13/05/2017

Expectativa de vida com HIV é quase normal, afirma estudo

 

A expectativa de vida de pessoas infectadas com o vírus HIV na Europa e nos Estados Unidos aumentou em dez anos com o surgimento dos medicamentos antirretrovirais, segundo estudo divulgado nesta quinta-feira (10/05) pela revista médica britânica The Lancet.

Isso significa que muitos pacientes têm uma expectativa de vida quase igual à de pessoas sem o HIV. Uma pessoa que começou o tratamento aos 20 anos em qualquer ano a partir de 2008 tem expectativa de vida de até 78 anos. Na população sem HIV, a expectativa é de 79 anos para homens e 85 para mulheres na França, e de 78 anos para homens e 82 para mulheres nos EUA.

Segundo os pesquisadores, os pacientes tratados com antirretrovirais desde 2008 vivem por mais tempo e de modo mais saudável do que os que iniciaram tratamento em anos anteriores. Isso ocorre porque medicamentos modernos têm menos efeitos colaterais tóxicos, há mais opções para pessoas infectadas com a cepa de HIV resistente às drogas e melhores tratamentos para infecções.

Segundo o estudo, com a percepção de que os soropositivos poderão viver até idades mais avançadas, os médicos estão tentando diagnosticar e tratar logo também as comorbidades, como a hepatite C e o câncer.

A pesquisa analisou 18 estudos europeus e americanos, contabilizando dados de mais de 88 mil pacientes que iniciaram o tratamento com antirretrovirais entre 1996 e 2010.

"Informações sobre a expectativa de vida das pessoas com HIV e o conhecimento de que ela pode estar se aproximando da expectativa de vida da população em geral é importante para motivar indivíduos em situação de risco a realizar testes e convencer infectados a iniciar imediatamente o tratamento com antirretrovirais", além de "diminuir a estigmatização das pessoas vivendo com HIV e ajudá-los a obter seguros de saúde e conseguir emprego", afirma o artigo.

Os antirretrovirais começaram a ser usados em grande escala a partir de 1996. Eles não curam a doença, e o tratamento dura a vida toda. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que esses medicamentos sejam usados pelas pessoas infectadas logo após o diagnóstico. Nos países pobres, muitas vezes os soropositivos são diagnosticados quando a doença já está em estado avançado, e o tratamento nem sempre está disponível, além de ter custos muitos elevados.

Como uma simples planta curou as feridas de milhares de soldados na 1ª Guerra Mundial

O ano era 1916. Crescia o número de soldados feridos na 1ª Guerra Mundial e o algodão - usado para tratá-los - começava a ficar escasso nas trincheiras dos Países Aliados. Foi quando um cirurgião e um botânico escoceses redescobriram as propriedades de uma simples planta, que acabou sendo usada em larga escala pelo Reino Unido para tratar os feridos em combate.

Trata-se do sphagnum , tipo de musgo conhecido pelo nome de esfagno.

Algumas espécies de esfagno seco podem absorver e reter até 20 vezes o equivalente a seu peso em água... ou em sangue.

Os especialistas do Exército perceberam que a planta era duas vezes mais absorvente que o algodão e, em dois anos, o Reino Unido, que produzia 200 mil bandagens de esfagno por mês em 1916, passou a produzir um milhão em 1918. Em seguida, as bandagens foram enviadas para mais de 50 hospitais de campanha em diferentes pontos da frente de batalha, como Alexandria, no Egito, de acordo com relatos da época.

Na verdade, o cirurgião Charles Walker Cathcart e o botânico Isaac Bayley Balfour não fizeram nada além de redescobrir algo que povos antigos já usavam para curar feridas de soldados há 1.000 anos. Os alemães, inimigos na guerra, também adotavam o recurso desde o início dos combates, em 1914. Mas o Reino Unido deu início a uma operação em larga escala sem precedentes.

'Dever patriótico'

O musgo de esfagno é uma planta não-vascular (que não apresenta mecanismos de condução de fluidos) que se desenvolve especialmente em climas úmidos e frios.

Cathcart e Balfour fizeram testes até concluir que duas espécies - sphagnum papillosum e palustre - eram consideradas as melhores para estancar sangramentos e ajudar a curar feridas.

Ambas cresciam em abundância na Escócia, Irlanda e Inglaterra, onde um pequeno exército de voluntários - formado em sua maioria por mulheres e crianças - se reunia para colher e secar as plantas, que seriam usadas posteriormente em ataduras e compressas.

De acordo com a historiadora britânica Thelma Griffiths, era um trabalho árduo. O musgo é encontrado no entorno de riachos e pequenos lagos e em regiões pantanosas. Eram coletados em sacos, que depois eram pisoteados para extrair a água. "As mulheres deviam sentir frio e estar encharcadas, arrastando suas saias longas molhadas", afirmou Griffiths à BBC. "Mas acreditavam que era um dever patriótico", completou.

