20/05/2017

Andrea Neves era a grande estrategista de Aécio

 

A imagem pública do senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) foi moldada pela irmã mais velha, Andrea Neves, 58, presa nesta quinta (18) pela Polícia Federal.

Apesar de preferir evitar exposição pública, a neta de Tancredo foi a grande estrategista da gestão Aécio desde o período em que ele governou Minas (2003-2010), controlando discursos e aparições do então governador e gerindo crises do mandato.

A Aécio, melhor no trato pessoal, cabia a parte de fazer política miúda e ser a figura de destaque da família. Segundo aliados, os dois se complementavam.

No governo, ela comandava oficialmente o Servas, -serviço social ligado ao governo cuja presidência normalmente é reservada às primeiras-damas- e coordenava o grupo responsável pela comunicação do Estado. Os cargos, diz Aécio, não eram remunerados.

Andrea também ajudou a tocar as campanhas do irmão, inclusive à Presidência em 2014, e de aliados, como o ex-prefeito de Belo Horizonte Marcio Lacerda (PSB), eleito em 2008.

Obsessiva por trabalho, ficou conhecida pela rigidez nas cobranças a quem trabalhava com ela. Também era temida pelo modo como desconstruía os adversários nas campanhas. Dizia que na eleição não se dá um soco no adversário, mas “se faz furinhos e deixa ele sangrar”.

Embora a própria Andrea nunca tenha se candidatado, sempre foi ligada à política, inclusive por acaso -em 1981, ia a um show de comemoração ao Dia do Trabalhador no Riocentro quando socorreu o capitão que transportava as bombas que explodiram no conhecido atentado frustrado no local.

Recentemente, decidiu fazer uma rara aparição para se defender. Publicou um vídeo na internet em que chora ao negar acusação de ter recebido dinheiro da Odebrecht em conta no exterior. “Eu gostaria de olhar nos olhos da minha mãe e da minha filha e dizer: é mentira”, afirmou no vídeo.

Andrea foi presa em Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte, por outra acusação. O empresário Joesly Batista, da JBS, disse em delação ela pediu dinheiro em nome do irmão. O advogado dela, Marcelo Leonardo, afirma que a relação com o empresário era “de caráter pessoal e sem nenhum vínculo com a administração pública”.

Piada: Aécio está “inconformado e surpreso”, diz advogado

O advogado do senador Aécio Neves (PSDB-MG), José Eduardo Alckmin, afirmou que o parlamentar está “inconformado e surpreso” com as acusações de que teria pedido R$ 2 milhões a Joesley Batista para pagar sua defesa na Operação Lava Jato e com a determinação de seu afastamento do mandato. Ele confirmou o pedido, mas disse se tratar apenas um empréstimo pessoal e que houve uma “descontextualização” da fala de Aécio na gravação.

Alckmin também afirmou que o senador ficou surpreso com a prisão de sua irmã, Andrea Neves, detida nesta quinta (18) em Belo Horizonte. O advogado ficou reunido com Aécio na casa do senador no Lago Sul entre as 8h e as 13h desta quinta, após o fim do cumprimento de mandado de busca e apreensão na casa do parlamentar, de onde foram levados computadores.

O advogado seguiu para o STF, onde disse que pediria ao ministro Edson Fachin a “reconsideração das medidas cautelares” e do pedido de afastamento do mandato.

Aécio e Temer acreditavam que o alvo era apenas Lula?

Desde que a operação Lava Jato foi deflagrada, com ampla cobertura da mídia, o PT adotou o discurso de que se tratava de uma investigação direcionada e que tinha Lula como alvo. Militantes petistas abraçaram esse discurso. Parcela da opinião pública foi seduzida por ele.

Mas o que não se sabia, até ontem, é que Temer e Aécio também acreditaram que Lula era o único alvo. E que, ambos, podiam fazer o que quisessem pelos cantos. Acreditavam que estavam imunes ou que a PF e o MP estavam entretidos demais para acompanhar suas travessuras.

Na noite de sete de março, na comemoração dos 50 anos de jornalismo de Ricardo Noblat, o deputado Miro Teixeira (Partido Verde-RJ) sentenciou sobre os que perguntavam — onde isso vai parar?: “Eles querem saber se chegará neles”.

A afirmação de Miro foi feita depois de relato de pergunta feita, num shopping de Brasília, pelo ex-tesoureiro do PT Paulo Ferreira: “Onde isso vai parar?” No caso de Ferreira, ele acabou preso na Operação Custo Brasil e é um dos réus da Lava Jato.

A luz dos novos fatos a pergunta pode ser interpretada como um sinônimo do discurso do atual governo e dos seus: “A Lava Jato precisa ter um prazo para terminar”. Argumentavam que isso seria bom para o país e para sua economia. Bom, o que dizer disso agora? Sem falar na decisão, de manter em seus cargos, os ministros envolvidos na Lava Jato.

