toxicologia, concluído em 2012. Na Universidade de Aberdeen, Batista - que atualmente é professor de Química da Universidade Federal do ABC - encontrou diversas pesquisas na área justamente por causa da preocupação com o arroz importado de Bangladesh. "Garanto que o arroz das prateleiras brasileiras está dentro da normalidade", diz ele. O pesquisador ressalta que o arsênio, por estar presente naturalmente no meio ambiente, é encontrado no solo, na água e no ar. "Mas não é nada aterrorizante", tranquiliza.

A pesquisadora Ana Carolina Paulelli, doutoranda em Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo, estudou diversos tipos de arroz durante seu mestrado em toxicologia e concluiu que algumas formas concentram mais arsênio nos grãos do que outros - mas sempre abaixo do limite determinado pela Anvisa. O arsênio do solo chega à planta através da raiz e é conduzido até o grão pela água. No entanto, até mesmo o tipo de grão que mais concentra arsênio, segundo o estudo de Paulelli, não é motivo para preocupação - curiosamente, ele possui menos arsênio inorgânico, a forma mais tóxica, do que os demais tipos.

Maior produtor

A maior parte do arroz consumido no Brasil é cultivado no Rio Grande do Sul: 72 %. "Os solos do Estado são bastante antigos, é uma formação não vulcânica, as rochas que originaram nossos solos do RS não possuem arsênio na sua composição", explica Henrique Dornelles, presidente da Federarroz (Federação das Associações de Arrozeiros do RS). O Irga (Instituto Rio Grandense do Arroz) também defende a qualidade da produção gaúcha. "A gente monitora a qualidade e nunca tivemos relatos de taxas de arsênio superiores ao recomendado", certifica Tiago Sarmento Barata, diretor comercial do Irga. O Estado tem 19 mil produtores de arroz. Um deles é Arnaldo Eckert, de 64 anos, que viu a propriedade da família crescer de 8 para 800 hectares. "Era tudo manual, com foice, não tinha colheitadeira", relembra Eckert sobre a infância no campo.

Hoje, na lavoura que fica em Tapes, a 103 km de Porto Alegre, às margens da Lagoa dos Patos, Eckert colhe 6,4 mil toneladas de arroz por safra, gerando um resultado bruto de R$ 5,5 milhões.

Agrotóxicos

Apesar de não enfrentar problemas com a questão da concentração do arsênio, o Rio Grande do Sul tem de lidar com outro risco. São 19 mil produtores de arroz - e tamanha produção também demanda controle de pragas, que é feito da forma tradicional, com uso de agrotóxicos. No último relatório do Programa de Análises de Resíduos Agrotóxicos em Alimentos (Para), da Anvisa, o órgão testou 746 amostras de arroz. A investigação concluiu que 715 foram consideradas satisfatórias (sem resíduos de agrotóxicos ou com resíduos dentro do limite). Mas 33 amostras revelaram a presença não autorizada de resíduos agrotóxicos.

 

 

Fonte: BBC Brasil/Municipios Baianos

Comentários:

Comentar | Comentários (0)

Nenhum comentário para esta notícia, seja o primeiro a postar!!