16/05/2017

Monólitos de Quixadá (CE) formam 'zoológico de pedra'

 

Algumas pessoas veem animais nas nuvens. Francisco Alves Leite os vê nas pedras. E em Quixadá, onde vive o fotógrafo, há material de sobra para a atividade. A Pedra da Galinha Choca, o monólito mais ilustre do sertão cearense, é conhecida em âmbito nacional pela semelhança com a ave que lhe dá o nome. O que muita gente não sabe é que as rochas de Quixadá abrigam muitos outros animais.

Há um ano Francisco Alves, que prefere se identificar como Chico Javali, começou a procurar e catalogar formas de animais nos monólitos no sertão cearense. "A ideia era fazer uma revista ou um livro contando sobre esses formatos de pedra. Eu imagino um zoológico de pedra. O objetivo é mostrar que Quixadá não tem só a Galinha Choca, tem outros animais nas pedras", conta.

As formas foram localizadas quando ele andava pela zona rural de Quixadá para fotografar, profissão que exerce há 20 anos.

"Gosto muito de fotografar a natureza, sou fotógrafo há mais de 20 anos e eu começava a visualizar aquelas pedras com aqueles formatos de animais. Aí eu localizava a pedra, catalogava, com várias semanas fui juntando e organizando as imagens."

Conforme o geólogo de Quixadá Ita Ventura, as pedras do município ganham diversas formas porque são mais frágeis que a maioria das rochas e são moldadas pela ação do tempo. "O monólito tem a biotita em 35% da sua composição, o que torna ele mais frágil e mais fácil de ser esculpido pela erosão, com os efeitos da chuva, sol, temperatura, ventos. Mesmo sendo mais flexíveis, esse processo leva milhões de anos."

Pareidolia, a visão de coisas nas nuvens

A identificação de animais e outras coisas nas nuvens, rochas ou poças d'água está associada a um fenômeno evolutivo que facilita o reconhecimento de padrões, de acordo com o físico Alberto Calabrez. O fenômeno tem o nome técnico de pareidolia, a associação de formas aleatórias com objetos conhecidos.

"Esse tipo de associação é bem antiga. Alguns dos registros mais antigos que temos disso são as constelações. Nossos antepassados viam touros, ursos, leões, animais fantásticos e uma infinidade de objetos na disposição das estrelas", explica.

Ainda segundo Calabrez, de forma ainda não explicada pela ciência, algumas pessoas têm mais facilidade para identificar formas nas pedras ou nuvens. "Talvez o Chico Javali seja uma dessas pessoas", diz, ao avaliar as fotografias do profissional.

Esse mesmo fenômeno da pareidolia fez com que muita gente visse um dinossauro ou um monstro na imagem de um furacão divulgado pela Nasa em 2016 ou a imagem de Jesus em uma torrada.

Preservação do parque de pedra

O geólogo Ita Ventura alerta também para a necessidade de preservação do parque rochoso de Quixadá. O sítio é tombado pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e reconhecido como uma das 24 paisagens mais bonitas do mundo pela Associação Internacional de Montanhas Famosas.

Além das formas naturais, os monólitos do Sertão Central cearense registram imagens rupestres de povos indígenas que viveram na região há vários séculos.

Quem passeia pelas ruas de Quixadá pode avistar construções e ruas em meio às rochas, mas todas construções antigas. Após o tombamento, ficou proibido a construção de estruturas a menos de 50 metros dos monólitos.

A cidade também não pode ter prédios com mais de três andares para que a visão das rochas não seja impedida.

"É necessário se conscientizar de que é preciso preservar os monólitos. Uma cidade com esse tipo de paisagem, preenchida pelas rochas, é bastante incomum, então temos que manter a paisagem natural que garante a beleza natural da nossa região", relata Ventura.

Além da paisagem, o geólogo lembra que os monólitos salvaram o periquito cara-suja da extinção. "Hoje esse pássaro é restrito a uma região do Ceará. Antes eles viviam em vários países, mas sobreviveram apenas nos monólitos, que são regiões de difícil acesso e eles se abrigaram lá. Por isso a necessidade da preservação desse espaço."

Santuário de Elefantes no Brasil vai receber animais da Argentina

A organização não governamental Santuário de Elefantes Brasil, que já abriga dois animais oriundos de Paraguaçu, no Sul de Minas, vai receber mais oito moradores vindos diretamente da Argentina. Acordo firmado pelo santuário, localizado na Chapada dos Guimarães (MT), com zoológicos das cidades de Mendonça, La Plata e Bueno Aires, vai permitir a transferência desses animais em cativeiro para a reserva de mil  hectares. As tratativas estão avançadas e a esperança da diretora da ONG, Júnia Machado, é que essa mudança ocorra ainda este ano. Ramba, uma fêmea abrigada em um zoológico chileno, também deve se juntar aos animais vindos da Argentina.

