20/05/2017

Temer perdeu as condições de governar o País

 

Quem com Temer fere, com Temer será ferido, ou com Aécio, diz a sabedoria popular.

Não sabemos o que vai acontecer. Isto depende de vaticínios que são decididos nos subterrâneos das pirâmides faraônicas do poder brasileiro, desde que várias forças congressuais, judiciárias, policiais e midiáticas – com apoio provável das "forças ocultas", mas não muito ocultas, internacionais, decidiram implodir e suspender a Constituição Brasileira nessa farândula de ilegalidades da Lava-Jato e arredores. Mas sabemos o que está acontecendo. O presidente (?) Temer acabou. Idem o (ex-?) senador Aécio, indigno do sobrenome do avô. Corre na internet a versão de que o ataque contra Aécio, pela PF, vem de uma facção ligada a Serra. Se for verdade, isto mostra que retornamos ao tempo das vendetas entre maragatos e pica-paus no Rio Grande do Sul, nos albores e continuares da República Velha, onde a degola e as rixas entre capos líderes de clãs eram a regra. A versão não pode ser descartada.

O caso Lula – na Lava Jato – passou a ser uma nonada, ainda que liderado por um juiz, procuradores e policiais que têm, na sua prisão, uma causa obsessiva, digna de tragédia grega, ou de comédia romana.

Uma coisa é certa. Temer não tem mais condições de representar o país. Já não tinha, mas agora tem menos ainda. Dividiu com Donald Trump, ameaçado de impeachment, como Nixon, as manchetes desta quinta-feira. Na Al Jazeera chegou a ganhar a inglória glória da manchete principal. Temer faz lembrar o fantasma do pai de Hamlet, despido da grandeza deste: assombra, mas não governa mais.

É verdade que esta incapacidade de representar o país não decorre só dele. Desde que assumiu, e nomeou Serra e depois Aloysio (o ex-companheiro Mateus) como ministros de Relações Exteriores, o Itamaraty se tornou prisioneiro de uma visão anacrônica, retardatária, das lideranças do PSDB, em matéria de cenário internacional.

Seja lá por que motivo for, esta visão vê o Brasil como prisioneiro de uma masmorra norte-americana, cuja procedência é duvidosa: será a Casa Branca? O Departamento de Estado? A CIA? A National Security Agency? ONGs e empresas terceirizadas, além dos thinktanks reacionários de que o Instituto Millennium é tributário? Ou será simplesmente o interesse destes pessedebistas de parecerem como os porta-vozes de Miami perante os interesses da Praça Pan-americana, mais os Jardins, a Berrini, a Paulista, em São Paulo, e assemelhados em outras cidades no Brasil?

Aquela incapacidade ficou evidente na recente reunião em Pequim, onde a China, perante mais de 100 países, alguns representados por mandatários ou enviados especiais de primeira grandeza, o Brasil foi figura nula. Ah, fossem os tempos de Celso Amorim… Mas não só. Os tempos de Azeredo da Silveira, de San Tiago Dantas, João Neves da Fontoura, Osvaldo Aranha, Rio Branco… A música seria outra.

A China propõe uma reedição atual da "rota da Seda", o caminho da integração Euro-Asiática-Africana, co-atraindo a Oceania e a América Latina. Só uma visão de energúmenos vê o Brasil fora disto, permanecendo atrelado a esta pedra submersa que é a subserviência pessedebista à hegemonia norte-americana, que, aliás, não existe mais. Pelo menos no plano comercial.

Bom, existe agora a oportunidade histórica de nos livrarmos deste carrapato institucional que é o governo Temer.

Há, porém, uma pedra no sapato desta caminhada histórica. O PSDB se esfarinhou. O PMDB é um resíduo de jõoes-ninguém. O DEM não existe mais. A Rede está envolta nas contradições de Marina, que dá uma na ferradura da direita e outra no cravo da direita também. Bolsonaro é uma promessa fascista. Doria é um botox embonecado, politicamente.

Quem resta?

O PT e Lula. Que vão sobreviver, mesmo que a Lava-Jato persiga a obsessão de condena-lo. Nelson Mandela sobreviveu a isto.

E a direita não sabe o que fazer com esta herança "maldita" que vê pela frente.

Joesley revela um crime a Temer, mesada de R$ 50 mil a procurador infiltrado

O empresário Joesley Batista, do Grupo JBS, revelou ao presidente Michel Temer (PMDB) que estava “comprando” um procurador da República por R$ 50 mil mensais. Em troca, o procurador infiltrado teria passado informações sigilosas sobre investigação da qual Joesley é alvo.

