08/04/2017

No Dia Mundial da Saúde, OMS alerta sobre depressão

 

A depressão tem tratamento e o primeiro passo é conversar sobre o assunto. Essa é a proposta da Organização Mundial da Saúde (OMS) no Dia Mundial da Saúde, lembrado hoje (7). A doença, segundo a entidade, afeta pessoas de todas as idades e estilos de vida, causa angústia e interfere na capacidade de o paciente fazer até mesmo as tarefas mais simples do dia a dia.

“No pior dos casos, a depressão pode levar ao suicídio, segunda principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos”, destacou a OMS. “Ainda assim, a depressão pode ser prevenida e tratada. Uma melhor compreensão sobre o que é a doença e como ela deve ser prevenida e tratada pode ajudar a reduzir o estigma associado à condição, além de levar mais pessoas a procurar ajuda”, completou a entidade.

Números em ascensão

O número de pessoas que vivem com depressão, segundo a OMS, está aumentando – 18% entre 2005 e 2015. A estimativa é que, atualmente, mais de 300 milhões de pessoas de todas as idades sofram com a doença em todo o mundo. O órgão alertou ainda que a depressão figura como a principal causa de incapacidade laboral no planeta.

“A depressão é diferente de flutuações habituais de humor e respostas emocionais de curta duração aos desafios da vida cotidiana. Especialmente quando de longa duração e com intensidade moderada ou severa, ela pode se tornar um sério problema de saúde”, destacou a organização. Os dados mostram que quase 800 mil pessoas morrem anualmente em razão de suicídio.

Depressão no Brasil

De acordo com a OMS, cerca de 5,8% da população brasileira sofrem de depressão – um total de 11,5 milhões de casos. O índice é o maior na América Latina e o segundo maior nas Américas, atrás apenas dos Estados Unidos, que registram 5,9% da população com o transtorno e um total de 17,4 milhões de casos.

O levantamento mostra que, além do Brasil e dos Estados Unidos, países como a Ucrânia, Austrália e Estônia também registram altos índices de depressão em sua população – 6,3%, 5,9% e 5,9%, respectivamente. Entre as nações com os menores índices do transtorno estão as Ilhas Salomão (2,9%) e a Guatemala (3,7%). A prevalência na população mundial, segundo a OMS, é 4,4%.

Falhas no acesso ao tratamento

A organização também alertou que, apesar da existência de tratamentos efetivos para a depressão, menos da metade das pessoas afetadas no mundo – e, em alguns países, menos de 10% dos casos – recebe ajuda médica. As barreiras incluem falta de recursos, falta de profissionais capacitados e o estigma social associado a transtornos mentais, além de falhas no diagnóstico.

“O fardo da depressão e de outras condições envolvendo a saúde mental está em ascensão em todo o mundo”, concluiu a OMS, ao cobrar uma resposta compreensiva e coordenada para as desordens mentais por parte de todos os países-membros.

Tenho ficado triste sem motivo aparente. Estou com depressão?

Quase todo mundo, alguma vez na vida, sentiu-se triste sem motivo, acordou sem ânimo de sair da cama ou ficou com vontade de chorar sem parar. Esses comportamentos, muitas vezes, são apenas momentos ruins que vão passar no dia seguinte.

Porém, se não forem passageiros, podem, sim, ser sintomas de depressão.

Uma das grandes diferenças entre uma tristeza comum e a depressão, segundo a psicóloga Marilena Bigoto, especialista em desenvolvimento humano, é que a primeira costuma ser passageira; e a depressão persiste, mesmo sem razão aparente.

Além de tristeza e falta de ânimo, o depressivo pode apresentar dificuldade de cumprir atividades básicas, como tomar banho e escovar os dentes, sensação de estar sem rumo, sentimento de culpa, isolamento social e a autoestima baixa, além do excesso ou falta de apetite.

As causas da depressão costumam ser inúmeras. “Pode ser a junção de vários fatores como estresse, morte na família, dificuldades financeiras. A doença também pode ser consequência de uso de drogas ou ainda questões mal resolvidas na infância”, explica Marilena. Um dos grandes problemas em relação a esse distúrbio é o preconceito. Muita gente – incluindo pessoas próximas, como amigos e familiares – ainda trata a depressão como se fosse “frescura” do paciente. E não é.

