05/04/2017

Pesquisadores italianos acham verdadeira origem do Alzheimer

 

Pesquisadores italianos descobriram a verdadeira origem do Mal de Alzheimer. Diferentemente do que se acreditava até então, a doença não surge na área do cérebro associada à memória, mas sim da morte de neurônios da região vinculada às mudanças de humor.

Coordenado pelo professor associado de Fisiologia Humana e Neurofisiologia da Universidade Campus Bio-Médico de Roma, Marcello D'Amelio, o estudo, que revoluciona a maneira como entendemos e tratamos a patologia, foi publicada na revista científica Nature Communications .

Até agora, o Alzheimer era considerado uma doença que surgia devido à degeneração das células do hipocampo, área cerebral da qual dependem os mecanismos da memória. O novo estudo, conduzido em colaboração com a Fundação IRCCS Santa Lucia e do CNR de Roma, no entanto, aponta que a doença surge na área tegmental ventral, onde é produzida a dopamina, neurotransmissor vinculado às mudanças de humor.

Segundo os pesquisadores, como um efeito dominó, a morte dos neurônios responsáveis pela produção de dopamina desacelera a chegada desta substância ao hipocampo, causando assim uma falha que gera a perda das lembranças, principal sintoma da doença.

A hipótese foi confirmada em laboratório, onde várias terapias destinadas a restaurar os níveis de dopamina foram administradas em animais. Nos testes, foi observado que tanto as memórias quanto a motivação de viver, cuja falta causa depressão, foram recuperadas. "A área tegmental ventral relança a dopamina também na área que controla a gratificação. Na qual, com a degeneração dos neurônios dopaminérgicos, também aumenta o risco de perda de iniciativa", explicou D'Amelio.

Isso explica porque o Alzheimer é acompanhado, grande parte das vezes, pelo desânimo e pela depressão. Contudo, os estudiosos ressaltam que as mudanças de humor associados ao Alzheimer não são uma consequência do surgimento da doença, mas sim um "alarme" sobre o início da patologia. "Perda de memória e depressão são duas faces da mesma moeda", concluiu o italiano.

Cientistas criam técnica que retira neurônios que atuam na obesidade

Cientistas em Portugal desenvolveram uma nova técnica para eliminar em ratos neurônios situados fora do cérebro e atuar sobre os processos que, por exemplo, causam a obesidade, de acordo com um estudo publicado nesta segunda-feira (3) pela revista "Nature".

A pesquisa, liderada pelo Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC), identificou neurônios do sistema nervoso periférico que atuam sobre o tecido adiposo e constatou que sua eliminação provocou um aumento de peso significativo e rápido nos ratos.

Esta técnica, asseguram seus responsáveis, abre as portas para o estudo de um grande número de doenças relacionadas com o sistema nervoso periférico e com outras células localizadas fora do cérebro.

O IGC, em colaboração com a Universidade de Santiago de Compostela (Espanha), com a Universidade de Cambridge (R.Unido) e com as universidades americanas de Yale e Rockefeller, deu assim mais um passo no estudo dos mecanismos neurobiológicos implicados, entre outros, na obesidade.

"Esta nova técnica nos permitiu verificar a importância dos neurônios que transmitem impulsos ao tecido adiposo para manter uma adiposidade normal. Mas, sobretudo, elimina os possíveis efeitos secundários que a técnica anterior pode causar sobre o cérebro", concluiu Domingos.

Para este novo estudo, os especialistas queriam comprovar se a eliminação desses mesmos neurônios periféricos provocava o efeito contrário nos roedores.

Ao comprovar que os animais aumentaram seus níveis de gordura, os cientistas confirmaram que é possível atuar sobre esses neurônios sem afetar outros similares que se localizam no cérebro.

"Agora podemos estudar o funcionamento de muitas células periféricas não só na obesidade, mas também em muitas outras doenças", destacou a especialista Ana Domingos em comunicado.