O procurador da República Ângelo Goulart Villela foi preso nesta quinta-feira, 18, sob suspeita de vazar investigações para a JBS. Ângelo Goulart Villela era membro da força-tarefa da Operação Greenfield, que investiga rombo bilionário nos maiores fundos de pensão do País.

Durante a conversa, o empresário disse a Temer. “Eu tô meio enrolado aqui, né? No processo assim. Isso, isso. Investigado, não tenho ainda denúncia”, seguiu Joesley em referência ao fato de que ainda não há acusação formal contra ele.

Joesley prosseguiu. “Aqui eu dei conta de um lado do juiz, dá uma segurada, do outro lado do juiz substituto, que é um cara que…”

“Tá segurando os dois?”, perguntou Temer.

“Segurando os dois”, respondeu o empresário.

“Ótimo, ótimo”, respondeu o presidente.

Joesley confidencia. “Eu consegui o tal do (…) dentro da força-tarefa que tá, também tá me dando informação e eu lá que eu tô para dar conta de trocar o procurador que está atrás de mim. Se eu der conta, tem o lado bom e o lado ruim. O lado bom é que dá uma esfriada até o outro chegar e tal. O lado ruim é que se vem um cara com raiva, com não sei o que…”

O empresário continua. “O que tá me…”

“Ajudando”, completa Temer.

“O que tá me ajudando tá bom, beleza. Agora o principal que (…) tá me investigando. Eu consegui colar um no grupo. Agora eu tô tentando trocar…”, relata Joesley.

“O que está…”, diz Temer.

“Então está meio assim. Ele saiu de férias até essa semana saiu um burburinho”, conta o empresário.

Joesley diz. “Eu tô me defendendo aí.”

(…)

“Tô fazendo R$ 50 mil por mês”, relata Joesley.

“Pro garoto”, diz Temer.

“Pro rapaz (…) me dar informação”, afirma o empresário.

Goulart era integrante da equipe do vice-procurador geral Eleitoral, Nicolau Dino, e recentemente estava cedido à força-tarefa das operações Greenfield, Cui Bono e Sépsis, que apura crimes relacionados à JBS. Joesley Batista e outros delatores da JBS teriam entregado provas de que o procurador repassou dados sigilosos aos investigados.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu o afastamento de Ângelo Goulart Villela de suas funções no Ministério Público Federal, determinou também sua exoneração da função de assessor da Procuradoria-Geral Eleitoral junto ao TSE e revogou a designação para atuar na força-tarefa da Operação Greenfield.

Temer deve 'admitir que renunciar é melhor do que perder governabilidade', diz tucano ex-ministro de FHC

Ex-ministro da Justiça (2000-2001) e secretário de Direitos Humanos (1997-2000) de FHC, José Gregori afirma que, à luz das denúncias, o presidente Michel Temer deve realizar um ato de "clarividência política" e "se convencer de que é melhor renunciar do que perder a governabilidade".

Temer é alvo de graves acusações após a divulgação, pelo jornal O Globo, de que teria dado aval a uma suposta operação de compra de silêncio do deputado cassado e ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Os irmãos Joesley e Wesley Batista, do grupo JBS, teriam conseguido gravar um diálogo em que o presidente diria que o pagamento a Cunha deve ser mantido.

Na tarde desta quinta, em meio à pressão crescente, Temer teria dito que não iria renunciar e que está sendo "alvo de uma conspiração", segundo repórteres nos bastidores do Palácio do Planalto.

"Dizer que não vai renunciar é um primeiro impulso de uma pessoa que é ponderada, tem experiência, é presidente de partido e está vendo consequências que ontem à noite ainda não tinham se manifestado. É evidente que há uma comoção nacional implicando quase todos os setores, inclusive o financeiro, que indicam a perda da governabilidade", disse Gregori à BBC Brasil.

"Nesse caso, o ato heroico de reconhecer isso, propiciando que a Constituição seja cumprida de imediato com a sucessão, seria uma prova de grande clarividência política. Temos que esperar que o presidente da República, que é tarimbado, sofrido, tem história e conhece bem o Brasil se convença de que é melhor renunciar do que perder a governabilidade."

Para o tucano, uma eventual renúncia de Temer traria rapidamente um clima mais estável ao país.

