04/04/2017

Olimpíada escolar avança para além da matemática

 

As olimpíadas de conhecimento já fazem parte da rotina de muitas escolas brasileiras, mas novas competições com foco específico em algumas áreas do ensino têm ganhado a atenção de professores e a adesão crescente de alunos. No País, somam-se opções em neurociências, informática, agropecuária, saúde e meio ambiente para alunos do ensino médio.

Segundo os organizadores, os eventos buscam mostrar o lado prático do que é ensinado em sala de aula e incentivar a curiosidade pelo conteúdo científico. Foi o que aconteceu com Caroline Magalhães de Toledo, de 18 anos, que participou por dois anos da Olimpíada Brasileira de Neurociência e foi aprovada na Universidade de Columbia, nos Estados Unidos.

“Sempre gostei muito de Biologia e me interessava por assuntos científicos. No 1.º ano do ensino médio, fiquei sabendo que havia um curso de férias de neurociências e resolvi participar. Adorei e vi que era o que queria fazer da vida.” O curso de férias é a entrada para a competição nacional, que depois leva o primeiro colocado para a olimpíada internacional.

Exemplo

Caroline ficou em terceiro nas olimpíadas nacionais e, como queria aprofundar os conhecimentos na área, procurou uma pesquisadora na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e pediu para ajudar ou observar os estudos que fazia. A estudante se destacou e até assinou uma pesquisa. “Sempre tive boas notas no colégio, mas acredito que a participação nas olimpíadas e meu envolvimento com a área acadêmica favoreceram a admissão na universidade americana.”

Alfred Sholl, coordenador nacional das olimpíadas, disse que a competição difere das tradicionais por abordar um conteúdo que não está normalmente contemplado no currículo básico dos colégios, mas surge de forma transversal ao que é ensinado. “Mostrar para o aluno como o que ele aprende em sala de aula pode contribuir para a sociedade dá um estímulo muito grande. Nós precisamos de mais cientistas e pesquisadores. Por isso, eventos assim são tão importantes.”

Segundo Sholl, a competição teve início em 2011 com a participação de alunos que tinham aulas em apenas dois cursos em todo o País. Neste ano, já são 11 comitês em diferentes cidades brasileiras, com o envolvimento de mais de 500 alunos.

Há ainda eventos que buscam atrair até mesmo um público mais jovem, com até 11 anos. É o caso da Olimpíada Brasileira de Informática (OBI), organizada pelo Instituto de Computação da Unicamp, que tem categorias para participantes a partir dos anos finais do ensino fundamental (do 5.º ao 9.º ano).

Para os alunos mais novos, a proposta é a resolução de problemas de lógica e computação, mas sem o uso do computador. O objetivo é despertar o interesse pela área e detectar talentos potenciais para programação. Para os de ensino médio, a prova exige conhecimento de variados níveis de programação. Já a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) organiza a Olimpíada Brasileira de Saúde e Meio Ambiente (Obsma), também voltada a alunos a partir do 6.º ano do fundamental até o médio. O objetivo é incentivar os estudantes a aprender, pesquisar e investigar ações educativas sobre os dois assuntos.

Enquanto isso, a Olimpíada Brasileira de Agropecuária (Obap) é voltada para alunos de ensino médio técnico, com o objetivo de propor desafios práticos e ligados às atividades que, depois, os estudantes podem desenvolver no mercado de trabalho. Em uma das edições, os competidores tiveram de simular uma inseminação artificial e, em outra, medir um terreno com GPS. A competição, que está em sua sétima edição, reuniu no ano passado quase 700 equipes e mais de 1,8 mil alunos de todo o País na primeira fase. No primeiro ano havia apenas 50.

“A olimpíada ganhou uma aproximação muito grande com o mercado de trabalho e atraiu muito os jovens. Fez com que eles se engajassem e se interessassem mais pelo o que estudavam na escola”, disse Marcelo Bregagnoli, reitor do Instituto Federal do Sul de Minas, que organiza a competição.

