20/05/2017

Bacelar pediu para comprar deputados e barrar impeachment

 

O empresário Joesley Batista, dono da JBS, afirmou em delação premiada à Procuradoria-Geral da República (PGR) que foi procurado pelo deputado federal João Carlos Bacelar (PR-BA) para comprar o apoio de deputados, em favor da ex-presidente Dilma Rousseff, na votação do impeachment na Câmara, ocorrida em 17 de abril do ano passado.

Segundo o depoimento, prestado em 3 de maio, Bacelar apareceu na casa de Batista, um dia antes da votação, e pediu que o empresário pagasse a 30 deputados o valor de R$ 5 milhões, cada, para comprar o apoio deles e, assim, barrar o impeachment.

“No sábado anterior ao impeachment, aparece na minha casa o João, de noite, dizendo que precisava muito falar comigo. Aí eu desci do quarto, cheguei na sala e o João tava lá, dizendo que tava apavorado: ‘Joesley, nós precisa comprar os deputados pra ganhar o impeachment. R$ 5 milhões cada um, trinta deputados e nós ganha o impeachment’.  Uma situação constrangedora”, contou.

O empresário ainda relatou aos procuradores do Ministério Público Federal (MPF) que não aceitou a proposta, mas se comprometeu a comprar cinco deputados e pagar R$ 3 milhões a cada um deles.

Ele ainda disse que pediu uma lista dos parlamentares. “Eu disse: ‘quero ficar com a lista dos a serem comprados, pra depois eu ver na televisão se votou a favor’. Mas eu não lembro deles, porque eram deputados do baixo clero”, afirmou, ao dizer que não possui a listagem.

O delator acrescentou que fez apenas um pagamento de R$ 3 milhões e ainda continua sendo cobrado por Bacelar, por causa de uma dívida de R$ 12 milhões.

“Bacelar continua cobrando até hoje. Esses dias, paguei mais 500 mil. Desses 15 milhões, depois ele me abordou dizendo que ele ia receber 11 [milhões] e o Antônio Carlos [Rodrigues, ex-ministro dos Transportes] ia receber 4 [milhões]. Eu não dei os 4 pro Antônio Carlos. Não sei se eles iriam receber e passar para os outros deputados”, completou.

Na colaboração, o proprietário da JBS relatou também que Bacelar, a pedido dele, intercedeu a favor do ex-ministro Guido Mantega na CPI do Carf.

O parlamentar foi relator da comissão.

“Eu tinha encontrado o encontrado o Guido, ele tinha falado que tava com medo da CPI do Carf, que iam aprontar com ele. Falei com o Antônio Carlos [segundo Joesley, ele e o ministro eram próximos]: ‘Você sabe alguma coisa sobre isso? Sei, o relator é do nosso partido, o João Bacelar’. Ele me apresentou ao Bacelar”, explicou.

No encontro, Joesley disse que precisava de um favor, ao que o deputado baiano respondeu:  “Não, tudo bem. Você veja o que você quer”. “Um dia o João foi em São Paulo, eu botei o João pra falar com o Guido, ele deu um papel confidencial lá. Eu entendi que era para convoca-lo, mas não sei o que estava no processo. O João disse que ia cuidar”, continuou.

Em janeiro deste ano, a Polícia Federal (PF) concluiu inquérito da Operação Zelotes sobre a suspeita de compra de decisão no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) pela empresa Cimento Penha e não indiciou o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. O inquérito foi remetido ao Ministério Público Federal.

Jonga Bacelar diz desconhecer compra de deputados para votar impeachment

O deputado federal baiano Jonga Bacelar (PR) disse desconhecer a suposta compra de deputados para evitar o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). Em delação premiada, o dono da JBS, Joesley Batista, disse que Jonga o procurou a pedido do ex-ministro Guido Mantega para tentar barrar a cassação da petista.

O empresário conta que Bacelar ficou de levar uma lista com pelo menos 30 deputados. Foi apresentada uma lista de cinco deputados que deveriam receber R$ 3 milhões cada um por votar contra o impeachment.

Procurado pelo site O Antagonista, o parlamentar disse que Joesley é seu amigo, mas que desconhece a articulação. "Desconheço. Tenho que ver essa gravação", sintetizou.

Quando perguntado se Joesley mentiu, o deputado concluiu a conversa: "Meu amigo, estou fazendo uns exames aqui, tá bom?"

O BNews também tentou falar com o republicano, mas uma assessora atendeu à ligação e informou que o deputado "passará o dia fazendo exames".

Geddel era contato com Temer

O anexo da delação do empresário Joesley Batista, que lista denúncias feitas pelo sócio da JBS que possuem “elementos especiais de prova”, retoma pagamentos feitos ao presidente Michel Temer entre 2010 e 2012, mas também se estende a períodos mais recentes e faz menção a aliados do peemdebista, entre eles, o ex-ministro Geddel Vieira Lima.

