20/04/2017

Nelson Jobim: corruptores passaram a ser fonte da verdade

 

O Supremo Tribunal Federal instaurou inquéritos em relação a 8 ministros, 24 senadores e 39 deputados. Os inquéritos indicam corrupção ativa/passiva e/ou crime eleitoral. O Supremo Tribunal Federal enviou para o Superior Tribunal de Justiça os pedidos em relação a 12 governadores. E, para o primeiro grau, aqueles relativos aos que não têm foro especial.

Vejamos os números.  O Senado Federal se compõe de 81 membros. A Câmara dos Deputados, de 513. Dos senadores, 57 (70%) não foram objeto de pedido de inquérito. O mesmo em relação 474 deputados (92%). Dos 27 governadores, 15 (55%) não são objeto de pedidos de inquérito. Apesar dos números, a mídia logo afirmou que o sistema político ficou “em ruínas”. As redes sociais passaram a destilar ódio e prever o “fim do mundo”.

Há dois pontos que chamam a atenção. Primeiro, a afirmação enfática que o sistema político está em “ruínas” — acabado. Os inquéritos abrangem 12% da totalidade dos membros do Congresso Nacional, composto de 594 (deputados e senadores). Está-se, com aquela afirmação, pretendendo que o sistema político seja integrado somente por políticos com mandato e que 12% destes sejam o todo. Estamos diante do erro lógico da generalização empírica, apontado por Karl Popper.

Segundo ponto. Do fato de terem sido instaurados inquéritos concluem, desde logo, que todos são culpados. Em programa de notícias da TV, jornalistas disseram que, não obstante o conteúdo enfático das delações, os políticos continuam a negar tudo. Aqueles, que visaram vantagens com suas delações, passaram a ser fonte da verdade absoluta(!!!). [Os corruptores passaram a ser fontes de certeza (!!!)].

Os números e a forma institucionalizada (processual) de tratamento do assunto, não autoriza a afirmação de catástrofe. Por que essa necessidade de ver e afirmar, sem maiores indagações e responsabilidade, que nos encontramos em estado de calamidade universal? Pretende-se, com isso, viabilizar o aparecimento de um “caudilho” redentor? Um golpe?

Os problemas que hoje vivemos demandam lucidez para o seu enfrentamento. As percepções catastróficas levam a querer soluções “heterodoxas”, que nada são do que a substituição de um problema por outro. Nossas instituições têm como tratar de questões agudas. São aparelhadas para o tratamento da questão, que diz com responsabilidades individuais e não coletivas ou universais.

Devemos enfrentar a crise do momento, sem pretender desqualificar o momento político. A criminalização da política serve a impostores e déspotas. Crise política se resolve pela política.

A conexão entre os dólares de Serra depositados no exterior e o caso Miriam Dutra, ex de FHC. Por Joaquim de Carvalho

A notícia de que a Odebrecht depositou o equivalente em dólares a 4 milhões de reais em uma conta no exterior para satisfazer um compromisso com José Serra traz de volta o nome de Miriam Dutra à corte tucana.

Segundo o executivo Luiz Eduardo Soares, a conta era de Jonas Barcellos, dono do grupo Brasif, que administra as lojas duty free em aeroportos do Brasil.

Miriam, que tem um filho que dizia ser do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, teve contrato de prestação de serviços assinado com a empresa de Jonas Barcellos no final do governo FHC.

Em entrevista gravada, concedida a mim em Barcelona, no ano passado, Miriam contou que esse contrato era de fachada, um artifício para que recebesse mesada de 3 mil dólares de Fernando Henrique Cardoso.

Assim como Jonas, da Brasif, Serra também se movimentou para ajudar Fernando Henrique no caso Miriam Dutra.

O apartamento que ela comprou em Barcelona foi reformado com a supervisão de Serra, que esteve lá pessoalmente e, segundo Miriam, orientava a liberação de dinheiro, juntamente com o primo, Gregorio Preciado.

A delação do executivo da Odebrecht indica que a relação entre Serra e Jonas vai além de Miriam Dutra.