Espera-se que o presidente faça um pronunciamento ainda nesta quinta. Na noite de quarta-feira, o Palácio do Planalto negou as acusações por meio de nota, e disse que Temer "jamais solicitou pagamento para obter o silêncio" de Cunha e defende "ampla e profunda investigação para apurar as denúncias divulgadas pela imprensa".

Segundo informações divulgadas no noticiário, o STF autorizou a abertura de uma investigação sobre as acusações contra o presidente.

Diretas?

O ex-ministro de FHC afirma, no entanto, ser contra a possibilidade de realizar eleições diretas para presidente caso Temer caia - alternativa que é pedida por manifestantes nas ruas, nas redes sociais e defendida por alguns congressistas, mas que só seria possível com a aprovação de uma emenda constitucional ou por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).

"Eleições diretas é cultivar a aventura e abrir um precedente em relação à letra da Constituição. Não tem o menor sentido num momento como esse você imaginar eleições diretas num prazo de dois a três meses", afirmou.

"Estamos encontrando meios, até agora, apesar de a crise ser seríssima, de corrigir sob o manto da Constituição sem modificá-la", diz o tucano.

"Em uma hora traumática como essa, quando ainda se está pensando numa reformulação partidária e numa forma de voto mais democrático, não se tem condições de fazer uma campanha política num nível de troca de ideias e manifestos que seria o correto. Vai jogar para a rua uma divisão que chegou ao momento máximo no Brasil."

Para Gregori, é o momento de ter "confiança no cumprimento da Constituição".

"Depois do presidente da Câmara, que tem que assumir imediatamente, aparecerá um nome que não precisa ser do Congresso que leve o Brasil menos de um ano e meio com a reformulação política, com a manutenção do princípio de retomada do desenvolvimento - estávamos à beira disso."

De acordo com a Constituição, em caso de renúncia ou impeachment de Temer, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), deveria assumir o cargo e tem 30 dias para convocar uma eleição indireta. No entanto, não há rito estabelecido para esta disputa.

Segundo jurista Oscar Vilhena, diretor da FGV Direito-SP, qualquer cidadão poderia se concorrer, obedecendo aos critérios de uma eleição normal.

'Reorientação'

Ao comentar sobre as acusações ao senador Aécio Neves (PSDB-MG), que teria pedido R$ 2 milhões a Joesley Batista, segundo a suposta delação, Gregori afirmou que "o devido processo legal é uma decorrência constitucional e as eventuais condutas que se afastaram da lei devem ser apuradas, julgadas e condenadas como já está acontecendo em alguns casos nesses dois últimos anos".

O ministro do STF Edson Fachin, relator da Lava Jato, determinou, na manhã desta quinta-feira, o afastamento de Neves do Senado e proibiu o tucano de deixar o país, atendendo a um pedido da Procuradoria Geral da República.

A Procuradoria pediu também a prisão do senador, mas o pedido foi negado por Fachin.

Segundo relato de O Globo, Aécio Neves teria sido gravado por Joesley Batista, pedindo dinheiro para pagar despesas com sua defesa na Lava Jato. Em outro trecho da delação, o empresário diz, de acordo com o jornal, que pagou a Aécio propina de cerca de R$ 60 milhões no período das eleições de 2014.

Ainda nesta quinta-feira, a irmã do senador, Andrea Neves, foi presa pela Polícia Federal em Brumadinho, região metropolitana de Belo Horizonte. Ela chegou escoltada por dois agentes numa caminhonete à Superintendência da PF na capital mineira.

Um primo de Aécio, Frederico Pacheco de Medeiros, também foi preso na mesma cidade.

Para Gregori, considerado um dos fundadores do PSDB, o partido estava certo em participar da base aliada do governo Temer, mas, agora, precisa "ver como sair dessa crise respeitando a Constituição".

"A ida do PSDB para o governo foi eminentemente operacional, para resolver aquela primeira grande crise em razão do impeachment. Naquela época eu achei absolutamente necessária a presença dos tucanos no governo", defende.

O impacto do envolvimento de nomes importantes do partido na Lava Jato, segundo o ex-ministro de FHC, deve fazer com que o partido "se reoriente e verifique, dentro de tudo o que houve, qual é o momento em que ele errou, uma vez que uma crise como essa não dependeu apenas do erro de uma pessoa ou de um partido. É algo geral."

 

Fonte: Estadão Conteúdo/BBC Brasil/Municipios Baianos

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