14/05/2017

Delator acusa deputada de intermediar contratos ilícitos

 

O empresário Kells Belarmino, sócio-proprietário das empresas de fachada contratadas por municípios baianos para desviar recursos da educação, citou a deputada estadual Ângela Sousa (PSD) em acordo de colaboração premiada firmado com o Ministério Público Federal. Principal líder do esquema de corrupção investigado na Operação Água de Haia, o delator afirmou que a parlamentar intermediava contratos com as prefeituras.

O grupo fraudava licitações e desviava verba pública destinada à educação em várias cidades. Kells citou a prática do crime no município baiano de Una, durante a contratação da Ktech Key Technology LTDA.

Ele disse que não chegou a se reunir com o então prefeito, Dejair Birschner, para tratar “sobre os termos do contrato nem sobre eventuais pagamentos, sendo que todas as tratativas foram realizadas com a deputada”.

O empresário afirmou ainda que chegou a encontrar com o prefeito em apenas duas oportunidades: uma vez no gabinete da deputada e outra vez na casa de Dejair.

O acerto para realização da licitação e contratação da empresa foi de que o interrogado teria que entregar 30% do valor de cada fatura quitada pela prefeitura para o próprio prefeito. Desse montante, Ângela ficaria com 5%.

O acordo de colaboração foi homologado no final de 2016 pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1). “A participação da deputada estadual Ângela Sousa no esquema, segundo relatado por Kells Belarmino, relaciona-se à captação e aliciamento de prefeitos, participando, assim, do resultado do desvio dos recursos públicos em razão do sobrepreço e superfaturamento dessas  contratações”, diz um trecho despacho do desembargador Cândido Ribeiro, disponível na página do TRF1.

No caso de Una, ainda de acordo com o despacho, a parlamentar não chegou a receber os recursos ilícitos, uma vez que o contrato foi cancelado antes de ser executado.

A reportagem da Tribuna não encontrou a deputada Ângela Sousa para comentar as afirmações do delator. Ontem, em entrevista a um portal de notícias, a parlamentar negou as acusações e disse que Kells é um “mentiroso”.

Operação já desbaratou fraudes em 20 cidades

A Operação Águia de Haia já desbaratou um esquema de fraudes de licitações em cerca de 20 municípios baianos.

O grupo criminoso envolvido agia aliciando prefeitos e secretários de educação com o propósito, entre outras coisas, de contratar programas de computação para escolas por valores superfaturados.

Logo no começo das investigações, o tal software custava no mercado R$ 3 mil – entretanto, o valor da licitação variava entre R$ 120 mil e R$ 460 mil por mês.

Foram desviados pelo menos cerca R$ 57 milhões do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb). Kells é paraibano e já tentou ingressar na política, sem sucesso.

A partir do ano de 2010, o empresário passou a agir na Bahia, sendo preso em 2015 no município de Guarajuba.

A caça às bruxas da lista de Imbassahy

Novo governo com velhas práticas. A caça às bruxas do presidente Michel Temer (PMDB) a “traidores” que votaram contra a reforma trabalhista desmascara a onda do bom samaritano peemedebista que subiu ao poder com discurso de reforma, não só de setores sociais, como do trato do modo de fazer política.

Engole a conta gotas do próprio veneno. Começou de uns tempos pra cá, com a velha forma do fisiologismo político: cortar cargos de deputados antes aliados e agora “traíras”, como membros xiitas da base de Temer mesmo chamam.

A quem coube a função de identificar aqueles de fora do ninho? O baianíssimo Antônio Imbassahy, o atual Geddel do governo, pois está na pasta que antes era o feudo dos Vieira Lima do mandato tampão do eleito vice em 2014.

A lista de Janot, a lista de Fachin... agora uma nova lista: de Imbassahy.

Vai empurrando  o carrinho de supermercado e jogando pra fora do cesto todos os cargos de eventuais aliados que em votações ou outras divergem daquilo que a cartilha do PMDB propaga e tenta enfiar garganta a dentro tudo aquilo que o governo de Temer acredita ser o suprassumo e o certo.

