25/04/2017

Pesquisas reprovam uso de óleo de coco em dietas

 

Grande parte dos resultados que apontam redução de medidas devido ao uso de óleo de coco são controversos. Este foi um dos pontos abordados pela Associação Brasileira de Nutrologia (Abran) em posicionamento oficial sobre o ingrediente.

A promessa de que o produto auxiliaria no emagrecimento alavancou as vendas. O óleo de coco possui ácidos graxos que, na teoria, poderiam acelerar o processo de absorção de gordura, mas, de acordo com a Abran, não deve ser prescrito na prevenção ou no tratamento da obesidade.

A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), assim como a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso), já se posicionaram contra a utilização do óleo de coco para emagrecimento.

A nutricionista Julia Nagle não recomenda o uso do ingrediente na dieta e lembra que ele é rico em gordura saturada e, por isso, pode prejudicar a saúde.

"O consumo de gordura saturada pode prejudicar a saúde cardiovascular, promovendo o entupimento de artérias, agravamento de doenças crônicas e aumento dos níveis de colesterol".

Segundo a nutricionista, a substituição do óleo de coco como óleo de cozinha também não é recomendado. "O melhor óleo para preparar refeições quentes é o azeite, rico em ácidos graxos monoinsaturados, resistente a altas temperaturas. Não sofre oxidação diante do aquecimento, além de seus benefícios para a saúde cardiovascular", explicou.

Outros usos

De acordo com a Abran, além de não auxiliar no emagrecimento, não existem estudos clínicos que tenham abordado o efeito de óleo de coco na função cerebral de indivíduos saudáveis ou portadores de alteração cognitiva. Também não há evidências científicas da eficácia do produto como antibacteriano e antimicrobiano.

Apesar das pesquisas apontarem efeitos negativos do produto em dietas emagrecedoras, há que a utilize o óleo de côco para fins estéticos e aprove os resultados. É o caso de Luana Guimarães, defensora do uso de óleo. Segundo ela, o produto já apresentou "provas" de que possui propriedades nutritiva, antifúngica e de hidratação.

"Eu uso o óleo nos cabelos para umectação capilar, passo na pele e nos lábios, quando estão ressecados, antes de dormir e como demaquilante", conta.

Dieta pode fazer o pâncreas se regenerar e ajudar no combate ao diabetes

Foi descoberta uma dieta que pode ajudar quem sofre com o diabetes. Uma pesquisa da Universidade da Califórnia do Sul descobriu que é possível restaurar o pâncreas com uma dieta. Quando o órgão - que ajuda a controlar a taxa de açúcar no corpo - se regenera, os sintomas da doença consequentemente desapareceram. O estudo foi publicado na revista científica Cell.

Os cientistas fizeram experimentos com ratos e os submeteram a uma dieta bastante rigorosa, com ingestão de 800 a 1000 calorias por dia. Os ratos ficaram cinco dias consumindo baixa quantidade de calorias, carboidratos e proteínas, e muita gordura saturada, como frutas oleaginosas, nozes, castanhas, etc.

Passado esse período, os ratos puderam comer de tudo e apresentaram regeneração de um tipo especial de célula no pâncreas, chamada de célula beta. Elas detectam o açúcar no sangue e liberam insulina, caso o nível de açúcar esteja alto.

O gerente comercial, Alfredo Castanheira, gostou da novidade: “Com certeza faria essa dieta. Seria ótimo parar de tomar muitos remédios para controlar o nível de glicemia”, comenta. Para saber se a dieta pode ajudar também o ser humano, os pesquisadores fizeram o experimento em 70 pessoas e constataram melhora do nível de açúcar no sangue delas.

A nutricionista Julia Nagle acredita que estudos como esses devem ser ampliados: “São necessários mais estudos em humanos para começarmos a afirmar que a alimentação possa ter um efeito de reprogramação nas células do pâncreas”. Para ela, é possível que o efeito desse ciclo de alimentação diferenciada realmente evite que o pâncreas trabalhe em excesso e que, ao longo do tempo, o corpo adapte-se a necessidades menores de insulina, condizentes com a capacidade de produção do órgão.

O doutor Felipe Gaia, especialista com pós-doutorado em endocrinologia, comenta o resultado da pesquisa: “Dietas de baixo carboidrato são muito importantes em pacientes, especialmente com diabetes tipo 2, pois o excesso de carboidrato exige uma demanda maior do funcionamento das células pancreáticas. Essa dieta pode eventualmente proteger o pâncreas, mas isso depende do estado em que o órgão se encontra”.

