19/05/2017

Caciques do PSDB afastam Aécio do comando do partido

 

A bancada do PSDB já articulou o nome de Carlos Sampaio para assumir interinamente o posto de Aécio Neves na presidência do partido. O senador tucano foi afastado nesta quinta-feira (18) do seu cargo, sob ordem do Supremo Tribunal Federal (SFT), após aparecer em um áudio entregue em delação premiada da JBS pedindo R$ 2 milhões aos executivos do frigorífico.

Aécio e sua irmã, Andrea Neves, foram alvos de uma operação da Polícia Federal na manhã desta quinta - feira. Andrea, que atuava como sua assessora, foi presa por pedir dinheiro em nome do tucano. Um primo do senador, Frederico Pacheco de Medeiros, também foi detido por receber malotes de dinheiro.

Além da troca na presidência do PSDB, o partido avalia romper com o governo de Michel Temer, já que o presidente também apareceu nos áudios da JBS dando aval para comprar o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha.

Carlos Henrique Focesi Sampaio é um promotor de justiça. Aos 54 anos, o político é formado em Direito e ficará na liderança do PSDB temporariamente.

STF determina afastamento de Aécio Neves do Senado

O Supremo Tribunal Federal (STF) afastou nesta quinta-feira (18) Aécio Neves (PSDB-MG) do mandato de senador. A decisão foi anunciada pelo ministro do STF Edson Fachin após a revelação de um áudio em que Aécio, presidente nacional do PSDB, pede R$ 2 milhões a Joesley Batista, dono do frigorífico JBS. A Procuradoria Geral da República (PGR) pediu a prisão do tucano, mas Fachin negou. Porém proibiu o senador Aécio Neves (PSDB) de deixar o Brasil e solicitou que o tucano entregue seu passaporte, de acordo com fontes locais.

Além de afastar Aécio, Fachin expediu um mandado de prisão preventiva contra a irmã e assessora do senador, Andrea Neves, que foi presa pela PF em Minas Gerais. Há ainda um mandado de prisão contra o procurador da República Ângelo Goulart Vilela, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Também nesta quinta-feira, a Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF) executaram mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Aécio no Lago Sul, em Brasília, em Ipanema, no Rio de Janeiro, e em Anchieta, em Minas Gerais. Autoridades também estiveram no gabinete no Congresso do senador.

Também foram alvos de buscas os gabinetes do senador Zezé Perrella (PMDB-MG) e do deputado Rocha Loures (PMDB-PR) e a residência da irmã de Aécio. A Polícia Federal comunicou que foram expedidos cerca de 40 mandados de busca e apreensão.

Escândalo da JBS

O áudio em que Aécio pede R$ 2 milhões ao dono da JBS foi revelado nesta quarta-feira pelo jornal O Globo e é parte da delação premiada dos irmãos Joesley e Wesley Batista, proprietários do frigorífico. O dinheiro foi entregue a um primo do tucano, em cena filmada pela Polícia Federal. Rastreada, a quantia teria sido localizada numa empresa do senador Perrella.

Na delação, o dono da JBS cita também uma gravação na qual o presidente Michel Temer dá aval para o pagamento de uma mesada ao ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), em troca de seu silêncio na prisão. Segundo o Globo, Temer indica na gravação o deputado Loures para resolver uma questão da J&F Investimentos, holding que controla a JBS.

Posteriormente, Loures foi filmado recebendo uma maleta com 500 mil reais que teriam sido enviados por Joesley. O deputado foi afastado de seu mandato nesta quinta-feira, a pedido da PGR.

O dono da JBS relatou ainda, segundo o jornal, que o ex-ministro Guido Mantega, também investigado na Lava Jato, era seu contato dentro do PT. De acordo com Joesley, com esse político era negociado o dinheiro que seria distribuído aos membros e aliados do Partido dos Trabalhadores.

Em notas, tanto Temer como Aécio negaram qualquer irregularidade. O presidente afirmou que jamais solicitou pagamentos para silenciar Cunha, enquanto o senador mineiro garantiu que a relação com o dono da JBS era "estritamente pessoal".

Aécio Neves aparece no trending topics do Twitter mundial

O senador Aécio Neves está entre os assuntos mais comentados no Twitter mundial nesta quinta-feira (18) devido à operação da Polícia Federal deflagrada após o vazamento de um áudio no qual o mineiro, que foi candidato à Presidência em 2014, pediu R$ 2 milhões a um dos donos da JBS.

O termo "Aécio" apareceu em mais de 557 mil menções no microblog, ocupando a quarta posição no ranking mundial. O nome de sua irmã, Andrea Neves, também consta na lista de trending topics do Twitter.

Agentes da PF e do Ministério Público Federal cumpriram mandados de prisão, busca e apreensão na casa de Aécio no Rio de Janeiro, em imóveis de sua irmã e de Altair Alves Pinheiro, braço direito do ex-deputado Eduardo Cunha.

Em Brasília, também foram cumpridos mandados nos gabinetes de Zeze Perrella (PMDB-MG) e de Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR). A operação foi deflagrada após a delação premiada de Joesley Batista, dono do frigorífico JBS, que entregou uma gravação de áudio na qual Aécio pedia R$ 2 milhões, alegando que usaria o dinheiro para pagar sua defesa na Lava Jato.

O Supremo Tribunal Federal (STF) recebeu um pedido da Procuradoria-Geral da República (PRG) para afastar o senador e autorizar sua prisão. O relator da Lava Jato no STF, ministro Edson Fachin, deu o aval para o afastamento. Fachin também proibiu o senador tucano de sair do País, obrigando-o a entregar seu passaporte.