Esta técnica se baseia no uso de um receptor da toxina da difteria, que foi introduzido geneticamente nos neurônios que enviam impulsos ao tecido adiposo dos ratos para deixá-los expostos a sua ação aniquiladora.

"O problema é que (esta toxina) pode atravessar a barreira hematoencefálica. Em consequência, não podemos utilizar esta ferramenta molecular para eliminar neurônios periféricos sem afetar neurônios similares que existem no cérebro", afirmou Domingos.

Para fazer frente a este problema, os especialistas modificaram quimicamente a toxina da difteria para aumentar seu tamanho e limitar seu acesso ao cérebro, já que, "normalmente, as moléculas grandes" não podem atravessar a fronteira hematoencefálica, lembrou a investigadora.

"Esta nova técnica nos permitiu verificar a importância dos neurônios que transmitem impulsos ao tecido adiposo para manter uma adiposidade normal. Mas, sobretudo, elimina os possíveis efeitos secundários que a técnica anterior pode causar sobre o cérebro", concluiu Domingos.

Poluição de farmacêuticas aumenta resistência a antibióticos

A poluição gerada pelas fábricas onde são produzidos remédios na China e Índia está "disparando" a resistência antimicrobiana no mundo todo, segundo um relatório apresentado nesta segunda-feira (3), em Madri, por Ecologistas em Ação (EA).

Este documento denuncia que as "condições insalubres nos processos produtivos e o inadequado tratamento dos vazamentos gerados pela fabricação de antibióticos nestes países" são a terceira causa de geração das conhecidas "superbactérias".

À frente está o consumo excessivo de antibióticos na medicina humana e seu "uso incontrolado" na criação animal, afirma o relatório, elaborado pela Fundação Changing Markets -cujo objetivo é promover mercados sustentáveis- em colaboração com a EA, uma confederação que agrupa mais de 300 grupos ambientalistas espanhóis.

Os dados foram analisados a partir das amostras de água que os pesquisadores recopilaram nos arredores das principais empresas farmacêuticas instaladas na Índia, onde encontraram 16 focos de resistência distribuídos por todo o país.

O relatório aponta que as concentrações de antibióticos detectadas nos arredores da cidade indiana de Hyderabad, eram até mil vezes mais altas que as frequentes nos rios de países desenvolvidos.

As consequências deste "inadequado" sistema de evacuação de efluentes industriais são "dramáticas", já que quase 60 mil recém-nascidos morrem por ano neste país asiático devido à ação de bactérias resistentes aos antibióticos de primeira linha.

Neste sentido, a EA assegura que a bactéria 'Klebsiella pneumoniae' - que pode causar pneumonia, meningite e infecções do sangue e do trato urinário, entre outras - aumentou sua taxa de resistência de 29% em 2008 para 57% em 2014.

Enquanto isso, na China, a resistência aos antibióticos também aumentou, de média, 22% em seis anos, quando nos EUA este aumento foi de 8% para o mesmo período, segundo dados de 2012.

Na China, adverte o documento, ocorre, além disso, um fenômeno "alarmante". Os resíduos da fabricação destes remédios são reutilizados na produção de adubos agrícolas.

Por isso, é preciso elaborar "critérios de respeito meio ambiental e de justiça social nos processos de solução", e não na pesquisa e desenvolvimento de novos remédios, que é a postura mais defendida "desde veículos de imprenss e organismos institucionalizados".

O relatório insiste que países como China e Índia, "onde existem as taxas de resistência a remédios mais altas", são os que "não poderão fazer frente ao aumento no custo dos novos tratamentos" e o risco pode terminar sendo exportado a outros e inclusive chegar em algum momento à Europa.

A organização ressalta que quase um milhão de pessoas morrem por ano no mundo todo por infecções que já não respondem aos tratamentos com antibióticos e lembra que um relatório da OCDE de 2015 denunciou a relação entre a resistência aos antibióticos e seu consumo, tanto humano como animal.

 

Fonte: ANSA/EFE/Municipios Baianos

Comentários:

Comentar | Comentários (0)

Nenhum comentário para esta notícia, seja o primeiro a postar!!