17/05/2017

Na ALBA Otto condena descaso de governos com Velho Chico

 

O senador baiano Otto Alencar (PSD) iniciou citando uma das obras-primas da poesia brasileira, “E agora, José”, do poeta mineiro Carlos Drumond de Andrade, para bater forte numa omissão histórica de sucessivos ocupantes da Presidência da República do Brasil. “Proponho que nenhum senador do Nordeste vote mais qualquer proposição até que o governo federal abrace o projeto de revitalização do Rio São Francisco”.

A proposta do pessedista foi feita na tarde desta segunda-feira (15), durante a Audiência Pública a Revitalização do Rio São Francisco, ocorrida na sala das comissões da ALBA - Assembleia Legislativa da Bahia. A iniciativa foi de três comissões da Casa: Meio Ambiente, Seca e Recursos Hídricos; Agricultura e Política Rural; e Infraestrutura, Desenvolvimento Econômico e Turismo, tendo como proponente o deputado Zó (PCdoB).

Revelando bastante conhecimento técnico acerca da crise hídrica brasileira, notadamente com o colapso das águas do Rio São Francisco, Otto Alencar foi duro com o projeto de transposição das águas do chamado Rio da Integração Nacional.

“Esse governo é uma lástima com o São Francisco, como foram os governos Sarney, Collor, Itamar, Fernando Henrique, Lula e Dilma. Fazer a transposição sem a revitalização do São Francisco é o mesmo que tirar sangue de um paciente anêmico, quase morto”, disparou o senador, que colocou R$ 600 milhões em emendas para a recuperação do Velho Chico. Para ele, é louvável a iniciativa da ALBA em levantar a questão do São Francisco.

Presidente da Alba, deputado Angelo Coronel (PSD) chamou o senador de estudioso da causa e exortou a todos os deputados baianos, parlamentares nordestinos e a imprensa em geral a abraçarem a luta de Otto Alencar, independentemente de partido político. “Esta não é uma causa da Bahia, mas de todo o Nordeste brasileiro”, disse o chefe do Legislativo estadual, que elogiou a iniciativa das três comissões realizadoras do evento.

MAIOR DEPREDADOR

Os conhecimentos sobre a real situação do rio e as críticas ao governo Temer pela omissão no cuidado foram tão caudalosos quanto o senador deseja ver as águas do Velho Chico. Ele observou que as calhas do rio recebem cerca de 28 bilhões de toneladas/ano de terra pelo seu assoreamento e o desmatamento às suas margens. “Desmatar as margens de uma nascente é um crime contra a humanidade”, compreende o senador, que acusa o estado de Minas Gerais de maior depredador do rio.

Citou nascentes e rios na Bahia que sucumbiram ao descaso com suas águas, como o Santanópolis, Paramirim, Paulista, Verde e o Jacaré; e disse que apenas os rios Carinhanha, Corrente e Rio Grande ainda resistem. “Esse problema do São Francisco é uma questão de segurança nacional. Se for botar cruz nas nascentes que já morreram, vai faltar madeira por culpa de vários governos”, salientou.

Otto Alencar estima um quadro bastante preocupante no futuro caso o Velho Chico não passe pela revitalização logo. A produção de água no país caiu em torno de 30% em 50 anos, período em que a população quase dobrou. “A crise da água é mais grave que a do petróleo. O São Francisco é o único rio que corre em direção ao Nordeste. A água será a commoditie mais cara do mundo. Poderá haver guerra por água”, vislumbra o político.

Filho de Rui Barbosa, o senador destacou que o projeto de revitalização do São Francisco custa R$ 800 milhões/ano, a ser finalizado num período 10 anos. Entende que a transposição deveria passar pelas assembleias legislativas dos estados, prerrogativa retirada pela Constituição de 1988, que deu autonomia excessiva ao governo federal. Ao lembrar que não há mais navegação no rio e o mar já invadiu cerca de 15 quilômetros, Otto destacou: o São Francisco é como todo ente generoso, deu tudo de si e não recebeu nada em troca.

BRASÍLIA NABABESCA

O pessedista condenou o padrão de vida nababesca de Brasília e se disse ainda mais preocupado com o Velho Chico agora que começou a faltar água na capital do Distrito Federal. “Esse governo gastou cerca de R$ 1 bilhão em propaganda em 2016 e apenas R$ 30 milhões na recuperação do rio”, ressalvou Otto, lembrando a participação nessa luta dos senadores Lídice da Matta (PSB) e Roberto Muniz (PP).