Andrea Neves, irmã de Aécio, é presa na Grande BH

Todas as pessoas ligadas ao Senador Aécio Neves, presidente do PSDB nacional, citadas nas gravações feitas por Joesley Batista, um dos donos da JBS, foram presas um dia depois do jornal O Globo publicar os diálogos nos quais o senador pede R$ 2 milhões ao empresário. O dinheiro seria usado para pagar os custos com a defesa do presidente do PSDB no processo da Lava-Jato, mas foi parar nas contas de uma empresa do também senador de MG, Zezé Perrela, do PMDB. O ministro Edson Fachin pediu o afastamento do senador e encaminhou o pedido de prisão ao plenário do STF.

A irmã de Aécio Neves, Andreia é apresentada como a pessoa que tem papel fundamental na construção da imagem de Aécio como gestor competente que saneou as finanças de Minas Gerais.

Para a Procuradoria Geral da República e Polícia Federal foi ela quem aproximou o irmão de Joesley. A investigação tem imagens e áudios que comprovam a relação dos três.

Ela estava em seu apartamento na cidade de Nova Lima, localizada na Região Metropolitana de BH, quando a Polícia Federal cumpriu o mandado de  prisão. Equipes da PF também estiveram no apartamento de Andrea no Edifício Presidente Tancredo Neves, no Rio de Janeiro. A irmã de Aécio foi levada para a superintendência da PF.

"Tem que ser um que a gente mata antes de fazer delação"

Além de Andréa, também foram presos o primo de Aécio, Frederico Pacheco de Medeiros, a quem o senador indicou para buscar as malas com o dinheiro em São Paulo e o secretário parlamentar de Zezé Perrela, Mendherson Souza Lima, quem buscou a quantia em um hotel na capital paulista e seguiu de carro para a capital mineira.

Frederico foi presidente da Companhia Energética de Minas Gerais quando Aécio governou o Estado e estava em sua casa, num condomínio de luxo em Nova Lima.

Mendherson fez o valor chegar nas contas de uma das empresas do filho de Zezé, Gustavo Perrela, secretário nacional de Futebol do Ministério do Esporte e também dono do helicóptero apreendido com cocaína em novembro de 2013, durante o exercício de seu mandato como deputado estadual. Um ano depois, Gustavo chegou a concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados pelo Solidariedade, mas não foi eleito.

Em nota, Zezé Perrela, disse que nunca recebeu dinheiro da JBS, confirmou a ligação entre seu secretário e Fred e afirmou que espera que os dois possam se defender.

Polícia Federal prende primo de Aécio e assessor de Perrella

A Polícia Federal prendeu nesta quinta (18) Frederico Pacheco de Medeiros, primo do senador suspenso Aécio Neves (PSDB-MG), que foi afastado do mandato a pedido ministro relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin.

O mandado de prisão de Medeiros foi emitido após o jornal O Globo noticiar que gravações em posse da Justiça revelam o parlamentar pedindo uma propina de R$2 milhões a Joesley Batista, dono do frigorífico JBS. Aécio teria indicado seu primo para receber o montante. Segundo o jornal, as gravações fazem parte da delação premiada da JBS, homologada por Fachin. A delação foi mantida em sigilo.

Frederico foi encontrado em um condomínio na região metropolitana de Belo Horizonte. Mais cedo, também foi presa Andrea Neves, irmã de Aécio Neves. Foi cumprido ainda um mandado de prisão contra Mendherson Souza Lima, assessor do senador Zezé Perrella (PMDB-MG). Segundo o jornal O Globo, investigações mostraram que os recursos pedidos por Aécio Neves ao dono do frigorífico foram depositados na conta de uma empresa de Perrella.

Todos os mandados são de prisão preventiva e foram assinados por Edson Fachin, ministro do Superior Tribunal Federal (STF) relator dos processos relacionados com a Operação Lava Jato. Também foi determinado o afastamento de Aécio Neves de suas funções parlamentares.

Foram realizadas ainda buscas no estado de Minas Gerais e Rio de Janeiro e em Brasília, em endereços ligados aos dois senadores e à Andrea Neves. A PF não informa os locais exatos, nem a quantidade da mandados cumpridos. Entre os alvos estão os gabinetes dos parlamentares na capital federal, um imóvel de Andrea Neves no Rio de Janeiro e uma fazenda de Aécio Neves em Cláudio (MG).

STF autoriza abertura de inquérito para investigar Temer

O Supremo Tribunal Federal (STF) anunciou que abriu um inquérito nesta sexta-feira (18) contra o presidente Michel Temer por conta das revelações de que ele teria pago propina para comprar o silêncio do ex-deputado da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha. Pouco antes, a defesa de Temer protocolou no STF um pedido para ter acesso às gravações feitas pela Polícia Federal sobre os pagamentos de propina e de negociações sobre a compra de silêncio de Cunha.

As revelações contra o presidente, bem como contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG), estão nas delações de Joesley Batista, um dos donos da JBS. Desde quando foi revelada na noite de ontem (17), diversos opositores e aliados do mandatário começam a ventilar a possibilidade de impeachment ou de uma eventual renúncia de Temer.

O deputado Alessandro Molon (Rede-RJ) protocolou o primeiro pedido de impeachment e que será avaliado na Câmara dos Deputados.

 

Fonte: Ansa/Terra/Agencia Brasil/Municipios Baianos

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