22/04/2017

Antidepressivo pode interromper doenças neurodegenerativas

 

Cientistas acreditam ter descoberto uma droga capaz de interromper todas as doenças degenerativas do cérebro, incluindo a demência.

Em 2013, uma equipe britânica conseguiu fazer com que células cerebrais de animais parassem de morrer. O feito, então inédito, virou notícia em diferentes lugares do mundo, mas havia um problema: o composto usado pelos médicos não era considerado apropriado para uso humano, pois causava danos aos órgãos.

Agora, porém, foram identificadas duas substâncias que têm um efeito sobre o cérebro similar à da descoberta anterior, mas sem o efeito danoso - uma delas é um conhecido antidepressivo. Segundo os pesquisadores, ambas estão prontas para serem testadas com segurança em pessoas.

"É realmente animador", disse a professora Giovanna Mallucci, da Unidade de Toxicologia MRC em Leicester, na Inglaterra.

Ela quer dar início aos experimentos clínicos com pacientes com demência em breve e espera saber, em dois ou três anos, se os medicamentos realmente funcionam.

Por que deve funcionar?

A nova abordagem é focada nos mecanismos naturais de defesa das próprias células cerebrais.

Quando um vírus sequestra uma célula cerebral, há uma acumulação de proteínas virais. As células então respondem interrompendo praticamente toda produção de proteína, para evitar a propagação do vírus.

Muitas doenças neurodegenerativas envolvem a produção de proteínas defeituosas que ativam as mesmas defesas, mas com consequências mais graves.

As células do cérebro interrompem a produção proteica por tanto tempo que elas, eventualmente, se matam por falta de energia. Esse processo, repetido em neurônios em todo o cérebro, pode comprometer movimentos, memória ou mesmo matar, dependendo da doença.

Acredita-se esse mesmo processo se repete em muitas formas de neurodegeneração. Dessa forma, interrompê-lo com segurança poderia tratar uma ampla gama de doenças.

No estudo inicial, pesquisadores usaram um composto que impediu o mecanismo de defesa impulsionar esse processo.

O composto foi capaz de pausar doenças causadas por príons (moléculas proteicas infecfantes) em ratos - a primeira vez que qualquer tipo de doença neurodegenerativa foi interrompido em algum animal.

Estudos posteriores mostraram ainda que a abordagem poderia interromper uma série de doenças degenerativas.

Os resultados foram descritos como a virada decisiva para esse campo de pesquisa, ainda que a droga fosse, ao mesmo tempo, tóxica para o pâncreas.

Drogas seguras?

Desde 2013, o grupo de pesquisa já testou mais de 1 mil drogas em vermes cilíndricos (nematoides), amostras de células humanas e camundongos.

Duas delas foram capazes de evitar tanto uma forma de demência quanto doenças causadas por príons ao interromper a morte de células cerebrais.

"Ambas tiveram um nível de proteção alto e impediram deficits de memória, paralisia e disfunção das células cerebrais", disse a professora Giovanna Mallucci.

Entre as duas drogas, a mais conhecida é a trazodona, um antidepressivo. A outra, chamada de DBM, está sendo testada em pacientes com câncer.

"Está na hora das pesquisas clínicas para ver se há efeito similar em pessoas", avaliou Mallucci.

"É muito improvável que as curemos completamente, mas se você segura a progressão, você transforma o Alzheimer em algo completamente diferente (do que é hoje)", complementou.

Embora a trazodona seja um medicamento mais comum, a professora lembrou é preciso ter calma: "Profissionais, como médicos e cientistas, devem aconselhar as pessoas a esperarem pelos resultados".

O que pensam outros especialistas?

Doug Brown, da Sociedade do Alzheimer, está animado com as possibilidades que surgem a partir do estudo, classificado por ele como "bem conduzido e robusto".

"Como uma das drogas já está disponível como um tratamento para a depressão, o tempo necessário para ir do laboratório à farmácia poderia ser drasticamente reduzido", afirmou.

David Dexter, do grupo britânico Parkinson's UK, disse que a uma pesquisa é muito importante.