De qualquer maneira, se houver suspeita da doença, é fundamental buscar ajuda de um psicólogo ou psiquiatra. Só um profissional pode avaliar se há realmente um quadro de depressão e, consequentemente, a necessidade do uso de remédios.

Depressão pode causar infarto, diz estudo e especialista da ADS

A depressão, moderada ou grave, está para ser incluída como uma das causas do agravamento de problemas cardíacos e pode culminar no infarto do miocárdio. “Há muito tempo, cientistas já classificam a tristeza profunda como um fator de risco para doenças cardíacas, porém agora os estudos estão mais conclusivos”, explica a Cardiologista, especialista em arritmologia, Adriana Taboada, integrante da equipe médica da Clínica ADS.

A médica refere-se a um recente estudo divulgado no encontro EuroheartCare, realizado pela Sociedade Européia de Cardiologia na Noruega. Durante 11 anos, foram monitorados os estados psíquico e físico (com dados sobre o índice de massa muscular, atividade física, tabagismo e pressão arterial) de 63 mil dos 97 mil moradores da região norueguesa de Nord-Trondelag. Os dados apurados foram relacionados com as internações e mortes por insuficiência cardíaca.

A conclusão dos pesquisadores foi que quanto mais intensos os sintomas depressivos, maior o risco de sofrer problemas cardíacos. As vítimas de depressão moderada a severa apresentaram aumento de 40% no risco de sofrer insuficiência cardíaca. Entre os pacientes com depressão menos grave, a possibilidade de desenvolver problemas cardíacos era apenas 5% superior à média.

“Pacientes depressivos apresentam desequilíbrio metabólico (hormonal, distúrbios em neurotransmissores), característico desse distúrbio psíquico, e isso afeta a saúde do coração”, explica Adriana Taboada. Trabalhos sobre os efeitos da depressão nas cardiopatias já haviam sido apresentados, mas a pesquisa recente é mais abrangente, segundo a médica.

O trabalho dá um passo além ao relacionar essa doença psiquiátrica com um âmbito mais extenso das lesões cardiovasculares, como é o caso da insuficiência cardíaca, o estágio final de muitas cardiopatias, que se apresenta quando o coração é incapaz de bombear o sangue com força suficiente. “A origem da insuficiência cardíaca é muito diversa, podendo estar ligada a um infarto, a problemas com as válvulas cardíacas ou a um quadro de diabetes ou hipertensão em pacientes com evolução prolongada”, afirma a médica.

Estilo de vida

A literatura médica, até agora, indicava efeitos indiretos da depressão sobre a saúde do coração. “A depressão severa é identificada pela tristeza, a apatia e a desesperança dos doentes, inclusive com ideias de morte e suicídio nos casos mais graves. Esse estado de ânimo afeta o estilo de vida dos pacientes. Se precisarem ser medicados, é fácil que deixem de fazê-lo ou esqueçam doses. Além disso, costumam fumar mais, comer pior, praticar menos ou nada de exercícios físicos e adquirir mais peso”, declara.

Após excluir os efeitos potenciais do tabagismo e da obesidade nas pessoas analisadas, o trabalho destaca outros fatores diretos que vinculam a depressão à insuficiência cardíaca. “A depressão estimula a aparição de hormônios vinculados ao estresse, que induzem a aparição de fenômenos inflamatórios ou aterosclerose [a deterioração das paredes arteriais, num processo que pode provocar um infarto]”, cita a Dra. Adriana.

É um pouco parecido com o que acontece com a raiva, que provoca uma brusca descarga de catecolaminas (hormônios associados ao estresse) e causa impactos na pressão, lesões nas paredes arteriais, além de efeitos diretos sobre o coração (aumento da frequência cardíaca, maior suscetibilidade a arritmias e remodelamento do músculo cardíaco). “Associa-se esse aumento do tônus simpático [do sistema nervoso] a um maior risco de infarto e AVC”. A alteração hormonal ligada à depressão explicaria um fenômeno similar nessas pessoas.

 

Fonte: MSN/Bahia Já/Municipios Baianos

Comentários:

Comentar | Comentários (0)

Nenhum comentário para esta notícia, seja o primeiro a postar!!