Mas o mundo não caiu nem a terra tremeu. O que caiu foi o discurso do bloco político que comanda o país. Como já ocorreu com o governo Dilma, o que está tremendo é o governo Temer. Ou do ex-presidente, como disseram, num ato falho, jornalistas de televisão.

Chega a ser bizarro o que aconteceu. Os donos da J&F estão mergulhados na Lava Jato, investigados pelo Polícia Federal e o Ministério Público há anos. Mesmo assim, o presidente da República e o presidente do PSDB, senador Aécio Neves, se sentiram liberados e abriram o coração. Mata? Controla o Eduardo Cunha?

Os empresários Joesley e Wesley Batista criaram as condições para que se fizesse um serviço completo. Gravação de áudios! Filmagens de cenas flagrantes! Um primo do senador tucano recebeu valises de dinheiro. O jovem deputado Rocha Loures, copa e cozinha de Temer, recebeu frasqueiras de grana.

Os fatos ampliaram o ambiente de incerteza. Ele não se resume mais à indagação se Lula poderá ou não ser preso? Ou se as reformas seriam ou não aprovadas? Quem mais poderia ser preso? O Congresso vai aprovar as reformas da previdência e trabalhista enviadas pelo governo? Temer conseguirá entrar para a história como o presidente das reformas?

O Bloco PSDB-PMDB conseguirá ter um candidato orgânico? Ou apostará num outsider? Como fez a UDN com Jânio Quadros. O TSE cassará a chapa Dilma-Temer ou vai deixar para lá. Michel Temer continua em campo ou vai para o chuveiro?

A opinião pública aceitaria que o Congresso elegesse um presidente? Políticos que fazem tricô com Temer seriam aceitos no comando do país? Haveria força e disposição política para antecipar a eleição presidencial? Se isso ocorrer, ela será solteira? Como a que elegeu Collor. O mercado, e seus porta vozes, vai manter seu aval e sua aposta nesse governo.

O que se sabe é que Temer, o PMDB e o PSDB não têm músculos para segurar a onda. A única certeza possível é a de que Temer não abrirá mão do cargo, pois isso seria uma confissão de culpa. Mesmo que travestido com o discurso de que se está pensando no país. Por isso, os governistas devem remar: “Se a canoa não virar, / Olê, olê, olê, olá / Eu chego lá…” Onde?

PF interceptou conversa de Aécio e Gilmar Mendes

A Polícia Federal interceptou pelo menos uma conversa telefônica entre o senador Aécio Neves (PSDB) e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes na Operação Patmos, após autorização judicial, segundo a Folha.

No diálogo, ocorrido no último dia 26 de abril, o tucano pediu ao ministro para que telefonasse para o senador Flexa Ribeiro (PSDB-AM).

Conforme o relatório da PF, Aécio solicitou a Mendes que conversasse com Flexa para que ele seguisse uma orientação de voto do então presidente nacional do PSDB em relação ao projeto do abuso de autoridade.

Também foi interceptada uma conversa entre o presidente Michel Temer (PMDB) e o deputado federal Rodrigo Loures (PMDB-PR), seu ex-assessor, flagrado recebendo R$ 500 mil.

Na ocasião, Temer falou sobre uma expectativa que o parlamentar tinha a respeito de novas regras para o setor portuário.

Dono da JBS diz que pagou R$ 6 milhões em notas frias a Serra

O senador José Serra (PSDB) foi destinatário de cerca de R$ 6 milhões pagos em notas frias em 2010, durante sua campanha presidencial, segundo o empresário Joesley Batista, da JBS.

Em delação premiada, Batista disse que, à época, Serra o procurou e pediu uma contribuição. “Eu autorizei até R$ 20 milhões. Eu achava que tinha sido tudo oficial, e recentemente a gente viu nas auditorias internas que R$ 6 milhões foram pagos com nota fria”, afirmou.

De acordo com o proprietário da JBS, a maior parte desse valor foi paga a uma empresa chamada LRC. “Deram nota de patrocínio de um camarote no autódromo de Fórmula 1, como se nós tivéssemos comprado um camarote. Teve realmente esse camarote e essa corrida de Fórmula 1; só não podia custar R$ 6 milhões”, contou o empresário.

Batista relatou ainda a existência de outra nota fria, no valor de R$ 420 mil, da empresa APPM Análise e Pesquisa.

Ao ser questionado pelo procurador que conduzia a audiência sobre os pagamentos feitos a políticos, o dono da JBS explica o motivo dos repasses. “Que isso não seja justificativa de forma alguma, mas o simples fato de um senador da República te fazer um pedido de dinheiro, ainda mais em espécie…Isso te constrange”, alegou.

 

Fonte: Folha/Os Divergentes/Ação Popular/Municipios Baianos

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