"Se esses estudos forem replicados em humanos por meio de pesquisas clínicas, a trazodona e o DBM poderiam representar um grande passo adiante", disse Dexter.

Neurodegeneração

- Uma doença neurodegenerativa é aquela em que se perde células do cérebro e da medula espinhal.

- As funções dessas células incluem a tomada de decisão e o controle dos movimentos.

- Essas células não são facilmente regeneradas, de forma que os efeitos das doenças podem ser devastadores.

- Males neurodegenerativos incluem Alzheimer, Parkinson, esclerose múltipla e a doença de Huntington.

Consumo diário de refrigerante diet aumenta risco de derrame e demência, indica estudo

Bebidas adoçadas artificialmente, como refrigerante diet, podem aumentar o risco de acidente vascular cerebral e demência. É o que mostra uma pesquisa da Universidade de Boston, publicada na revista científica americana Stroke.

De acordo com o estudo, tomar pelo menos uma lata de refrigerante diet por dia está associado a um risco quase três vezes maior de sofrer um acidente vascular cerebral ou desenvolver demência.

O estudo ressalta, no entanto, que a versão "normal" das bebidas, adoçadas com açúcar, não está associada ao risco de desenvolver qualquer uma dessas condições, contrariando algumas pesquisas já realizadas anteriormente.

"Não foi surpresa descobrir que a ingestão de refrigerante diet está associada com acidente vascular cerebral e demência. O que me surpreendeu foi que a ingestão de bebidas adoçadas com açúcar não está associada a esses riscos, porque as bebidas com açúcar são conhecidas por não serem saudáveis", disse Matthew Pase, que coordenou a pesquisa, em entrevista à CNN.

Os pesquisadores admitem, no entanto, que não conseguiram provar uma relação direta de causa e efeito entre a ingestão de bebidas adoçadas artificialmente e o aumento do risco de derrame e demência. Segundo eles, trata-se de uma associação, já que o estudo se baseia em observações e dados fornecidos por meio de um questionário sobre hábitos alimentares.

A pesquisa

Cerca de 4 mil pessoas participaram da pesquisa, que organizou dois grupos de estudo por faixa etária: 2.888 adultos com mais de 45 anos (para analisar a incidência de derrame) e 1.484 com mais de 60 anos (para avaliar os casos demência). Os dados, coletados por meio de questionários, foram cedido pelo Framingham Heart Study, extenso projeto da Universidade de Boston sobre doença cardiovasculares.

Os pesquisadores analisaram a quantidade de bebidas e refrigerantes diet e normal ingerida por cada participante, em diferentes momentos, entre 1991 e 2001. Em seguida, compararam com o número de pessoas foram vítimas de derrame ou demência num prazo de 10 anos . No período, foram observados 97 casos de acidente vascular cerebral (82 isquêmicos, causado por vasos sanguíneos bloqueados) e 81 de demência (63 compatíveis com Alzheimer).

"Após fazer ajustes por idade, sexo, educação (para análise da demência), ingestão calórica, qualidade da dieta, atividade física e tabagismo, maior consumo recente e maior de refrigerantes adoçados artificialmente foram associados a um risco maior de AVC isquêmico e demência, como a doença de Alzheimer", diz o estudo.

De acordo com a pesquisa, aqueles que consumiam pelo menos uma lata de bebida diet diariamente eram 2,96 vezes mais propensos a sofrer um acidente vascular cerebral isquêmico e tinham 2,89 vezes mais tendência a desenvolver o mal de Alzheimer do que aqueles que bebiam menos de uma vez por semana.

Outros estudos

Essa não é a primeira vez que bebidas diet são associadas ao desenvolvimento de problemas de saúde. A pesquisa cita o estudo Northern Manhattan, que teria revelado que "o consumo diário de refrigerante adoçado artificialmente estava ligado a um risco maior de incidentes vasculares, mas não de acidente vascular cerebral".

