26/04/2017

Proibição de pesca de 15 espécies é adiada para 2018

 

A partir de 30 de abril do ano que vem, a pesca, captura, transporte, armazenamento e comercialização de 15 espécies de peixes e invertebrados aquáticos fica proibida. O Ministério do Meio Ambiente alterou o período da suspensão da pesca por meio de portaria. A medida foi publicada no Diário Oficial da União (DOU).

O diretor do Departamento de Conservação e Manejo de Espécies do MMA, Ugo Vercillo, esclareceu que a medida é importante para a preservação das espécies. “Considerando que algumas espécies foram identificadas como sendo passíveis de uso e que a orientação para a sua conservação remete ao uso sustentável, o ministério resolveu, então, publicar essa nova portaria que dá mais um ano para que sejam estabelecidas, de forma estruturada, as medidas para o manejo sustentável”, explicou Vercillo.

Portaria

A Portaria 445/2014 protege 475 espécies, classificadas nas categorias "extintas na natureza", "criticamente em perigo", "em perigo" e "vulnerável". Estudos apontaram indícios de que a pesca sustentável de 14 espécies poderia ser compatibilizada com a recuperação das populações. Com isso, em setembro do ano passado, o MMA publicou outra portaria, a 395/2016, que prorrogou os efeitos da lista até 1º de março de 2017 para essas espécies.

Além de prorrogar até abril de 2018 o uso, a Portaria 161/2017 acrescenta mais uma espécie à lista: o budião azul. Segundo Ugo Vercillo, o plano de recuperação aponta para o uso dessa espécie, além de outras como o guaiamum, bagres marinhos e alguns budiões (peixes-papagaio).

Produção de tilápia cresce 80% em dez anos no Brasil

A produção do peixe mais cultivado no Brasil, a tilápia (Oreochromis niloticus), teve aumento de 80% entre 2005 e 2015. O crescimento é resultado da modernização e a intensificação da produção tanto em tanques-rede em reservatórios quanto em viveiros escavados.

Os dados são resultado do projeto “Impactos socioeconômicos da tilapicultura no Brasil”, executado pela Embrapa Pesca e Aquicultura (TO) e parceiros. São sete grandes polos de produção da espécie: Orós e Castanhão, no Ceará; Submédio e Baixo São Francisco, na divisa dos estados da Bahia, Pernambuco e Alagoas; Ilha Solteira, na divisa de São Paulo com Mato Grosso do Sul, regiões Norte e Oeste do Paraná e Baixo Vale do Itajaí, em Santa Catarina.

Clima favorável, rusticidade da espécie, alta demanda e o bom resultado em cultivos intensivos são fatores que contribuíram para alavancar a produção da tilápia no País.

A regulamentação do uso das águas públicas para cultivos intensivos de peixes em tanques-rede também impulsionou o cultivo, sendo a espécie responsável por 90% das solicitações de áreas aquícolas no País.

O estudo também detectou o aumento da tecnificação da produção e do profissionalismo de produtores em muitos polos, o que contribuiu para incremento substancial na produtividade. “O uso de equipamentos, associado a práticas de manejo com controle dos parâmetros de cultivo, permitiu o adensamento da produção em viveiros escavados. Com isso, houve aumento da produtividade”, conta Renata Barroso, médica da Embrapa Pesca e Aquicultura (TO).

De acordo com a especialista, a produtividade maior se deve ao fato de os piscicultores compreenderem que, para serem competitivos e se manterem na atividade, é necessário ter controle do negócio, usar mecanismos de registros de custos, ter maior cuidado com o manejo e a qualidade das águas de cultivo.

A rentabilidade da tilapicultura, que pode variar de 10% a 20%, tem levado ao maior investimento em equipamentos que melhoram a qualidade da água e automatizam o cultivo, assim como em rações premium. Nos polos mais tecnificados, os cientistas observaram o uso de aeradores, ventiladores que aumentam a quantidade de oxigênio na água, permitindo a criação de mais animais no mesmo espaço, alimentadores automáticos, classificadores e contadores.

