27/04/2017

Juazeiro: Dia Nacional da Caatinga - ação preserva bioma

 

Cacto, xique-xique e mandacaru. Essas são algumas espécies que compõem o cenário do projeto de irrigação Salitre, localizado em Juazeiro, no norte da Bahia. São 2.033 hectares de Reserva Legal, destinados a conservar a vegetação nativa da Caatinga, bioma predominante na região semiárida.

De acordo com o técnico da 6ª Superintendência Regional da Codevasf, José Gabriel Barbosa Lopes, que atua no apoio administrativo do projeto de irrigação, essa área de preservação é totalmente cercada para evitar que alguns animais ou até mesmo pessoas danifiquem ou retirem do local as espécies vegetais. “Naquela área, são encontradas espécies como o cacto, o xique-xique, o mandacaru, a aroeira, o umbuzeiro, o juazeiro, o caroá e o marizeiro”, enumera.

No Salitre, a Codevasf destinou cerca de 1.100 hectares para a "servidão florestal", objetivando a preservação ambiental, além dos 2.033 hectares, limitados por cercas de arame e mourões de concreto.

"Essas áreas devem compor a paisagem dos novos projetos públicos de irrigação, junto com os lotes com produção agrícola, e reúnem vegetação nativa em bom estado de conservação, além de representar refúgio para muitos animais silvestres, como teiús, emas e saguis", explica a chefe na Unidade de Meio Ambiente da Codevasf em Juazeiro, Edneuma Gonçalves de Souza.

A Caatinga

A Caatinga é um ambiente natural, caracterizado pela junção de topografia, solo, e clima, que, em conjunto, não só proporciona a existência de vegetação e paisagem específicas, como também impõe à fauna padrões peculiares de adaptação e existência. A preservação desse bioma é extremamente importante, tendo em vista a fragilidade do ambiente.

O trabalho de conservação da Codevasf nessa área é relevante para o desenvolvimento sustentável, a salvaguarda da biodiversidade, da saúde humana, dos valores paisagísticos, estéticos e do regime hídrico.

“A preservação de áreas cobertas por vegetação nativa nas proximidades dos campos cultivados possibilita o controle biológico de pragas, regulando o funcionamento dos agroecossistemas a partir da seleção de plantas e de técnicas de manejo para estruturar o sistema produtivo nos lotes”, afirma Edneuma Souza.

Essas tecnologias têm como objetivo auxiliar agricultores na adequação de seus sistemas produtivos tradicionais às bases ecológicas exigidas pelo mercado atual, conjugando a utilização dos recursos naturais com a responsabilidade de preservá-los.

Rico em biodiversidade

O Dia Nacional da Caatinga, instituído por Decreto Presidencial em 20 de agosto de 2003, é celebrado todos os anos em 28 de abril.

Único bioma exclusivamente brasileiro, a Caatinga ocupa cerca de 844,4 mil quilômetros quadrados - o equivalente a 11% do território nacional – e engloba os estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Piauí, Sergipe e o norte de Minas Gerais.

O bioma abriga 178 espécies de mamíferos, 591 de aves, 177 de répteis, 79 espécies de anfíbios, 241 de peixes e 221 abelhas. Cerca de 27 milhões de pessoas vivem na região, a maioria carente e dependente de seus recursos para sobreviver.

A sua biodiversidade ampara diversas atividades econômicas voltadas para fins agrosilvopastoris e industriais, especialmente nos ramos farmacêutico, de cosméticos, químico e de alimentos.

Apesar da sua importância, o bioma tem sido desmatado de forma acelerada, principalmente nos últimos anos, devido principalmente ao consumo de lenha nativa, explorada de forma ilegal e insustentável, para fins domésticos e indústrias, ao sobrepastoreio e a conversão para pastagens e agricultura.

Frente ao avançado desmatamento que chega a 46% da área do bioma, segundo dados do Ministério do Meio Ambiente (MMA), o governo busca concretizar uma agenda de criação de mais unidades de conservação federais e estaduais no bioma, além de promover alternativas para o uso sustentável da sua biodiversidade.

ANA autoriza nova redução da vazão do São Francisco em Xingó e Sobradinho

A Agência Nacional de Águas (ANA) autorizou que a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) pratique a redução da vazão mínima dos reservatórios de Xingó, entre Alagoas e Sergipe, e de Sobradinho, na Bahia. A resolução foi publicada na edição do Diário Oficial da União (DOU) desta quarta-feira (26).

