17/05/2017

De olho em 2018, Neto nomeia ex-prefeitos de cidades do Recôncavo

 

É certo que o prefeito ACM Neto (DEM) só irá resolver se disputará o governo do Estado no ano que vem, mas que ele está pavimentando sua candidatura, não há que se ter dúvida.

Prova disso é a nomeação de dois ex-prefeitos de duas importantes cidades do Recôncavo baiano: Santo Antônio de Jesus, com Humberto Leite (DEM), e Amargosa, com Rosalvo Sales (PV). Respectivamente, os municípios têm 62 mil e 25 mil eleitores.

O cenário previsto para 2018 mostra, por ora, um encontro entre ACM Neto e Rui Costa, que vai tentar a reeleição ao governo do Estado. A interlocutores, Neto disse que ainda não está certo de que deixará o Thomé de Souza nas mãos de Bruno Reis (PMDB), seu vice, para se aventurar nas urnas.

Pelo sim, pelo não, Neto vai pavimentando o caminho para ano que vem e arregimentando lideranças pelo Estado. Não custa nada ficar de olho em novas nomeações no Diário do Município.

Vereadores divergem sobre nomeações de ex-prefeitos do interior na prefeitura

Recentemente as nomeações de ex-prefeitos do interior baiano no Palácio Thomé de Souza causou alvoroço no cenário político soteropolitano, principalmente pelo fato do prefeito ACM Neto (DEM) ter nomeado como assessor da subchefia de gabinete o ex-prefeito de Amargosa, Rosalvo Sales (PV), que responde a processos e, inclusive, chegou a ser cassado pela Câmara de Vereadores daquele município.

Questionado sobre o caso, o líder da oposição, vereador Zé Trindade (PSL) partiu para o ataque. “Não é surpresa nenhuma para a bancada de oposição essas nomeações do prefeito. Numa gestão que, por exemplo, permite que Valcy continue como subsecretário acusado de assédio. Essa gestão é rotulada por escândalos e percebemos aí nomeações de padrinhos políticos”, ressaltou.

Contudo, quando indagado que o governo do Estado também é detentor desta prática, Trindade saiu na defesa. “Diferente de ACM Neto, Rui nomeia pessoas que vão trabalhar de fato. Agora se você nomeia um ex-prefeito, como de Amargosa, que é acusado de passar mais mil cheques sem fundo, segundo o Ministério Público, isso é acobertar e mostra que a gestão está contaminada”, criticou.

O vice-lider do governo, Duda Sanches (DEM), defendeu as nomeações do prefeito. Afirmou que as escolhas feitas foram de ex-prefeitos com experiência em gestão.

“É normal buscar políticos com experiência, que conhecem o executivo e sabem dialogar com diversos setores. Como também é normal de buscar pessoas que possam trabalhar por Salvador e morem aqui para que se dediquem pela gestão e pela eficiência da cidade”, disse.

Inelegível, ex-prefeito do interior ganha cargo em Salvador

O ex-prefeito de São José do Jacuípe, no centro-norte baiano, Antônio Roquildes Vilas Boas Almeida (PSD), foi nomeado assessor parlamentar da Câmara de Salvador, conforme publicação no Diário Oficial do Legislativo desta terça-feira (16).

Gestor de 2008 a 2012, Almeida – como é conhecido –, lançou em 2016 a sua mulher, Maria das Dores Moreira dos Santos Almeida (PSD), candidata ao comando do município, porque ele teve a sua candidatura impugnada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-BA) após ter as contas de 2012 reprovadas pela Câmara de Vereadores local e ficado inelegível.

Dore de Almeida foi derrotada por Erismar Almeida Souza (PV), autor do pedido de impugnação da chapa do marido, no último pleito. Com o novo cargo, Almeida vai receber um salário de quase R$ 3 mil.

Eleição 2018: todos têm o direito de disputar, diz Rui sobre Neto

Com a possibilidade de ACM Neto, prefeito de Salvador, deixar o posto para disputar o governo do Estado em 2018, o governador Rui Costa deu de ombros. “Todos têm o direito de colocar o nome. Quanto mais candidatura, melhor”.

O deputado José Carlos Aleluia afirmou a um colunista que a candidatura de Neto ao Palácio de Ondina é certa. Apesar da afirmação do parlamentar, o prefeito ainda não disse se, de fato, deixará o segundo mandato pela metade.

Para Rui Costa, o adversário é o que menos importa. “É o povo que vai decidir”.

Filho de ex-vereador de Salvador ganha cargo na Sesab

O filho do ex-vereador, doutor Pitangueira (PSD), foi nomeado assessor técnico da diretoria de modernização da secretaria da Saúde da Bahia. Carlos André Pitangueira vai receber um salário bruto, com gratificação e transporte, de R$ 6 mil.

É mais indicado com o carimbo da vinculação hereditária política partidária que está presente nas gestões municipais, estaduais e federal independente da coloração do partido que dirige o Poder Executivo e Legislativo.

