19/05/2017

Temergate: a grande mídia é (muito) culpada

 

Quem acompanha a política brasileira nos últimos anos, certamente não ficou surpreso com os fatos revelados sobre o Governo Temer – quem não sabia do esquema do Aécio? – mas se surpreendeu com o fato da mídia os ter divulgado.

Afinal, não é difícil imaginar que o presidente do PSDB e o ex-presidente do PMDB fossem capazes de fazer o que e aparentemente fizeram, por diversos fatores:

1) Temer é Cunha e Cunha é Temer, e o ex-presidente da câmara agiu como um verdadeiro mafioso em seu processo de cassação (Fausto Pinato que o diga);

2) Eduardo chantageou abertamente Michel em perguntas que Sérgio Moro barrou (só chantageia nesse nível quem tem algum trunfo);

3) Aécio tinha relações altamente duvidosas com sua primo “tesoureiro” (como bem recordou Brito mais cedo);

4) Neves foi capaz, não só de perseguir jornalistas mineiros para se blindar, mas também perseguir e torturar Marcos Carone para não atrapalhar suas pretensões eleitorais.

Por fim, claro, ambos encabeçaram um Golpe cujo objetivo era “estancar sangria” da Lava-Jato e inventar pedaladas para tomar o poder de uma presidenta democraticamente eleita.

É de se estranhar, portanto, que mesmo com tanta evidência indireta Michel e Aécio detinham tanto poder (a ponto de comandar reformas estruturais mesmo com baixa popularidade), e precisou de provas tão objetivas para escancarar o que já era facilmente abstraído.

Tal fenômeno só teve respaldo por um ponto: a mídia sempre esteve ao lado do governo Temer. Assim, considerá-la como cúmplice das ações ilícitas do alto escalão da base aliada não é nada mais do que justo.

Imaginem só um político que construiu um aeroporto de uso particular, com dinheiro público, na fazenda da família e cuja chave fica em posse de um tio. Pensem, agora, num helicóptero em nome de outro político pego com meia tonelada de pasta base de cocaína. Considerem, também, um presidente que conduz um achaque a luz do dia para aprovar reformas altamente impopulares, com perdões de dívidas e concessões totalmente fora da realidade fiscal do país.

Sabemos bem que todos esses fatos, gravíssimos, não foram sequer investigados, quiçá esmiuçados, como pedalinhos, um sítio ralé e um triplex. E nessas horas, onde atitudes controversas tiveram total liberdade para acontecer sem as devidas explicações, não há outro sentimento a não ser a dúvida sobre o papel da mídia tradicional em todo essa sujeira que, agora, objetivamente foi colocada as claras.

Talvez a risada de Catanhêde com Temer, ilustrada acima, ajude a resolver esse questionamento: algo do tipo “Tamo junto, presidente!”.

Inquérito contra Temer apressa fim do governo. A rua, também

A decisão, recém-anunciada, do ministro Luiz Edson Fachin vai apressar a queda de Michel Temer.

É que a imunidade presidencial não se aplica a crimes cometidos durante o mandato e o “cala-boca” da JBS a Eduardo Cunha se enquadra nesta categoria.

A sede com que a Procuradoria Geral da República, desde que Temer acenou com a possibilidade de não reconduzir Rodrigo Janot ou o mais votado da lista tríplice para chefiar o órgão faz antever uma ação rápida, ainda mais que as gravações, ao que tem sido divulgado, traçam um quadro muito claro do comportamento do ocupante do Planalto.

Ajuda, também, o fato de estar se esvaindo velozmente sua base de apoio. Para o PPS falar em largar cargos e para o PSDB, seu partner no golpe romper com o “Meu Governo, Minha Vida” que lhe deu Temer é sinal de que não sobra quase nada a ele.

Temer, que mataria a longo prazo a viabilidade política dos seus aliados, parece que, agora, pode mertecer a frase de Aécio Neves: “mata antes”.

A campanha por eleições diretas é algo que não tem de esperar nem mais um minuto para ser desfechada.

Hoje, no Rio e em São Paulo, ainda de forma embrionária, vai-se sentir o pulso da indignação fartamente realimentada.

Se Temer tivesse alguma grandeza, seu pronunciamento  daqui a pouco seria de renúncia.

Derrubar Temer, barrar as reformas e garantir diretas já! Por Ronaldo Leite

O futuro do nosso povo está em jogo. O processo de delação premiada, fora da jurisdição de Curitiba (e do alcance do juiz Sérgio Moro), com produção de gravações, vídeos e fotos – com autorização judicial – que se configuram como provas incontestáveis, deixa claro para quem ainda tinha dúvidas o que os movimentos sociais dizem há tempos: o golpe foi dado pelos setores mais corruptos do país e tinha como objetivo implementar uma agenda que retirasse direitos da classe trabalhadora.

