19/04/2017

Irecê: Sesab investe na Ação dos Voluntários do Sertão

 

Com a meta de realizar cerca de 25 mil atendimentos entre cirurgias de catarata, consultas médicas, procedimentos odontológicos, dentre outros serviços, a 17ª Edição do Voluntários do Sertão beneficiará a população de Irecê e região até sexta-feira (21). Contando com um investimento de cerca de R$ 1 milhão da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab), a ação será conferida de perto pelo secretário Fábio Vilas-Boas, nesta quarta-feira (19), a partir das 9h.

Logo depois, Vilas-Boas visitará as obras da Policlínica de Irecê, que já está com 70% das obras concluídas. Na policlínica, a população dos municípios participantes terá acesso a consultas, exames e procedimentos em até 18 especialidades médicas, a exemplo de angiologista, cardiologista, endocrinologista, gastroenterologista, mastologista e neurologista. Exames e serviços como ecocardiograma, eletrocardiograma, endoscopia digestiva, colonoscopia, tomografias e ressonâncias também poderão ser realizados na unidade.

Atendimentos

Serão utilizadas 20 carretas para oferecer diversos serviços como odontologia, oftalmologia, densitometria óssea, eletrocardiograma, ultrassonografia, exames de mamografia, raio-x e também procedimentos cirúrgicos diversos. Mais de 100 médicos nas áreas de pediatria, ginecologia, psiquiatria, otorrinolaringologia, cardiologia, gastroenterologia, ortopedia, anestesia, cirurgia geral, urologia, dermatologia, clínica geral, e ainda profissionais de psicologia e nutrição serão mobilizados durante o evento social.

Em 2016, o evento foi realizado em Santa Cruz Cabrália, município do extremo- sul da Bahia. “Foi uma ação impressionante que movimentou 700 voluntários e essa edição teve um foco especial na comunidade indígena da Bahia, com a presença de 55 aldeias oriundas de 11 municípios. Em Irecê, esperamos o mesmo sucesso”, afirmou Fábio Vilas-Boas.

Além dos procedimentos, serão disponibilizados óculos às pessoas atendidas que forem diagnosticadas com a necessidade de óculos de grau. Serão entregues também, quando necessário, na farmácia que serve ao mutirão, medicamentos. A ação tem como objetivo promover a assistência à saúde, assistência social, nutricional e incentivar o voluntariado, com acompanhamento dos indicadores de transformação social.

Voluntários do Sertão comemoram balanço do primeiro dia em Irecê

O acampamento armado na Praça Clériston Andrade pela organização Voluntários do Sertão viu enorme fluxo de pessoas de Irecê e cidades vizinhas ao longo desta segunda-feira (17). O contingente de enfermeiros, farmacêuticos, psicólogos, dentistas, auxiliares administrativos, dentre outros profissionais, realizou aproximadamente 3 mil procedimentos de diversas naturezas ao longo do primeiro dia de atividades, segundo informações divulgadas pelo grupo.

O destaque fica para as 300 intervenções cirurgicas para correção de catarata realizadas pelos oftalmologistas da equipe dos voluntários. Uma dessas cirurgias trouxe alento para Valdomiro Souza, que não enxerga nada com o olho direito há 20 anos e a visão prejudicada no olho esquerdo. "Nunca consegui sequer ver meus netos. Agora, graças ao Voluntários do Sertão, vou realizar esse sonho", afirma. Valdomiro, que é aposentado, em breve poderá experimentar sua visão renovada e enfim conhecer seus netos.

O presidente da organização Voluntários do Sertão, Doreedson Pereira, enfatiza que a intenção do mutirão é levar apoio a locais onde faltam serviços básicos para populações carentes. “O objetivo é promover assistência social, saúde, segurança alimentar, nutricional e acompanhar os indicadores de transformação social", esclarece ele.

Prefeitura soma esforços

A prefeitura de Irecê está colaborando com suporte logístico para apoiar as atividades do mutirão. “Vamos continuar nos esforçando para que ao final da semana mais de 15 mil atendimentos sejam realizados com pacientes de Irecê e da região”, destaca Jazon Júnior, secretário de Agricultura e coordenador da colaboração municipal aos voluntários em Irecê.

Segundo Jazon, a procura pelos serviços oferecidos no mutirão excedeu as expectativas dos organizadores. “Essa quantidade de pessoas procurando atendimentos no Voluntários do Sertão reflete a necessidade da prestação de serviços. Esse é um desafio nosso. De construir políticas públicas com investimentos cada vez mais em Saúde”. Entre outras medidas, a prefeitura disponibilizou o Hospital Municipal para realizar parte das intervenções cirurgicas programadas para a semana do mutirão em Irecê.

