05/04/2017

Pesquisadores transformam água do mar em potável

 

Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Manchester, no Reino Unido, criou uma "peneira" de grafeno que consegue remover o sal da água do mar. A invenção tem o potencial de ajudar milhões de pessoas sem acesso direto a água potável.

O grafeno é uma das formas cristalinas do carbono, como o diamante e o grafite.

A peneira criada pelos cientistas é feita usando um derivado químico, o óxido de grafeno, e pode ser altamente eficiente na filtragem do sal. Ela agora será testada em comparação a membranas de dessalinização já existentes.

Os resultados da pesquisa foram na publicação científica Nature Nanotechnology .

Facilidade

O grafeno foi descoberto em 1962, mas foi pouco estudado até ser redescoberto, isolado e caracterizado por pesquisadores da Universidade de Manchester em 2004. Ele consiste em uma camada fina de átomos de carbono organizada em uma espécie de treliça hexagonal.

Suas propriedades incomuns, como sua força elástica e condutividade elétrica, o tornaram um dos metais mais promissores para futuras aplicações.

Mas até o momento, era difícil e caro produzir barreiras de grafeno em escala industrial com os métodos existentes.

Rahul Nair, que liderou a pesquisa, revela, no entanto, que o óxido de grafeno pode ser feito facilmente em laboratório.

"Em forma de solução ou tinta, podemos aplicá-lo em um material poroso e usá-lo como membrana. Em termos de custo do material e produção em escala, ele tem mais vantagens em potencial do que o grafeno em uma camada."

"Para tornar a camada normal de grafeno permeável, é preciso fazer pequenos buracos nela, mas se esses buracos forem maiores que um nanômetro, os sais escapam por eles. Seria preciso fazer uma membrana com um buraco muito uniforme com menos de um nanômetro para que ela possa ser usada na dessalinização. É muito difícil."

As membranas feitas de óxido de grafeno provaram ser capazes de filtrar nanopartículas, moléculas orgânicas e até sais de cristais maiores. Mas até agora, elas não conseguiam ser usadas para filtrar sais comuns, que requerem peneiras ainda maiores.

Trabalhos anteriores mostravam que as membranas de óxido de grafeno ficavam levemente inchadas quando imersas em água, o que permitia que sais menores passassem por seus poros juntamente com moléculas de água.

Agora, Nair e seus colegas demonstraram que colocar paredes feitas de resina epóxi em cada lado da membrana de grafeno é suficiente para frear este inchaço.

Isso também permitiu aos cientistas ajustar as propriedades da membrana, deixando passar mais ou menos sal, por exemplo.

Promessa

Até 2025, a ONU estima que 14% da população mundial enfrentará escassez de água.

Enquanto os efeitos da mudança climática continuam a reduzir os reservatórios que abastecem as cidades, países mais ricos investem também em tecnologias de dessalinização como alternativa.

Atualmente, usinas de dessalinização ao redor do mundo usam membranas feitas com polímeros.

"Nosso próximo passo é comparar as membranas de óxido de grafeno com o material mais sofisticado disponível no mercado", diz Rahul Nair.

Mas em um artigo que acompanhava a pesquisa na revista Nature Nanotechnology , o cientista Ram Devanathan, do Laboratório Nacional do Noroeste do Pacífico, nos EUA, disse que seria preciso mais estudo para conseguir, de fato, produzir membranas de óxido de grafeno a baixo custo e em escala industrial.

Segundo ele, a equipe britânica ainda precisa demonstrar a durabilidade da membrana durante o contato prolongado com a água do mar e garantir que ela é resistente ao acúmulo de sais e de material biológico - o fenômeno requer que as barreiras de dessalinização existentes hoje sejam limpas ou substituídas periodicamente.

Ciência ensina como superar o medo de errar

Futurando também mostra as mais novas tecnologias para ajudar na rotina de deficientes. Já tem até jeito de fazer um surdo "ouvir" uma orquestra. Aquela sensação de medo diante de um momento decisivo em que você não pode errar é um dos temas deste Futurando. Vamos explicar como é possível manter o estresse sob controle. O truque é bem simples e o experimento para provar que ele funciona foi feito com jogadores de futebol.

O programa também vai mostrar como a tecnologia está cada vez mais avançando rumo a resolver os desafios de quem possui algum tipo de deficiência. No caso dos deficientes auditivos, uma camisa capaz de vibrar ao som da música está sendo desenvolvida por um estudante de engenharia audiovisual na Alemanha.

Para quem perdeu as mãos, pesquisadores na Suíça desenvolveram uma mão robótica. O modelo é considerado inovador porque usa uma tecnologia bem específica de transmissão de estímulos para o cérebro. Ou seja, a pessoa consegue sentir os objetos que pega.

O Futurando fala ainda de uma ideia para prevenir tragédias na construção civil. Uma pesquisa do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique quer desenvolver um sistema de sensores para monitorar obras como pontes e prédios. É um jeito de garantir que nenhum desabamento ocorra por falta de manutenção, ou por alguma falha não identificada na estrutura.

Nesta edição, você também vai ter a chance de passear pela cidade subterrânea de Montreal, no Canadá. São 32 quilômetros de ruas embaixo da metrópole, que conectam prédios entre si e a uma série de lojas, teatros, etc. Um lugar assim é perfeito para enfrentar desafios econômicos nesses tempos de mudanças climáticas.

O programa

O Futurando traz novidades sobre ciência, meio ambiente e tecnologia e é produzido todas as semanas pela redação brasileira da Deutsche Welle, em Bonn, na Alemanha.

O programa é exibido no Brasil pelo Futura às terças-feiras, às 22h30 com reprise às quartas 16h30, quintas, sábados e segundas; pela Rede Minas aos sábados, às 14h30, com reprise às sextas-feiras, às 13h30; pela TV Brasil todos os sábados às 12h, com reprise aos domingos às 15h30; pela TV Cultura aos domingos às 23h30; pela TV Câmara Tupã todos os sábados às 18h, com reprise às terças-feiras, às 19h40 e pela TV Climatempo aos sábados às 9h30, com reprise às terças e aos domingos. Você também pode ver vídeos do programa no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro.

O Futurando é transmitido ainda em Moçambique pela Rede Tim, aos sábados, às 14h30.

 

Fonte: BBC Brasil/Deutsche Welle/Municipios Baianos

Comentários:

Comentar | Comentários (0)

Nenhum comentário para esta notícia, seja o primeiro a postar!!