A redução nos reservatórios de Sobradinho e Xingó será a uma média diária de 600 m³/s e instantânea de até 570 m³/s. A autorização passa a valer a partir da data de publicação até o dia 30 de novembro deste ano.

Devido à falta de chuvas na região, a medida evita que os reservatórios se esvaziem, no caso de uma vazão maior. Embora necessária, essa retenção se reflete em impactos ambientais negativos em diversas comunidades ribeirinhas, onde o rio perde força e fica cada vez mais raso.

Sobradinho já vinha operando com vazão de 700 m³/s, e havia conseguido autorização para realizar testes com vazão ainda menor. Xingó também operava em 700 m³/s desde janeiro.

De acordo com a publicação da ANA, a vazão inferior a 700 m³/s e instantâneas de até 665 m³/s de Sobradinho e Xingó, somente poderá ser efetivada após emissão de autorização que a permita por parte do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Além disso, a Chesf precisa promover uma ampla divulgação, principalmente nas cidades ribeirinhas do Baixo e Submédio São Francisco a respeito da redução.

De acordo com a ANA, a Chesf deve apresentar, em um prazo máximo de dez dias após atingir o patamar de vazões liberadas de 600 m³/s, relatório com descrição dos resultados observados.

Ainda segundo a resolução, a Chesf deve apresentar durante o período de vazões mínimas reduzidas, um relatório mensal de acompanhamento da operação das usinas hidroelétricas de Sobradinho e Xingó, com reuniões periódicas de avaliação promovidas pela ANA.

Segundo a resolução, a ANA pode antes do prazo determinado, que foi de até novembro, suspender ou revogar a determinação, caso as informações técnicas recomendem cessar a flexibilização do escorrimento dos reservatórios de Sobradinho e Xingó.

Caso seja identificado comprometimento aos usos ou usuários durante a redução das vazões liberadas por Sobradinho e Xingó, a descarga dos mesmos deverá ser elevada para o patamar de vazão anteriormente praticado.

Se houver a necessidade de navegação de comboios hidrográficos, a Chesf deve ser comunicada previamente e a vazão de 1.300 m³/s será permitida no trecho entre Sobradinho e Porto de Juazeiro. Entretanto, assim que a navegação for concluída, a Chesf deve voltar a respeitar a vazão efluente mínima.

A resolução da ANA não dispensa nem substitui a obtenção pela CHESF de certidões, alvarás ou licenças de qualquer natureza exigidos pela legislação federal, estadual ou municipal.

Sento Sé: Moradores fazem campanha por asfalto e recuperação de trecho da BA-210

Moradores de Sento Sé, no Sertão do São Francisco, prometem interditar um trecho da BA-210 nesta semana.

A iniciativa faz parte de uma campanha pela recuperação da estrada – que liga o município a Juazeiro, maior cidade da região. O pior trecho, de cerca de 100 km, fica entre as localidades de Quixaba e Piçarrão, ainda em Sento Sé.

No percurso, sem asfalto, predominam as ondulações conhecidas como “costelas de vacas”. Intitulada de “Sem estrada não tem voto”, a campanha quer sensibilizar a classe política, como o governador Rui Costa e deputados, para a recuperação do estado precário da rodovia.

O asfaltamento do trecho Quixaba-Piçarrão é uma das reivindicações.

A ideia da campanha partiu de dois estudantes de jornalismo, moradores da cidade. “É preciso que o governador da Bahia, deputados estaduais e deputados federais estejam atentos a essa situação, porque a população de Sento Sé não merece esse desprezo. O povo merece respeito”, diz um texto da campanha. 

Em nota, a secretaria de infraestrutura do estado [Seinfra] declarou que faz serviços de manutenção na BA-210, entre Juazeiro e Sobradinho.

Em relação ao trecho Piçarrão e Quixaba, parte bastante criticada, a pasta informou que “foi feito no final de 2016 serviços de patrolamento” na via.

No entanto, as fortes chuvas que caíram na região entre janeiro e fevereiro deixaram o trecho “novamente danificado”.

Um novo patrolamento deve ocorrer nesta semana no mesmo trecho. Ainda segundo a Seinfra, a BA-210 integra o projeto de recuperação e manutenção das estradas baianas, em que o governo promete investir 200 milhões de dólares neste ano.

 

Fonte: Ascom MMA/G1/BN/Municipios Baianos

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