Segundo o depoimento de Joesley, a partir das eleições de 2012, o relacionamento entre ele e Temer foi aprofundado, de forma que ele percebeu que, além do ex-ministro da Agricultura, Wagner Rossi, o então vice-presidente também operava com Geddel, Moreira Franco, Eduardo Cunha, entre outros aliados.

De acordo com o empresário, Temer o procurou durante o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

Ele foi convocado para uma reunião no escritório jurídico de Temer situado na região dos Jardins, na capital paulista e recebeu o pedido de R$ 300 mil para pagamento de despesas de marketing político na internet, “pois o mesmo [Temer] estava sendo duramente atacado no ambiente virtual”.

Joesley relatou que prometeu fazer o pagamento e que foi orientado por Temer a entregar o dinheiro a “Elcinho”, que seria um marqueteiro de sua confiança – mesmo apelido do marqueteiro do PMDB, Elsinho Mouco. Joesley contou então que chamou Elsinho a sua casa e entregou R$ 300 mil em espécie.

Após Temer assumir a Presidência, com o impeachment de Dilma, Joesley afirma ter criado um canal de interlocução com Geddel Vieira Lima, que foi escolhido por Temer para compor seu ministério na Secretaria de Governo.

Segundo o empresário, o baiano era um canal de contato entre ele e Temer, pelo qual encaminhava pedidos ao presidente, “podendo lembrar, em especial, de pedido de que ele interviesse no BNDES afim de que o banco não vetasse a mudança da sede da JBS para o exterior”.

Ainda de acordo com o sócio da JBS, também havia pedidos de informações, por parte de Geddel, sobre a situação do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e sobre o doleiro Lúcio Funaro, que tem ligação com o ex-presidente da Câmara.

“Em sua comunicação frequente, Geddel sempre perguntava a JB [Joesley Batista]: ‘E o passarinho? Está calmo?’”, afirma o anexo da delação.

Delator indica propina em campanha petista de 2014 em 25 estados; Bahia não aparece

A Bahia é um dos dois estados que não aparecem na delação do diretor da JBS, Ricardo Saud, quando detalhou a propina destinada aos diretórios estaduais do PT durante a campanha de 2014. O outro é Roraima.

De acordo com o executivo, foram repassados R$ 7,5 milhões: R$ 500 mil para o Acre; R$ 120 mil para Alagoas; R$ 120 mil para o Amazonas; R$ 70 mil para o Amapá; R$ 300 mil para o Ceará; R$ 200 mil para o Distrito Federal; R$ 200 mil para o Espírito Santo; R$ 180 mil para o Maranhão; R$ 1 milhão para Minas Gerais; R$ 100 mil para o Mato Grosso do Sul; R$ 150 mil para o Mato Grosso; R$ 200 mil para o Pará; R$ 120 mil para a Paraíba; R$ 1 milhão para Pernambuco; R$ 100 mil para o Paraná; R$ 1 milhão para o Rio de Janeiro; R$ 150 mil para o Rio Grande do Norte; R$ 100 mil para Rondônia; R$ 250 mil para Rio Grande do Sul; R$ 150 mil para Santa Catarina; R$ 150 mil para Sergipe; R$ 1 milhão para São Paulo; e R$ 120 mil para Tocantins.

De acordo com Saude, os recursos tinham como origem a conta mantida pela JBS para o PT, depois de negociações de investimentos do BNDES com o ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega.

"Estamos falando da campanha Dilma-Temer, em 2014. Recebíamos do Edinho Silva os pedidos para fazer depósitos ou pagamento de propina para o PT e depois compra de partidos. A gente fez doação não menor do que R$ 140 milhões para o PT só na eleição de 2014", explicou Saud - o número total de doações para o Partido dos Trabalhadores chegou a R$ 300 milhões.

Os recursos em questão foram distribuídos entre a Executiva Nacional, a campanha Dilma-Temer e entre os candidatos a governador também.

Segundo o diretor da JBS, a distribuição aconteceu para os candidatos do pleito de 2014 da seguinte forma: R$ 1 milhão para Ângela Portela (Senado); R$ 500 mil para Fátima Bezerra (Senado); R$ 500 mil para Lídio Cabral (Câmara); R$ 5 milhões para Fernando Pimentel (governo MG); R$ 5 milhões para Alexandre Padilha (governo SP); R$ 5 milhões para Gleisi Hoffmann (governo PR).

Também foram enviados R$ 2,5 milhões em nome de Edinho Silva e R$ 15 milhões para uma mulher de prenome Solange, tesoureira do PT Nacional.

Saud ainda contou aos procuradores que Edinho Silva, coordenador da campanha presidencial, autorizou pagamento de R$ 2 milhões para uma empresa Rental, de locação de bens móveis e outros R$ 3 milhões para uma empresa de comunicação e consultoria, por meio de notas frias.

 

Fonte: BN/BNews/Municipios Baianos

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