Uibai: A chegada do samba catingueiro. Por Líris Gamper Machado& Kalil Albergaria

Em janeiro de 2003, Uibaí experimentava o início de um período de aquecimento cultural surgido com o Praça Inquieta, evento idealizado pelo Caderno Cultural Boca do Inferno, que felizmente retirou o município do deserto cultural de dez anos no qual estava mergulhado. Os responsáveis pelo Caderno Boca do Inferno, na época, Alan Oliveira Machado e Rui de Oliveira, dois irmãos comprometidos com atividades culturais no município, apresentaram o projeto aos moradores da Casa de Estudantes de Uibaí em Brasília e depois realizaram uma reunião de organização do evento já no município, com a participação de jovens e demais interessados em concretizar as atividades propostas para os dois dias do evento.

O Praça Inquieta foi tão impactante, tão bem-sucedido em sua gana de discussão de temas políticos importantes à época e de atividades artísticas como recitais de poesias, apresentações musicais, feira de artesanato, lançamento de livro, oficinas de teatro e apresentações teatrais que desde então a chama das artes nunca mais se apagou, nunca mais permitiu que a desertificação tomasse conta da cultura. Devido a isso, muitas coisas boas continuaram a acontecer no município nos anos seguintes, algumas à revelia dos interesses políticos locais. Assim, sob as cinzas da indiferença e do boicote, as brasas da resistência liberavam o calor da criatividade, permitindo o aparecimento de novas ações e de novas atitudes frente ao que já havia sido domesticado pelo poder ou pelo ímpeto copiador dos incompetentes com alguma esperteza e nenhuma criatividade.

Foi assim que no meio poético e musical surgiu, já quase no fim da primeira década dos anos 2000, um projeto criativo com o intuito de inventar um samba de temática catingueira e ribeirinha. Movida por uma pesquisa musical que incluía, entre outros clássicos do samba, a audição atenta de Clementina de Jesus, Noel Rosa, Cartola, Adoniram Barbosa e Nelson Cavaquinho, a dupla de irmãos Rui de Oliveira e Ari Oliveira principiou a produção de uma espécie de samba com sotaque catingueiro, cuja temática se estendia das barrancas do rio São Francisco, em Xique-Xique, às grotas da Serra Azul em Uibaí. O samba regional de Ari e Rui produziu algumas pérolas como Samba da caatinga: "Mulherada gentileza/justifique numa boa/quem coloca o ovo azul /o cancão ou a cancoa?/... Diz o samba da caatinga/na cantiga do cangaço/cabaça cheia de furos/cabeça, chuva, cabaço" (...) e Ribeirinho canoeiro: "joga tua rede pro ar, canoeiro/sobre o espelho barrento/que o rebento do lado de cá/ancora couro ao tempo... O homem, peixe-boi se foi/da paisagem no momento/cantiga, força, corpo, luz/ navegando contra o vento"; Fuminho na lixeira: “Pode acender tuas velas, nega/ que dessa noite não passa/ eu boto as tramelas nas portas/ e jogo fora tua cachaça”...

Em seguida, os dois inventaram um personagem para assumir artisticamente as letras feitas em parceria e individualmente. O personagem chamou-se Clementino Redentor (homenagem à Clementina de Jesus), um catingueiro pescador que vivia na beira do rio, em Xique-Xique, onde frequentava a boêmia nos botecos de pescadores e manobristas de balsas. Clementino virou heterônimo autor das letras de samba feitas por Rui de Oliveira, Ari Oliveira e Alan Oliveira Machado, que integrou o projeto de samba catingueiro em seguida, com letras como Nêga Rosa: “Ôh nega boa/ ôh Nega Bela/ rosa cheirosa/meu barco a vela”... Vem vadiar: “Fui vadiar/ lá na beira da barranca/ morena pulou no rio/ escondeu de mim as ancas”..., Carranca minha: Carranca minha/eu me lembro a chuvarada/ peixe escondendo do fio/canoa triste amarrada”... Todas produzidas em 2009.

O conjunto de letras produzidas pelos três poetas e unificadas ficticiamente como obra do personagem Clementino Redentor deveria, ao fim das experimentações públicas, compor um CD de samba da caatinga, já que a temática é o sertão, a natureza e os costumes do catingueiro ribeirinho. O projeto do CD ainda espera um incentivo cultural que possibilite a gravação em estúdio das 12 canções clementinas produzidas. Enquanto isso, a turma do samba clementino prepara novas aventuras literárias e musicais ao mesmo tempo em que espalha as crônicas poéticas de Clementino Redentor pelo sertão catingueiro do baixo-médio São Francisco.

 

Fonte: Ascom Sesab/Cultura&Realidade/Municipios Baianos

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