Outro exemplo mencionado é o Nurses Health Study and Health Professionals, que mostrou que "o alto consumo de açúcar e refrigerantes adoçados artificialmente foi associado a um risco maior de derrame".

Homem se acorrenta para pedir transplante urgente ao filho

Em greve de fome e acorrentado há 16 dias em um prédio da Justiça Federal, em São Paulo, para tentar conseguir um transplante de múltiplos órgãos urgente para o filho de apenas 1 ano e 4 meses, o carpinteiro José Gomes Soares lamenta a demora para a conclusão do processo no Brasil e, por isso, quer autorização da Justiça para que o bebê seja submetido à cirurgia nos Estados Unidos com o custo avaliado em US$ 1 milhão pago pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

O bebê Samuel nasceu com a Síndrome de Berdon, doença rara que causa má formação do sistema digestivo, o que faz com que ele precise de um transplante de órgãos como estômago, intestino e fígado.

"Me acorrentar foi um jeito de pedir que a justiça seja feita, pois eu posso me soltar a qualquer momento, e meu filho não, porque está acorrentado à morte se continuar esperando o transplante no Brasil", argumentou Soares, de 26 anos.

O medo do carpinteiro é ficar esperando a doação dos órgãos no Brasil e chegar a um ponto em que o estado de saúde de Samuel impeça a realização do transplante. Por isso, o pedido da família é realizar a cirurgia nos EUA.

Soares contou à Agência Efe que o filho nunca se alimentou pela boca desde que nasceu, e a preocupação da família com o caso aumentou até que, ainda no ano passado, entrou com um processo contra o SUS solicitando o transplante em caráter urgente.

"Se a justiça brasileira demorar mais, o Samuel vai morrer, pois ele já está bem fragilizado por causa da alimentação parental e tem cerca de duas infecções por mês, o que prejudica ainda mais sua saúde", afirmou.

A nutrição parental é uma espécie de infusão que leva nutrientes direto para o sistema circulatório, um processo pelo qual Samuel passa há nove meses em um centro especializado de Porto Alegre, para onde foi transferido.

O Ministério da Saúde informou em nota que o centro é um local de "elevada experiência no âmbito de reabilitação intestinal para preparo de um eventual transplante, o que inclui, por exemplo, necessidade de estabilização clínica, ganho de peso e real confirmação da necessidade de um transplante".

A transferência ocorreu por meio de um acordo com a Justiça Federal no estado de São Paulo e a participação do Ministério Público.

Para tentar angariar fundos para o transplante e custear gastos em Porto Alegre, Soares criou a campanha "Ajude o guerreiro Samuel" em uma página do Facebook. Até o momento, ele estima uma arrecadação de R$ 150 mil.

De acordo com o Ministério, a criança está inscrita na lista de espera de transplantes multiviscerais em situação de prioridade nacional - pela qual o primeiro doador compatível identificado será destinado a Samuel.

O Ministério também informou que o transplante é o último estágio de tratamento e "somente pode ser considerado quando todas as demais terapias prévias e tratamentos possíveis falharem, por se tratar de um procedimento de altíssima complexidade e pelos riscos que pode trazer ao paciente".

Soares, no entanto, reitera que não pode esperar mais para a realização do transplante e que não sairá da corrente "enquanto não houver solução judicial" para o caso.

O Ministério da Saúde destacou que o transplante multivisceral no Brasil tem uma fila de espera específica. Seis cirurgias já foram feitas e apenas duas foram bem sucedidas.

Segundo a última pesquisa da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), divulgada em dezembro de 2016, a doação de órgãos no Brasil cresce lentamente e ainda é insuficiente para a demanda, o que preocupa a família de Samuel.

De acordo com o estudo, a taxa de doadores efetivos cresceu 3,5% em 2016, mas o número de doadores equivale a quase 15 pessoas em um milhão.

Mais de 40% das famílias brasileiras ainda negam a doação de órgãos, principal razão para que os transplantes não sejam realizados no Brasil, de acordo com a ABTO.

 

Fonte: London Brain Centre/BBC Brasil/EFE/Municipios Baianos

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