20/05/2017

Em conversa com Joesley, Aécio diz que Temer "amarela"

 

Em diálogo com Joesley Batista, dono do frigorífico JBS, o senador e presidente do PSDB, Aécio Neves, aparece falando na necessidade de intervir no Ministério da Justiça para travar as investigações da Operação Lava Jato.

A transcrição da conversa está na decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin que afastou Aécio do Senado e determinou as prisões de sua irmã, Andréa Neves, e seu primo Frederico Pacheco de Medeiros. O texto foi obtido pelo site BuzzFeed.

No diálogo, Aécio diz que o presidente Michel Temer iria "amarelar" na hora de sancionar o projeto que pune o abuso de autoridade e pede para Joesley mandar "um recado" para o chefe da Câmara, Rodrigo Maia, colocar o texto para votação.

"Tinha que mandar um recado pro Rodrigo, alguém seu, tem que votar essa merda de qualquer maneira, assustar um pouco, eu tô assustando ele, entendeu?", disse o tucano. Aécio também indica que é preciso tirar o ministro da Justiça, Osmar Serraglio, para permitir que os inquéritos da Lava Jato caiam nas mãos dos delegados certos.

  • Veja abaixo o diálogo, segundo o BuzzFeed :

Aécio - Esses vazamentos, essa porra toda, é uma ilegalidade. Joesley - Não vai parar com essa merda?

Aécio - Cara, nós tamos vendo (...) Primeiro temos dois caras frágeis pra caralho nessa história, é o Eunício [Oliveira, presidente do Senado] e o Rodrigo [Maia, presidente da Câmara], o Rodrigo especialmente também, tinha que dar uma apertada nele que nós tamos vendo o texto (...) na terça-feira.

Joesley - Texto do quê?

Aécio - Não... São duas coisas, primeiro cortar o pra trás (...) de quem doa e de quem recebeu.

Joesley - E de quem recebeu.

Aécio - Tudo. Acabar com tudo esses crimes de falsidade ideológica, papapá, que é que na, na, na mão [dupla], texto pronto nãnã. O Eunício afirmando que tá com colhão pra votar, nós tamo (sic). Porque o negócio agora não dá para ser mais na surdina, tem que ser o seguinte: todo mundo assinar, o PSDB vai assinar, o PT vai assinar, o PMDB vai assinar, tá montada. A ideia é votar na... Porque o Rodrigo devolveu aquela tal das Dez Medidas, a gente vai votar naquelas dez... Naquela merda das Dez Medidas toda essa porra. O que eu tô sentindo? Trabalhando nisso igual um louco.

Joesley - Lógico.

Aécio - O Rodrigo enquanto não chega nele essa merda direto, né?

Joesley - Todo mundo fica com essa. Não...

Aécio - E, meio de lado, não, meio de leve, meio de raspão, né, não vou morrer. O cara, cê tinha que mandar um, um, cê tem ajudado esses caras pra caralho, tinha que mandar um recado pro Rodrigo, alguém seu, tem que votar essa merda de qualquer maneira, assustar um pouco, eu tô assustando ele, entendeu? Se falar coisa sua aí... forte. Não que isso? Resolvido isso tem que entrar no abuso de autoridade... O que esse Congresso tem que fazer. Agora tá uma zona por quê? O Eunício não é o Renan.

Joesley - Já andaram batendo no Eunício aí, né? Já andaram batendo nas coisas do Eunício, negócio da empresa dele, não sei o quê.

Aécio - Ontem até... Eu voltei com o Michel ontem, só eu e o Michel, pra saber também se o cara vai bancar, entendeu? Diz que banca, porque tem que sancionar essa merda, imagina bota cara.

Joesley - E aí ele chega lá e amarela.

Aécio - Aí o povo vai pra rua e ele amarela. Apesar que a turma no torno dele, o Moreira [Franco], esse povo, o próprio [Eliseu] Padilha não vai deixar escapulir. Então chegando finalmente a porra do texto, tá na mão do Eunício.