Em 2010, Miriam Dutra continuava funcionária da TV Globo, mas não recebia o complemento da Brasif.

Em reportagem publicada pelo DCM em abril do ano passado, escrevi:

A tragédia da família Dutra se mistura a situações em que é difícil separar o assunto público do privado. Nos anos em que considera seu exílio na Europa, com salário da Globo e o dinheiro de um contrato fictício da Brasif, ela teria questionado Fernando Henrique quando a Brasif, empresa concessionária do governo federal, parou de transferir dinheiro – eram 3 mil dólares por mês.

— O Fernando Henrique disse: é claro, eu coloquei 100 mil dólares lá, e esse dinheiro já acabou.

A família não deixou de receber recursos, mas a Brasif, segundo Miriam, deixou de ser o canal.

A relação de Serra com Jonas da Brasif, no entanto, se mantinha.

A irmã de Miriam Dutra, a socióloga Margrit, trabalhava até o ano passado no gabinete de Serra no Senado.

Margrit foi casada com o jornalista Fernando Lemos, já falecido, de quem era sócio em uma empresa de lobby, a Polimídia, e ambos, assim como Miriam Dutra, eram muito próximos de Jorge Bornhousen, que foi vice-presidente da Brasif.

Eram todos de Santa Catarina.

Miriam contou que o cunhado é quem operacionalizou o contrato com a Brasif, para resolver dois problemas: o dela, Miriam, e o de Fenando Henrique.

“É assim que as coisas funcionam no lobby. Alguém sempre se movimenta para resolver os problemas”, disse-me, à época, Miriam.

Se o inquérito para apurar o propinoduto que liga a Odebrecht a José Serra for adiante, a Polícia Federal tem outras pistas além de Miriam Dutra.

Em 2010, na sua campanha a presidente, Serra foi confrontado com uma história nebulosa.

Naquele ano, teriam desaparecido 4 milhões de reais do caixa de campanha administrado pelo engenheiro Paulo Vieira Souza, conhecido como Paulo Preto, diretor de engenharia da Dersa, responsável pelas obras do Rodoanel.

Seriam os mesmos 4 milhões que agora, na delação da Odebrecht, aparecem como devolvidos à empresa, para que, convertidos em dólar, fossem depositados na conta de Jonas Barcellos no exterior?

É uma pista.

Paulo Vieira Souza e a irmã de Miriam, Margrit, muito ligada a Serra, talvez possam esclarecer alguns pontos.

PS: Margrit foi demitida no gabinete de Serra no Senado depois que Miriam Dutra disse que ela tinha um patrimônio incompatível com a renda de funcionária pública e era lobista.

O silêncio covarde de Bolsonaro sobre a presença de seu partido nas delações da Odebrecht. Por Kiko Nogueira

Uma boa medida da coragem e do caráter impoluto de Jair Bolsonaro está em sua atitude depois da divulgação da lista de Fachin.

Gravou vídeos contra alguns de seus desafetos, sendo que o mais lunático era dirigido a Maria do Rosário, sua nêmesis, por quem nutre uma obsessão que só pode ser amor.

“Que decepção para a esquerda do Brasil! A petralhada vai chorar a noite toda hoje. Mas tem duas pessoas maravilhosas aqui: Carlos Zarattini e Maria do Rosário! Mas o que é isso, Maria do Rosário? A Papuda lhe espera!”, diz ele, dando uma gargalhada de Coringa.

O mito, no entanto, está quieto diante das denúncias contra o presidente de seu partido, o Pastor Everaldo, aquele que o batizou no rio Jordão, em Israel, numa cena tragicômica.

Candidato a presidente em 2014, Everaldo recebeu dinheiro da Odebrecht, segundo um delator, para ajudar Aécio naquele debate da Globo em que os dois formaram uma dobradinha inesquecível.

JB não se manifestou até agora e, provavelmente, ficará quietinho no seu canto.

Se alguém vier lhe perguntar, vai alegar que é questão de disciplina militar.

Aliás, o mito não está na lista de Fachin, mas é um dos nomes da de Furnas.

 

Fonte: Zero Hora/DCM/Municipios Baianos

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