19/05/2017

Bahia: Rui abandona a Cesta do Povo e despreza trabalhadores

 

Uma proposta nada amigável do governo do estado da Bahia surpreendeu a Associação Baiana de Trabalhadores da Ebal/Cesta do Povo (ABTEC) neste mês de maio. Além de demitir mais de 1.000 funcionários da Cesta do Povo de forma escalonada e ter fechado mais de 150 lojas em todo o Estado desde que assumiu o cargo de governador, Rui Costa (PT), abriu uma enquete nesta semana para os funcionários que ainda restam nas 60 lojas abertas da Ebal espalhadas nos municípios, propondo demissões voluntárias sem perda de direitos trabalhistas. Entretanto, há uma contradição nessa proposta: como pode um plano de demissão voluntária garantir direitos trabalhistas se o propósito de tal plano é apenas enxugar gastos com gestão de pessoas? Essa enquete é vista pelo Presidente da Associação de Trabalhadores da Ebal, Francis Tavares, como resposta ao desespero do governador, uma vez que não conseguiu leiloar a Cesta do Povo e privatizá-la.

No dia 28 de junho de 2017 será realizada a primeira audiência da Ação Civil Pública (ACP) dos trabalhadores da Ebal/Cesta do Povo, impetrada pelo Ministério Público do Trabalho de Salvador (MPT) por conta de uma denúncia da Abtec no segundo semestre de 2016, com a finalidade de reintegrar os funcionários demitidos e tratar da negociação do futuro destes funcionários e dos demais que ainda se mantêm em seus postos de trabalhos. Esta ACP é abrangente a todos os trabalhadores da Ebal/Cesta do Povo, o que inclue os de cargos comissionados e funcionários em exercício.

Nem mesmo os concursados estão escapando dos ataques do governo. Assim como tantos outros, uma funcionária da Cesta do Povo da cidade de Jequié, que prestou concurso público para o cargo, foi demitida. Contudo, no mês de abril, a Associação conseguiu a reintegração da mesma. “Mesmo com ação coletiva em andamento impetrada pelo MPT, estamos orientando os trabalhadores demitidos da Cesta do Povo a entrarem em contato com o departamento jurídico e abrirem ação individual”. Explica o Presidente da ABTEC, Francis Tavares.

Segundo Tavares, a Associação está planejando a publicação de outdoors por pelo menos 20 cidades do interior do estado após os festejos juninos a fim de garantir visibilidade à causa dos trabalhadores e pressionar o governador do estado contra as demissões dos empregados públicos. Além disso, outras ações de publicização dos ataques aos trabalhadores e ao sucateamento da Cesta do Povo estão sendo planejadas para todo o Estado da Bahia.

Produção de papel e celulose na Bahia cresce mais de 40%

O papel está presente em praticamente todos os segmentos da vida doméstica, acadêmica e empresarial. Mesmo com as dificuldades econômicas enfrentadas pelo país, o setor de papel e celulose na Bahia registra um crescimento na produção de 40,6%, no acumulado de 2006 até março deste ano, segundo dados da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI).

No período de janeiro a abril de 2017, o segmento de papel e celulose foi o segundo mais importante nas exportações baianas com participação de 16,67%. Ainda de acordo com a SEI, as exportações neste setor em 2017 somam, até o momento, US$ 382,804 milhões. Somente de janeiro a março de 2017, 66 novas vagas de emprego foram ocupadas no setor. Na área de produção, até março deste ano, houve crescimento de 1,1%.

Nesse período, a China continuou sendo o maior mercado para as exportações de papel e celulose da Bahia. Dois municípios, Eunápolis e Mucuri, no sul do estado, se destacam na produção e são sedes de grandes empresas do segmento – a Veracel, instalada em Eunápolis, e a Suzano, localizada em Mucuri. Considerada uma das indústrias mais avançadas do mundo no setor, a Veracel é especializada na produção de celulose. Já a Suzano, atualmente em expansão, produz de forma integrada (papel e celulose) e possui a maior unidade produtora de celulose e papel do Brasil.

A fabricação da celulose é responsável pelo desenvolvimento de diversas regiões. O empresário Joab Dias, de Mucuri, está há 26 anos na cidade. “Começamos com uma padaria e de lá para cá o comércio se desenvolveu. Eram apenas cinco funcionários e hoje temos uma equipe de 160 trabalhadores. Temos lojas em Mucuri, Itabatã, Nova Viçosa e tudo isso depois do desenvolvimento da indústria da celulose na região”.