Feira de pescados nos EUA pode gerar US$ 12 mi em negócios para o Brasil

O Brasil fez sua melhor participação na Seafood Expo North America, em Boston (EUA). A avaliação é das 26 empresas e três entidades do setor brasileiro de pescados e aquicultura, que estiverem presentes na feira. Segundo eles, a expectativa de negócios para o País, decorrentes do evento, é de cerca de US$ 12 milhões.

Durante 37ª edição da Seafood, principal feira de promoção e comercialização de produtos de pesca e aquicultura do continente, o Brasil fez a promoção comercial de 19 espécies de pesca extrativa (ariaco, atum, camarão rosa, cavalinha, cioba, corvina, gordinho, gurijuba, lagosta, lagostim, meka, ostra, pargo, peixe espada, peixe sapo, pescada amarela, pescada branca, polvo e sardinha) e cinco espécies da aquicultura (pacu, pintado, pirarucu, tambaqui e tilápia).

No ano passado, o Brasil exportou US$ 236 milhões, cerca de 39,6 mil toneladas de pescado. Os EUA foram o principal destino do pescado brasileiro, com US$ 99,1 milhões em valor (41,98%) e 12,7 mil toneladas em volume (32,03%).

Os EUA é o principal importador de pescado no mundo, de acordo com o Departamento de Comércio. Em 2015, os Estados Unidos importaram US$ 18,8 bilhões, o equivalente a pouco mais de 2,6 milhões de toneladas de pescado.

A 37ª edição da Seafood Expo North America começou no último domingo (19) até a terça-feira (21). O evento reuniu mais de mil expositores de 50 países e recebeu cerca de 20 mil visitantes de cem nacionalidades.

A participação brasileira na Seafood teve o apoio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que montou o Pavilhão Brasil, em parceria com o Ministério das Relações Exteriores (MRE).

Pesquisadores descrevem nova espécie de peixe-elétrico

Uma nova espécie de peixe-elétrico foi descrita por pesquisadores do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). O animal é encontrado na bacia do rio Tuíra, no Panamá. O estudo foi publicado na revista científica Copeia.

O peixe tem nove características que o diferenciam das espécies já conhecidas, como padrão de coloração, número de escamas e disposição dos dentes. Além de ampliar o conhecimento da diversidade da espécie, o estudo identificou potenciais áreas de ocorrência desse animal, o que facilitará investigações futuras sobre impactos ambientais e ameaças à espécie.

De acordo com os pesquisadores, o Eingenmannia meeki é o primeiro peixe-elétrico com ocorrência nas bacias da América Central. Da mesma família da enguia Poraquê, a mais popular espécie de peixe-elétrico da Região Amazônica, tem entre 16 e 30 centímetros de comprimento. O nome é uma homenagem ao cientista norte-americano Seth Eugene Meek (1859-1914), autor do primeiro livro sobre peixes de água doce do Panamá.

A nova espécie utiliza a capacidade de gerar campos elétricos apenas como mecanismo de comunicação. Por habitar águas turvas, a emissão do campo elétrico é a forma que possuem para se orientar.

Segundo o pesquisador Guilherme Dutra, embora a ocorrência do gênero Eigenmannia no Panamá já fosse conhecida desde 1916, até agora os cientistas não contavam com material em boas condições para descrever a nova espécie.

"O esforço para se conhecer a diversidade de Eigenmannia é contínuo. Em 2015, sete espécies foram descritas para o gênero, sendo cinco na Amazônia, e duas descritas nos últimos dois anos. Em 2017, pelo menos mais duas novas espécies serão apresentadas pela ciência", afirma Dutra.

A descrição de uma espécie envolve uma série de etapas, entre elas, a apresentação da sua morfologia, que é o estudo da aparência de órgãos ou seres vivos. Essa análise, por exemplo, baseia-se em vários exemplares da espécie depositados em coleções científicas, chamados exemplares tipos.

O acervo ictiológico do Museu Emílio Goeldi possui abrangência neotropical, ou seja, a região biogeográfica que se estende do sul do México, passando pelas Ilhas do Caribe até o sul da América do Sul. A coleção é composta por cerca de 35 mil lotes, representando mais enfaticamente a bacia amazônica, com exemplares de peixes ósseos e cartilaginosos.

 

Fonte: Portal Brasil/Municipios Baianos

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