O ideal, segundo ela, seria trazê-los antes do inverno, já que os elefantes são espécies típicas de regiões quentes e sofrem demais nessa época do ano, mas é preciso cumprir a burocracia exigida pelos órgãos governamentais dos dois países, cercar os espaços onde eles vão ficar e conseguir ajuda financeira para o traslado e a manutenção. A mudança foi motivada pela decisão desses zoos de transformarem seus espaços em parques ecológicos depois de denúncias e problemas com a Justiça por causa das péssimas condições em que viviam. No caso de Ramba, ela foi retirada de um circo por maus-tratos e está abrigada em um zoo, longe da visitação, sob supervisão de veterinários e tratadores do santuário até a regularização de sua transferência.

As duas moradoras do santuário, Maia e Guida, que estavam sob custódia de pessoas ligadas ao circo em que se apresentavam, vivem agora em um espaço de meio hectare (5 mil metros quadrados) cercado por tubos de petróleo feitos de aço. Os outros animais também devem ficar cercados e separados por origem (asiáticos e africanos) e sexo. O santuário tem cerca de 1,1 mil hectares. A intenção, segundo Júnia, idealizadora da ONG, é levar para o local cerca de 50 elefantes de diversas regiões da América Latina que vivem em circos e zoológicos. “Elefantes não podem viver em cativeiro, pois precisam de grandes espaços e, confinados, acabam sofrendo doenças físicas e psicológicas”, explica Júnia.

O principal problema hoje, de acordo com ela, é o financiamento das ações da ONG. Somente a transferência das duas elefantas custou R$ 80 mil. Elas vieram em contêineres de aço especialmente construídos para a transferência, que durou dois dias. Elas estão no santuário desde outubro. A manutenção de cada uma delas é estimada em cerca de R$ 10 mil por mês. Tudo bancado por doações.

PARCERIA COM EMPRESA

Uma das soluções para esse financiamento é uma parceria feita pela ONG com a empresa sul-africana que fabrica o licor Amarula, feito a partir das frutas da marula, cujo cheiro forte atrai os elefantes. Durante junho, julho e agosto, a empresa vai doar R$ 1 para cada garrafa do licor vendida nas lojas e supermercados. A garrafa atual vai ser substituída por um novo modelo, que lembra o formato de uma tromba de elefante. “Como a principal ameaça por aqui não está relacionada à caça do marfim no Brasil, passamos a apoiar o santuário de elefantes no resgate destes animais que sofrem maus-tratos em circos e zoológicos da América do Sul. Queremos ajudar no resgate destes elefantes para que possam viver em um ambiente com condições melhores e mais próximos da natureza”, afirma Theo Vilela, gerente de marketing da Distell, fabricante do licor, carro-chefe da empresa.

Desde 2002, a Amarula mantém a plataforma (www.amarula.com/trust/) pela qual as pessoas podem batizar e estilizar um elefante. A cada animal criado, a empresa doa um dólar para organizações não governamentais de apoio à preservação dos elefantes. Segundo Theo Vilela, a expectativa da empresa é de que a campanha gere cerca de R$ 50 mil em doações para o santuário, além de divulgar sua existência. O santuário é o primeiro da América Latina e também recebe doações pelo seu site ( www.elefantesbrasil.org/doe ) para ajudar a manter Maia e Guida e trazer outros animais.

Fazenda de 1 mil hectares

O Santuário de Elefantes Brasil está localizado em uma fazenda de 1 mil hectares no Mato Grosso comprada com recursos de doações e apoio de ONGs internacionais dedicadas à proteção dos paquidermes em todo o mundo, entre elas a Global Sanctuary for Elephants e a ElephantVoices. Segundo a fotógrafa e ambientalista Júnia Machado, que coordena o santuário, existem no Brasil pelo menos 32 elefantes em zoológicos e em circos.

Em toda a América Latina, segundo ela, são 50 animais em cativeiro. No mundo inteiro, seriam aproximadamente 5 mil elefantes confinados em diferentes tipos de estabelecimentos. “Estamos nos preparando para receber todos os animais da América Latina, já que a tendência é que a exibição de animais em circos seja proibida em todo o continente”, afirma.

 

 

Fonte: G1/em.com/Municipios Baianos

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