Ampliação e novo nicho

Segundo a gerente de Relações Institucionais e Legais da Suzano, Mariana Lisbôa, a unidade do Sul da Bahia conta com 5,5 mil colaboradores, entre próprios e terceiros. “Este ano estima-se um investimento de mais de R$ 700 milhões para a planta de Mucuri. Vamos incrementar a produção de papel e passar para um novo nicho, o papel tissue, que é o papel sanitário, e também aumentar o número de colaboradores próprios, inicialmente com cerca de 200 novos postos de trabalho, fora terceiros diretos e indiretos”.

Ela informa que hoje a matriz da Suzano é na Bahia e a empresa vem focando cada vez mais na contratação da mão de obra local “Em 2017, a Suzano está com uma capacidade de 2 milhões de toneladas de produção, entre celulose e papel. A Suzano conta com um quadro muito competente de colaboradores, especialmente aqui no estado. Nós fazemos a capacitação desses trabalhadores tanto com a presença física como por meio online”.

Para Mariana Lisbôa, o Governo do Estado tem sido um parceiro da Suzano. “Todos os acordos firmados são estritamente cumpridos, isso é algo importante porque gera uma boa ambiência de negócios. Estar na Bahia é uma vantagem por causa da parceria com o Governo. Houve incentivos por parte da administração estadual, acordo com créditos de ICMS, e a parte de incentivo fiscal é importante para a decisão de se ampliar a planta na Bahia”.

Maior produtividade mundial

Segundo a Associação Baiana das Empresas de Base Florestal (Abaf), a Bahia ocupa a quarta posição em área plantada com eucaliptos no Brasil. A produtividade dos plantios de eucalipto do estado é a maior do mundo, principalmente pelas condições de clima e solo e pela tecnologia de ponta empregada na cultura. Dados da Abaf apontam que, enquanto a produtividade média dos plantios baianos atinge 42m³/ha/ano, a média anual nacional é de 35m³ por hectare. Já a produtividade média dos principais países produtores fica em 24m³ por hectare/ano. Em alguns lugares, o eucalipto, que na Bahia demora sete anos para ser colhido, só pode ser extraído após trinta anos de cultivo.

De acordo com Sérgio Alípio, advisor de Relações Institucionais da Veracel, a planta de Eunápolis foi desenhada em 2005 para uma capacidade de 900 mil toneladas de celulose por ano. “Com as melhorias de processo, hoje estamos com a capacidade de 1.12 mil toneladas por ano. Isso significa um crescimento de mais de 25% da nossa capacidade instalada”.

Ainda segundo Sérgio Alípio, “a Veracel se tornou exportadora participando do Programa Desenvolve, oferecido pelo governo. Outro fator foi a produtividade florestal do sul da Bahia que nos coloca em um nível de competitividade internacional muito importante”.

Alípio informa também que a indústria mantém três mil empregos permanentes, entre diretos e indiretos. “A Veracel também realiza cerca de R$ 300 milhões em compras por ano sobretudo na Bahia. Em termos de serviços, temos algo em torno de R$ 360 milhões contratados, e aquelas empresas que não são baianas têm CNPJ baiano, elas têm que ter recolhimento na Bahia. A Veracel gera ainda cerca de R$ 100 milhões de tributos entre federais, estaduais e municipais”.

Infraestrutura

Para o superintendente de Atração de Investimentos da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico, Paulo Guimarães, os recursos aplicados pelo governo em infraestrutura são fundamentais para o desenvolvimento do setor industrial. “Nós estamos negociando com os Chineses e com a Bahia Mineração a conclusão da Ferrovia Oeste-Leste, especialmente no trecho Caetité-Ilhéus, e a construção do Porto Sul, que vão permitir o escoamento dessa produção. Temos projetos de ampliação do Terminal de Contêineres do Porto de Salvador, outros projetos a serem implantados no Porto de Aratu. Este conjunto vai trazer uma realidade portuária que vai ampliar a indústria baiana, inclusive a de celulose”.

 

Fonte: Ação Popular/Secom Bahia/Municipios Baianos

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