  • Sobre o ministro da Justiça:

Joesley - Esse é bom?

Aécio - Tá na cadeira (...). O ministro é um bosta de um caralho, que não dá um alô, peba, está passando mal de saúde pede pra sair. Michel tá doido. Veio só eu e ele ontem de São Paulo, mandou um cara lá no Osmar Serraglio, porque ele errou de novo de nomear essa porra desse (...). Porque aí mexia na PF. O que que vai acontecer agora? Vai vim um inquérito de uma porrada de gente, caralho, eles são tão bunda mole que eles não (têm) o cara que vai distribuir os inquéritos para o delegado. Você tem lá cem, sei lá, 2.000 delegados da Polícia Federal. Você tem que escolher dez caras, né?, do Moreira, que interessa a ele vai pro João. Joesley - Pro João.

Aécio - É. O Aécio vai pro Zé (...)

[Vozes intercaladas]

Aécio - Tem que tirar esse cara.

Joesley - É, pô. Esse cara já era. Tá doido.

Aécio - E o motivo igual a esse?

Joesley - Claro. Criou o clima.

Aécio - É ele próprio já estava até preparado para sair.

Joesley - Claro. Criou o clima.

Aécio e Temer têm atuado para impedir avanço da Lava Jato, diz Janot

A delação da JBS aponta que o presidente Michel Temer (PMDB) e o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) têm atuado para impedir o avanço das investigações da Lava Jato, disse o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao pedir a abertura de inquérito para investigar os dois.

 “Verifica-se que Aécio Neves, em articulação, dentre outros, com o presidente Michel Temer, tem buscado impedir que as investigações da Lava Jato avancem, seja por meio de medidas legislativas, seja por meio do controle de indicação de delegados de polícia que conduzirão os inquéritos”, escreveu o procurador-geral da República, em despacho assinado no dia 7 de abril.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato, levantou o sigilo da delação da JBS. Nesta sexta-feira, 19, foram tornados públicos os depoimentos de delatores, os despachos de Fachin e os pedidos de abertura de inquérito formulados pela Procuradoria-Geral da República.

De acordo com o Janot, os elementos já colhidos apontam pagamentos de propinas ao doleiro Lúcio Funaro e ao ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ambos presos em decorrência de desdobramentos do caso Lava Jato.

“Eduardo Cunha, ex-deputado federal e ex-presidente da Câmara dos Deputados, era do mesmo partido do presidente da República, PMDB, e se tornou pública a tentativa de Cunha arrolar o presidente da República como uma de suas testemunhas, fato reconhecido pelo próprio presidente como uma tentativa de constrangê-lo. Depreende-se dos elementos colhidos o interesse de Temer em manter Cunha controlado”, ressaltou Janot.

Peculiaridade

Em seu despacho, Janot destaca a “peculiaridade” dos episódios narrados na delação da JBS. “Diferentemente de episódios anteriores nos quais a colaboração cingia-se a fatos criminosos pretéritos, a presente negociação de acordo trouxe à baila crimes cuja prática ou seu exaurimento estão ocorrendo ou por ocorrer, em datas previstas ou previsíveis.

Isso torna obrigatória, em respeito à missão constitucional do Ministério Público, a intervenção imediata para propiciar a cessação das condutas e sua induvidosa e rigorosa apuração”, afirmou Janot. De acordo com Janot, as provas já colhidas indicam o cometimento de crimes de corrupção ativa por Joesley Batista e passiva por Aécio.

“Verificou-se que, por intermédio de sua irmã, Andrea Neves da Cunha, Aécio Neves solicitou propina para Joesley em pelo menos uma oportunidade, consistente no pagamento de R$ 2 milhões, acertado a ser efetivado em parcelas”, afirmou Janot. Andrea foi presa nesta quinta-feira, 18, por determinação de Fachin.

 

Fonte: ANSA/Agencia Estado/Municipios Baianos

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