Presidente da Comissão de Meio Ambiente, deputado Fábio Souto (DEM) citou o caráter suprapartidário da luta da ALBA em defesa do rio, e destacou que 40% de seus afluentes estão mortos ou em via disso.

Presidente da Comissão de Agricultura da Casa, deputado Eduardo Sales (PP) elogiou a “aula” do senador e ressalvou ter uma preocupação com as questões do Velho Chico que envolve aspectos sociais e ambientais, lembrando que Juazeiro foi o município que mais gerou emprego ano passado através da agricultura irrigada.

Já o presidente da Comissão de Infraestrutura da ALBA, deputado Hildécio Meireles (PMDB) também revelou preocupações com o descaso com o Rio da Integração Nacional, questionando se era possível uma transposição das águas amazônicas para o Nordeste, tendo como resposta a lembrança das dificuldades que vivem também os rios da região Norte do país.

PSDB cobra decisão judicial sobre propaganda dos 7 mil km de estradas

O diretório regional do PSDB na Bahia, presidido pelo deputado federal João Gualberto, pode pedir, nesse mês, o cumprimento de decisão judicial irrecorrível, sob pena de condeação do governador Rui Costa. Trata-se da solicitação de um detalhamento de informações relacionadas à propaganda institucional “Nunca se fez tanta estrada boa na Bahia”. A campanha publicitária, realizada ainda na administração do ex-governador Jaques Wagner, dava conta da construção, e outras benfeitorias, em 7 mil quilômetros de rodovias em território baiano, sem a devida comprovação.

Em abril de 2013, o PSDB regional solicitou ao governo do estado informações precisas e acerca do material divulgado, porém, sem resposta, obrigando a agremiação a ingressar na esfera judicial, com um mandado de segurança, por suspeita de propaganda enganosa. Entre outras informações, o PSDB pede a nomeação dos trechos contemplados, o custo médio dispendido pelo estado, o montante gasto com a ampla campanha de divulgação supostamente falsa, e acesso à documentação relacionada à contratação de todo o serviço realizado em cada trecho, conforme o interesse público.

“Se os serviços foram de fato realizados, não há razão para o governo sonegar, reiteradas vezes, como vem fazendo, as informações solicitadas. Aliás, essa é uma marca registrada e patenteada pelo PT, o que nos leva a suspeitar de que estamos, mais uma vez, diante da propagação de dados duvidosos, que é o que eles melhor sabem fazer”, comenta João Gualberto, acrescentando que, agora cabe à Justiça a utilização da foça necessária, inclusive até mesmo ordenar a prisão do governador Rui Costa”.

Conforme o presidente do diretório tucano, o processo já percorreu todas as instâncias, chegando, inclusive, ao Supremo Tribunal Federal (STF), tendo sido transitado em julgado em janeiro desse ano, sem qualquer m manifestação do governo estadual, o que caracteriza omissão e desrespeito a autoridade judicial.

A expectativa é de que desembargador Salomão Resedá, do Tribunal de Justiça do Estado, acate o pedido do diretório tucano. O desembargador é o relator do mandado de segurança impetrado pelo partido.

Deputado diz: governador quer fugir de responsabilidade na segurança

O deputado estadual Luciana Ribeiro (DEM) afirmou nesta terça (16) que o governador Rui Costa (PT) quer fugir da responsabilidade ao culpar as famílias pelo aumento da violência no estado. No último final de semana, em discurso feito no município de Alagoinhas, Rui Costa disse que "as famílias estavam criando relações violentas dentro de casa". Segundo o parlamentar, o discurso do chefe do Executivo baiano mostra a visível omissão do governo no que se refere à crescente criminalidade nas pequenas, médias e grandes cidades do interior.

“Nas zonas rurais, nos pequenos distritos e centros das cidades são constantes os relatos de violência, como assaltos, arrombamentos a casas comerciais e residências, ataques bancários, além dos homicídios. Será que o governador não percebe que isso vem acontecendo por causa da ausência de uma proposta mais combativa, que se traduz com a falta de segurança ostensiva, inclusive com o baixo número de policiais”?, questionou.

O deputado lembrou o artigo 144 da Constituição Federal que deixa claro o dever do Estado sobre a segurança pública. “A fala do governador mostra que ele não quer assumir a real responsabilidade sobre os graves problemas da segurança pública que é uma obrigação do estado. Em momento nenhum, ele disse que vai tomar uma providência. Enquanto isso, as pessoas mais carentes são que as que mais morrem na guerra civil na Bahia”, lamentou.

 

Fonte: Bahia Já/Municipios Baianos

Comentários:

Comentar | Comentários (0)

Nenhum comentário para esta notícia, seja o primeiro a postar!!