Assessor de ACM Neto diz que cassação teve causa 'exclusivamente política'

O ex-prefeito de Amargosa, Rosalvo Alves, que foi nomeado subchefe de Gabinete da prefeitura de Salvador, se manifestou a respeito da cassação de seu mandato (saiba mais). “Em relação a esse fato, importante esclarecer, que meu afastamento da Administração Municipal deu-se por causa exclusivamente política em razão do processo aberto na Câmara Municipal no ano de 2003, pois o então vice-prefeito (Carlinhos Rabelo) se uniu com o então vereador Valmir Sampaio (PT) para tomar o poder político”, afirma, acrescentando que seus dois adversários políticos estão atualmente inelegíveis “em razão de gestões improbas, quando geriram o município de Amargosa”. Na época de sua cassação, a Câmara apontou falta de decoro parlamentar, omissão na defesa do erário público e prática de atos ilegais – Rosalvo era acusado de ter assinado 1.162 cheques sem fundo. O ex-prefeito, em nota, destacou que nunca foi condenado, após 14 anos do ajuizamento do processo. “Nunca houve prolação de sentença, o que demonstra que a decisão de afastamento foi um equívoco”, diz, citando o processo nº. 0000389-50.2003.805.0006. Ele atribui o caso a um “equívoco contábil da tesouraria”. “Tanto é verdade que o Poder Judiciário jamais me condenou, ao inverso, houve reconhecimento de inexistência de ilícito, inclusive pelo próprio Ministério Público que reconheceu a inexistência de qualquer conduta ilícita”.

Comissão da Câmara ouve denunciante de assédio do subsecretário da prefeitura

Na tarde desta terça-feira (16), a Comissão da Mulher da Câmara de Salvador ouviu o depoimento da jovem de 21 anos, denunciante do caso de assédio de Valcy Evangelista Silva, subsecretário de Reparação da prefeitura.  Valcy é tido como um dos dirigentes de influência do PV de Salvador.

A jovem relatou todo o processo que culminou em sua denúncia. De acordo com a estudante de psicologia, há três anos ela sofria o assédio sem perceber, mas o fato se agravou nos últimos meses, onde ela mesma classificou como um “ato de coragem” e fez questão de relatar o que sofria.

“Ele sempre insistiu em ter algo comigo e sempre deixei claro que não queria. Falava que poderia crescer mais se atendesse a alguns favores. Eu tinha medo de falar sobre o assunto que não é fácil. Ele, um dia chegou a me beijar forçado e me puxou fazendo com que eu sentasse em seu colo a força”, relatou a jovem que pediu para não ter o rosto fotografado.

Um dos pontos que a fez chorar ao conversar com as vereadoras do colegiado foi quando falou da família e de que o PV não tomou nenhum tipo de posicionamento sobre o caso até hoje. “O partido quer abafar e tem acontecido um descaso. Minha esperança é o Ministério Público”, disse.

O caso está em tramitação no Ministério Público em fase de averiguação. Ainda não chegou a ser apresentada nenhuma denuncia formal a justiça para pedido de abertura de processo por assédio.

As vereadoras, após ouvirem o depoimento, declararam apoio a denunciante. Participaram da reunião Aladilce Souza (PCdoB), Rogéria Santos (PRB), Ireuda Silva (PRB), Marta Rodrigues (PT) e Marcelle Moraes (PV).

Marta, na sua fala, ressaltou a coragem da jovem. “Nós temos uma sociedade machista e ter coragem é essencial e você teve coragem”.

Para Ireuda, o caso não deve ficar impune. “Além do apoio como mulher, independente de quem seja a nossa luta será desestimulada se não fizermos nada. Isso é vergonhoso. Não podemos proteger esse ou aquele. Estou aqui para lutar para que esse crime não aconteça”.

Rogéria chamou atenção de que a jovem trouxe a voz de várias mulheres que sofrem assédio na sociedade. “Seremos solidárias e acompanharemos o caso”, garantiu.

Membro do mesmo partido que a jovem trabalha, Marcelle foi bem incisiva em sua fala. Informou que é comum relatos do tipo no PV. “Eu mesmo vi um indício de assédio de Valcy comigo e cortei de imediato. O PV é um partido machista e isso não pode ficar como está. Já levei o caso ao presidente nacional da sigla para que uma providência seja tomada. Ele [Valcy] não me representa e queima também minha imagem por estar na mesma sigla que eu”, reclamou.

Aladilce agradeceu a jovem por ter atendido a convocação, também teceu sua solidariedade à situação e lembrou que a comissão não tem um caráter julgador, mas tem a função de acompanhar os casos, principalmente ligado aos direitos feministas.

Aladilce defende que a prefeitura afaste Valcy temporariamente

Presidente da Comissão da Mulher na Câmara, a vereadora Aladilce Souza (PCdoB), em conversa com o BNews na tarde desta terça-feira (16), defendeu que a prefeitura tenha uma posição de afastar temporariamente o subsecretário de Reparação, Valcy Evangelista, acusado por uma jovem estudante de 21 anos de assediá-la sexualmente.

A jovem foi ouvida pela Comissão nesta tarde. “A prefeitura manter esse cidadão é um absurdo. Acho que deveria ter um posicionamento, por exemplo, de afastá-lo temporariamente enquanto o caso é apurado. É praticamente uma conivência do prefeito, pois percebemos a gravidade do caso e nada aconteceu até agora”, disse.

A comissão deliberou uma mesa redonda, nas próximas semanas, para tratar sobre os casos de assédio em geral e debater a situação com entidades que defendam o direito da mulher.

 

Fonte: Bocão News/Ação Popular/BN/Municipios Baianos

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