Desde que derrubaram, por um falso crime que hoje é ação legalizada no Congresso, a ex-Presidenta Dilma Rousseff, os golpistas assumiram uma agenda de ataques aos trabalhadores e de ampliação da miséria e da desigualdade sem precedentes. Aprovaram as terceirizações irrestritas, aumentaram o desemprego, minaram a soberania nacional de todas as formas, congelaram investimentos, sucatearam empresas estatais e universidades e tentam, a todo custo, aprovar as nefastas reformas da previdência e trabalhista.

Hoje, com as graves denúncias da delação da JBS, uma nova frente se abre para as classes populares! O governo golpista se encontra fragilizado, vulnerável e derrubá-lo é uma possibilidade real. Mas não basta a nós, trabalhadores e trabalhadoras que constroem esse país diariamente, derrubar esse governo: precisamos barrar a agenda de reformas, impedir um grande acordão entre os setores conservadores e garantir que um governo legítimo seja eleito pelo povo brasileiro.

Ocupar as ruas, parar as fábricas, pressionar cada agente do poder público será nossa tarefa diária daqui pra frente. Não haverá um dia de descanso até que as pautas do povo sejam implementadas. Queremos o fim imediato da tramitação das reformas da previdência e trabalhista, exigimos a aprovação da PEC que permite as eleições diretas para presidente em caso de vacância do posto e queremos a derrubada do golpista Michel Temer.

O povo brasileiro, unido, nas ruas e na luta, irá construir uma nova realidade para nossa nação!

Fora Temer! Diretas Já!

STF não manda prender Aécio Neves e deixa muitas interrogações no ar

Por que Fachin não pediu a prisão de Aécio Neves, se as acusações contra ele são mais graves que aquelas contra Delcídio do Amaral? Ambos foram apanhados através de denúncias apoiadas em gravações, mas o caso de Aécio contou com diversos agravantes: o de ter recolhido R$ 2 milhões em dinheiro, o de ter insinuado ameaças de morte e, ainda, o fato de ter feito tudo isso depois de abertas cinco investigações contra ele pela PF na chamada “lista de Fachin”.  Mas, apesar das provas contra Aécio serem muito mais robustas que aquelas contra Delcídio, ele continua quase tão livre como um passarinho. Será porque seu partido não é o PT mas, sim, o PSDB? Muitas interrogações ficam no ar.

A primeira é justamente essa: se há um tratamento preferencial para membros do PSDB, diferente daquele dado aos políticos do PT. Afinal, até ontem, Aécio Neves transitava por aí na maior normalidade, e praticamente se havia esquecido que ele era o feliz proprietário de cinco inquéritos abertos pela PF.

E, afinal, por que Fachin não determinou a prisão de Aécio Neves, se a situação dele é ainda mais grave que aquela que levou à prisão de Delcídio do Amaral? De fato, Delcídio foi preso sem um tostão no bolso, enquanto Aécio escondeu uma mala de R$ 2 milhões de notas marcadas. Como pode? Até que se prove o contrário, a única diferença marcante entre os dois é quem um pertence ao PSDB e, o outro, ao PT.

E em relação aos colaboradores mais próximos e chegados? Se prenderam a irmã, seu braço direito e operadora em todas as frentes, por que não engaiolaram também Mineirinho, se é ele o mentor e o chefe do esquema todo?

E, na mesma linha, com tantas provas disponíveis, por que não se encaminhou também para o Senado a necessidade de decidir sobre a prisão de Zezé Perrella, o senador do helicóptero com meia tonelada de cocaína? Por que  se quer se pediu, como no caso de Aécio, seu afastamento das funções de senador?

Por que a PF demorou tanto a realizar buscas e apreensões nos imóveis de Aécio, ao ponto de se ter perdido qualquer fator surpresa? Como pudemos chegar ao ponto de Aécio, ao entregar o celular, avisar ao policial que o recebeu:  “Olha, esse celular é novo, eu nem usei”? Ou seja, o “celular velho”, provavelmente o que ele vinha usando até ontem, pode ter sido descartado.

Não é estranho que todo o país tenha ficado sabendo do caso através de um “furo de reportagem” do blog do Lauro Jardim, da Globo? Se o procurador afastado, Ângelo Goulart Villela, pertencia ao núcleo da Lava Jato, e vendia informações, não pode ser que outros, procuradores ou não, tenham vendido as informações sobre a delação da JBS? E se isso aconteceu, outros indivíduos no interior da Lava Jato não podem ter vendido também outras denúncias e informações privilegiadas para empreiteiras e para a mídia?  E as centenas de “vazamentos” dois últimos dois anos, quem as vendeu?

Por que essas questões não foram colocadas pela Justiça? Seria para proteger a imagem da Lava Jato e evitar uma dúvida muito incômoda: a de que a operação possa estar infectada pelo próprio mal que é chamada a combater, a corrupção?

 

Fonte: O Cafezinho/Tijolaço/Municipios Baianos

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