É importante salientar que, embora se assemelhe, a dieta em questão não é a mesma já recomendada para os diabéticos, como explica a doutora Julia: “A dieta para o diabético não é habitualmente hipocalórica, e sim equilibrada, principalmente com relação ao teor de carboidratos, para auxiliar no controle da glicemia. Em termos calóricos é considerada uma dieta normocalórica em grande parte dos casos”.

A dieta do estudo é pobre em carboidrato, mas só nós cinco dias do ciclo restritivo. É como se houvesse uma readaptação do corpo a menores quantidades e teor de carboidrato nesse período para evitar trabalho excessivo do pâncreas.

As cobaias apresentaram bons resultados, tanto para diabetes tipo 1 quanto para tipo 2. “A medicina avança a cada dia mais e creio que estaremos próximos da cura de várias doenças, graças a pesquisas como essa”, completa seu Alfredo.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 16 milhões de brasileiros adultos sofrem de diabetes. A Federação Internacional do Diabetes alerta que mais de 400 milhões de adultos viviam com diabetes em 2015. A previsão é de que esse número chegue a 642 milhões em 2040, o que seria equivalente a um adulto diabético para cada dez adultos no planeta.

Visando controlar e reduzir o consumo de açúcar, a França proibiu o refil de refrigerante em restaurantes e fast foods. A OMS recomenda tarifar as bebidas açucaradas, para desestimular o consumo que está relacionado ao diabetes e à obesidade.

Exercícios físicos

A Associação Americana de Diabetes recomenda 30 minutos de atividade aeróbica diariamente, e atividades de resistência (empurrar, puxar, levantar) duas ou três vezes por semana para ajudar a baixar a glicose no sangue. De acordo com especialistas, fazer exercícios físicos é indispensável para pessoas com defasagem de insulina e alto teor glicêmico.

“Todo e qualquer esporte em que haja demanda muscular pode contribuir com a melhora do controle glicêmico. Com a atividade física, o metabolismo fica mais acelerado, de modo a consumir um pouco mais de açúcar e, com isso, os níveis de açúcar no sangue tendem a baixar”, conclui Felipe Gaia.

Para o personal trainer Walter Dias, a musculação é um grande aliado do diabético: "Tenho um aluno que diminuiu o remédio de diabetes, porque o corpo já não precisava mais da quantidade que ele começou a tomar antes de fazer exercício”.

Em 2011, uma pesquisa realizada pelo Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) comprovou que praticar exercícios físicos regularmente pode baixar o nível de glicose no sangue de pacientes com diabetes tipo 2.

Aplicativo

O Glic é o primeiro aplicativo para diabetes e controle de glicemia do Brasil. Foi desenvolvido para auxiliar a rotina de cuidados com o diabético por meio de diversas funcionalidades, como consulta e registro de carboidratos, cálculo de dose de insulina, lembretes de medicamentos e registro de glicemia. Além de participar do dia a dia de quem tem diabetes, ele se conecta com a equipe médica em tempo real, permitindo decisões mais esclarecidas para o tratamento. O aplicativo está disponível para Android e iOS.

Entenda os tipos de diabetes

Em algumas pessoas, o sistema imunológico ataca equivocadamente as células beta. Logo, pouca ou nenhuma insulina é liberada para o corpo. Como resultado, a glicose fica no sangue, em vez de ser usada como energia. Esse é o processo que caracteriza o tipo 1 de diabetes. Aparece geralmente na infância ou adolescência, mas pode ser diagnosticado, também, em adultos. O tratamento é feito com insulina, controle da alimentação, medicamentos e atividades físicas.

Já o tipo 2 aparece quando o organismo não consegue usar adequadamente a insulina que produz ou não produz insulina suficiente para controlar a taxa de glicemia. Ele se manifesta mais frequentemente em adultos, mas crianças também podem apresentar o quadro. De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, dependendo da gravidade, pode-se controlar a doença com atividade física e planejamento alimentar, mas, em outros casos, exige o uso de insulina e/ou outros medicamentos para controlar a glicose. No Brasil cerca de 90% das pessoas com diabetes têm o tipo 2.

 

Fonte: A Tarde/Municipios Baianos

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