14/05/2017

Bahia: Codevasf avança na implantação de mais um projeto irrigado

 

A implantação do projeto público de irrigação Iuiú vai possibilitar a agricultura irrigada numa área de 30,3 mil hectares, beneficiando cerca de 40 mil pessoas no Médio São Francisco baiano. Para retomar o andamento do projeto, a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) está investindo R$ 12,5 milhões. O projeto abrange terras dos municípios de Malhada, Iuiú e Sebastião Laranjeiras.

“Estão previstos 1.860 lotes, sendo 1.150 para pequenos irrigantes, 550 para grandes empresas e outros 160 para assentados do Incra. Em termos de benefícios sociais, vislumbramos a melhoria de qualidade de vida dos habitantes da região”, explica Marco Aurélio Ayres Diniz, diretor da Área de Desenvolvimento Integrado e Infraestrutura da Codevasf.

Os investimentos para retomada do projeto estão sendo aplicados na atualização do estudo de viabilidade técnica, econômica e ambiental, incluindo a avaliação de impacto ambiental (AIA); consolidação do anteprojeto de engenharia das etapas 2 e 3; adequação do projeto básico e atualização e complementação dos estudos ambientais da etapa 1.

Segundo Renato Brito Chaves, gerente de Estudos e Projetos da Codevasf, para dar continuidade às ações foram celebrados, no mês de março deste ano, novos compromissos com a empresa de engenharia responsável pelo trabalho, com término previsto para o início de 2018.

“Após a conclusão desses contratos, a próxima fase será a elaboração do projeto executivo da primeira etapa e os projetos básico e executivo da segunda e terceira etapas, seguindo-se a execução da obra. Esse empreendimento promoverá desenvolvimento regional, com vistas a minimizar o êxodo rural e melhoria do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) na região, dentre outros benefícios”, destaca Chaves.

O projeto de irrigação Iuiú está situado no sudoeste do estado da Bahia, na região do Médio São Francisco, próximo à confluência do rio Verde Grande – que serve de divisa entre Minas Gerais e Bahia. O acesso, por via aérea, pode ser feito até a cidade de Bom Jesus da Lapa ou Guanambi, na Bahia, que ficam a uma distância do projeto, respectivamente, de 140 quilômetros pela BA-160 e 111 quilômetros pela BR-030. A distância de Malhada a Salvador é de cerca de 940 quilômetros.

Codevasf apoia a caprinovinocultura no norte baiano; evento é realizado até este domingo (14)

Encerra neste domingo (14) a programação da XI Exposição de Caprinos e Ovinos do Vale do São Francisco (Expovale), evento que conta com o apoio da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) em Juazeiro, Norte da Bahia. Cerca de 30 mil visitantes deverão marcar presença na edição deste ano do evento, que teve início na terça-feira (9).

A feira está localizada no estacionamento de um shopping da cidade, em área de aproximadamente 1.000 m², onde foram montadas cerca de 210 baias que reúnem mais de 1.500 animais de diversas raças. O superintendente regional da Codevasf em Juazeiro, Misael Aguilar Silva Neto, esteve na Exposição durante a semana e conversou com criadores sobre o desenvolvimento da atividade na região norte da Bahia.

O evento é realizado pela Associação dos Criadores de Caprinos e Ovinos do Sertão do São Francisco (Accossf) e pela Prefeitura, com apoio do governo do estado, Embrapa Semiárido, Sebrae, Associação Brasileira dos Criadores de Caprinos Boer (ABS Boer), Associação Brasileira dos Criadores de Caprinos (ABC) e Associação dos Criadores de Caprinos e Ovinos da Bahia (Accoba).

De acordo com a coordenação do evento, a Expovale integrou neste ano outros ramos de atividade. “Implantamos a ideia de uma exposição mais abrangente no que se refere a atividades econômicas da região. Temos aqui presentes vários segmentos importantes da economia, como a agricultura familiar e também novos empreendimentos, promovendo integração com criadores de caprinos e ovinos”, explica Zilton Alves, presidente da Accossf e empregado da Codevasf em Juazeiro.

Estruturação da cadeia produtiva

Além da exposição de diferentes raças de animais e concursos seletivos das melhores espécies, a programação do evento contou com a realização de cursos específicos para os produtores, como de inseminação artificial e transferência de embriões, e com momentos de discussão mercadológica da atividade. A Codevasf é uma das empresas que tem apoiado inciativas como esta, e dentro de seu leque de ações também tem contemplado a estruturação do homem do campo para o desempenho de suas atividades, entre elas a criação de pequenos animais.

Somente em sua área de atuação, que compreende 27 municípios do norte baiano, a 6ª superintendência regional da Codevasf, sediada em Juazeiro, investiu mais de R$ 2,5 milhões em recursos voltados para o aparelhamento agrícola das associações de pequenos agropecuaristas, com o objetivo de aumentar a renda familiar, movimentar a economia regional e manter as famílias em seu local de origem.

Até abril deste ano a Codevasf entregou a mais de 21 associações rurais kits de máquinas agrícolas, duas retroescavadeiras e kits de apicultura. Mais de sete mil empregos diretos e indiretos foram gerados através do uso desses equipamentos. Os kits agrícolas são compostos por trator, arado, sulcador e carretas para transporte ou carretas tanque. Cada conjunto de equipamento custa cerca de R$ 117 mil. Esses recursos são oriundos do Orçamento Geral da União, repassados à Codevasf por meio de emendas parlamentares. Algumas associações também foram contempladas com máquinas forrageiras.