Gabriel da Silva Miguel, de 18 anos, estava na equipe vencedora da competição no ano passado, quando cursava o 3.º ano do ensino médio. Conhecer tantos jovens com o mesmo interesse pela agropecuária reforçou seu desejo de cursar Engenharia Agronômica no Instituto Federal do Sul de Minas, onde também fez o ensino médio integrado ao técnico. “A prova e as conversas que tive com aquelas pessoas me mostraram como eu gostava do assunto e queria fazer diferença nessa área.”

Temer atende ordens da Globo e pôe fim ao Ciência sem Fronteiras

É o governo do desastre. É um governo que parece empenhado em criar obstáculos para o acesso do jovem ao ensino superior. Um governo que reduz o volume de financiamento estudantil (Fies), corta seu valor por aluno e deixa-o mais caro. Reduz investimentos nas universidades publicas. E agora acaba de enterrar o programa Ciência sem Fronteiras, que levava dezenas de milhares de jovens brasileiros a estudar lá fora.

A matéria de Lauro Jardim, um dos muitos porta-vozes do oficialato governamental, não traz nenhum contraponto crítico. Nenhum especialista é consultado para falar da estupidez que é cortar gastos em educação. A Globo traz única e exclusivamente a opinião do governo, e faz uma comparação esdrúxula e cínica com o volume gasto em merenda escolar…

Como se o governo fosse usar o dinheiro economizado no Ciência sem Fronteiras em qualquer outra coisa relacionada à educação.

Uma comparação muito mais honesta seria falar dos juros. Segundo o Jurômetro da Fiesp, o Brasil já gastou este ano mais de R$ 100 bilhões com juros da dívida pública. Ou seja, apenas com o pagamento de alguns meses de juros, poderíamos levar mais de 1 milhão de jovens brasileiros para estudar no exterior, por dois, três, quatro anos, e ainda fazer uma revolução nas universidades públicas do país.

Tratar educação como “gasto” é muita ignorância. É preciso pensá-la como investimento e expor os cálculos do retorno que proporciona à economia brasileira! Além do mais, a matéria da Globo, mesmo curta, é inchada de mentiras, ao dizer, mais uma vez apenas repetindo a palavra do governo, que os jovens “não sabiam inglês”. Uma reportagem da própria Globo, em 2015, mostrava que o programa tinha enviado mais de 70 mil jovens para as melhores universidades do mundo, instituições que, naturalmente, só aceitam jovens com proficiência em inglês e devidamente preparados. Ora, se havia jovens com dificuldades para aprender inglês, o governo deveria ajudá-los, e não cortar o programa para todo mundo!

Havia até um PDF, com uma tabela de todos os jovens nessas universidades. E os valores apresentados na matéria pela Globo também são confusos. O portal da Transparência, que Lula criou para exibir todos os gastos governamentais, mostra que o Ciências sem Fronteiras recebeu um aporte federal de R$ 5,3 bilhões em 2014. Ou seja, bem mais do que os R$ 3 bilhões que o governo Temer já achou muito para 2016 e decidiu cortar.

É incrível o desprezo desse governo pelos jovens. O governo parece ter prazer em destruir qualquer sonho que a juventude possa alimentar de um futuro melhor para si! Não cria um programa novo, não oferece uma proposta. É apenas destruição e sempre com apoio da Globo!

A decisão de pôr fim ao Ciência sem Fronteiras foi uma das primeiras tomadas pelo governo. E assim que o anúncio foi feito, o Globo fez um editorial, elogiando, como mostra a imagem que abre esse post. Não interessa às elites brasileiras que tenhamos uma juventude educada, sobretudo oriunda de classes humildes, com instrumentos intelectuais para lutar por um país menos desigual.

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MEC acaba com o Ciências sem Fronteiras. No blog Lauro Jardim (O Globo)

O governo decidiu enterrar de vez uma das estrelas do governo Dilma na Educação, o Ciência sem Fronteiras, que pagava cursos de graduação para estudantes no exterior. Mendonça Filho fez as contas e afirma que, com o montante gasto para mandar 30 mil estudantes para fora, seria possível pagar a merenda escolar para 40 milhões de alunos da educação básica.

