03/05/2017

Burocracia atrasa ambulatório para trans e travestis na Bahia

 

A maquiadora Marcya Andrade trabalha todos os dias da semana nos últimos 8 meses com um objetivo: juntar R$ 15 mil para realizar o sonho de poder se olhar no espelho e se enxergar como realmente ela é. Transexual, Marcya deseja fazer procedimento cirúrgico para adequação de gênero, mas não há nenhum local na Bahia que faça o procedimento de forma gratuita. O esforço dela e de outras pessoas transexuais (que se identificam com o gênero oposto ao do nascimento) e travestis que desejam fazer procedimentos cirúrgicos e hormonais poderia ser menor se não fosse a burocracia. Desde novembro de 2016 está sendo analisado pelo Ministério da Saúde a habilitação do ambulatório transexualizador do Hospital Universitário Professor Edgar Santos (Hupes), na Bahia. Contudo, segundo o MS, não há previsão para que o procedimento seja concluído.

“Há pendências no processo e já solicitou à Secretaria Estadual de Saúde do Estado que fizesse as adequações necessárias, para dar andamento ao processo. O Ministério ainda aguarda resposta do gestor local com as devidas adequações para dar andamento ao processo de habilitação”, disse em nota ao CORREIO.

O documento que falta, segundo a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) é o alvará sanitário, que está sendo analisado pela vigilância sanitária estadual. De acordo com a Sesab, quando funcionar, é provável que o ambulatório trabalhe com uma lista única de marcação para permitir que a população dos 417 municípios possa ter acesso ao serviço. Essa foi uma das exigências apontadas pelo MS depois que foi feito o pedido de habilitação o que também atrasou o prazo de inauguração que deveria ter sido em janeiro deste ano.

Enquanto o ambulatório não sai no papel as pessoas travestis e transexuais precisam, assim como Marcya, juntar dinheiro para fazer procedimentos cirúrgicos, ter atendimento hormonal, terapêutico e psicológico. As cirurgias não são obrigatórias para que uma pessoa seja trans, mas a maioria faz os procedimento por questões de identidade de gênero e saúde.

Foi o que aconteceu essa semana com o estudante de Jornalismo, Théo Meirelles, que precisou fazer uma campanha pelas redes sociais para arrecadar R$ 10 mil para fazer a retirada dos intrusos (como os homens trans chamam os seios). “Só quero sentir esse corpo como se fosse meu”, disse Théo quando lançou a campanha.

Responsável pela implantação do ambulatório Transexualizador do HUPES – UFBA, a médica endrocinologista Luciana Barros Oliveira, ressalta que a população de travestis e transexuais do estado da Bahia vem sofrendo há muitos anos por falta de um serviço especializado no processo transexualizador.

“Não há endocrinologista na rede SUS para orientar a hormonioterapia de forma segura e individualizada, assim como não são realizados procedimentos cirúrgicos previstos na portaria do Ministério da Saúde sobre o processo transexualizador para travestis e transexuais. O ambulatório que será implantado no Hupes irá suprir essas deficiências na atenção à saúde desta população do nosso estado”, argumenta.

A demora na habilitação do Hupes para atendimento no processo transexualizador faz com que as pessoas continuem se auto-medicando, conforme explica a mnédica. “A falta de acesso aos procedimentos cirúrgicos prolongam e aumentam o impacto emocional que a inadequação do corpo à identidade de gênero do indivíduo acarreta”.

A realidade da Bahia é diferente de outros estados. Só neste ano já foram habilitados quatro novos serviços para procedimentos ambulatoriais de processo transexualizador, nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná. Hoje, são nove no país que fazem terapia hormonal e cirurgias.

2 de maio: Dia Mundial de Combate à Asma

No dia 2 de maio se comemora o Dia Mundial de Combate à Asma, uma doença inflamatória crônica das vias aéreas. A asma caracteriza-se por um processo que afeta todo o organismo e não somente as vias aéreas inferiores, que aumentam a produção de secreções e prejudicam a passagem de ar. O asmático tem tosse freqüente, prolongada, geralmente durante a noite, nem sempre com catarro; chiado, cansaço, opressão no peito com dificuldade para respirar. Esses sintomas podem aparecer juntos ou ocorrer isoladamente. A existência de tosse crônica ou a falta de ar ao praticar exercícios físicos podem ser sintomas de asma.

O Dia Mundial de Combate à Asma foi criado pela Iniciativa Global contra a Asma (GINA), para chamar a atenção de médicos, pacientes, familiares e de toda a sociedade, que devem unir esforços para melhorar o diagnóstico, tratamento e controle da doença. Ele é lembrado em várias partes do mundo com atividades em escolas, hospitais, e locais públicos. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 300 milhões de pessoas sofrem de asma.

No Brasil, o Ministério da Saúde indica que 10% da população é asmática e o mal é responsável por 400 mil internações hospitalares. Em Salvador, a asma possui uma taxa de prevalência bastante elevada, atingindo 24% das crianças. A asma é a doença crônica que afeta crianças e adultos de qualquer idade. Ela se caracteriza por sintomas respiratórios recorrentes, tais como tosse, falta de ar e chiado no peito.

De acordo com a médica pneumologista Rosana Franco, a asma segue sendo um grande desafio para os pacientes, os médicos e para a sociedade devido a sua frequência crescente em várias partes do mundo. "Apesar dos grandes avanços científicos recentes, que possibilitam o adequado controle da doença, ela continua sendo subdiagnosticada e a maioria das pessoas com asma que não são tratadas adequadamente podem até morrer", esclarece. Segundo dados do Ministério da Saúde, três brasileiros morrem por dia devido à asma.

"A asma mal controlada leva a um imenso sofrimento para os pacientes e suas famílias, gerando elevados custos para os sistemas de saúde e para a sociedade, com faltas ao trabalho e escola, internações e atendimentos em emergência devido às crises. O diagnostico da doença pode ser feito não só por meio da avaliação dos sintomas e do histórico familiar, como também através de teste de função pulmonar chamado de Espirometria", explica Rosana Franco, acrescentando que a batalha contra a asma tem duas regras fundamentais: Uma boa relação entre o médico e o paciente com informação para que a pessoa saiba evitar exposição a desencadeantes ambientais.

Na Bahia, a população conta com o Programa para o Controle da Asma (ProAR), que é um programa de extensão da Universidade Federal da Bahia, construído e desenvolvido em parceira com o Ministério da Saúde, Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) e Secretaria Municipal de Saúde de Salvador (SMS). É responsável pela realização de atividades assistenciais para asmáticos graves e ações que articulam o ensino e a pesquisa, sendo adotado e reconhecido pela Organização Mundial de Saúde como um modelo para o controle da asma.

 

Fonte: Por Jorge Gauthier, no Correio/Ascom Sesab/Municipios Baianos

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