“Esses equipamentos estão ajudando as famílias de pequenos agropecuaristas a melhorarem sua condição de vida”, afirma o superintendente regional Misael Neto. “Com essas máquinas, a produção de insumos para os rebanhos de pequenos animais estará garantida, melhorando a alimentação das famílias e abrindo mais uma oportunidade de negócio para a geração de renda extra, além da agricultura”, conclui.

Agricultores/as do Salitre reivindicam medidas urgentes para a gestão da água das adutoras

Na última quarta-feira (10), o auditório da Codevasf, em Juazeiro, sediou mais um seminário sobre a gestão da água para produção agropecuária no Vale do Salitre. O foco das discussões foi o uso da água do Rio São Francisco que percorre 22 km no leito do Rio Salitre através das Adutoras I e II e que beneficia hoje 320 produtores/as que investem principalmente no cultivo de manga, cebola, melão, banana e goiaba, dentre outros produtos.

O seminário foi organizado pela Associação Águas do Salitrinho, entidade responsável pelo gerenciamento da água das adutoras e contou com a participação de agricultores e agricultoras, lideranças comunitárias, representantes do poder público municipal, da Codevasf, de Programas de Crédito do Banco do Nordeste e Banco do Brasil, Sebrae, além de órgãos como Inema, Coelba e Polícia Militar da Bahia. Outras instituições, a exemplo do Ministério Público, eram esperadas no evento, mas não compareceram. Para Roberval Amorim, presidente da Águas do Salitrinho, apesar de algumas autoridades ligadas à justiça não terem comparecido para contribuir com a busca de soluções para os desafios enfrentados hoje no Vale do Salitre, a avaliação do evento é positiva, uma vez que "alguns órgãos que tem poder de barrar algumas atitudes estiveram presentes".

Dentre os principais desafios apresentados estão a baixa eficiência no uso da água; a inadimplência de 54% dos/das agricultores/as; o uso irregular e ilegal da energia fornecida pela Coelba; as más condições das estradas; a regularização fundiária; a falta de assessoria técnica contínua e o financiamento. Há quase dois anos a Associação busca encaminhar decisões que venham a sanar pelo menos o principal problema hoje que é a ausência de medidas que garantam um limite de uso da água por produtor/a e o pagamento em dia pela água utilizada.

O Capitão da PM, José Alencar, disse que nenhum agricultor/a pode ser preso devido a inadimplência, mas que por meio de Ação Judicial via Associação a Polícia pode recolher bens dos inadimplentes e a Associação pode vendê-los para arcar com despesas geradas pela ausência do pagamento pelo uso da água. Dentre os bens que podem ser retirados do/da agricultor/a pela Polícia estão equipamentos como bombas, motores e até itens como aparelhos domésticos ou animais, entre outros.

Hoje uma das propostas apontadas para melhor lidar com o problema é a instalação de hidrômetros e o estabelecimento de um limite de metros cúbicos de água que cada agricultor/a cadastrado na Associação pode acessar. Acerca de soluções desejáveis já existe um estudo de viabilidade realizado pela Empresa GeoHidro no sentido de apontar a eficiência do acesso a água direto nas propriedades desde a comunidade de Passagem do Sargento até à Foz, porém, de acordo com o Superintendente da Codevasf, Misael Neto, "o elevado custo deste projeto não nos permite sonhar com isso a curto prazo". Misael destacou os limites financeiros e declarou: "talvez não sejam as respostas que vocês queriam".

Potencial Econômico de Juazeiro

Grande fornecedor de produtos para o Mercado do Produtor de Juazeiro, o chamado Projeto Salitrinho hoje compreende uma área irrigada de 394,4 hectares, situada nas duas margens do Rio Salitre. Para a Codevasf, pelo volume atual de produção, esta área já pode ser considerada Perímetro, embora ainda não haja investimentos em estruturas comuns aos perímetros gerenciados pelo órgão na região.

A ânsia dos/das agricultores/as por soluções duradouras para a gestão da água no Salitre já se estende por cerca de 40 anos, inclusive com histórico de assassinatos, derrubadas de fiações e postes de energia elétrica devido a disputa pela água, além de registro de perda de plantios e outros grandes prejuízos para os/as pequenos/as produtores/as. Durante o seminário, a insatisfação dos/das ribeirinhos e ribeirinhas do Salitre era com a negligência de alguns órgãos e a morosidade de outros em apresentar medidas definitivas para garantir o acesso e a gestão adequada da água naquela região, sem deixar de considerar a necessidade da participação social nisso.

O Vale é referência quando se trata da qualidade de seus solos e, consequentemente, da sua produção, porém os governos tem apostado em políticas paliativas, as quais não garantem a sustentabilidade da vasta produção agrícola do Salitre. A presidenta da UAVS - União das Associações do Vale do Salitre, Mineia Clara, que também é vice presidenta do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Salitre, cobrou medidas eficazes já que não se trata mais apenas de apelar para a consciência dos usuários da água, mas que hoje se faz necessária uma ação articulada entre os órgãos competentes  e com a participação popular.

 

Fonte: Ascom Codevasf/Municipios Baianos

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