Esse batalhão de voluntários logo se espalhou pelos Estados Unidos e Canadá.

Duas propriedades impressionantes

A capacidade do esfagno em absorver água como uma esponja se deve a sua estrutura celular - 90% do volume de suas folhas são formados por células mortas, cuja função é exatamente armazenar água. Essas ataduras pouparam muitos esforços. Por serem mais absorventes, não precisavam ser trocadas com tanta frequência, o que significava menos trabalho para a equipe médica e menos dor para os pacientes. Mas, além da impressionante capacidade de absorção, o esfagno tinha outra enorme vantagem sobre o algodão, que também era mais caro: propriedades antissépticas.

As células do esfagno têm a capacidade de diminuir o pH do ambiente a seu redor, tornando-o ácido o suficiente para inibir a proliferação de colônias de bactérias.

Essa propriedade tinha um valor inestimável em tempos de guerra, quando médicos e enfermeiros do Exército travavam uma batalha particular contra a infecção de feridas, que muitas vezes levava à amputação de membros ou à morte de soldados por sepse. Assim, as ataduras e compressas de musgo permitiam, de forma natural, a criação de um ambiente esterilizado em torno da lesão, que era curada com mais facilidade.

Simplesmente um musgo

Com o fim da guerra, a demanda por ataduras diminuiu, e o exército de voluntários desapareceu. O trabalhoso processo de produção deixou de valer a pena e as compressas deixaram de ser usadas. Apesar de terem sido produzidos em pequena escala na 2ª Guerra Mundial, os curativos de esfagno voltaram para o reduto da medicina alternativa. E por ali ficaram.

Atualmente, a planta é usada na horticultura e como biocombustível, mas não salva mais vidas.

Brasil negocia com Cuba: Volta doutor!

O Ministério da Saúde confirma que o governo brasileiro negocia com Cuba a volta ao Brasil dos profissionais do programa Mais Médicos, interrompido por Havana no mês passado. O assunto está sendo discutido por técnicos dos ministérios de ambos os países e pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS).

A decisão unilateral de suspender o envio desses profissionais se deu, no mês passado, com o descontentamento do governo cubano face ao aumento das decisões da Justiça brasileira de conceder permanência no Brasil dos médicos cubanos. Nos últimos meses, foram 89 decisões nesse sentido. Agora, a intenção do governo brasileiro é restabelecer o programa no menor prazo possível.

Em entrevista à Sputnik Brasil, o cardiologista Waldir Cardoso, presidente da Federação Médica Brasileira (FMB), diz que o programa, criado em 2013 pela então presidente Dilma Rousseff, atendeu em parte seu objetivo: o de prestar assistência a populações de áreas remotas que carecem de assistência médica. Apesar disso, Cardoso alerta que o programa não resolve os problemas de saúde do país e cria outros. Na opinião do presidente da FMB, os médicos do programa muitas vezes não possuem determinadas especialidades e, além disso, foram isentos da revalidação dos diplomas, a avaliação de seus conhecimentos, como é rotina em vários países, como no Brasil, através do programa Revalida.

"O programa responde a essa demanda parcialmente porque leva profissionais cubanos e de outras nacionalidades para essas regiões, embora não garanta que esses profissionais tenham a qualificação adequada para atender a nossa população", diz Cardoso, admitindo que a não revalidação cria um certo sentimento de ciúme por parte dos colegas brasileiros.

O presidente da FMB está convencido de que o Brasil não necessita de médicos estrangeiros para cumprir os vazios assistenciais. Segundo ele, hoje são formados por ano no país 20 mil novos médicos a partir do aumento exponencial das faculdades de Medicina, que já somam 279 em todo o país.

"O convênio que será reiterado com Cuba através da OPAS talvez perca o objeto. Neste sentido, há um compromisso do Ministério da Saúde, firmado com as entidades médicas, de que as próximas vagas que serão abertas serão oferecidas a médicos brasileiros titulados nos conselhos de medicina. Nossa expectativa é que possamos, com esses profissionais, oferecer o melhor atendimento médico à população destas regiões tão necessitadas", afirma Cardoso.

Quanto á alegada falta de interesse de jovens médicos em clinicarem em cidades do interior, o presidente da FMB diz que tão importante quanto à remuneração é o tipo de vínculo que eles terão com os hospitais públicos. Sem um contrato adequado que ofereça segurança para mudança e o estabelecimento de vida no local, com um mínimo de conforto material, é compreensível que muitos jovens médicos pensem duas vezes antes de aceitar o novo desafio.

 

Fonte: Deutsche Welle/BBC Brasil/Sputinik News/Municipios Baianos

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