Inclusive, tiveram baianos nesse rol. Uldurico Júnior do PV sofreu logo o baque e teve um dos primeiros cortes da lista. Depois soltou nota que preferiria seguir seus princípios a seguir o governo por cargos. Até corajoso enfrentar a máquina, mas veremos como o próprio PV se comporta em torno de um presidente que não tem lastro popular algum e convive com míseros 9% de aprovação do povo.

Depois foram baianos do PSD que sofreram do mesmo corte, conforme noticiado na coluna Na Sombra do Poder do Bocão News.

Será que em 2018 os aliados de Temer, vide Imbassahy, vão inchar o peito e fazer campanha casada com aquilo que foi feito no Brasil no mandato tampão dos últimos anos? Eis a questão.

O certo é que o governo mandou recado: escreveu e não leu, o pau comeu! Se passar outra lista, haja mais desemprego de apadrinhados políticos. Está chegando à votação da reforma da Previdência, outro bicho de sete cabeças.

Haja bruxa para tanta caça que poderá surgir. Contudo, lá na frente, o feitiço pode se voltar contra o feiticeiro.

Contrária à reforma, Tia Eron não cogita retorno à Câmara para votar Previdência

Deputada federal licenciada, a atual secretária da Semps (Secretaria de Promoção Social e Combate à Pobreza de Salvador), Tia Eron (PRB) afirmou ao BNews que não cogita a possibilidade de retornar à Câmara para votar na Reforma da Previdência. Durante o evento de inauguração da Praça Miryam Fraga, na sexta-feira (12), no Itaigara o prefeito ACM Neto foi questionado se liberaria a titular da Semps, nomeada por ele, para votar na proposta do presidente Michel Temer, alvo de polêmica nas ruas e no Congresso. Na ocasião, Neto disse que liberaria a secretaria, caso fosse da vontade de Tia Eron.

No mesmo dia, em contato com o BNews, a deputada licenciada praticamente descartou essa possibilidade. Ela afirmou que é contra à proposta apresentada pelo governo e se fosse votar, votaria contra, embora seja favorável a uma reforma da previdência. “Essa que está sendo proposta, sou contra”, disse.  Tia Eron afirmou ainda que não foi convocada para retornar à Brasília na votação e, retornar ou não, não seria um preocupação para a parlamentar.

O PRB, partido presidido na Bahia por Tia Eron votou a favor da reforma, na votação do  parecer do relator Arthur Maia (PPS-BA) favorável às mudanças, na Comissão Especial da Câmara dos Deputados.

Funcionário de João Santana conta ter sido roubado após receber R$ 1 mi da Odebrecht

Um funcionário do marqueteiro baiano João Santana declarou em depoimento ter sido roubado logo após receber um pagamento de R$ 1 milhão a R$ 1,5 milhão da Odebrecht.

André Santana, assistente administrativo de João Santana, contou o suposto episódio ao ministro Herman Benjamin, relator da ação contra a chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

"Eles me levaram, colocaram dentro de um veículo que eles estavam... acredito que eles estavam me seguindo, me levaram por alguns metros, passavam por cima de meio fio e depois pararam e me largaram não me recordo onde foi", detalhou o funcionário.

Segundo o Estadão, André contou no depoimento ter recolhido dinheiro vivo de caixa 2 em nome da empresária Mônica Moura e do marqueteiro João Santana.

Responsável pela movimentação bancária, recebimentos e pagamentos da Pólis Propaganda, André contou que Mônica Moura, em 2014, pediu para que ele fosse até a Odebrecht para receber os valores.

Ainda segundo depoimento de André, lá ele teria sido encaminhado para um hotel onde receberia os valores.

"Não me recordo perfeitamente, mas eu acredito que umas cinco ou seis vezes eu tive esses recebimentos em 2014", contou.

Ainda sobre as visitas ao hotel em busca dos valores de caixa dois repassados pela Odebrecht, o funcionário explicou que em algumas visitas recebia R$ 50 mil, em outras R$ 250 mil e chegou a receber R$ 500 mil, sendo este maior valor o que teria sido roubado.

André também relatou que recebeu valores na sede da Odebrecht, em Salvador.

No local, que o atendia era a secretária do Setor de Operações Estruturadas, o departamento da propina da empreiteira, Maria Lúcia Tavares.

 

Fonte: Tribuna/BNews/BN/Municipios Baianos

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