Em 2015, o programa consumiu cerca de R$ 3,2 bilhões, enviando alunos principalmente para universidades americanas e europeias. A avaliação do MEC é que o programa não trouxe resultados devido à deficiência em inglês dos brasileiros e à falta de diretrizes claras sobre que perfil de estudante deveria ser financiado. As bolsas de pós-graduação permanecerão como eram antes.

Tanzaniano cria projeto que transforma lixo em saúde

los de plástico por semana em troca de um seguro médico para uma criança durante um ano. Esta é a oferta de uma empresa que está ajudando a acabar com os milhares de quilos de lixo que se amontoam nas ruas da Tanzânia.

Em um país com uma produção diária de quatro mil toneladas de lixo, sendo que 40% é plástico, o tanzaniano Christian Mwijage decidiu empreender um negócio que está servindo para conscientizar a sociedade sobre o cuidado do meio ambiente. Além disso, também está melhorando o bem-estar em um país onde a saúde não é gratuita e as famílias mais humildes não podem pagar pelas despesas médicas mais básicas, o que faz com que muitas crianças morram por doenças que poderiam ser prevenidas. "Achamos que o lixo pode ter um impacto positivo na comunidade", disse à Agência Efe Mwijage, diretor-executivo da EcoAct, empresa que ganhou o prêmio anual de empreendimento do Fórum de Finanças e Investimento na África (AFIF, em sua sigla em inglês).

A troca ocorre depois que se chega a um acordo com as famílias que recolhem os resíduos de plástico das ruas dos assentamentos informais. Posteriormente, uma equipe da EcoAct os retira e processa para transformá-los em madeira plástica.

Em troca de uma contribuição de seis quilos de plástico por semana, a empresa proporciona um seguro médico para uma das crianças da família durante um ano. Se conseguir coletar mais resíduos, têm a possibilidade de estender a cobertura médica a outros menores. Também existem pontos de recolhimento em diferentes bairros de Dar el Salam, onde grupos de mulheres e jovens colaboram na coleta de resíduos. A iniciativa, que começou nos últimos meses, está sendo bem recebida pela comunidade, razão pela qual agora os idealizadores tentam buscar mais investimento para crescer e oferecer esta troca a muitas mais famílias que já mostraram interesse, explicou Mwijage. Desta maneira, destacou, está mudando a atitude da comunidade com o meio ambiente e melhorando a gestão dos resíduos para conseguir a eliminação do plástico das ruas do país.

Todo este lixo tem uma segunda oportunidade mais respeitosa com o entorno ao transformá-lo em madeira plástica, um material de construção e fabricação de móveis de alta durabilidade. "É um produto alternativo à madeira forte, mais durável, mais barato e sustentável em nível ambiental, do qual se poderia tirar benefícios enquanto ajudamos a salvar as florestas da Tanzânia", reforçaram os representantes da EcoAct.

Outro dos projetos que foi iniciado é o "Green Learning" (Aprendizagem verde, em inglês), com o qual pretendem fabricar carteiras com este material reciclado para distribui-las pelas salas de aula do país, onde grande parte dos alunos estudam sentados no chão. "O governo oferece desde o ano passado educação secundária gratuita. Agora há muitos estudantes no país, mas não têm onde sentar", declarou Mwijage.

Cerca de 95 milhões de crianças não têm acesso a carteiras nas salas de aula na África Subsaariana, o que influencia em seu rendimento e concentração, segundo dados desta empresa. Com escrivaninhas e cadeiras onde poder se sentar, os alunos podem sentir a "dignidade" e a "inspiração" necessárias para desenvolver suas mentes, nutrir seus talentos e se transformar em cidadãos responsáveis na comunidade. Após ter vendido algumas destas econômicas carteiras, Mwijage antecipou que agora negociam com o governo tanzaniano para abastecer com estes produtos às escolas públicas do país. "A educação é essencial para construir uma comunidade que possa progredir", finalizou este tanzaniano, que acredita que a conscientização das novas gerações permite melhorar a gestão resíduos urbanos, um dos problemas ambientais contra o qual luta grande parte das principais cidades africanas.

 

Fonte: Agencia Estado/O Globo/O Cafezinho/EFE/Municipios Baianos

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